Falso Perfeito
4 Capítulo 4: Primeiro Beijo
Notas iniciais
23 de Abril de 2016
O dia havia sido exaustivo, já que teve diversas consultas, depois ainda teve que cuidar de algumas coisas do projeto, por isso, que no final do dia tudo que Lucas queria era poder ir para casa e dormir profundamente, porém, naquela noite havia combinado de sair com seus melhores amigos, já que na sexta feira não deu certo de se reunirem para a cerveja, jogaram para o próximo dia.
— E aí caras — cumprimentou se sentando. Em cima da mesa já havia algumas latinhas.
— E ai, pensamos que já havia desistido de vir — Caio retrucou dando um gole em sua bebida, hoje estava tomando uísque.
— Quase não vim mesmo, estou morto, esse dia parece não acabar nunca.
— Nem me fala. Parece que já fiz um milhão de coisas hoje e ainda assim o dia não sai do lugar. — Gabriel retrucou.
Naquela noite Daniel não havia ido, tinha saído de viagem com sua esposa, recém casados, sabe como é, tudo é mil maravilhas e sentem como se vivessem diariamente dentro de um sonho.
Lucas notou que o local estava lotado e havia várias mulheres lindas, porém, não sentiu o interesse de ficar com nenhuma delas, nem mesmo de tentar conversar. Enquanto bebia sua proibida, percebeu que fazia bastante tempo desde que havia saído com alguma mulher com a intenção de uma noite de sexo quente e nada mais.
Parando para pensar, havia saído somente com Thamires nos últimos tempos e com mais ninguém. Depois do jantar em sua casa, não haviam se encontrado mais pessoalmente, porém, tinham se falado durante toda a semana, mesmo que fosse poucas mensagens. A semana havia sido corrida demais para chama-la para sair novamente.
— Hey, porque está fazendo essa careta aí? Parece que tá na merda — Caio debocha — Mas já sabe né, ninguém tá pior que eu.
— Nada não, só acho que essa cerveja tá meio quente.
— Também tu demorou pra caramba pra chegar homem.
— Gabriel, sabe o que eu tô lembrando aqui? — Caio indagou olhando para os amigos com aquela cara que qualquer um sabia que estava vindo merda por ai.
— Man, não sei se você percebeu, mas eu não sou um Edward Cullen, que consegue ler mente, nem nada assim.
— Palhaço.
— Desembucha logo Caio — Lucas fala perdendo a paciência.
— Lembra no começo do ano? Quando falamos que você só consegue as mulheres, porque já sabe o que procurar? — Lucas ficou alguns minutos pensativos, até que finalmente lembrou.
— Aposto que já tá caçando a sortuda de hoje — Caio falou debochado para Lucas.
— Tá vendo só Gabriel? Até ele sabe que transar comigo é uma sorte. Quer que eu escolha você essa noite gatão? — Lucas falou mexendo as sobrancelhas brincalhão.
— Sai fora! — Caio negou rindo. Gabriel apenas riu e bebeu mais um pouco da sua cerveja.
— Na verdade, eu já escolhi. Olha que loira! — Lucas comentou olhando em direção ao balcão, onde uma loiraça de vestido preto curto, com um decote em v que exibia parte dos seios, conversava e bebia com mais três amigas.
— Linda mesmo. Novidade ela ser loira... — ironizou Gabriel que sabia do fetiche do amigo por loiras desde o colégio. Hoje em dia, era mais que uma queda, tornou-se um despenhadeiro.
— É fácil para você sair daqui acompanhado por qualquer mulher que queira, porque, bom, é você mesmo quem escolhe a mulher. — Caio disse.
— Você está dizendo que se fossem vocês quem escolhessem, por exemplo, eu não sairia desse bar acompanhado essa noite? — Indagou encarando os amigos.
— Não é assim. É que você é o mais cafajeste de nós três. Você sai com uma loira diferente dia sim, dia não. Você as tem na sua mão. Você as decifra só de olhá-las... — Caio introduziu.
— Acho que o que ele está querendo mesmo dizer, é que é por isso que você observa tanto antes de escolher. Não é a mais gostosa ou a mais atirada. É a mais carente. — Gabriel terminou após cortar Caio.
— Você está certo. — Lucas admitiu — Mas só porque a carência faz com que elas sejam incapazes de pensar. Elas querem o agora, é só o que quero também. — ele ergueu o dedo chamando o garçom para trazer mais uma cerveja.
— Então deixa a gente escolher uma para você — sugeriu Caio.
— Tá, consegui lembrar, mas para que você está revivendo isso? — perguntou tentando entender a merda que se passava na cabeça de seu amigo.
— Acho que está na hora da gente — diz fazendo sinal para os dois — Escolher a garota com quem você vai sair daqui essa noite.
— E quem disse que hoje quero sair com alguma garota? Estou cansado demais, acho que o melhor é somente eu ir para casa e dormir.
— Sério mesmo que o famoso Lucas está dando para trás de um desafio?
— Você está com febre cara? — Caio fala colocando a mão em sua testa.
— Vocês dois me amam demais, só podem. Porque não arranjam uma para vocês então? Estou muito bem com minha proibida aqui.
— Non, estou muito ferrado por causa de mulher. — Caio fala se lembrando das gêmeas — Mas se você deixar a gente escolher uma pra você, sendo que você somente tem que dar um beijo nela, semana que vem tu pode escolher uma pra mim e pro Gabriel.
— Ela tem que ser loira. — foram as únicas palavras de Lucas.
— Claro, claro. Agora aproveita ai, que quando vermos a pessoa certa te falamos.
A noite correu entre conversas sobre coisas rotineiras e em um dado momento Lucas acreditou que seus amigos já haviam esquecido a ideia idiota, já que nem mesmo citaram mais nada.
— Lucas, tenho a garota ideal para você. — Gabriel fala após chegar do banheiro.
— Poxa, pensei que íamos escolher.
— É, eu sei, mas sério, essa mulher é a perfeita para ele.
— Tá bom, quem é ela? — Lucas acabou ficando curioso.
— No lado direito do bar com duas amigas. Ela está com uma calça jeans e blusa preta.
Lucas nunca imaginou que ao procurar a mulher fosse encontrar justamente Thamires, a mulher que nos últimos dias não saia de sua mente.
— Só podem estar brincando. — sussurra baixinho.
— O que? Acha que não é capaz de ficar com a gata? — provoca seus amigos. Naquele momento o rapaz não tinha dúvidas que havia perdido a aposta.
— Não, imagina. — fala sarcasticamente, porém, mesmo sendo seus melhores amigos, nenhum dos dois estavam a par sobre seus encontros com a loira do bar.
— Então, o que você está esperando homem. — “incentiva” Caio — Vai lá mostrar pra gente, que consegue ficar com qualquer mulher.
— Tá bom, já tô indo. — responde bebendo toda sua cerveja, só assim para suportar o fora que iria receber.
Podem pensar que estava sendo negativo e que aquilo não tinha nada a ver com o cara que conhecemos, mas afinal, fazia meses que já estava saindo com a garota e até aquele momento o máximo que havia rolado foi aquela provocação em sua casa, que por acaso foi burro o suficiente para não continuar.
Lucas caminhou lentamente para perto de Thamires e antes que chegasse perto, suas amigas saíram e algo dizia que a moça já havia o percebido ali.
— Ora ora, olha quem encontro aqui — fala encostando no balcão. A garota estava muito bonita, nunca a havia visto tão arrumada.
— Pois é, já eu tenho o desprazer de te encontrar. — retruca tomando alguma bebida colorida.
— Nossa, essa teria doido, se eu tivesse um coração é claro.
— Ou um cérebro né, já que é essa parte que comanda os sentimentos.
— Acho que de nós dois, quem não tem coração é você Princesa. — fala tocando em sua bochecha. Ao lado dela Lucas conseguiu esquecer que estava em um bar e que deveria beija-la, e até mesmo que seus amigos estava acompanhando cada movimento seu.
— Primeiro, que não sou uma princesa — responde retirando a mão de sua bochecha, porém, continuando a segurando. — Segundo, porque seus amiguinhos não tira os olhos de nós dois?
— É, primeiro, para mim você é uma princesa. — fala com um sorriso de lado. — Segundo, preciso de um favor seu.
— Claro que você precisa. Então, o que quer?
— Preciso que me deixe te beijar. — aquela sem dúvida havia sido uma péssima ideia, porém, com aquela garota a verdade sempre era a melhor opção.
— Você só pode estar brincando. — retruca chocada com a capacidade dele.
— Não, eu não tô. E eu faço qualquer coisa que você queira. Por favor, me ajude.
— Qualquer coisa? — Lucas sabia que iria se arrepender.
— Qualquer coisa. — responde com cara de derrotado, mesmo que tivesse conseguido o que queria.
— Feito. Pode me beijar.
Lucas não esperou nem mais um segundo. Naquele momento não houve aposta, não havia desafio, não tinha um bar lotado de pessoas, nem mesmo seus amigos. Era apenas ele, ela e seu desejo. Sua mão foi para seu pescoço, enquanto a outra a puxava pela cintura e então seus lábios estavam se tocando. Nada havia preparado para aquilo. Sua mente havia se desligado, não havia nenhum som, nenhum movimento, apenas estava concentrado no beijo e nas sensações maravilhosas que ele estava fazendo em seu corpo. O beijo tinha seu próprio ritmo, as vezes calmo e então rápido, não havia necessidade de pausas, era como se ambos estivessem esperando aquilo por muito tempo. Lucas só conseguia pensar em como estava viciado naquele beijo.
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