Falso Perfeito

2 Capítulo 2: Primeiro Encontro


Notas iniciais
Olá pessoal. Alguém aí? 64 anos depois voltei ♥ Música para escutarem durante a leitura: https://www.youtube.com/watch?v=dT2owtxkU8k&lc=UgyhZ21EY2V7fG_n_B14AaABAg Trecho especial da música: Oh, eu tenho tremido Eu amo quando você enlouquece Você tira todas as minhas inibições Amor, não há nada me segurando Você me leva para lugares que destroem minha reputação Manipula minhas decisões Amor, não há nada me segurando Não há nada me segurando Não há nada me segurando Terça-feira 12/03/2019

31 de Janeiro de 2016.

Daniel estava pirando, perdendo a cabeça, quase explodindo e aquilo era algo totalmente inédito de se ver, afinal, o rapaz sempre se mostrou o mais calmo e concentrado de todas as pessoas que Lucas conhecia e ali, faltando poucos horas para o casamento, estava preocupado se Beatriz não iria comparecer.

— Você entende que não há nenhum motivo no mundo para estar nervoso desse jeito, certo? — indagou Andrades com um sorriso idiota no rosto — Bia jamais te deixaria cara, ela te ama, além de que, até parece que iria gastar um dinheirão na festa do casamento para simplesmente desistir.

— Se eu não tivesse tão estressado agora, juro que te dava um soco — retrucou Daniel arrumando a gravata, porém, falhando miseravelmente.

— Eu não sei o que faria da minha vida se ela não aparecer hoje Lucas.

— Homem do céu, cadê o ânimo? Pensamento positivo? Primo, a Bia jamais lhe deu motivos para imaginar que desistiria, ela te ama como ninguém e sinceramente, você a ama como se ela fosse a última mulher na terra, certo?

— Sim, eu a amo mais do que qualquer coisa e isso é tão engraçado, porque jamais imaginei que isso um dia fosse acontecer sabe, nunca pensei que poderia um amor tão grande dessa forma, com uma intensidade que me tira o ar e o rumo. Lembro que em nosso primeiro encontro eu estava tremendo todo e a única coisa que conseguia pensar era que logo eu, o nerd tinha conseguido sair com a menina mais bonita da turma. E as coisas entre a gente sempre foi assim, natural e mágico. Ela sempre conseguia quebrar minhas inibições, me fazendo sair do meu casulo e aproveitar a vida, e eu sentia que não havia nada me segurando de ser quem eu queria ser, mas ao mesmo tempo eu sabia que ela estaria ali por mim, me segurando sempre que eu precisasse dela. — fala tudo em uma enxurrada de palavras, como se aquilo estivesse preso dentro de si. — Amar é algo louco.

— Exatamente, por isso eu quero ficar longe disso — responde Lucas sarcasticamente, porém, pensando profundamente nas palavras de seu primo.

— Um dia você ainda vai se apaixonar Lucas e espero sinceramente que você não me ligue no meio da noite ou na manhã seguinte chorando por ter seu coração partido.

— Deus me livre de uma coisa dessas Daniel. Até parece que está jogando praga. Você realmente acha que eu vou chorar por alguma mulher, até parece né. Que coisa de gente doido. — desconversa, tentando lembrar o porquê aquela frase soou tão conhecida, como se já tivesse a ouvido em algum lugar.

— Mas então, mudando de assunto, quem você vai trazer ao casamento? Você fez um mistério danado nessas últimas semanas sabe.

— A garota da livraria.

— Que garota da livraria? — indaga Daniel desapercebido — Pera, aquela garota da livraria? A do bilhete do restaurante?

— Essa mesmo. — fala com um grande sorriso, como se quisesse dizer que o maioral.

— Como você conseguiu isso?

— Você realmente acha que alguma mulher diz não pra mim?

— Aquela disse primo. Qual foi a arma que você uso? Chantagem? Pera, você realmente usou chantagem? — indaga surpreso ao ver a cara de gato pego na flagra de seu primo.

— Talvez eu tenha dito que a revista que ela trabalha ganharia uma reportagem em primeira mão sobre o projeto de ação Um Grito de Socorro. Você sabe que meus pais estão nesse projeto e o nome do meu pai dá dinheiro, fazer o que né.

— E você usou chantagem para conseguir uma mulher? Uau, realmente está decaindo mesmo.

— Não foi chantagem, foi uma troca de favores. Eu tenho que ter aquela mulher cara, já até imagino a noite maravilhosa que teremos depois do seu casamento. — responde na maior cara de pau.

— Eu que tô casando e você que tira a lua de mel. Que bonito.

— Deus me livre novamente, a única coisa que quero é uma noite de sexo e pronto, cada um seguindo sua própria vida.

— Ah Lucas, um dia esse seu cada um seguir sua própria vida não vai ser o suficiente. Escreve aí o que estou falando. Agora, deixa de ser um folgado homem e vá para casa se arrumar, afinal, me caso daqui duas horas. — exclama totalmente animado, como se não estivesse morto de preocupação minutos antes.

— O dia que isso acontecer priminho, o inferno vai ter congelado. Agora realmente já vou ir, afinal, tenho que ficar cheiroso para aquela delicia.

***

O casamento de seu primo havia sido maravilhoso, mas nada fazia Lucas tirar a carranca de sua cara, pelo fato de ter levado um grande toco. Tudo começou quando ligou para a garota da livraria e descobriu que não poderia ir no casamento, porque sua mãe não havia deixado. Quem em pleno século 21 pede permissão aos pais? Lucas sabia que aquilo era apenas uma desculpa, um motivo para não sair com ele e isso o deixava furioso.

Daniel estava radiante, e o motivo além de ter se casado, era que não parava de zoar Lucas, que agora se encontrava com uma taça na mão, e sozinho na festa. Não que se ele quisesse não teria companhia, porém, estava tão irritado, que nem pensava em chegar em alguma mulher naquele momento.

— Vai passar a noite com essa cara de bunda Man? — Daniel perguntou tomando um gole de sua bebida, enquanto assistia a sua agora esposa dançando com as amigas.

— É a única que tenho, se está tão incomodado pode vazar daqui — explodiu Lucas grosseiramente.

— Ei, calma priminho. Pra quem não estava tão afim, você parece incrivelmente decepcionado.

— Eu sempre estarei decepcionado de perder uma boa foda Daniel. Mas relaxa, porque essa noite eu com certeza não terminarei sozinho — fala acabando de beber em um gole só toda a bebida da taça.

— Só lembre-se de não fazer nada que vá se arrepender.

— Não irei — responde indo para a pista de dança.

***

01 de Fevereiro de 2016

Lucas tinha acabado de chegar em casa, isso era as 7 horas da manhã. Sua noite foi incrível, com duas belas garotas, mas nem isso tirava a irritação de saber que não passou a noite com a loira da livraria. Tomou um banho rápido para tirar o suor do corpo e deitou-se na cama, morto de cansaço. Quando estava quase caindo no sono, seu celular apitou com uma mensagem, com certeza da sua mãe. Lucas decidiu ignorar, naquele momento o mais importante era dormir.

Já estava quase anoitecendo quando Lucas finalmente despertou. A primeira coisa que fez foi olhar seu celular, um costume que tinha pegado na época de faculdade, quando torcia para receber mensagens dos professores avisando que não haveria aula. Havia seis mensagens. Quatro eram de sua mãe, com a paranoia normal, querendo saber como estava, se tinha dormido bem e todas essas coisas de mãe coruja. A outra mensagem era do seu primo, que mesmo em lua de mel, não deixava de zoar ele. E por fim, havia uma mensagem de Thamires, com um endereço e horário, nada a mais. Quando percebeu o horário na mensagem, pulou em pé indo para o banheiro, pois estava basicamente atrasado, não que estivesse ansioso, afinal, a garota o havia feito de tolo, ele nem deveria ir ao encontro, tinha que fazer ela sentir o mesmo. Não, não faria isso agora, primeiro teria o que queria e então iria embora, como sempre fazia.

***

— Pensei que não iria vir — Thamires fala chegando perto de Lucas.

— E perder a oportunidade de ver você? Não mesmo — respondeu galanteador.

— Eu não consigo entender o que as mulheres veem em você. Tão medíocre, tão normal, igualzinho aos outros tantos cafajestes, nem mesmo tem algo de novo, entende. — debocha caminhando para um banco, que tinha no meio da praça.

O céu estava incrivelmente estrelado naquela noite, algo incomum, naquela cidade tão grande.

— Talvez elas percebam que eu tenho tudo aquilo que elas precisam — responde com duplo sentido.

— Nah, as mulheres deveriam saber escolher melhor. Pelo menos eu, com certeza sei. — diz se sentando.

— O que significa tudo isso? Quer dizer, primeiro você me deu um toco, que tenho que ser sincero, foi muito corajosa, principalmente pela desculpa esfarrapada que você usou. Depois me manda uma mensagem, com esse lugar. E agora que estou aqui, simplesmente está jogando conversa fora.

— O que te fez ser como você é hoje? — Tami pergunta olhando para o céu.

— O que você quer dizer com isso? — indaga se sentando na extremidade do banco.

— Eu tenho uma teoria que ninguém nasce para ser assim como você é. Quer dizer, eu fiz minhas pesquisas sobre você sabe. E por favor, não me faça essa cara de surpresa, que tipo de jornalista eu seria se não pesquisasse sobre as pessoas? Você é lindo, tenho que confessar, vem de uma boa família, tem influência e contato, que pra deixar claro é a única razão de eu estar aqui com você, tem um ótimo emprego, ganha bem, mas mesmo assim parece que há algo te segurando sabe, algo que te impede de ser quem você é.

— Não há nada me segurando — responde Lucas sem conseguir encarar a mulher ao seu lado. Por mais estranho que pudesse ser, ela tinha razão sobre as coisas que dizia, e aquilo o assustava, porque uma estranha conseguiu o enxergar melhor que qualquer outra pessoa.

— Eu acho que nem você acredita nisso.

— E quem você pensa que é, pra chegar aqui e falar como se já me conhecesse a vida toda?

— Você sabia que normalmente quando as pessoas não quer falar sobre si mesma, ela prefere atacar?

— Não sabia que na faculdade de jornalismo também se tinha aula de psicologia. — responde ironicamente.

— Tudo bem. Vamos deixar essa conversa para outra hora. Já tenho que ir. Foi um prazer estar contigo no nosso primeiro encontro. Espero que cumpra sua parte do acordo. — responde sorrindo sarcasticamente.

— Espera, — fala segurando o braço da mesma — Isso foi nosso primeiro encontro, sério? Você me dá um toco, me chama no início da noite para essa praça que nem é lá essas coisas, fala coisas com coisas e decidi que depois de meia hora de conversa sem nexo, que o encontro já acabou? Acho que você não está acostumada a ter primeiros encontros princesa.

— Ou talvez você que não esteja acostumado a ter encontros que as pessoas somente conversam, ao invés de partir para a ação. — fala puxando seu braço. — Me manda depois uma mensagem, com o endereço sabe, da nossa entrevista. Boa noite Cafajeste. — sussurra andando para seu carro.

— Que mulher Deus. Será que joguei pedra na cruz? — indaga olhando para o céu, como se alguma resposta fosse sair de lá. E a pior parte? Ela o atrai o suficiente para o manter imaginando

Notas finais
E aí gostaram? Alguém odiando o Lucas? Alguém amando a Thamires? Vale lembrar que essa história é o spin off de uma outra história que não postei, então tem um saltos no tempo ai. Beijos.