Falsas aparências
1 Infância
Notas iniciais
Lá estava eu, cobrando as pessoas para assistirem a morte de um homem da janela de minha casa, pois a visão é privilegiada, apesar de sermos pobres, uma visão não se compra. Todos conversavam e riam como se fosse uma festa animada.moro na Lant street, aqui as pessoas não parecem se importar muito com a morte de um homem diante de seus olhos.
Meu nome é Quinn Berry, cresci em Lant street, temos a melhor vista para os enforcamentos, e nos dias de enforcamento, as pessoas pagam para olhar pela nossa janela mais alta.
– não Quinn, fica no seu canto quietinha. — Shelby me segurou pelos ombros me empedindo de chegar perto da janela.
– deixe- me ver, eu quero ver.
–Quinn Berry? a mãe dela foi enforcada por assassinato. — uma mulher com uma aparência horrenda com voz grave para a mulher ao seu lado.
– morreu como uma dama, sabe. — falei para mulher em tom de desafio,todos riram.
– querida menina. — Shelby beijou minha testa olhando meu rosto –anda, para cima. — me puxou pela mão colocando um banco devido meu tamanho, era uma criança, uma bela e atrevida criança. –depressa, depressa. — shelby me empurrou para cima do banco.
Os homens posicionaram o outro homem em cima do buraco que se abriria na hora certa. Não sei se ele era inocente ou não, pouco me importava, não o conhecia. As vezes pensava em como me sentiria se conhecesse esse homem, e se ele fosse inocente. Me surpreendi comigo mesma, quando o chão de madeira se abriu pendurando o individuo pelo pescoço prendendo sua passagem de oxigênio, fazendo-o tremer em agonia, não me assustei. Os bárbaros comemoraram como se fosse algum tipo de competição cuja o time da casa tinha obtido a vitória.
Em um sanatório:
Meu nome é Rachel Fabray,trouxeram-me até o manicômio onde a minha mãe morreu após o parto.
– Rachel, Rachel, você tem visita.
– uma visita. — ninguém nunca havia me visitado antes, será que é sinal do fim do mundo?
– não me recordo em todos esses anos. — falou a mulher que trabalhava no manicômio e cuidava de mim.
–aaaaaahhhhh. — dei um grito estridente fazendo aquele homem estranho com uma bengala e cartola me olhar com incredulidade com aquela boca estranha aberta. A moça que me segurava olhou para o homem com uma cara amena.
– porque você tem a língua preta? — perguntei curiosa, em todos os meus poucos anos de vida nunca vi uma língua dessa coloração. Já estava em uma sala com aquele homem e minha cuidadora.
–sshh anda. — a mulher me segurou pelos ombros me levando para perto do homem, que se sentou numa cadeira a minha frente com seus óculos redondos me observando, esse homem me assustava um pouco, não, muito, me assustava muito.
– ela é tão pequena quanto sua voz é baixa, pode falar baixo? — perguntou o homem.
– claro que posso, baixo. — moderei o tom de minha voz
– será que ela pode se calar? — fez uma pergunta retórica e fechei minha boca. O homem apontou sua bengala preta em meu pingente amarrado em uma fita.
– deixe me ver. — retirei a fita entregando-a ao homem
–minha mãe senhor.
– a minha irmã...esperamos que aquilo te faça lembrar de seu destino para não te acontecer o mesmo, ela sabe ler? — perguntou para a moça, minha cuidadora, senhorita Ashley.
Ela se levantou abrindo o livro em sua mão em uma pagina específica entregando-me .
–abençoado os pobres de espírito....
–abençoados. — me coagiu á falar corretamente.
– abençoados os pobres de espírito...
–fico com ela, vou mandar a governanta buscá-la amanhã. — falava como se eu fosse algum tipo de mercadoria, escravo.
–não vou!!!não pode me obrigar... — o homem parou de costas para mim
– eu quero ficar com você Ashley...não vou!!! — ele saiu pela porta enquanto esperneava para não me deixarem com aquele homem.
Em lant street...
– se o nosso amigo soubesse das entradas e saídas deste número...-o homem que cuidou de mim junto a Shelby falava com os outros.
–nunca seria descoberto.- todos riram como se fosse a piada do século.
Mostrei a Shelby a pequena fortuna que tinha em mãos com a venda de visão em nossa janela para o enforcamento.
–olha para aquilo, apenas a partir de hoje. — Shelby pegava as moedas em minha mão.
–vai fazer a nossa fortuna não é Quinn? — me perguntou
–vou?
–não vai senhor Ibbs? — perguntou ao homem que morava conosco e ele acenou positivamente com um sorriso meio bobo nos lábios, ele era engraçado.
Quem me trouxe foi a senhora corcovan que foi paga para tomar conta de mim durante uma semana quando eu era criança, mas ficou comigo durante todos esses anos, se isso não é amor então não sei o que é.
Em outro lugar....no campo....
Me vestiram com uma roupa preta mórbida, com luvas da mesma cor e chapéu, estou quente como o inferno, não entendo, a governanta ranzinza dormia na carruagem que estava nos levando a casa daquele homem, ela se despertou com o soar do sino.
– o sino de Bryar. — ela anunciou, e não dei importância, estava com raiva, não queria estar aqui.
– foi aqui que sua mãe viveu. — continuou. Olhei para aquela enorme e sem graça casa enorme e cinza.
– você vai ser uma dama assim como ela, apesar de sua fortuna, teve um fim triste, espera-se que você se torne melhor do que ela foi, não terminou com seus ovos? — fechei a cara e os joguei os ovos cozidos no chão. A cada metro que se aproximava, ficava mais nervosa. Um moço ajudou a governanta a descer.
– não quero ser uma dama, não pode me obrigar.
– veremos miss Fabray...mantenha as luvas... o senhor Fabray vai querer isso. — só para me opor, joguei as luvas em uma moça que estava a nos espera e elas caíram no chão de terra. Ela me levou para dentro me empurrando com um pouco de violência e as três moças que nos esperavam nos seguiram para dentro. Tropecei no longo tapete e ela fez um gesto para me calar e não fazer barulho. Deu 3 batidas tão leves e sutis que me deixava meio nervosa.
– sim. — perguntou o senhor Fabray dentro da sala que foi aberta com delicadeza. Caminhei até a sala e ela me parou.
– não é permitido ninguém além daí, por medo de estragarem seus livros. — olhei para o dedo, desenhado no chão de madeira.
– como está a temperatura dela senhora Stiles?
– um pouco alta senhor.
– você a fez usar luvas.
– ela as jogou em cima de mim senhor. — calúnia, eu joguei em cima da moça, mentirosa...ele se levantou me olhando pela primeira vez desde que entrei naquela sala.
– me dê sua mão Rachel. — fiz sinal de negativo.
– me dê sua mão. — ele me olhava sério, a governanta tirou minhas mãos das costas mesmo eu tentando deixa-las onde estava. Ele pegou as luvas as batendo em minha mão e sufoquei um grito de dor.
– não vai se esquecer das luvas no futuro não é Rachel?
– não — balancei a cabeça negativamente engolindo o choro.
– calce-as.# ele me entregou as luvas e as calcei.
– você não pode tocar numa capa, ou virar uma página sem elas, percebe? — acenei positivamente com a cabeça. E ele voltou a sua cadeira.
– sabe porque eu a trouxe aqui Rachel?
– para...para me fazer uma dama? — ele riu debochado.
– para ser secretária Rachel...
E assim se passaram os anos, escrevendo numa sala junto com meu tio, como secretária.
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