Falsa Realidade
1 Prólogo
Notas iniciais
O dia estava ameno. Mais um dia ameno de outono (era o que parecia pelo menos). Mas será que era outono mesmo? Não sei. Faz três meses que eu estou preso nesse lugar de mértila. Meu nome é Minho, e isso é tudo o que sei sobre mim.
Estou preso no meio de um labirinto com mais 30 trolhos — que sabem de si mesmos tanto quanto eu. Minha única função nesse lugar é achar uma saída. Falando assim até parece fácil, e até seria se não fosse pelos Verdugos ou pelos portões enormes que sempre fecham ao anoitecer. Todo dia é a mesma coisa: correr, correr e correr ou então, morrer.
Você deve estar se perguntando de onde eu vim, qual o meu sobrenome, ou até algo simples como quem são meus pais... Eu não sei de nada disso. Eu fico olhando pra esse céu me perguntando se é mesmo real. Essas dúvidas, essa vida em si é um inferno disfarçado.
Descrever-me não é muito difícil, imagine um asiático alto, com corpo de 16 anos e bronzeado por correr nesse maldito labirinto. Nesse lugar, onde eu chamo de Clareira, temos que aprender a conviver uns com os outros, evitando sempre brigas, mas tem um cara-de-mértila que ainda acabo quebrando o pescoço, eu definitivamente não o suporto, seu nome é Gally.
Se você o conhecesse teria a mesma opinião que a minha, desde quando chegou age com uma arrogância desprezível, ele não passa de um Construtor mas fica se gabando por ter ido ao Labirinto (mesmo tendo voltado praticamente aleijado e ter ido para o Amansador logo depois).
Acho que a pior coisa desse lugar é que não tem nenhuma garota, só trolhos nojentos, não, não pensem que eu sou um garanhão (talvez eu tenha sido, não lembro), mas não é muito legal você acordar e dormir todo dia com um monte de plong do seu lado.
Bom, hora de trabalhar, mais um dia que eu volto pra esse labirinto, os portões já estão se abrindo, e eu só volto pouco antes de anoitecer. Eu corro e tento tirar todo e qualquer pensamento que possa me acovardar, eu não posso fazer isso, nosso futuro depende de mim, afinal, eu sou um corredor!
–MINHO! ESPERE!
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