Notas iniciais
Como diria Moriarty: “Do you miss me?”. Essa história é bem diferente de Love Story, bem diferente do que eu normalmente escrevo, mas eu tive, há muito tempo, essa ideia vendo o trailler de uma outra fic que falava sobre o Oliver ser um agente e usar a Felicity para capturar o pai dela, então eu pensei porque só o Oliver tem que usar a Felicity? Por que ela também não pode ter motivos ocultos para se aproximar dele? Então surgiu essa ideia maluca, então se você for a autora ou já tiver lido essa fic da qual eu não me lembro o nome espero que não considere um plágio e sim uma inspiração. Então eu espero que vocês gostem, boa leitura!

Dizem que quando você está prestes a morrer sua vida passa diante dos seus olhos como um filme. Alguns dizem que isso é para acalmar o espírito e prepará-lo para a passagem, afinal as boas lembranças servem de conforto. Outros alegam que isso serve para te dar a última chance de refletir os seus atos. Serve para que você se arrependa dos erros que cometeu, das mentiras que contou, dos segredos que guardou.

Para Oliver Queen e Felicity Smoak, aquele filme significava arrependimento, não do que fora feito e sim do que deixaram de fazer. Arrependimento não das mentiras que contaram um para o outro, mas das desculpas que deveriam ter pedido. Não havia arrependimento pelos segredos que guardaram, mas existia aquela falta que a maior verdade que existia entre eles fazia. De tudo o que disseram um para o outro nada causava mais pesar do que não terem dito ao menos uma vez que se amavam de verdade.

Mas do que adiantava agora as lamentações? A dor já estava lá, eles podiam senti-la, quase tocá-la.

A HELIX não costumava usar armas, mas se precisasse usaria. Foi movido por essa certeza que Ray Palmer apertou o gatilho em direção ao inimigo. Não deixaria que Amanda Waller ameaçasse ninguém do seu time, se ela achava que poderia ferir Cisco, ele mostraria a ela que era bem capaz de lhe tirar o melhor soldado.

Oliver sentia o peito arder, não apenas pela bala que o tinha atravessado, mas também por ter percebido tarde demais, que nenhuma missão vale mais que um grande e verdadeiro amor.

A reação que se tem ao ver um amigo ferido é diferente para cada pessoa. John tentou amparar a queda de Oliver, Rene atacou Ray para desarmá-lo e Sara contra-atacou o inimigo.

A Lance tinha habilidades de luta impressionantes, passar por Barry e Curtis foi extremamente fácil, mas não era eles que ela queria ferir. Ela queria o capitão, queria o cabeça do grupo, mal sabia ela que aquele em que ela mirava era apenas mais um soldado. Contudo, Sara não conseguiu atingir Rip Hunter, a loira de óculos não permitiu e o golpe fatal recaiu sobre ela.

Felicity tinha as mãos na lateral do corpo onde uma faca estava cravada, ela sabia que quando retirasse o objeto sua vida estaria acabada, ela sucumbiria a hemorragia interna e nada mais poderia ser feito. Foi nesse instante que ela percebeu que toda vingança pela qual tinha sido movida não valera a pena, pois ver o amor de sua vida morrer era um preço muito alto a se pagar.

Um estrondo no portão do armazém foi ouvido. As pesadas portas de metal viraram pedaços disformes com o impacto da explosão. Pelo buraco deixado por elas, Quentin Lance e alguns membros da força tarefa especial de Starling City passaram. Os homens estavam armados, fortemente armados, e se espalharam pelo local algemando a todos os que ainda estavam de pé.

Ninguém sairia ileso daquela bagunça. Nem mesmo a ARGUS e todo o seu poder e influência. E muito menos a HELIX e sua capacidade de se ocultar. A guerra fria e quase invisível que eles travavam havia sido exposta, todos iriam pagar. O governo não permitia erros, e Amanda Waller havia errado. O grupo secreto dos hackers era perfeito, mas Alena Cochran havia cometido um deslize e colocado tudo a perder.

— Eu preciso de ajuda aqui pessoal! — a voz de Quentin podia ser ouvida a metros de distância. — Tragam ambulâncias. Temos dois gravemente feridos. Ajam rápido!

Felicity e Oliver se olharam, profunda e dolorosamente pelos segundos que se passaram. Ele estava encostado em uma das muitas caixas que haviam no local, ela estava de joelhos. Não estavam próximos, pelo contrário, nunca estiveram tão distantes como naquele momento. Mas seus olhos eram como polos opostos de um ímã que se atrairiam pelo resto da vida. Uma pena que o resto de suas vidas tivesse chegado tão rápido.

O capitão Lance se acercou de Felicity enquanto o jovem paramédico Roy Harper ajudava os colegas a colocarem Oliver na maca para que pudessem colocá-lo na ambulância e levá-lo ao hospital.

— Por favor querida aguente firme — Quentin pediu a loira apertando de leve a sua mão. — Já vai ser ruim o suficiente ter que dizer a sua mãe que você pode ser presa, não me faça dizer a ela que você não sobreviveu a isso.

Felicity sorriu. Amava aquele homem como um pai. Ele e sua mãe, Donna, estavam casados há 20 anos. Felicity tinha sido criada com as filhas dele, Laurel e Sara. Eles eram como uma grande família, mesmo com os anos que ela havia passado no MIT, a amizade e o carinho que sentia pelas duas não havia mudado. Infelizmente, aquilo era a única coisa que parecia permanecer a mesma.

Nos cinco anos de MIT Felicity se tornou outra pessoa, os motivos iam desde o desastre amoroso com Cooper Sheldon até a misteriosa mensagem de seu pai. Ela não podia negar que sentia falta dele, os poucos anos em que ele estava por perto foram responsáveis por fincar nela a raiz do amor pela tecnologia e quando ela recebeu a mensagem não hesitou em ir atrás dele.

Grande erro.

Grande não era exatamente a palavra que Oliver usaria para definir o quanto ele estava cego e equivocado. O erro que ele cometera era monumental, ter se apaixonado pelo seu alvo era sem dúvidas uma das muitas coisas que Amanda Waller não deixaria passar tão facilmente. Mas Felicity Smoak não era o seu alvo, certo? Ela era apenas a filha dele.

Desde pequeno Oliver foi criado para herdar o legado do pai. Ele seria o CEO da Queen Consolidated, a empresa da família, e de quebra substituiria Robert Queen como um dos melhores agentes da ARGUS. Então, quando seu pai morreu em uma missão onde prenderia de uma vez por todas o ardiloso Calculador, Oliver soube que era seu dever finalizar aquela tarefa.

De início a mãe, Moira, havia sido contra. Já tinha perdido o marido, não queria perder o filho também. Não queria deixar a pequena Thea passar por tanto sofrimento ainda tão jovem. Mas Oliver era teimoso e extremamente habilidoso, era isso que John Diggle, seu instrutor na ARGUS e antigo aluno de seu pai dizia. Ele achava que um dia a teimosia do amigo iria ser fatal, analisando sua situação nesse momento Oliver sabia que ele tinha razão.

No fim das contas, apesar de toda a contradição, a pior parte de se estar a beira da morte não é toda a onda de sentimentos e pensamentos que invadem aquele que está com os segundos contados. A pior parte de se estar a beira da morte, é não saber quando, de fato, se irá morrer.

Notas finais
Hey que bom que você chegou até aqui! Queria dizer muito obrigada por ler e pedir um pequeno favor: deixa aí nos comentários o que você achou. Todas as críticas são bem vindas, por favor não sejam tímidos. Um beijão e até o próximo capítulo!