ByungHee agradecia mentalmente por ter levado consigo algumas granadas de diferentes tipos, sejam as explosivas ou as que produziam um enorme flash de luz, cegando temporariamente seus inúmeros inimigos que pareciam se multiplicar a cada minuto em que aquela luta se seguia. Agradecia também, por ChaeRin estar do lado deles, visto que a mulher havia passado por treinamentos ainda mais pesados que ele e Joon. Não havia dúvidas que Rain havia transformado a mulher em uma verdadeira arma de destruição.



Chegava a ser assustador ver todo o ódio nos olhos felinos e tanta delicadeza nos movimentos mortais da coreana. Sua aparência delicada e até pequena faziam com que todos a subestimassem, mas esse era o grande erro. Seus movimentos eram rápidos, graciosos e precisos. Sua arma era como uma extensão de seu corpo que ela manuseava tão bem quanto seus dedos. Conhecia a arma tão bem quanto suas limitações. Tanto ByungHee quanto Joon sabiam que jamais iriam ganhar uma luta com aquela mulher.



Diferentemente da garota, Joon já chegava a ser desajeitado, desesperado, mas todos os sentimentos ruins causados pelo sentimento maior que seu coração possuía – e este era a vontade de salvar o namorado a qualquer custo – deixava seus movimentos despreocupados ainda mais destrutivos. A cada soco que G.O via sendo desferido sobre a face de seus inimigos, ele conseguia ver o sangue escapando pelos lábios, os ossos faciais se partindo por conta do soco inglês que o outro assassino usava. Todos seus movimentos possuíam uma urgência sem tamanho, como se ele soubesse que seu amado corria perigo naquele momento, como se ele realmente soubesse que cada segundo naquele momento era crucial.



ByungHee era o que levava a pior, dentre os três. Seu pulmão ainda estava dolorido por conta dos dois golpes quase certeiros em seu peitoral, deixando-o com dificuldades de respirar – algo extremamente perigoso, visto que ele estava, tecnicamente, em um grande esforço físico. Isso, sem contar que sua especialidade não eram lutas corpo a corpo e sim execuções à distância. As granadas – que não eram infinitas – eram as únicas coisas que lhe davam certa vantagem e escapatória. Por sorte, apenas mais um andar para que chegassem até a sala de Rain e acabassem logo com tudo aquilo. Infelizmente, o lado pessimista do coreano gritava em sua cabeça que as chances de saírem vivos dali não eram tão boas.



– G.O! Jogue uma granada explosiva no elevador! – Seus pensamentos foram cortados pela voz rouca da mulher que lutava com eles, fazendo-o franzir o cenho levemente por conta da falta de respeito com sua idade ligeiramente mais avançada. Sim, ela ganharia em uma luta, sim, ela era mais forte, mas ainda assim, ele era mais velho! Ela deveria chamá-lo de oppa! – Rápido!



Ignorando sua vontade de chamar a atenção da falta de respeito da garota, o homem mais velho dentre os três, dera uma cotovelada diretamente na garganta do homem com quem lutava, deixando-o sem ar por um curto período de tempo, que fora o bastante para que ByungHee se movimentasse para trás do homem, acertando-lhe a nuca e deixando-o desacordado. O próximo passo que fizera, foi pegar uma das cinco granadas explosivas restantes e jogá-la contra o elevador ali próximo, escondendo-se em seguida atrás de uma das paredes paralelas ao alvo. Os outros dois resolveram se esconder atrás dos corpos desnorteados ou inconscientes de um dos inimigos. Assim que ouviram a explosão, os três correram de imediato até o elevador escancarado.



ChaeRin fora a primeira a chegar no mesmo e já procurava a escada paralela para subir o lugar até o último andar daquele prédio. A ânsia da mulher em ver o homem que se encontrava naquela sala era tão grande que Joon se perguntava realmente qual era a intenção daquela mulher para com o ex-chefe deles. Talvez a fúria de uma mulher traída fosse um fogo que incendiaria todo aquele prédio, ou a fidelidade de uma garota cega poderia acabar com todos os planos deles. Jung não podia deixar-se confiar completamente em alguém que acabara de trocar de lado, mesmo que a conhecesse por anos, desde a infância. Sua profissão nada convencional lhe ensinara isso.



Na cabeça de ChangSun nada passava além de CheolYong e SeungHo no apartamento do último referido. Seu coração doía e ele sequer sabia o porquê. Tinha um pressentimento tão ruim que chegava a sufocá-lo, deixava-o sem concentração, mas com uma fúria e uma pressa de encontrar o homem mais velho, aquele que cuidara de si, aquele que lhe ensinara tudo, o único exemplo de pai que tivera em sua vida. Tinha a certeza que poderia matar até essa pessoa, se fosse para salvar Mir.



Diferentemente de ByungHee que ainda desconfiava da loira, ChangSun estava confiante, apenas por conta do olhar que vira nos orbes felinos da coreana: a mesma paixão que incendiava em seus próprios. Sabia que ela iria se agarrar a qualquer chance de ter aquele quem amava de volta; Joon sabia, porque faria o mesmo, ainda que isso significasse se virar contra tudo o que acreditava.



O tilintar dos três pares de sapato ecoavam no pequeno espaço por onde o elevador passava, assim como a respiração ofegante das três pessoas, cada uma perdida em seu próprio pensamento. ChaeRin foi a primeira a chegar na porta metálica que denunciava a chegada do outro andar e a loira jurava que os outros dois homens poderiam ouvir o quanto seu coração batia rápido. Buscando apoio nos grossos cabos de metal que seguravam o elevador – destruído em uma das lutas travadas no prédio – a alguns andares abaixo, a loira começou a girar a corrente de sua arma antes de lançar a enorme bola de metal – com as lâminas laterais acionadas – até a porta. Quando as lâminas cravaram com o metal, perfurando-o, Ciel acabou por puxar a corrente, criando um longo corte, de uma ponta a outra. Em seguida, puxou novamente a esfera, jogando-a para outra extremidade do lugar apertado, apenas para desacionar as lâminas. A garota tornou a rodar a corrente sob os olhares atentos dos outros dois assassinos, antes de jogar a esfera pesada seguidas vezes contra as partes abaixo do corte que fizera anteriormente, criando uma abertura grande o bastante para todos os três passarem.



Apressadamente e agilmente, a única mulher rapidamente passou pela passagem que criara, entrando em um longo corredor estranhamente vazio e quieto. Aproveitou o tempo em que os outros dois usavam para subir para desamarrar sua roupa e ver quão ruim eram seus ferimentos, julgando que nenhum deles realmente lhe faria mal. Tentava ocupar sua mente com qualquer coisa, mas não queria encarar o fato de estar a momentos de encontrar seu papa Rain. O pensamento lhe dava calafrios. Sentiu uma mão em seu ombro e, ao olhar para o lado, viu o sorriso do ruivo, um sorriso que lhe encorajava, como se ele soubesse o que passava em sua cabeça. Só que ele não sabia; não fazia ideia do quão complicada era a sua história. Sorriu brevemente, retirando os óculos escuros que ainda usava, procurando com o olhar o outro rapaz que ela sabia que ainda não confiava em si, apenas por sua linguagem corporal. Não o julgava. Rain a transformara em um monstro e era estranho mudar de lado assim, tão facilmente.



Olhar para os outros dois lhe trazia tantas memórias, memórias da época em que todos eram crianças, quando ele ainda estava com eles. Quando ela era feliz e tinha o porquê sorrir. Toda a sua vontade de viver explodiu naquela explosão há alguns anos, onde JiYong morreu, a mesma explosão em que G.O achava que ela também havia falecido. Odiava-se por nunca ter conseguido salvá-lo, odiava-se por ter perdido a consciência no meio da luta e apenas ter acordado no hospital da base e as memórias em sua mente estarem tão confusas. A versão que imaginava ser a verdadeira era a que Rain havia lhe contado assim que acordara e apenas agora via o quanto a versão de JiHoon era infestada de buracos.



– É aqui. – Soou a voz de G.O, apenas vocalizando o pensamento de todos eles. Era aqui que o início do fim começava.



Apressadamente, ChangSun sacou uma das pistolas que estava escondida até aquele momento, uma a qual possuía um imenso carinho. Uma a qual possuíra ao custo de várias gotas de sangue derramadas anteriormente. Fora a primeira arma completamente sua, a arma a qual derramara muito sangue para conseguir e a qual derramara o triplo de sangue após tê-la em mãos.



Aquele corredor era irritantemente longo e ByungHee – mesmo que conhecesse todo aquele lugar com a palma de suas mãos por ser o braço direito do homem a qual estava prestes a atacar – ainda procurava por alguma armadilha, mesmo que soubesse que não havia nenhuma. Um enorme portal de madeira poderia ser visto ao final daquele corredor, cada vez mais perto e, como se fosse ensaiado, os passos apressados dos três acabaram por diminuir gradativamente, como se todos hesitassem e temessem o que estava por vir.



ChangSun, enfim a frente da porta, acabou por atirar na fechadura, abrindo forçadamente a porta e não demorando em chutá-la para entrar, sendo seguido pelos outros dois. Rain encontrava-se sentado em uma das poltronas, fumando um charuto despreocupadamente e Thunder – supostamente o mais novo braço direito – encontrava-se ao seu lado, em pé, aparentemente desarmado.



– Vocês demoraram. Achei que eram meus melhores discípulos. – Desdenhou o homem mais velho, expelindo a fumaça, após tragar o charuto e apagá-lo, movendo-se em sua poltrona, inclinando o tronco e apoiando os cotovelos contra os joelhos. – E vocês dois não fazem ideia do quão desapontado eu estou.



– Ah, Bi-papa. Não nos leve a mal, por favor... – O homem moreno disse, da mesma forma desdenhosa. Ele jamais poderia explicar o quanto tivera vontade de provocar o homem daquela forma, desde a primeira vez em que ouvira aquele apelido saindo dos lábios da garota. Rain, por sua vez, apenas lançou um olhar tão gélido que quase fizera ByungHee se arrepender da própria brincadeira.



– Onde está JunHyung? – Perguntou ChangSun, cortando qualquer palavra de qualquer outra pessoa. – E não tente me enrolar, você sabe que está em desvantagem. – Vociferou, trincando os dentes.



– Sabe o que mais me impressiona? – O homem perguntou, ignorando a ameaça de Joon. – É como alguém sangue do meu sangue pode me trair, sem mais nem menos. – Riu de forma baixa, negando brevemente, levando uma das mãos até os cabelos longos e bagunçando-os. – Minha própria filha. – Revelou, fazendo os dois homens engasgarem com a própria saliva, por conta da surpresa.



– Você me traiu primeiro, Bi papa. – A garota zombou, estalando a língua no céu da boca. – Após você falar o que eles precisam saber, você vai me falar o que eu preciso saber. – Finalizou, voltando a rodar a corrente ao lado de seu corpo.



– Claramente, estou em desvantagem, já que vocês são os melhores e mesmo que eu lute contra vocês três, há uma possibilidade de eu perder. Thunder ainda não está completamente treinado, é só uma criança... Aish, eu nunca devia ter dado esse trabalho pra você, ChangSun-ah. Devia ter dado para um dos SeungHyun e com toda a certeza eles iriam cuidar muito bem do serviço, sem me dar dor de cabeça, tsc. – Dizia, enquanto massageava as próprias têmporas.



Um alto barulho de vidro e madeira se partindo denunciava que o soco que Joon dera sobre a mesa de centro próxima ao seu antigo chefe havia quebrado o móvel, tamanha sua força e raiva.



– Diga agora onde ele está! – O tom fora tão gélido que até Thunder que até aquele momento encontrava-se parado como um telespectador demonstrou sinais de ter estremecido pelo terror que provavelmente lhe tomara, momentaneamente.



– Você sabe que eu não tenho nada a ver com isso, ChangSun-ah. Que fique claro. Eu amo vocês como meus filhos e é por isso que irei falar onde JunHyung está. E ainda irei lhe dar uma informação a mais. – O homem pigarreou, reclinando-se sobre a poltrona, antes de continuar seu discurso, fitando calmamente o ruivo à sua frente. Queria ver exatamente qual seria a reação do mesmo quando visse o presente que trouxera. – Thunder, traga o nosso convidado.



Dito isso, o mais novo acabou por sumir pela larga sala escura, antes das pessoas ali presentes puderem ouvir algo sendo arrastado pelo chão, algo pesado que mostrou-se ser um vulto que logo fora jogado contra o chão, próximo a eles. Ao ver do que se tratava, ChangSun possuía uma expressão horrorizada e angustiada. Aos seus pés, um injuriado SeungHo, com marcas de lágrimas em suas bochechas se encontrava. Ajoelhou-se, segurando o homem com a expressão machucada – tanto por fisicamente, quanto mentalmente – pelos ombros, balançando-o quase violentamente.



– Onde ele está!? ONDE ELE ESTÁ!? – Gritara, com lágrimas nos próprios olhos, sacudindo o pobre homem que também chorava, mas silenciosamente, negando com a própria cabeça, em sinal de que não fazia ideia de onde CheolYong estava. ByungHee segurou o amigo pelos ombros, afastando-o de SeungHo, pois sabia que ChangSun apenas machucava a ambos fazendo aquilo. A imagem de Yang era digna de pena.



– Eu não sei... Eu não pude protegê-lo, eu não sei onde ele está, eu não sei... – Sussurrava quase debilmente, enquanto lágrimas grossas escapavam por seus olhos inchados.



– ChangSun, antes que tenha a ideia errada, não fomos nós que pegamos CheolYong. A ideia inicial era buscar o garoto para fazê-lo parar de destruir o prédio, mas quando meus subordinados chegaram lá, apenas encontraram esse homem amarrado em uma cadeira, completamente machucado. Momentos antes, JunHyung havia me ligado, cancelando a encomenda de morte que ele fizera, reclamando de sua demora. – Suspirou, analisando o ruivo que parecia tão perdido em pensamentos que Rain até se perguntava se o outro lhe escutava. – Nós dois não somos burros para saber o que aconteceu, não é?



– ChangSun... – Chamou ByungHee, que ainda parecia digerir toda a informação que fora jogada em si. Sentia o ódio e o arrependimento de Joon por ter deixado CheolYong sem alguém que fosse treinado e tivessem saído sem pensar, atrás de JiHoon; sentia a humilhação, o desespero e a culpa que SeungHo sentia e a imagem do homem que anteriormente parecia ser inquebrável, estando daquela forma tão frágil, deixava-o ainda mais desnorteado.



– O-onde ele está...?


Notas finais
*Se esconde atrás de uma pedra* Oi, gente. q
Antes tarde do que nunca, não é? Meu lema Q
Desculpem, eu estava em um bloqueio muito ruim, por várias vezes eu abria o word e deixava-o aberto por horas, mas em branco, porque eu não fazia idéia do que escrever.
E eu não sei o que pensar desse capítulo. Eu gostei e não gostei Q Achei que tinha ficado maior, mas, bah... T-T
Ah! E um agradecimento em especial ao meu gêmeo (?) por ter me incentivado *risca*enchido o saco*risca* o dia inteiro pra escrever XD Brimks ♥ q
미르 diz:
*pode colocando lá "agradeço ao meu gêmeo Bang por ter me dado a inspiração que faltava pra escrever.. te amo sua coisa linda sz
*bem assim lixa/
Cof, cof. q
E agradecimento ao Lee Joon que recomendou a fic *-* ♥♥♥♥
Responderei logo as reviews atrasadas, hoje e amanhã! ~
Até a próxima e espero não demorar q ;~;