Falling To Pieces
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Existe um instrumento do outro lado do território grego, que pode restaurar a ordem do Maat e fazer com que os deuses egípcios pudessem voltar em forma humana normalmente na Terra e também, continuar com seus hospedeiros sem problemas ou leis que interferissem nisso. Esse instrumento só pode ser pego por alguém híbrido, pois há uma profecia sobre isso que depois falarei sobre.
Já deu pra entender melhor? Agora leia o capitulo :3
Acordei com um burburinho e sentindo a presença de alguém que deveria estar muito ocupado cumprindo seus deveres de rei do Mundo Inferior naquele instante, mas que mesmo assim estava ali. Me sentei com a ajuda de alguém que depois que minha visão ficou nítida, vi que era Hórus.
- Meu pai está aqui? – perguntei a ele ansiosa
- Sim – respondeu ele me observando.
Eu não sabia qual olho era mais intimidador ou qual era mais bonito, portanto desviei o olhar antes que ficasse completamente compenetrada a ficar olhando. Desci da cama e me olhei em um espelho negro próximo dali. Cabelos castanhos claros desalinhados, palidez total, olheiras e uma camiseta que quase batia nos joelhos, essa era eu naquele instante. Descalço mesmo, abri a porta e olhei para Hórus que estava encostado na parede olhando os afrescos no teto. Por que ele podia e eu não?
- Me leve até ele, por favor. – pedi
Ele assentiu e me guiou pelos corredores que há muito tempo não via. Passei a mão nas paredes de pedra e senti o piso gelado em meus pés descalços. Não importava quão incrível fosse o Duat, acho que jamais trocaria o Mundo Inferior por lá.
- O Duat é incrível, você iria gostar. – comenta Hórus puxando assunto
- Acho que sim, mas aqui é minha casa agora. – respondi sorrindo
- Seu irmão disse que você foge todas às vezes, eu não chamaria isso de casa. – disse ele olhando para trás esperando minha resposta.
- Um faraó jamais entenderia uma renegada. – respondi somente.
- Quem sabe um dia eu não te entenda? – comentou ele dando de ombros.
Abafei o riso. Ele era péssimo em fazer amizades.
- Eu me esforço. – piscou ele.
- Está lendo minha mente? – perguntei desconfiada.
- Não preciso de telepatia pra saber o que está pensando, você é tão transparente e visível quanto um livro aberto. – respondeu ele sem me olhar.
- Criou essa frase de zombaria sozinho ou Tânatos ajudou você? – perguntei irritada
- Gostaria de saber o que te faz pensar que eu ainda falo cordialmente com seu namorado, ainda mais sobre você. – disse ele duramente.
- Ele não é meu namorado. – protestei parando.
- Ele age como se fosse. – virou ele e cruzou os braços.
- O trabalho dele é me vigiar, é só isso. – cruzei os braços também. – E não há motivos pra você perder tempo pensando nessas coisas.
- E por que não? – perguntou ele virando a cabeça, novamente parecendo um falcão.
- Porque não! – bati o pé rachando o piso sem querer. – Droga, minha madrasta vai me enforcar.
Dito isto, ele correu pelo corredor rindo do fato de meu pé ter ficado preso na rachadura, mas me libertei e corri atrás. A corrida parou diante de uma porta que eu conhecia muito bem: o salão onde meu pai resolvia tudo e tinha suas audiências.
- Eu devia ter me trocado – resmunguei passando a mão nos cabelos
- Na verdade, está ótima – ouvi a voz de Tânatos saindo da sombra e logo ele apareceu.
- O salão está cheio? – perguntei ansiosa
- De semideuses – respondeu ele divertido.
- Percy? – chutei
- Rachel Elizabeth Dare veio ver você – respondeu ele com um brilho sinistro nos olhos dourados
Ainda paralisada pela resposta que obtive, Tânatos sendo ele mesmo, abriu as grandes portas fazendo com que as luzes bruxuleantes do salão me despertassem e eu dei um passo para dentro ainda assustada.
- Pai? – chamei hesitante após não ter o encontrado sentado em seu trono habitual.
- Bem atrás de você – disse uma voz grave e conhecida.
Me virei e sorri. Ele estava diferente embora continuasse com seu manto das almas de sempre. Parecia mais sério e ao mesmo tempo, mais satisfeito com as coisas.
- Se fugir de casa de novo, vai passar as férias nos Campos de Asfódelos com ninguém do seu lado além das almas e Cérbero pra te impedir de fugir de lá – disse ele severamente.
- Consigo enganar Cérbero com uma bola de beisebol, pai. – comentei abafando o riso.
Irritado com meu comentário, mas ainda sim aliviado em me ver bem, ele me deu o máximo que se pode esperar de um abraço vindo dele.
- Soube que tem algo a me dizer – disse ele mais sério agora.
- Claro que soube, Tânatos te conta tudo. – suspirei.
- Ele faz um bom trabalho. – ele deu de ombros.
- Estou guiando os egípcios até o outro lado pelo nosso território. – disse eu por fim.
Ele fechou os olhos e massageou as têmporas e quando voltou a abrir, estavam negros como os meus ficavam.
- Isso Tânatos não me contou. – grunhiu ele.
Tenho quase certeza de que Tânatos estava ouvindo a conversa, pois nesse exato momento, ele apareceu dando de ombros.
- Não me parecia uma informação importante, senhor. – desculpou-se ele.
Meu pai relaxou e abriu a boca para falar comigo, mas uma voz feminina e irritante riu, fazendo minha nuca se arrepiar.
- A garota só te traz problemas, querido. Não admito que ela entre em nosso reino, por que você ainda insiste em trata-la como sua filha? – zombou Perséfone.
Tentei evitar, mas não consegui. Encolhi diante de todas aquelas palavras e ela adorou aquilo. Agora eu não tinha vontade de sacar a espada e decepar aquela madrasta imunda, mas sim de chorar.
- Vote ao nosso aposento, Perséfone. Eu disse que queria conversar pessoalmente com minha filha – disse meu pai severo.
- Estou vendo quão pessoal é essa conversa. – rebateu ela.
Resolvi ignorá-la como sempre, mas dessa vez foi difícil considerando que ela estava usando um de meus vestidos antigos, da década de 60.
- Pai, eu não causarei mais problemas, atravessarei o território para ajuda-los em uma missão que se falhar, terminará com o fim do mundo deles, que por sinal é meu também. – implorei
Hades tamborilou a bainha da espada negra e eu me lembrei da orientação de Hórus.
- Você tem um prazo de três dias para cumprir tal missão, depois disso, Tânatos trará você pra casa em segurança. – decidiu ele
- Ele não vai comigo. – protestei.
- Ah, vou sim. – resmungou ele segurando meu braço com força.
- Ele vai para assegurar de que você não faça nenhuma besteira, e quando voltarem, você o ajudará com seu trabalho acumulado. – disse meu pai com voz firme.
Eu ia protestar de novo, dizer sobre o quanto eu me sentia mal por estar constantemente observada, mas ouvi um terremoto vindo de cima e soube que iria passar dos limites.
- Tudo bem, obrigada, pai. – respondi.
Na mesma hora, o vi relaxar e percebi que era minha chance.
- Eu me feri com minha espada e não me curei como normalmente faço. – comentei.
Aquilo pareceu chamar sua atenção.
- Precisei me cortar pra trazer o idiota do Tânatos de volta à lucidez. – expliquei.
- Idiota? – o lindo ser alado do meu lado franziu o cenho e eu quase pedi desculpas.
- Onde está sua espada? – perguntou meu pai ignorando nossa eminente discussão.
Olhei para Tânatos questionando, pois eu acordara já sem a bainha e sequer tinha visto a espada depois de ter me ferido. Ele respirou fundo e pegou no ar minha espada negra, entregando ao meu pai. Olhei admirada porque nunca vi alguém além de eu mesmo fazer isso.
Meu pai analisou a espada com um olhar reprovador e a entregou para mim, observando o modo como eu a segurava e minha postura. Pediu para que eu o atacasse diversas vezes pra valer, e confusa, eu fiz. Claro que eu jamais conseguiria atingi-lo. Percy conseguiu, mas eu não era Percy e jamais iria machucar meu pai.
- O problema é com você, e não com a espada – disse ele por fim.
- O que é que eu faço de errado? Nem sabia que tinha maneira de se usar a espada além de você mesma a comandar – protestei.
- Você não usa uma espada de ferro estígio, você se comunica com ela. Tem que fazer dela um membro do seu corpo, tem que mantê-la perto de si sempre, mesmo enquanto dorme. Ela não é sua, ela faz parte de você, isso sim. Enquanto não entender a conexão que deve haver entre espada e dono, não conseguirá se sair tão bem quanto deveria em uma batalha, por mais que seja boa ou tenha potencial. – respondeu ele e saiu do salão.
Pensei nas palavras do meu pai, e por mais que não tivesse entendido completamente, ainda fazia sentido.
- Vai entender quando estiver numa luta de vida ou morte. – explicou Tânatos tirando a espada de minha mão, mas protestei, pegando-a de volta.
- Não se deve abandonar a espada. – disse eu fazendo-o rir.
Mesmo quando eu era pequena, brigava constantemente com Tânatos, implicando com a cor completamente negra de sua pele (literalmente preta) ou com a cor dos seus olhos, que jamais admitiria que fazia com que eu tivesse uma queda por ele. Mas eu nunca o odiei. Na verdade, gostava de sua presença e sentia seu olhar de longe, ou seja, sempre sentia seu olhar, portanto não estava acostumada e acho que jamais me acostumaria com um universo onde ele não estivesse lá pra me vigiar. Eu cresci com ele cuidando de mim. Mas nunca tínhamos nos dado bem, ou agido de forma amigável. Por que estávamos agora?
- Vamos lá, oh ser alado, veremos o que Rachel Elizabeth Dare quer comigo. – disse eu brincando, mas é claro que não poderia estar mais nervosa.
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