Notas iniciais
Oi pessoas, mais um capítulo pra vocês.

Depois de dar todas as instruções e eu já estar a par da situação do hospedeiro de Anúbis – os dois não podiam se separar – nos preparamos para fazer uma viagem ao Hades. Se tinha alguém que precisava saber dessa missão absurda primeiro, era meu pai. Eu ainda não sabia o que pediria em troca, mas isso ficaria pra outra hora.

Fiz com que Hórus e Isis se separassem de Carter e Sadie, o que gerou discussão considerando que eles não podiam mais permanecer no mundo mortal sem um hospedeiro, e impacientemente eu disse que enquanto ficassem perto de mim, eles conseguiriam. Relutantes, eles concordaram, mas isto levou tanto tempo que não sei como tive paciência.

Já estávamos no portal do Hades quando comecei a pensar que talvez fosse melhor enfiar Hórus no Carter de novo.

- Vocês, gregos, só possuem técnicas de lutas porque nos copiaram. – disse ele olhando com desdém pra minha espada de ferro estígio.

- Cale a boca antes que eu te jogue de volta no Duat com minhas técnicas de lutas copiadas. – murmurei.

Certo, eu não devia ter dito aquilo. Isis era ainda mais insuportável e começou a me dar lições de respeito e coisas que tentei não ouvir. Olhei agoniada para Sadie que deu de ombros, mas Hórus fez o favor de fazer a mãe calar a boca.

- Chegamos à barca. – anunciei com um sorriso no rosto.

Pelo canto do olho, vi Ann observar o local cavernoso com o cenho franzido.

- É só um meio de transporte pra chegar ao Hades. – dei de ombros

- Sinistro – sussurrou Carter

Revirei os olhos e bati o pé com impaciência, tirando dracmas dos bolsos de minha jaqueta de couro.

- Pago o dobro se vier nos buscar AGORA. – resmunguei.

- Com quem você tá faland... – começou Sadie até ser interrompida por um barco que apareceu do nada, dirigido por um velho cadavérico que eu sabia ser Caronte.

Joguei as moedas na mão dele e subi a bordo, incentivando os outros a fazerem o mesmo.

- Você é a princesa daqui, não poderia encontrar outro meio? – questionou Hórus confuso

Ann ficou tenso e Caronte deu uma risada que ecoou na caverna toda, ricocheteando nas paredes e voltando aos meus tímpanos aguçados, fazendo com que eu me estremecesse.

- Nunca mais me chame de princesa. – semicerrei os olhos com a mão direita no punho gelado da espada, que reagia ao rio escuro.

Depois disso a viajem correu em completo silêncio. Hórus não estava com os olhos em mim, mas sabia que estava me olhando e Anúbis estava achando isso engraçado.

Enfim, chegamos em terra firme e Caronte nos desejou um boa sorte.

- Não seja tão falso com as visitas. – respondi a ele com uma piscadela.

Descemos e eu respirei o ar escuro e denso do Mundo Inferior. Um rosnado imenso surgiu das sombras e o idiota do Hórus já tirou a kopesh, que típico de um deus da guerra.

- Guarde isso, é só Cérbero, o guardião do Hades. – mandei

Dito isto, um cão gigante de três cabeças emergiu das sombras e já me adiantei materializando uma bola de baseball, jogando para o outro lado. Feroz, mas bobo como sempre, Cérbero correu atrás da bola e eu fiz sinal para que os outros atravessassem.

- Este é o guardião do Hades, tão temido pelas almas? – perguntou Sadie incrédula.

- Ao menos ele não é um poodle com cabeça de jacaré. – dei de ombros.

Anúbis me olhou com cara feia e eu lhe enviei um olhar de desculpas. Passamos algum tempo caminhando rapidamente quando nos encontramos em um jardim. Aliás, no jardim. Isis, maravilhada com a beleza morta das plantas e frutas, estava prestes a morder um figo quando eu a impedi.

- Por que você é tão estraga prazeres? – perguntou irritada uma voz conhecida. – Imaginem só uma deusa egípcia como minha escrava no mundo inferior, que troféu!

- Ignorem. – pedi continuando a caminhar e fazendo com que eles me seguissem.

Isis queria questionar ou confrontar Perséfone, mas implorei para que ela deixasse pra outra hora e ela confusa e raivosa, concordou. Mas a bruxa estava nos seguindo.

- Seu pai já não teve problemas demais com você por aqui? Por que voltou? – provocou ela mordendo uma romã.

Rangendo os dentes, saquei a espada e investi contra ela quando mãos negras seguraram meu pulso e minha cintura, e em contato com minha pele, ficaram brancas.

- Não se meta de novo. – disse eu entredentes tentando me soltar.

Mas ele era forte, e sabia como eu odiava isso. Tânatos estava com um meio sorriso no rosto. Sadie arfou, eu entendia o que ela estava pensando. Em como ele era irresistível, mas ela não o conhecia.

- Não se deve bater nas madrastas. – corrigiu ele me soltando subitamente.

Como não estava preparada para ser solta e sim para me soltar, caí no chão. Tive que, realmente, me segurar para não voltar a usar a espada contra o pescoço de alguém, e dessa vez, seria no dele. Mas eu perderia, e tínhamos plateia.

Ele estendeu a mão para me ajudar a levantar, mas recusei, aceitando a ajuda de Ann.

- Este deve ser seu irmão – pressupôs ele tentando esconder que havia ficado chateado com minha recusa.

- Prazer em conhece-lo – respondeu Anúbis com um meio sorriso de chacal no rosto e me colocando atrás dele de forma protetora.

Nem mesmo ele conseguiria vantagem contra Tânatos.

- Vamos, antes que nos atrasemos. – disse eu.

Na verdade, eu estava dizendo aquilo olhando para Sadie, chegando a suplicar para que ela desse um jeito de nos tirar dali.

- Kamilah tem razão – concordou ela, séria.

- Acompanharei você até seu pai, Kamilah, o humor dele não está dos melhores. – disse Tânatos cruzando os braços e ajeitando as asas.

O modo como ele dizia meu nome irritava tanto quanto irritava a sua altura enorme, com aqueles olhos dourados me olhando lá de cima esperando que eu discutisse, mas estava cansada demais então apenas suspirei e virei as costas.

Virei-me e deparei com Hórus me encarando, e parecia chateado. Arqueei uma sobrancelha para ele, questionando o motivo daquilo, mas ele apenas balançou a cabeça negativamente.

O restante do caminho aconteceu animado, quem diria que gregos e egípcios soubessem conversar civilizadamente? Mas eu tinha a impressão de que faziam aquilo para não me chatear. Ou não faziam? Eles se importavam comigo? Balancei a cabeça tirando aqueles pensamentos e chutei uma pedra para longe. Eles perceberam minha frustração e pensando que toda a conversa me irritara, pararam de conversar. Eu sentia os olhares sobre mim, mas havia dois que pareciam pesar mais. Dois pares de olhos, prateados e dourados que eu sabia que ainda iriam brigar.

Notas finais
Ruim, regular, bom ou ótimo?