Falling Snow - O Despertar
4 Capítulo 3 - Almost Hill "Again"
Notas iniciais
Quero dedicar esse capitulo á Savana Hartmann. Muito obrigada pela recomendação flor, eu adoreii e fiquei super emocionada.
Também quero agradecer a todos Reviews, eles me incentivam muito.
O capitulo hoje vai ser bastante animado e talvez confuso kkkkk.
BOA LEITURA!
Um, dois, três, quatro, cinco, seis...
Eu conto em voz baixa cada um dos meus rápidos e silenciosos passos, tento me acalmar enquanto os números são jorrados com uma extrema rapidez de meus lábios. Minha respiração está começando a ofegar, não de cansaço, mas de medo. Minhas mãos estão tremulas e começo a esfregar uma nas outras para me acalmar, aos poucos meus joelhos, assim como meus lábios, também começam a tremer. Sinto que minhas pernas anseiam por uma corrida, elas tremem porque querem sair o mais rápido possível daquele lugar, mas sei que se permitisse que isso acontecesse meu medo aumentaria.
Puxo o capuz da blusa, até o topo da minha testa, cobrindo por inteiro a cabeça, tenho uma singela ilusão que de alguma forma ele irá me proteger. Mas do que? Do que ele irá me proteger? Estou realmente correndo algum tipo de perigo no momento? O pensamento de que algo possa acontecer me faz tremer e contra minha vontade meus pés começam a acelerar.
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.. Dez, onze, doze, treze, quatorze...
Olho a rua em minha volta. Nem mesmo uma alma viva se encontra, Pelo canto do olho tenho a impressão de estar sendo seguida, dou passos mais rápidos, quase que correndo. Com a contagem já na casa dos quarenta, paro bruscamente em meus tropeços e me viro para trás em uma posição defensiva, mas tudo que encontro é uma lança de ruas vazias.
Olho cada canto escuro, vejo apenas um bêbado cambaleando no fim da rua, ele levanta as mão para cima balançando uma garrafa. Solto um leve sorriso. Deixe de ser boba, digo a mim mesma. Mas sem desacelerar os passos, começo novamente com a contagem, dessa vez de forma mais calma.
Um, dois três, quatro... Continuo minha contagem olhando sempre para o chão e tentando ignorar tudo a minha volta. As ruas vazias, onde é possível ouvir um simples respirar de um cachorro, as arvores que com o vento produzem barulhos imitando sinistras risadas e também sombras em meio ao luar.
Cento e oitenta de cinco, cento e oitenta e seis...
Encaro a porta e com um longo suspiro, recolho a chave que está no anão de gesso e com as mãos tremulas novamente forço a chave dentro da fechadura e giro o mais rápido possível. Entro devagar em casa, tudo está quieto e gelado, fecho a porta com força e a tranco novamente. Vou até a sala e jogo minha bolsa no sofá em seguida me jogo nele também, colocando minhas mãos na nuca.
Permaneço ali, apenas olhando o teto, fecho os olhos e a lembrança do Sr. Raiden apavorado me atingem. Ele nunca foi um homem com uma perfeita sanidade mental, algumas vezes quando não estava falando sozinha, tentava me convencer de coisas totalmente sem sentido. Como uma vez em que estávamos trabalhando. Ele chegou perto de mim, e começou a sussurrar como se aquilo fosse um segredo nacional. Disse-me com uma voz assombrada, que durante a noite passada foi visitado por alienígenas os seres desconhecidos disseram-lhe que iam invadir o mundo como gotas de chuva. De acordo com os relatos de Sr. Raiden, as gotas de chuva ganhariam vida própria e destruiriam tudo que vissem pelo caminho, mas que poupariam pouca parte da população para servi-los de escravos para o resto da humanidade.
Eu devia admitir que ele tinha uma imaginação e tanto. Mas eu sabia que naquela noite o noticiário anunciou que os próximos dias seguiriam por constantes pancadas de chuvas. Mas essa informação fora modificada totalmente no complicado cérebro de Sr. Raiden, não da para saber o que se passa lá.
Mesmo conhecendo como a palma da minha mão a sua falta de sanidade, nunca me ousei julgá-lo, quando se nasce nas condições em que nasci, você aprende a não julgar as fantasias sobrenaturais de outras pessoas. De qualquer forma, nunca nutri nenhum receio ao comportamento estranho de Sr. Raiden, ele assim como Will é a única pessoa que confio neste lugar, uma escolha estranha, mas é a verdade.
Com um longo e preguiçoso suspiro retiro minha jaqueta jogando-a no braço do sofá, em seguida jogo retiro minhas botas permanecendo somente de meia. Sinto algo incomodando minhas costas, deslizo as mãos sobre o sofá, até que encontro o controle remoto. Ligo a Televisão, está passando um documentário sobre como as estrelas morrem e se tornam um buraco negro. Por fim deixo mesmo naquele canal e tento relaxar.
O difícil entendimento do Universo por trás da física, chama minha atenção por apenas alguns horas, sinto meus olhos se fecharem aos poucos com o cansaço.
Em meio a minha leve e suave respiração, minha mente vagueia entrando no mundo dos sonhos, imagens aleatórias começaram a se misturar criando apenas uma.
Tudo é interrompido por um forte e estrondoso barulho, como um trovão. De momento não percebo o que é, mas logo em seguida outro mesmo barulho. Meu coração entra em disparada, zunindo em meu ouvido.
Levanto com rapidez e desligo a televisão, ouço batidas na porta. Não parecem tão forte quanto as que me arrancaram do meu sono, encaro a porta por um momento e ouço as frenéticas batidas novamente.
Vou até a porta e tento ver alguma coisa pelo olho mágico, mas está muito escuro e chuvoso para enxergar. Pego um guarda-chuva de cabo longo que se encontra ao lado da porta e seguro firme em minhas mãos, como um profissional jogador de basebol. Ouço as batidas novamente.
– Quem é? O que você quer essa hora? — Pergunto, mas tudo que ouço é apenas o barulho da chuva.
As batidas se repetem, sei que sou uma idiota em fazer isso. Mas eu precisava saber quem era. Talvez seja apenas Will querendo me assustar. Com as mãos mais tremulas do que nunca, giro devagar a maçaneta da porta, e a abro com todo o cuidado possível, apenas o bastante para ter uma pequena parcela da visão do outro lado.
Encontro um homem parado em meio à chuva, muito mais alto do que eu. Usa uma grossa jaqueta de couro, que o faz parecer assustadoramente maior, tem cabelos grandes que caem na altura dos seus ombros, é impossível saber a cor pois estão encharcados de água e ele parece não ligar. Meus olhos ainda analisam o estranho homem e param em uma de suas mãos, com uma luva preta e segura um pano branco. Volto minha atenção para seu rosto encoberto pelas sombras, mas consigo ver um sorriso malicioso surgir em seus lábios finos.
Sem pensar, fecho a porta com força, mas algo a bloqueia. Olho para baixo e a grossa bota preta do homem está impedindo que a porta feche. Pego o guarda-chuva e o golpeio no pé, ele não parece nem sentir dor. Tento fechar a porta novamente pressionando seu pé na parede.
– Sai da minha casa! — Grito com raiva.
Sua mão com uma grossa luva preta, surge entre o vão da porta, ele puxa com força meu cabelo. Jogo minha cabeça para trás tentando se livrar, sinto alguns fios se soltarem quando tropeço para trás e caio no chão.
Ele abre a porta com força, que de encontro com a parede produz um assustador barulho. Tudo parece ficar em câmera lenta por alguns segundos, estou sentada no chão apoiando-me por um dos meus braços, enquanto seguro firme o guarda chuva com o outro. O homem se encontra em minha frente, ele respira pesadamente, posso ver seus largos ombros se moverem com o ato, graças a um pequeno feixe da luz da lua, consigo ver seus olhos, azuis como o céu e o mar, lindos e assustadores olhos azuis, que brilham com uma estranha satisfação e prazer.
Ele avança um passo, só então me levanto e corro para as escadas, consigo subir apenas alguns degraus, pois em seguida sinto suas enormes mãos agarrarem meu tornozelo, me fazendo cair. Meu nariz colide fortemente com a quina de um degrau e no mesmo momento sinto o grosso e quente liquido escorrer de meu nariz.
Sacudo desesperadamente meu pé, mas não adianta nada, sinto ele segurar minha outra perna e com uma força incrível me girar, batendo fortemente minhas costas na escada, eu grito me debatendo.
– Quieta! Eu não vou machucar você — Ele rosna para mim.
Ouvir sua voz me faz inda mais me debater. Ele segura minha em minha nuca, olhando de soslaio vejo seu uma parte do seu pulso que não está encoberto pela luva, inclino meu rosto para o lado e o mordo. Ele grita de dor em seguida vejo sua grande não se fechar em punho indo em direção a minha boca. O choque do seu soco me deixa desnorteada por alguns segundos, sinto o gosto do sangue e meus lábios incharem.
– Não faça isso de novo — Ele grita aparentemente com dor.
Com os joelhos ele prende minhas mãos na escada. O homem pega um pequeno pano branco que segurava e tenta pressionar em meu nariz. Sinto o cheiro do álcool de longe. Bato-me e grito até que consigo puxar com força um dos meus braços, e me soltar do forte aperto.
Olho para um degrau um pouco acima de mim, e vejo o meu guarda chuva. Estico minha mão ao máximo e o pego, seguro firme o cabo, e antes que ele tente me impedir acerto sua cabeça, exatamente três vezes antes de ele cair escada abaixo. Com o guarda chuva ainda em mãos corro para meu quarto, trancando a chave com as mãos tremulas e escorregadias de sangue.
Recuo diversos passos para trás, com as mãos na cabeça, ela ainda está dolorida. Limpo rápido o sangue que ainda escorre de meu nariz, que não dói mais do que minhas costas ou meus lábios. Milhões de coisas passam pela minha cabeça, mas tudo é interrompido com os fortes sons de pegadas que vem da escada.
– Acha que vai fugir de mim? — Ele solta um gargalhada — Acredite querida, não sou eu aqui que te quer morta.
– Pensa, pensa, pensa – Sussurro para mim mesmo.
Olho para o guarda roupa e então para a janela. com as mãos ainda sujas de sangue, vou até o guarda roupa e abro uma das porta deixando as marcas dos meus dedos, então fecho novamente a porta, o suficiente para produzir algum barulho.
– Qual é Amélia, vamos, abra essa porta — Ele espera um instante com alguns resmungos baixos. E por fim grita impaciente — Abra essa porta!
Ouço seus fortes murros na porta e sei que não vai demorar muito para que ela arrebente. Levo um susto quando seus murros se tornam mais fortes, deixo o guarda chuva cair e decido deixá-lo por lá mesmo. As batidas na porta ainda continuam, sei que não vai demorar muita para ele entrar no quarto. Na ponta do pé, vou até a janela e a abro sem produzir nenhum barulho sequer. Olho para baixo é muito alto para pular, mas consigo andar pelo beiral até o próximo quarto e então sair pela porta da frente.
Passo uma perna para fora, em seguida a outra. Fecho rapidamente a janela bem a tempo de ver a porta voar pelos ares e o enorme homem entrar. Olho para baixo e respiro fundo, minhas estão mãos coladas na parede e meus pés apenas com as meias no escorregadio beiral, a chuva e a ventania não ajudam em nada naquele momento. Dou curtos passos para o lado desejando que tudo aquilo acabe logo, um dos meus pés saem do beiral, quando escuto a janela ser aberta com um estrema rapidez. O homem louro coloca apenas a cabeça para fora, e solta uma longa gargalhada sarcástica.
– Muita esperta Amélia. – Ele diz olhando diretamente em meus olhos.
E com essas palavras ele praticamente pula para fora da janela, e assim como eu começa a se arrastar colado na parede, só que com uma rapidez muito maior.
– Me deixe em paz! – Eu grito.
Ele consegue cobrir a distante até mim, antes que eu consiga fazer o mesmo até a janela. Sua grande mão agarra meu pulso, puxo minha mão de volta, mas meus pés vacilam e escorregam, sinto-me cair, mas no ultimo segundo uma grande mão segura firme meu pulso. Fico pendura no beiral, e a única coisa que me mantém viva, é a mão com luva preta que está agarrada em meu pulso.
Olho para o homem, a forte chuva me impede de enxergar melhor seu rosto, mas consigo ver que está vermelho e com as veias do pescoço ressaltadas devido a força que precisa fazer para meu manter ali, sua outra mão segura firme um grosso fio. Olho para baixo e novamente para homem, espero somente o momento que ele irá me soltar. Com um solavanco ele puxa meu braço, tentando me trazer de volta pra cima.
– Me solte! – Eu grito involuntariamente.
– Não, você é minha! Não pode morrer.
Eu posso ter ficado louca, ou talvez perdido o amor a vida, mas começo a sacudir meu pulso, sua mão que segurava meu pulso agora agarra minhas mãos e finalmente a ponta dos meus dedos até que por fim eu caio. Sinto apenas minhas costas bater no chão, só alguns segundos depois o choque da dor percorre meu corpo, não sei dizer o que realmente foi danificado, meu corpo inteiro está dolorido. Posso ver o homem ainda no beiral, ele está debruçado tentando me enxergar e percebo que ainda não acabou ele ainda irá tentar me pegar.
Com muito esforço levanto do chão, caindo algumas vezes, tudo está embaçado pela chuva, mas com diversos tropeços consigo correr para a floresta e talvez me esconder. Uma dor latejante em minha perna esquerda me faz cair no chão, mas com um choramingo me agarro em uma arvore e consigo levantar, mas caio novamente no chão e só então me dou por vencida, não vou conseguir levantar novamente ou correr para longe daquele lugar. Se o homem de olhos azuis ainda estiver a minha procura, com certeza irá me achar.
E como era esperado, ele surge entre as arvores, parece cansado pela corrida e também preocupado. A me ver balança o dedo indicador a medida que se aproxima.
– Falei que não era pra fugir — Sua voz fria me faz choramingar.
Ele para em minha frente e pega meu braço e coloca em volta de sua nuca. Como se eu fosse uma boneca de pano, ele me ergue do chão e me colocando sob seus largos ombros. A dor que percorre meu corpo com o ato, um grito agudo repleto de desespero e dor sai da minha garganta, ele acaricia minha perna e começa a andar. A sua forma de andar era suave, mas seus leves movimentos me fazem gemer com a dor. Sem nenhum aviso prévio, sou jogada no chão e novamente grito de dor, minha cabeça gira com as fortes pontadas de que sinto na costela e na perna.
Ouço tiros. Parecem trovões ou fogos de artifício no começo, mas sei que são tiros. Tento me levantar novamente, mas é impossível. Minha cabeça está pesada e mal consigo manter os olhos abertos. Começo então a me arrastar, usando apenas meus braços cravo minhas mãos na terra ou em galhos e arrasto o resto do meu corpo quebrado para longe dali.
Alguém pula por cima de mim, me viro de barriga para cima para ver quem é. Um homem alto e musculoso, seu rosto é forte é serio, possui uma pele morena e seus olhos são escuros como a noite. Ele usa uma blusa branca sem mangas, deixando seus largos ombros e músculos definidos ressaltados, usa calças de clamuflagem largas e botas.
– Me ajuda... – Digo em um sussurro quase imperceptível. Não sei se ele me ouviu ou não, mas a expressão em seu rosto ainda é seria.
O homem se aproxima de mim abaixando-se, ele segura firme meu rosto e perta minhas bochechas, analisando-me, em seguida suas mãos descem até minha costela, ele as aperta e rapidamente minhas unhas se cravam em sua mão. Sem parecer sentir dor ele desce sua mão até minha perna e também a aperta girando algumas vezes, grito enquanto minhas mãos tentam alcançar seu rosto.
– Colton, matou ele? – Ouço uma voz feminina, em um tom severo.
Minha cabeça gira para o lado, vejo uma mulher caminhando confiante, ela detem grossos cabelos pretos que vão ate seus ombros, e um pouco acima de sua sobrancelha uma franja impecavelmente cortada. Tem uma pele branca quase pálida, e por isso seus grandes olhos verdes se destacam, usa apenas uma saia jeans com botas estilo cowboy, uma simples blusa preta acompanhada de uma jaqueta de couro marrom.
Logo atrás dela surgem outros dois rapazes que caminham sem preocupação, que assim como os outros não parecem se importar com a chuva. A mulher olha para mim com desdém em seguida para o homem em minha frente. Ela ainda espera uma resposta, ficando claramente nervosa a cada segundo que passa.
– Não... – Ele hesita com os olhos floresta adentro– Mas vamos pega-lo depois.
Um dos rapazes se aproxima com um sorriso sarcástico no rosto. È baixo para a idade, não muito mais velho que eu, veste apenas uma calça Jens escura um par de tênis All Star, e uma molhada blusa de moletom. Seus miúdos e divertidos olhos azuis me analisam, passeando por todo meu corpo.
– Essa é mesmo Amélia Stalteri? — Ele pergunta com um divertimento.
– E ela mesma – Responde o outro rapaz, a dor em sua voz é quase imperceptivel.
– Ela bem mais bonita que eu pensava — Ele diz com uma certa malicia — Vai ser um disperdicio.
O garoto não desvia os olhos de mim, por fim ele mordisca o labio inferior e me da uma picadela.
A mulher surge atrás dele, sergura a toca da sua blusa de moletom e o joga para trás. Ele cambaleia e cai no chãom, ainda com um sorriso no chão. Permito-me retribuir o sorriso, e como se ele tivesse levado um choque seu sorriso se desfaz, e o garoto encara o chão envergonhado.
– De quem foi a idéia de trazer esse inútil? – Ela diz olhando para mim.
Seus grandes e misteriosos olhos verdes analisam meu corpo, como se eu não estivesse ali, aquilo faz um grunido inexperado sair da minha garganta. Ela desvia os olhos de mim e encara novamente o homem.
– Como ela ainda pode estar viva? – Pergunta, sua voz é fria e calma.
– Você sabe, o corpo dela é diferente e o sangue também. Demora um pouco pra ela apagar de vez – Ele olha para mim e em seguida para a mulher – Mas pela situação que ela esta, não vai demorar muito.
– Certo – Ela diz apenas e se vira jogando para o lado seus cabelos — Vamos fazer o que viemos fazer. Quero ir para casa.
Ela vai até o outro rapaz que ainda se encontrava em transe. Ele não se mexe nem fala nada, apenas olha para mim. A mulher estala os dedos perto dos seus olhos, e ele desperta com um pulo.
– Você tem que estar pronto... – Ela diz firme.
Ele coloca a mão na garganta e pigarreia.
– Estou pronto.
Ele caminha ate mim em passos curtos e para bem ao meu lado, sinto suas botas roçarem em meu pé. Ele afasta devagar sua jaqueta de couro para o lado, posso ver o cano de um revolver em seu bolso, minhas mãos tremem e se fecham em punho. Só então vejo uma adaga presa em um cinto que pende em sua cintura, seu cabo era dourado com alguns inscrições entalhadas, sua fina e delicada lamina prata brilhava ao se fundir com a chuva e a luz do luar. Meu olhos voltam a encarar os seus, procurando algum indicio que aquela pequena arma não seria para apagar o pequeno fio de vida que ainda me restará. Ele se abaixa ao meu lado e excitante encosta seus gélidos dedos em minha têmpora. Lagrimas começam a descer de meu rosto e a se misturar com a chuva. Meu coração começa a acelerar como nunca, minha respiração está cada vez mais difícil, mas uno forças para dizer ultimas palavras.
– Por favor...
E com rapidez sinto a lamina perfurar minha pele, meus olhos não desviam por um momento dos seus e ele também não ousa desviar, lagrimas escorrem por seu rosto encoberto pelas sombras. Uma dor agonizante percorre por inteiro meu corpo, meus lábios instantaneamente se abrem para mais um grito de dor, mas nada é proferido. Com uma extrema calma, a ponta da adaga se expeli da minha pele, sinto o grosso e quente liquido se espalhar, o cheiro penetra em minha narinas, fazendo minha cabeça girar. Meus olhos começam a tremeluzir, os fecho instantaneamente tentando suportar aquela dor. Mas eu não quero mais, não quero mais ter que suportar essa dor, não quero mais resistir.
Quando torno a abrir os olhos eles não estão mais ali, foram embora em silêncio assim como chegaram. Não consigo ver nada a não ser as arvores, a tempestuosa chuva ainda cai, olho para cima os pingos parecem vir em câmera lenta em minha direção, ela não parece mais tão assustadora. Fecho novamente meus olhos com força e tudo começa a ficar quieto, todos os barulhos as dores se vão. Eu já havia sentido isso uma vez, fazia muito tempo, eu era pequena, mas a sensação de estar sozinha, ainda era a mesma.
Notas finais
Próximo capitulo não demora a aparecer! Agora que a história de verdade vai começas a desenrolar.
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