Nós, estávamos exatamente onde não deveríamos estar.
Na casa de um “Estranho” Que assim, como eu, também foi enganado.
–Sinto muito, por toda essa situação. -dizia ele, assim quando passamos pela porta da entrada.
Assim que demos de cara com ele, ele já esperava por isso.
Disse que Lilian, Sua suposta Esposa. Ou “ex-esposa”, teria dito que ele haveria uma surpresa durante alguns meses.
A gente muito mal sabia, que ela era casada.
Assim como ela, nós também fomos enganadas.
E Eu, inocente, falando que ela deveria ter ficado na nossa casa.
Quão otária, eu fui? Quão otária eu sou?
Esqueço que as vezes, “mulheres” também são ruins e manipuladoras e acabo descontando apenas nos “homens” em minha volta.
–Bem, não posso oferecer nada á vocês, porque ainda estou providenciando algo para comermos. -falou ele.
–Não se importe com isso, não ficaremos aqui. — Elena, o interrompeu.
–A falta de confiança de vocês duas, estão começando a me incomodar! -completou ele.
Suspirei alto.
E Algo lá no meu interior, estremeceu.
“Sua vadia” -lembrei.
“Hoje, eu vou acabar com você”
–Pare! -digo, em voz alta.
Chamando atenção para mim.
Elena e O homem, loiro com belos olhos azuis, me encararam.
Engolir á seco. Pedindo á Deus, para que essas lembranças, parem de voltar á cada vez que eu sinto medo. Á cada vez, que eu fico perto o suficiente de um estranho.
–Eu estou aqui. -diz Elena o ignorando-o. -Eu estou aqui!
Repetiu ela, me abraçando.
–Eu sei. -digo, repetindo mas para mim do que para ela. -eu sei!
Ela se afasta e sorrir levemente.
Ele não nos interrompeu, mas sentir, como estava curioso para saber o que estava acontecendo.
–Eu te amo! -Emma, disse, pulando do colo dela para o meu.
“eu também, querida” sussurrei, para ela.
Não posso chorar, eu não devo. Eu não quero.
Não aqui. Não agora.
Não na frente de alguém, que não vai intender o motivo das minhas lágrimas.
–Olha. -completou ele. -Eu sei que é estranho, e incrivelmente errado confiar em alguém. Mas posso garantir á vocês, que sou uma pessoa do bem. Tenho um filho, de cinco anos, ele mora aqui comigo. Vocês podem perguntar qualquer um aqui em veneza, sou um grande trabalhador, tenho grandes empresas. Não que isso, passe confiança a vocês. Mas pelo o que eu sei, e deduzo, vocês só compraram passagem pra chegada. E a de ida, é no final do curso, e eles que compram.
–Como sabe disso?
–Eu era um dos ajudadores, do curso que vocês e a Lilian, fazem. Mas daí, eu saí e ela continuou.
–Ela não é aluna? -perguntei.
–Acha que seria aluna, morando numa casa como essas? Não sei o que ela foi fazer na casa de vocês. Mas a trabalho sei que não foi. Ela quer algo á mais lá. E eu espero que..
–Não, irá está na nossa casa. Não somos, tão burra como você pensa. Ela mentiu, nos mentimos também, só que ela, mentiu pior! -interagiu Elena.
–Continuando, no momento. Como disse, saí da fundação. Estou passando, por um perrengue, financeira..
–Não precisa contar a sua vida, para gente! -retruquei.
–Isso não é o terço da minha vida, mulher. Não quero, que vocês confiem em mim. Apenas que me dê um voto de confiança;
–Até um voto, precisa ser conquistado! -disse, pegando as malas do chão. Foi um erro, entrar dentro dessa casa. -Obrigado, por querer ajudar, mas não precisa!
–Espere! -disse, ele tocando ao meu braço.
Fazendo-me, sentir frio. Angústia, e todas as coisas ruins, naquele instante.
–Eu não vou te machucar! -indagou, soltando. -Em frente dessa casa, tem a dela. Eu tenho as chaves. Nós somos separados. Isso aqui é meu por direito. Mas acho que ficarão mas a vontade aqui. Até porque é melhor. Eu e meu filho, mudaremos para frente. Até o final do estádio de vocês.
–Não precisa! -digo.
–Precisa sim. -completa, Elena. -E nós vamos aceitar;
A olho reprendendo. -Não cometa, o mesmo erro de novo.
–Não! -falou ela. -Não recuse algo que será bom para gente. Como eu fiz, á alguns anos atrás. Não faça o que eu fiz.
Disse ela, quase em um sussurro, que apenas eu, conseguir ouvir.

(…)
–Você acha que o quê você fez foi certo? -gritei, praticamente!
–Parem de brigar. -pediu a Emma.
–Saía, daqui. -disse, Elena.
–Para onde eu vou? Para rua? É? -Emma, fez biquinho.
E nós duas, não se aguentamos.
Conseguimos a rir.
A rir profundamente.
–Meu Deus! -disse ela.
A gente estava brigando. “BRIGANDO” há quanto tempo não fazíamos isso?
–Há quanto tempo, não sorrimos dessa forma? -indaguei.
Era bom, fugir da rotina. De alguns anos amargurados, e fechados em meu próprio mundo particular. Me desliguei pra mim, e me mentir firme por elas.
Agora, pela primeira vez, estou sentindo que estou viva.
E Que eu preciso viver.
E Se a vida, está dando uma oportunidade.
Por mas difícil que ela seja, eu vou tentar.
Mesmo sabendo das sombras do passado, das dores cravadas na minha alma.
Eu vou tentar. Eu vou tentar.
–Aí! -disse, ela vindo pra me abraçar.
–Sua nojenta! Imunda. Idiota.
–Sua magrela, mal humorada e metida!
Emma, se enfiou entre a gente e abraçou as nossas pernas.
–Agora, que o surto passou, que tal dá uma resposta definitiva para ele?
–Como ele se chama? -perguntei.
–Eu também não sei. -retrucou ela.
–Bem. Vamos fazer assim. A gente fica aqui, mesmo. Até o final dos três meses.
–E Amanhã, vamos saber notícias dele. Ver se é confiável.
–Okay! -disse. -amanhã, será um outro dia. No momento, só preciso de uma noite longa de sono.