Falling In Reverse
3 Perseguida
Notas iniciais
— Eu consigo andar! Sério, não precisa me carregar — disse contorcendo-me nos braços de Jason, incomodada.
— Ah, claro... Se continuar assim vou te derrubar — replicou ele, com um sorriso bem-intencionado.
Eu não tive outra escolha a não ser deixa-lo me carregar. Quando chegamos ao andar de cima, ele me colocou no chão e não era no quarto rosa, e sim em um quarto mais simples. As paredes eram brancas, os moveis eram escuros e o chão estava cheio de roupas e sapatos sujos e amassadas.
— Ontem a tarde, uma mulher veio aqui dizendo que era amiga de seu pai, e mandou isso —ele me entregou um envelope marrom, apenas com meu nome escrito.
Peguei o envelope, e abri.
Havia uma carta de banco, dizendo-me a senha e o valor em minha conta e um cartão de créditos com meu nome, franzi a testa, e coloquei a carta de volta ao envelope maior, e peguei os outros papeis. Certidão de nascimento, identidade, carteira de motorista, carteira de estudante, comprovante de matrícula na Miami High School... Todos dizendo que meu nome era Elena Romero Holtz McCoy.
— Está errado — eu sussurrei. — McCoy não é meu sobrenome.
— É o sobrenome de minha família... A mulher disse que os documentos são falsos, mas confiáveis, e colocou nosso sobrenome para fingir que você é uma prima distante nossa. — Ele sentou na beira da cama, e me examinou. — E aquele negocio de fugir de casa não me entra na cabeça... Prometo impedir minha mãe de ir atrás da sua família, mas me diga tudo.
Sentei-me ao lado dele, com as mãos sobre as pernas, enquanto eu tentava me lembrar de alguma coisa, mas como da ultima vez, eu não conseguia me lembrar de nada... Tudo de que eu me lembrava eram coisas como: Meu nome é Elena Romero Holtz, tenho dezessete anos, nasci em __________. Minha mãe e meu pai se chamam __________ e __________, tenho um irmão chamado __________, e vim parar aqui porque ________________. Desolada, eu olhei para Jason, seus olhos tentando decifrar minha mente... E apenas de olhá-lo uma onda de calma me invadiu, afrouxando o nó em minha garganta que me impedia de falar.
Sorri para ele, depois senti meu lábio inferior tremer e eu o prendi com os dentes. Passei as costas da mão em meu rosto para enxugar as lágrimas que teimaram em fugir, sem me recordar a que momento eu começara a chorar.
— Eu... Eu não me lembro de nada — admiti para ele. — Na verdade eu só me lembro de coisas importantes, como meu nome, minha idade e essas coisas... Mas não me lembro de mais nada.
— Não se lembra de nada? Como veio parar aqui? — Ele sussurrou. — Então porque não diz isso?
— Não quero que chamem a polícia, sei lá... Algo me diz que isso só vai me trazer mais confusão — sussurrei. — Eu estou com tanto medo, tão confusa, Jason...
Olhei para seus olhos, verdes escuros... E uma sensação gostosa percorreu meu corpo. Aqueles olhos me eram familiares, e secando outra lágrima que escorria por meu rosto, eu dei um sorriso tímido para Jason.
— Seus olhos — eu sussurrei. — Eles me são muito familiares...
Ele se aproximou, e estendeu os braços, e eu me aninhei em seu peito. E escondi meu rosto, tentando controlar minhas lágrimas, enquanto ele afagava meus cabelos.
— Vai ficar tudo bem — ele disse.
Uma batida na porta nos pregou um susto, fazendo nós nos afastarmos.
— Elena? Jason? Vamos ao shopping daqui a meia hora, saiam daí!
† † †
Mia e eu andávamos de loja em loja até chegarmos a ultima do shopping, tentando equilibrar algumas sacolas nas mãos, enquanto olhávamos as araras de roupas. Essa loja tinha um todo listrado de rosa e branco da Victoria Secrets, entramos e fomos recebidas por uma mulher vestida com uma calça folgada e uma blusa justa.
— Vamos só dar uma olhada — sorriu Mia, antes que a moça pudesse dizer algo, e me puxou rumo as prateleiras de liquidações, nos fundos da loja.
Mia estava de olho em uma peça preta que estava em uma pilha — achei a pela extravagante de mais até para mim que era dois anos mais velha, mas eu nada disse, e encontrei uma calcinha branca com pequenos caranguejos vermelhos bordados no tecido.
— Isso é a coisa mais ridícula que já vi na vida — ela remexeu a pilha de calcinhas, e jogou uma feita de renda rosa. — Acho que devia ficar com essa.
— Eu gosto de caranguejos, ok? — Eu disse revirando os olhos, e pegando outra calcinha bem mais recatada, e parti mancando em direção a parede onde ficavam os pijamas.
Enquanto eu observava um pijama com ovelhas desenhadas, senti uma brisa estranha, fazendo todos os pelos dos meus braços se enriçarem. Olhei para fora, através da vitrine uma figura encapuzada entrando na loja da frente, do outro lado da rua. Surpresa, fiquei imóvel, sem reação antes de me recompor e ir até Mia.
— Vamos atrás de Jason — disse eu.
Ela estava experimentando um vidro de Dream Angels no pulso quando a surpreendi. Mantive o olho grudado na vitrine.
— É sério, Mia — eu sussurrei, nervosa. — Vamos atrás do Jason.
— Nossa, Len — ela me olhou. — O que houve? Você está pálida. — Ela estava com a mão cheia de roupas intimas, e balançou-as em direção ao caixa. — Vamos pagar e depois eu ligo para o Jase.
Sabendo que eu não conseguiria convencê-la a sair dali sem todas aquelas coisas, fomos até o caixa, e pagamos nossas compras. Em seguida eu obriguei ela a ligar para ele.
— Acho que Elena pirou — disse ela para o telefone.
— Posso falar com ele? — Perguntei pegando o iPhone da mão dela, e com cuidado o colocando o em minha orelha. — Jason? Onde você está?
— Saindo da iPlace... Porquê?
— Estamos sendo seguidas — eu disse.
— Onde vocês estão?
— Victoria Secrets.
— Em cinco minutos estarei ai. Não se mexam.
E ele desligou.
— Não vejo ninguém — disse Mia, olhando para fora da loja, pela vitrine. — Porque você acha que está sendo seguida?
— Não sei — suspirei, lhe entregando o celular. — Querem me assustar, talvez... — Isso me parecia bem possível.
— Tem motivos para isso?
Tai uma boa pergunta...
— Vou desviar a atenção dele — exclamou ela, puxando minha nova jaqueta jeans para si. — Me dê sua jaqueta.
Eu a encarei.
— De jeito nenhum, seu irmão está vindo.
— Ah, ok, ele vai bater no “perseguidor” — ela puxou meu bolero jeans, e passou pelos próprios ombros.
— E se ele estiver armado?
— Sua imaginação me assusta — disse ela.
Senti um medo só de cogitar a ideia de que além de ser perseguida, o mesmo estivesse armado e com a intenção de me matar. Afastei a ideia da minha cabeça.
— Vou na frente, se me seguirem você vai atrás. Vou em direção ao estacionamento, e iremos encurralá-lo.
Antes que eu pudesse impedir, ela saiu da loja. Descontando o fato de ela ser um pouco mais baixa que eu, e que estava usando shorts em vez de um vestido, podia se passar por mim. Boquiaberta, observei o cara sair da loja da frente, do outro lado, e seguir Mia.
Comecei a segui-los, com um dos meus pés enfaixados por uma tala preta, tomando o cuidado de não ser notada pelo perseguidor. Escutei o som de corrida atrás de mim, e por um segundo eu me distrai, perdendo Mia e o perseguidor de vista. Corri para o estacionamento, como Mia havia indicado, mas na metade do caminho, escutei um soluço abafado, vindo de um corredor escuro e apertado entre as lojas Hering e Forever 21, e senti outro arrepio me surpreender.
— Mia? — Chamei.
Entrei no corredor escuto, e vi por um feixe de luz um corpo encolhido adiante, e caí de joelhos ao lado dele. E Mia soltou um gemido quando esbarrei minha mão em seu braço.
— Ah, meu Deus, Mia! — Repliquei, ela gemeu e agarrou minha mão com força.
Meus olhos ardiam em lágrimas, quando percebi Jason passando por nós.
— Jason! — Gritei para ele.
Ele voltou, e olhou para o beco, demorando para nos ver ali.
— Precisamos leva-la para casa — sussurrei, com as mãos tremulas.
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