Falling In Love For Death

2 Meu encontro com o mendigo do parque.


-Ai minha cabeça- Resmunguei enquanto me levantava do banco... OPA PERAI, banco? Que bando é esse meu Deus? Onde eu to? Quem eu sou? Certo, essa ultima pergunta não era necessária eu sei quem eu sou HEHE.

Apesar do meu super complexo de loucura eu reconhecia aquele lugar, parecia com o parquinho que eu costumava brincar lá no Brasil, isso claro quando eu era pequenininha e minha mãe me levava para sujar a calcinha de areia e comprar aqueles trecos que fazem bolha de sabão e tem uma bolinha na tampa na qual a gente nunca consegue acertar ela no buraquinho e sim eu tenho trauma dessa bolinha.

Mas a pergunta que não se quer calar é, como eu vim parar aqui sendo que a dois milésimos atrás eu estava em Londres? Até onde eu saiba o teletransporte ainda não foi inventado e eu com certeza não seria a voluntaria para usar o primeiro.

Sentei-me no banco enquanto a minha mão esquerda segurava um canto da minha cabeça, parecia que eu tinha batido nela com tanta força, será que tinha um galo lá, mas fisicamente eu parecia totalmente normal, agora por dentro eu me sentia amassada, triturada e fatiada em mil pedacinhos pequenos, horrível eu sei.

-Bem vinda senhorita Joyce McClove- E foi ai que eu descobri que mesmo com toda a dor do mundo meus sentidos ainda estavam perfeitos e melhor ainda, eu tinha voz... Bota voz nisso já que nem o carinha que canta AC/DC pode bater esse meu super berro.

-AHHHHHHHHHHHHHHHHHHH- Só imaginar ele fino, pronto, sou eu.

-Caramba seus sentidos estão bons- Virei meu rosto tão rápido para ver a cara do infeliz e senti uma pontada de dor no meus pescoço, ainda assim fiquei chocada, GENTE aquele ali era o mendigo do parque! INCRIVEL, ou não.

-OMG, Eu to delirando, isso mesmo eu to dormindo em algum lugar e isso é um delírio- Falei segurando na minha cabeça com as duas mãos e me levantando indo de um lado para o outro.

-UAL, até que você quase acertou, não seria exatamente um sonho, mas quando você voltar para seu corpo, se você voltar né, tudo vai ser apagado como aqueles sonhos todos pretos. AI muito legal...- O mendigo falou tão rápido que eu quase não entendi, DIGO quase porque eu saquei quando ele falou que eu não estava sonhando e não estava no meu corpo CALMA AI, eu tava sim! Olhei para meu corpo e toquei no mesmo, parecia tudo ali, tirando as dores.

-Cara do que você ta falando?- Curta e grossa! Assim que tem que ser com mendigos de parque sacolé??

-Uhnn...me diga senhorita Joyce, qual foi a ultima coisa que você viu?- OI? IGNORADA, ele ignorou total minha pergunta! Não vou responder nada até ele falar comigo direito, cruzei meus braços e sentei emburrada, não falo não falo e NÃO FALO.

-Certo, por que você acha que está aqui?- Ele me perguntou fazendo com que minha testa se franzisse num total ponto de interrogação.

-Eu não sei, queria que você me respondesse e por que eu to sonhando com o mendigo do parque?- Essa ultima frase foi mais pra mim que pra ele ok?

-Mereço, devo merecer, acho que não to fazendo meu trabalho direito- O homem dizia enquanto olhava para o céu e eu olhava junto achando que ele tinha visto algum avião ou sei lá... Jesus Cristo. Nunca se sabe- Eu devo ter a imagem de um mendigo porque alguma parte da sua alma marcou isso na sua infância, não me pergunte coisas assim que você devia saber.

De fato, sempre que eu era pequena e via aquele mendigo sentia uma vontade de dar metade do meu pão com presunto pra ele, poxa, ele parecia tão faminto, magricelo, alias quanto mais eu olhava para ele aqui na minha frente mais sentia vontade de pagar alguma coisa pra ele comer. Me da uma agonia essa magreza toda.

-Agora você tem que se lembrar pelo menos o que você estava fazendo antes de aparecer aqui...- Ele disse fazendo com que eu refletisse por alguns segundos!

-Eu estava indo par uma festa- Comecei a dizer enquanto prensava meus lábios tentando me lembrar de coisas essenciais, eu sabia que tinha algum detalhe perdido no meio da minha memória e eu não conseguia me lembrar- Eu estava com a Lari!- Esse não era o detalhe, mas parecia ter deixado o homem animado! Ele se remexeu pegando um caderninho dentro do bolso feito de trapo.

-Ela foi a ultima pessoa que você viu?- Ele me perguntou enquanto anotava algo naquele caderno e eu me estiquei tentando ver o mesmo e só conseguindo enxergar o nome da minha amiga sendo grafado naquele caderno com uma caneta brilhante.

-Acho que si....- Uma enchente de memória apareceu na minha cabeça, estava eu e Lari ouvindo uma musica...Nem me lembro qual era agora, mas eu tinha gostado bastante! Quando avistamos quatro meninos saindo de algum lugar, quatro meninos que eu era apaixonada dês de que ouvi a primeira musica. Lembrei-me de ter debruçado quase que em cima de Lari para ver todos eles e quando fiz isso....Bem, não lembro de mais nada depois disso, será que eu tinha morrido?

-Eu morri?- Foi à pergunta que consegui fazer ao mendigo, ele logo riu de leve como se ouvisse isso todo dia.

-Vai me falar quem foi a ultima pessoa que você viu ou não?- Outra imagem apareceu na minha cabeça, eu estava virada de costas para Lari quando aconteceu a tragédia e olhando para os quatro meninos, mas o que estava mais perto e fez minha visão ficar focada nele foi...

-Daniel Jones...- E no segundo seguinte eu não estava mais em um parque com um mendigo.