Notas iniciais
" Quando você ama uma pessoa ela fica no seu coração pra sempre." Sakura Kinomoto * Frase do filme: Irmão Urso 2 ( Disney)

Tomoyo

Eu sabia o que estava acontecendo e eu sabia que aconteceria um dia. Desde aquela manhã em que recebi a noticia.

— Sta. Doudoji, infelizmente houve uma alteração em seus exames.

O doutor Fujioki era um médico excelente e muito gentil. Ele cuidava de muitos casos como o meu o que me fazia admira-lo ainda mais.

— Doutor Fujioki, é muito grave. O que há com minha filha?

Porque ninguém entendia uma doença como a minha? Porque todos se recusam a aceitar? Será que ninguém entende que não existe um culpado?

— Mamãe, deixe-o falar...

— Infelizmente, a grave anemia de Tomoyo era algo muito mais sério do que pensamos... Ela não tem anemia, e sim Leucemia. Sinto muito, mas você tem câncer.

Nunca me esquecerei do olhar de Mamãe aquele dia. Derrota, revolta, desespero... Tudo ao mesmo tempo.

— Mas há cura, não é doutor...

— Sim, existem tratamentos que podem ser eficazes. E se encontrarmos alguém compatível, podemos fazer um transplante.

O que minha mãe não sabia é que dinheiro nenhum comprava uma medula compatível. Só nos restava esperar

Shaoram

Segurei-a com toda a minha força, o corpo dela se debatia contra o meu, mas mesmo assim fui firme. Gritei para que chamassem uma ambulância. Dei as ordens que eu sabia serem necessárias. Recusava-me a olhar o rosto dela. Senti o cheiro de sangue invadir minhas narinas, senti algo me molhar. Mas eu estava tão anestesiado que nem percebi quando os médicos me pediram para soltá-la. Eu me recusei de inicio, e todos olhavam para mim. Foi quando encontrei os olhos marejados a minha frente, a voz suave pedindo para que eu me afastasse. Ela segurou minhas mãos e eu soltei Tomoyo, as lágrimas caíram fervorosamente de meus olhos. Por quê?

Senti o perfume suave e as mãos em torno do meu pescoço. Enterrei-me dentro do cabelo castanho e acompanhei seus soluços com os meus. Eu não podia soltá-la, eu não podia perder o único fio de razão que me sobrara naqueles últimos minutos. Ouvi os gritos, os choros, as súplicas... Mas eu não entendia nada... Eu só queria ouvir um único som, o som da respiração da minha melhor amiga, que a cada momento parecia mais longe.

Sakura

Desespero...

Não, não pode ser verdade. Não é a minha melhor amiga nessa ambulância. Não é a garota saudável e linda que me fez esse vestido, não pode ser ela. Os paramédicos tentam estancar novamente o sangue que escorre de seu nariz. Ela respira com dificuldade. Cada um dos aparelhos fazem sons diferentes. E meu coração acompanha o ritmo deles.

Por favor, não morra...

Olho para o rapaz a meu lado, ele segura minhas mãos suavemente. Mas não tira os olhos dela um segundo sequer, a camisa branca banhada de sangue, na tentativa de conter a convulsão que se seguiu ao desmaio dela.

Por favor, não morra...

Tento não olhar para Tomoyo, ela estava cada vez mais branca. O vestido cortado às pressas pela tesoura caia a seu lado, o lençol que a cobria parecia... Nem sei descrever bem o que. Deito novamente minha cabeça no peito de Shaoram-kun e volto a soluçar.

Por favor, não morra...

A paramédica anuncia que o hospital estava próximo, e que deveríamos entrar em contato com a família dela o mais rápido possível. Mairi-chan nos encontraria no hospital com toda a documentação necessária. A senhora Doudoji viajara para Tóquio a negócios e ainda estava no voo.

Tomoyo-chan, se pode me ouvir... Por favor, não morra.

Tomoyo

É difícil se ter certeza de alguma coisa quando se está morrendo. E eu estava ...

Pensei em Mamãe e Papai, espero que eles me perdoem, eu os amo tanto...

Mairi-chan, minha babá, minha segunda mãe. Eu sinto muito.

Mas mesmo a beira da morte eu soube que eles estavam ali, comigo.

Eles ficariam juntos no fim.

Eu iria em paz!

Sakura

Estava sentada há horas sem noticias. Vejo os olhares de agonia que Shaoram lança para a porta pela qual ela passou. Nós não nos soltamos um minuto sequer. Parece que o toque entre nossas peles é a única coisa que faz algum sentido.

Mairi-chan segura um rosário em sua mão, passando fervorosamente os dedos pelas contas. Ela diz que é uma forma de rezar em sua religião, eu queria saber uma oração assim também. Os minutos se arrastam e cada vez mais eu tenho vontade de gritar para que alguém, em algum lugar faça algo.

De repente sinto um aperto leve nas mãos de Shaoram, ele encara a porta. O doutor Fujioki caminhava até nós lentamente.

— Bom dia a todos._ Já era dia? _ Acredito que vocês são os acompanhantes de Doudoji Tomoyo.

— Sim somos nós, como ela está? _ Mairi-chan se adianta.

— Bem a situação dela é delicada, a doença progrediu muito...

— Doença, ela tem uma doença. _ Eu perguntei assustada para ele.

— Mais tarde Sakura..._ Prometeu Mairi _Prossiga doutor...

— Bem..._ Ele olhou pra mim com... Acho que era pena._ Como eu dizia, acredito que ela tenha se ausentado de sua medicação o que causou a crise, ela está estável e sedada para que não tenha mais convulsões. O medicamento já está sendo aplicado, mas ele tem pouco efeito no quadro em que ela está... É preciso discutir sobre...

— Já entendi Doutor Fujioki, muito obrigada. Estou aguardando a Senhora Sonomi chegar e repassarei as informações.

Ele já afastava quando Shaoram perguntou.

— Podemos vê-la?

— Bem... _ Ele olhou para nós dois, ambos amarrotados e sujos de sangue, ainda com as roupas da festa. Acho que ele realmente sentiu pena de nós. _ Podem visita-la um de cada vez, ela estará dormindo e bem, se puderem se trocar.

— Trouxe mudas de roupa para Sta. Doudoji comigo, algumas delas deve servir na Sta. Sakura. Quanto ao Sr. Li... Bem...

— Pedirei para que forneçam um uniforme do hospital para ele.

— Obrigada, Doutor!

Desde que ele me abraçou foi a primeira vez que nos soltamos.

— Vá com Mairi-chan, troque-se. Lave seu rosto, quando voltar eu estarei bem aqui.

Ele afagou meu rosto com o polegar e me soltou. Mairi-chan passou os braços por sobre meus ombros e eu me deixei guiar para fora da recepção.

Shaoram

Vesti a calça verde do hospital, ficou um pouco grande, mas eu mal percebi. Repassei em frente ao espelho do banheiro as ultimas horas, era inacreditável que ate algum tempo atrás a única coisa com a qual eu me preocupei era com o fato de estar apaixonado. Sim, apaixonado. Não tenho porque negar, não depois de tudo que passamos juntos esta noite. Eu amei Sakura desde o primeiro momento que a vi. E mesmo depois de todos esses anos, é assim que ainda me sinto. Olho para meu reflexo e vejo as olheiras profundas. Foi uma noite difícil.

Sai do banheiro completamente vestido, alguns até poderiam me confundir com um enfermeiro que estava ali, mas eu nem liguei. Fui até a recepção e procurei por Sakura, Mairi-chan veio até mim.

— Sr. Li, chamaram a Sta. Sakura para entrar. Ela esta com a Sta. Tomoyo agora. Irão chama-lo quando ela estiver pronta. Vamos tomar um café?

Acompanhei a mulher até a cafeteria onde comprei dois expressos e alguns biscoitos, apesar de estar completamente sem fome.

— Sr. Li, a Sta. Doudoji alguma vez já comentou sobre a saúde dela?

— Na verdade nunca Mairi-chan, até ontem a noite eu jurava que ela era perfeitamente saudável. Exceto talvez pelas frequentes dores de cabeça que ela se queixava.

— Sim, na verdade ela descobriu há alguns meses. Ela está com câncer. Leucemia para ser mais exata... E pelo que o médico dela falou, está em um quadro bem avançado.

Preferi absorver a informação em silencio.

— Bem... Acredito que a razão dela não ter contado a você seja pelo fato de que ela queria viver uma vida normal e... Bem... Ninguém trata uma doença dessas com normalidade.

Mairi-chan mexeu um pouco o café e beliscou um biscoito antes de continuar.

— Mas ela não estava tomando os remédios, ela na verdade mal se alimentou ultimamente. Isso só mudou há alguns dias.

Ela sorriu para si mesma, antes de me lançar outro olhar.

— Tudo o que a Sta. Doudoji tem feito nesses últimos tempos, era voltado para a peça do colégio. Acho que ela até se esqueceu do remédio porque se sentia tão bem e feliz que ate os sintomas foram embora. Bom isso até ontem à noite...

Os olhos dela encheram-se de lagrimas. Lembro-me dela com Tomoyo desde que nos conhecemos.

— Você cuida de Tomoyo-chan há bastante tempo não é?

— Trabalho na mansão Doudoji desde que ela era pequenina. Lembro-me de quando o Sr. e a Sta. Sakura passavam os dias com ela. Bons tempos.

Ela secou as lagrimas que teimavam em cair.

— Mairi-chan...

— Eu sei, eu sei... Preciso ser forte, por ela. Não entendo como eles ainda á deixam sozinha naquela casa enorme. Eu queria poder fazer mais por ela...

Segurei as mãos dela e olhei em seus olhos.

— E você irá... E agora Tomoyo-chan tem a mim e à Sakura.

Notas finais
Pessoas lindas do meu coração... ^^ Tudo bem ?? Hoje Dia 27/10 estou ficando mais velha... HAhaha... E em comemoração ao meu niver vou postar o Capitulo 10 shuahsuasua... Ja vou avisando pra vocês que esse FDS estou ritmo de festa ( Não é todo dia que se faz 21 aninhos)kkkk eu sou velha ¬¬'. Então não sei se vou postar algo por agora.Alem disso a partir deste, os capitulos ficam mais complicados e eu estou fervendo meus neuronios neles... haha Mas prometo que assim que eu puder eu postarei ok? Notas: * Foi com um imenso pesar que eu dei a noticia da doença de Tomoyo, ela esta com Leucemia grave, e pelo que vocês viram no capitulo isso ainda vai dar muito o que falar. * Chorei que nem um bebê escrevendo o PVO da Saki, passei por uma situação parecida com a dela, então a inspiração veio de minha propria vida. * Quero que vocês entendam que Tomoyo sangra facilmente ( Por causa do cancêr), por isso ela sofreu aquele sangramento na festa. * Notaram o Shaoram, meu garotinho está crescendo. T.T Ele está fofo demais né... * Mairi-chan foi inspirada na minha babá Vera que cuidou de mim até os 8 anos de idade. *.* * Dedico esse capitulo a minha amada Tia Neuza que sofreu a mesma doença de Tomoyo e faleceu. Então meus amores, façam uma autora feliz. Principalmente porque e aniversario dela e deixem bastante reviews... hahaha Espero ansiosamente por vocês... Beijos até o Capitulo 11 !