Falling In Love.
30 Capítulo Final
Notas iniciais
Falling In Love
Capítulo Final
Sakura
Algo nele não estava bem, percebi no momento em que ele me sorriu no aeroporto. O sorriso dele estava fraco, não chegava aos olhos, olhos que aprendi a decifrar como se fosse meus próprios. Quando tentei puxar assunto ele se esquivou de forma educada, estava anormalmente calado, ele estava me escondendo alguma coisa. Algo havia saído errado. Algo não fora bem na China. Meu coração entrou fora do compasso quando percebi que ele evitava meu olhar, percebi que seus beijos pareciam mais despedidas do que reencontros. Ele me tocava com frequência, mas não com prazer, era com sofrimento, aquilo estava me ferindo. Quando estávamos perto do quarto de Tomoyo olhei para seu rosto e disse na voz mais contida que pude...
— Shaoram-kun?
— Sim, amor...
— Eu amo você!
Nos olhos dele pude perceber um milhão de coisas se passando, mas não pude decifrar o que era.
— Eu também amo você!
E assim juntos entramos no quarto de Tomoyo-chan.
Tomoyo
Todos estavam ali, minha família ,meus amigos , as pessoas que eu amava... Esperávamos ansiosos à chegada do Dr. Fujioki. Eu estava ansiosa para deixar o hospital, eu tinha consciência que eu tinha chances de reincidência de câncer uma vez que houvera metástase para o pulmão. Mas eu não tinha como não acreditar na cura, não depois de tantos milagres presenciados ali, inclusive aquele que estava no colo de sua mãe.
Eu estava sentada na cama, Sakura-chan estava ao meu lado segurando minha mão, percebi que ela evitava olhar para Shaoram e que este a observava com uma expressão tensa escorado na parede. Usagi amamentava Nadeshisko perto da porta sentada em uma cadeira a seu lado Touya e Yukito aparentemente discutiam sobre um vídeo game que Touya destruíra. Meus pais se encontravam no outro canto do quarto conversando com o Sr. Kinomoto. Aproveitei para descansar minha cabeça no ombro de Sakura dizendo baixinho.
— Vai ficar tudo bem... Não se preocupe.
Ele se sobressaltou com minha fala olhando para mim de lado e lançou um olhar furtivo a Shaoram.
— Ele está estranho... _ Ela cochichou.
— Ele te ama, dá pra ver em seus olhos, tudo vai dar certo, no fim.
Dizendo isso apertei sua mão e ela apertou de volta e ficamos assim até a chegada de Ichiro e do Dr. Fujioki acompanhados de um terceiro alguém que na hora não prestei muita atenção.
— Atenção todos! _ Começou o Dr. Fujioki_ Eu sei que todos aqui tem ligação especial com a Srta. Doudoji mas peço que permaneçam aqui apenas ela e a família, por favor...
Sakura me lançou um olhar preocupado mas eu afaguei sua mão e disse.
— Está tudo bem, são protocolos médicos... Eles precisam conversar a sós conosco.
— Estaremos aqui fora, torcendo. _ Ela me disse cruzando os dedos. E eu ri cruzando os meus também. E assim todos saíram da sala deixando apenas eu e meus pais. Então o Dr. Fujioki juntamente com Ichiro começaram uma serie de explicações sobre quadros clínicos, analises, exames dos quais eu não entendi nada.
— Assim devo dizer que Tomoyo Doudoji está definitivamente SRC, ou seja, infelizmente...
Quando o Dr. Fujioki disse isso minha mãe começou a chorar, e então eu entendi que eu não estava curada, que eu ainda estava doente e que permaneceria no hospital.
— Tudo bem Dr. Fujioki... – Eu disse interrompendo a explicação- Quando começamos o novo tratamento?
E todos me olharam com cara de espanto. E eu fiquei ainda sem entender.
— Tomoyo-chan, SRC quer dizer SEM REINCIDÊNCIA DE CANCÊR filha, você está curada!
— Então, como eu ia dizendo, infelizmente perderemos uma das mais queridas pacientes do nosso hospital.
A partir dali eu não ouvia mais nada somente meu choro de alivio! E então Ichiro gritou para todos no corredor a boa nova, e todos entraram no quarto com flores, balões, e vieram abraços e muitos beijos. Eu apenas faria algumas sessões de quimioterapia para erradicar de vez as células restantes, mas eu não produzia mais células defeituosas, eu poderia deixar o hospital aquela tarde. Eu iria viver. EU ESTAVA VIVA! CURADA!
Beijos e abraços vieram de todos os lados... Eu mal conseguia enxergar em meio a minhas lágrimas... Meus pais seguravam minhas mãos e beijavam meu rosto e minha cabeça diversas vezes. Enfim encontrei os olhos de Sakura, ela chorava tanto quanto qualquer um de nós. Ela me abraçou e eu soube que ela ainda tinha o melhor cheiro do mundo, que eu queria contar cada pedaço de minha vida para ela e que sempre que ela estava comigo eu me sentia como a melhor pessoa do mundo. Mas notei algo, algo que não estava ali... Uma alegria intensa, e aquela necessidade que eu tinha dela não existia mais, eu olhava para ela e via em seu rosto a alegria dela e de Shaoram que estava lá ao seu lado. Eu olhei para os dois e neles encontrei apenas meus dois amigos queridos e entendi que estava livre... Livre daquele peso que me corroía por dentro. Eu estava feliz...
E em meio às vivas e lágrimas, algo novo me chamou a atenção, algo que não estava ali antes. Um par de olhos muito negros que me observava com interesse.
Shaoram
Quando saímos do hospital quase não acreditei no que via. Tomoyo andava ao nosso lado, apoiada pelos seus pais, o rosto ganhando vida, a pele mais corada, os olhos ganhavam novamente destaque à medida que as olheiras diminuíam. Ela estava viva.
Após receber a noticia todos queríamos abraça-la, mas antes de qualquer coisa ela pediu que lhe dessem Nadeshisko. E segurando nos braços a afilhada Tomoyo se levantou da cama e girou pelo quarto sorrindo e dançando, refletindo a beleza e a juventude do que ela realmente era. Uma menina de dezessete anos recém-curada do câncer...
E olhando para ele lembrei-me de tantos meses e lutas que passamos juntos. Dos tratamentos, e me senti orgulhoso em poder chama-la de amiga, era uma lição para se levar por toda a vida.
Fomos todos para a casa dos Doudoji onde Mairi-chan nos recebeu com um jantar magnífico e assim foi até altas horas. No meio da noite percebi que Sakura havia desaparecido. Ela andara estranha desde o hospital, eu sabia que ela estava desconfiada de algo e que eu não poderia esconder dela por muito tempo o que acontecera na China. Encontrei-a sentada em uma cadeira olhando para o céu.
— Ohayo... Linda flor de cerejeira...
Disse brincalhão para ela levando uma pequenina flor dos arranjos de dentro da mansão, ela me encarou de volta com os olhos verdes marejados. Estava chorando.
— Ate quando você vai fingir pra mim que está tudo bem?
Olhei para seu rosto e percebi que não aguentaria a ver naquele estado. O certo ou o errado não importava. Meu dever ou não, ela sempre viria à frente.
— Deixe-me contar uma historia para você. Há muitos anos atrás, um jovem Chinês de família rica de apaixonou por uma Chinesa de sangue impuro, essa chinesa tinha sangue japonês. Os dois se amavam muito, mas não podiam se casar pois naquela época as coisas eram muito difíceis e além de tudo se o jovem se casasse com a menina perderia a liderança da família. Mas ele não se importou, fugiu para o Japão onde teve um filho. Mas a família ameaçou a vida de sua esposa e de seu filho, obrigando-o a se separar de ambos e voltar para casar com sua prima, o que ele fez para protegê-los. Anos depois a família descobriu a existência deste menino e o recrutou para ser o descendente de primeira linhagem pois seu pai que havia deixado apenas filhas mulheres no segundo casamento morrera num acidente de carro. O menino odiava a família dele e queria vingança por eles terem o separado do pai aceitou o papel, mas quando ele fez sete anos descobriu uma coisa que o fez mudar de ideia, uma garota de olhos verdes que adorava maria-chiquinha e desenhar ursinhos com pudim. Ele fez de tudo para convencê-los a se livrar de uma noiva que haviam arranjado para ele, uma de suas primas chinesas irritantes. Eles se recusaram, mas aceitaram mantê-la afastada até que ele completasse dezessete anos, idade que eles julgam a ideal para se casar. O garoto até então havia se esquecido disso, inclusive, se esquecera da garota dos olhos verdes. Mas quando ele conseguiu encontrar o que seu coração queria, o fantasma da China, da doença e outras coisas ameaçaram separá-los. Mas o garoto não desistiu, ele foi até a China e impôs uma condição. Os homens que lá vivem são muito velhos para assumir a liderança e não querem perder anos de treinamento que deram a ele. Mas o garoto não quer perder a coisa mais importante de sua vida...
Terminei de falar olhando para os olhos dela, eu sabia que não seria fácil para ela, que seria difícil, e que talvez ela não aceitasse. E eu entenderia.
— Acho que sabemos quem é este menino. _ Ela sorriu em meio às lágrimas. _ O ancião líder, está disposto a me passar a liderança imediatamente, na verdade isto só deveria acontecer quando eu completasse 21 anos, porém, ele está muito idoso e doente, não viverá muito tempo.
Ela olhou para mim como se não entendesse aonde eu queria chegar com aquela historia toda. Respirei fundo algumas vezes.
— Consegui adiar para mais um ano minha posse para que eu tenha ao menos idade legal para assumir minhas funções, na China.
Seus olhos começaram a encher de lágrimas mais uma vez, ela começava a compreender a situação.
— Ao assumir minhas funções como líder no clã, eu também assumo algumas obrigações. Dentre elas liderar as empresas e administrar as terras do Li, por isso a minha necessidade de me mudar imediatamente para a China.
Ela começou a chorar muito alto então. Levantei seus olhos para que ela olhasse para os meus e compreendesse o que iria falar a ela.
— Me ouça com atenção, eu preciso que você me escute...
Ela respirou fundo e tentou o melhor que pode segurar as lágrimas.
— É tradição que em minha família quando um líder assuma as responsabilidades junto com elas, ele assuma uma esposa. Antigamente era tradição, casarmos entre primos para mantermos a linhagem pura. Lembra quando te expliquei isso há anos atrás? Esse mês que passei por lá tentei convencê-los de que não havia sentido algum isso acontecer uma vez que poderia acontecer inúmeras tragédias como aconteceram anos atrás, inclusive como na historia de meu pai. Eles acabaram se convencendo de que eu tinha certa razão. Além do mais, não há como manter uma linhagem pura uma vez que todas as mulheres de minha família só deram a luz a mulheres que segundo a tradição não podem liderar... E ainda mais após o que aconteceu aqui com Meilling, eles são uns velhotes burros só que não gostaram nada do que ela aprontou. Deram-me, um prazo de dois meses para me arranjar por aqui e me mudar juntamente com minha noiva para Hong Kong onde assumiríamos o treinamento para assumir a liderança dos Li. Se assim não acontecesse eles voltariam ao plano de antes me casando coma noiva que julgasse digna e me empossando o quanto antes.
Ela olhou para mim assombrada... Esperei que ela dissesse algo mas parecia não ter palavras que cabiam, após alguns minutos ela conseguiu apenas dizer.
— O que vamos fazer...
— Bem... _ E dizendo isso me ajoelhei diante dela tirando de dentro do bolso do paletó uma pequena caixinha.
Sakura
Ele se ajoelhou a minha frente, e foi então que comecei a entender.
— Sakura Kinomoto, eu não posso se quer pensar em viver uma vida sem você. Não quero passar o resto de minha vida longe de você. Eu sei que ainda somos muito jovens mas, não me imagino ao lado de mais ninguém... Eu te amo!
Dizendo isso ele abriu a pequena caixinha e dentro dela havia um anel dourado ornamentado com pequenos brilhantes e bem em cima dele uma pequenina flor segurava um brilhante maior.
— Ah meu Deus... _ Eu disse levando minhas mãos aos lábios.
— Você aceita ser minha esposa?
Olhei para os olhos ambares a minha frente, e pensei em todo o ano que se passou. Na verdade eu me sentia outra desde a doença de Tomoyo, eu havia passado por tanta coisa, vivido tanta coisa. E ali a minha frente estava à coisa sem a qual eu não podia viver. E mesmo que fosse difícil, e mesmo que passássemos tantas provações, contanto que estivéssemos juntos nada mais importava.
— Eu aceito, Shaoram Liang Li, aceito ser sua esposa, aceito liderar o clã dos Li e aceito me mudar para China. E eu amo você!
E então ele me pegou nos braços e me girou no ar enquanto me beijava.
Tomoyo
Eu não queria interromper, mas assisti muito de perto o que aconteceu. Quando Shaoram-kun ajoelhou-se a frente dela pude sentir a mesma emoção que ela estava. Cruzei os dedos para que desse tudo certo. E quando a vi afirmar com a cabeça o alívio e a alegria tomaram conta de mim. Finalmente o final perfeito estava escrito. Eu já estava indo até eles para me juntar as comemorações quando uma voz autoritária e diferente chamou minha atenção.
— É muito feio espiar por trás das portas.
Girei meu corpo para ver quem falava comigo... Então me deparei com os mesmos olhos negros que encaravam curiosos no hospital. Era o novo estagiário de Ichiro-kun, Minato Kasaki, quem teria convidado àquele babaca para estar ali.
— Se você não sabe, aquela garota é minha melhor amiga. E o garoto com ela meu melhor amigo. Então se me der licença.
— Eiii, relaxa... Eles acabam de ficar noivos... Vão querer um pouco de privacidade...
— Você nem os conhece. _ Como ele era irritante. E extremamente bonito, me lembrava dum sonho que eu tinha com um jardim. Ele usava óculos redondos mas que não impediam de enxergar os olhos escuros como piche.
— Me ouça, eles anunciarão para você antes de todos... Deixe de ser brava..._ Ele disse sorrindo. Estava tomando chá em uma das xícaras e fez uma careta ruim. _ Precisa de mais açúcar... Fique aqui! _ Olhei para ele o achando muito estranho quando ele voltou seus olhos para traz e piscou pra mim o que me fez corar intensamente.
— Que abusado! _ Foi quando Sakura me chamou.
— Tomoyo-chan, Shaoram-kun e eu temos uma coisa para contar e queremos que seja a primeira que saiba...
Alguns anos depois...
Shaoram
O avião pousaria dali a alguns minutos, ela dormia tranquilamente escorada em meu ombro. Olhei para seu rosto me lembrando do dia em que deixamos o Japão, já se passara alguns anos desde que ela aceitara se casar comigo.
— Papai, xá estamos chegando??
— Xiiii filho, vai acordar sua mãe, fale baixo.
— Como se eu já não estivesse acordada eim seu bobão...
Olhei para os dois pares de olhos esmeralda que me encaravam. Ri da carinha de meu pequeno filho que olhava de mim para a mãe com uma ruga de preocupação.
— Não se preocupe meu principezinho, parece que nossa pequena Aiko-chan também está empolgada com a chegada ao Japão.
Ela disse se erguendo um pouco da poltrona e ajeitando-se a pequena barriga de 4 meses.
— Está tudo bem? – Perguntei .
— Sim , ela só está se esticando...
— Mamãe, mamãe... O papai disse que a Tia Tomoyo vai esta lá, é veldade?
— É sim Lei, ela e seu Tio Minato... E a prima Ayumi...
A carinha dele se iluminou de alegria. Ele e Ayumi eram muito amigos assim como eu e Sakura fomos um dia. O que me trouxe mais uma onda de nostalgia.
— Estão todos lá filho, a dindinha Usagi também, com a prima Nadeshisko, o padrinho Ichiro, o primo Yue, o Tio Touya, o Tio Yukito, o vovô Kinomoto...
— OBA!!!
— É! Mas está na hora do Senhorzinho se sentar na sua cadeirinha...
Sorri para Sakura em face da empolgação de nosso filho, parecia que fora ontem que ela estava grávida dele, que ele dera os primeiros passos, e que dissera a primeira palavra. Agora ele já tinha cinco anos. E nossa segunda filha logo nasceria. Prendi-o na cadeira e juntos aguardamos que o avião pousasse no aeroporto que agora contava tantas historias.
Tomoyo
— Mãaaaaaaaaaaeee....
Era o som que eu ouvira a manhã inteirinha. Mas eu não me cansaria de ouvi-lo nunca. Alguns anos atrás eu jamais imaginaria ouvi-lo. Na verdade, alguns anos atrás, eu jamais imaginaria estar ali.
— Oiii, terra para Sra. Doudoji Kasaki, responda! Sua linda filha chama!
— Anos e anos e você não cresce Minato!
Sorri para o homem de cabelos negros que me abraçava pela cintura, neste momento minha pequena filha desceu as escadas quase na velocidade da luz.
— Ayumi-chan, se acalme... Respire fundo!
— Mãe, que horas eles chegam?
Olhei para Minato que olhou em seu relógio de bolso.
— Minha nossa, deveríamos estar a caminho. Eles já devem estar no aeroporto.
— Viu Mãe, eu sabia que a gente ia se atrasar.
Sorri para a pequena menina a minha frente. Coloquei minhas mãos em seu pequenino rosto e vi o meu reflexo de quando tinha a idade dela. Tanta coisa dentro de mim existia naquele tempo, fiquei feliz em constar que diferente de mim minha filha sempre teve o meu apoio e minha atenção em todos os momentos de sua vida e naquele momento sua aflição se resumia a uma, a chegada de um garotinho mestiço de olhos verdes.
— Filhota, tenho certeza de que chegaremos a tempo na casa de Tia Usagi-chan... E tem mais uma coisa... Tenho certeza de que Lei-kun também está ansioso para vê-la.
— Você acha mesmo Mamãe...
— Sim... E vocês vão brincar bastante...
— Isso se aquele bobão do Yue-kun deixar.
Eu ri percebendo o tom de irritação na voz de minha pequena, ela não gostava de dividir seu melhor amigo com ninguém. Ela era diferente de mim em tantos aspectos.
— Ayumi-chan, não se preocupe. Tenho certeza de que você é tão importante para ele quanto ele é pra você. E Yue-kun gosta muito de você também, portanto comporte-se...
— Mas ele implica comigo...
Sorri novamente olhando para minha filha já prevendo por antecedência que aquele seria o inicio de outra longa história...
— Não se preocupe. _ Disse me abaixando para ficar da altura dela. _ No fim tudo se resolve...
— Siiiim... _ Minato riu se aproximando dela também. _ Eu não casei com sua Mãe mesmo ela sendo uma chata?
Dei um tapa nele de brincadeira e voltei a encarar Ayumi que me olhava fervorosamente.
— Promete? Mamãe...
— Prometo! – Disse abraçando-a – Agora corra ou vamos nos atrasar ainda mais...
— Vou terminar de me arrumar então, não se atrasem!
— Ás vezes eu me pergunto se ela não é filha de Usagi-chan, com essa obsessão por aparência. – Riu-se Minato.
Olhei para ele que me observava, eu o amava em tantos aspectos diferentes. Mas o que mais me intrigava era porque logo por mim ele fora se apaixonar. A moça que acabara de sair de um câncer e era apaixonada pela melhor amiga...
— Deixe-me adivinhar... Está se perguntando como tirou a sorte grande em ter se casado com um cara tão bonito como eu estou certo?
Ri da cara dele que como sempre estava fazendo palhaçadas para me fazer sorrir, no momento ele levantava uma das sobrancelhas com uma imitação de olhar questionar.
— Por incrível que pareça, sim, estava me perguntando por que de você. O estagiário pegador que estudou em Harvard ter se apaixonado pela garota anêmica recém- curada de um câncer.
— Sei lá, acho que foi a careca...
— Eiiiiiiiiiiiiii seu babaca, meu cabelo já estava crescendo. — Eu disse lhe dando um tapa, mas deixando que ele se aproximasse e colasse o corpo ao meu.
— Então deve ser esse mau gênio. Lembro-me até hoje de que queria se intrometer no meio do pedido de casamento de Shaoram-kun... — Ele riu ainda mais com a recordação. E eu continuei a encará-lo. -Tudo bem irei contar a verdade... Pode parecer loucura, mas eu sonhava com você, todas as noites. Não com você, mas com uma menina linda. _ Ele disse enquanto me beijava. _ Meiga, doce, inteligente, bondosa que brincava num jardim mágico. _ Ele disse mirando os olhos negros para mim. _ E quando te vi pela primeira vez naquele hospital, eu soube que era você... A garota com quem sonhei a vida toda. E teve aquele homem biruta...
— Homem biruta? _ Perguntei afastando-me dele para poder olhar seu rosto melhor. _ Que homem biruta?
— Ora, um homem que encontrei... Ele tinha longos cabelos e usava umas vestes estranhas. Encontrei-o no hospital no dia em que te conheci, eu havia sonhado com o jardim aquele dia e estava pensando naquilo quando ele me parou e disse algo parecido com: “Não se preocupe, quando menos esperar o amor vai encontrar você”. E quando me virei para perguntar o que ele queria dizer ele havia desaparecido... Naquela mesma tarde te conheci e então foi amor à primeira vista... Mas eu sabia que você ia dar trabalho, já que me achava tão irritante...
Olhei para Minato um pouco assustada, poderia ser uma possibilidade. Afinal alguém como eu jamais deveria duvidar de coisas como aquela, uma vez que eu mesma era a prova viva de que tudo era possível. E então pensei que talvez fosse apenas uma coincidência, mas então me lembrei de certa frase que ouvi de um homem delongas vestes e olhos azuis em um sonho uma vez: “Não existem coincidências, apenas o inevitável...” Assim olhei para meu marido que me observava confuso, apenas sorri e deixei que ele me beijasse até que uma voz fina nos interrompeu.
— O QUE EU DISSE A VOCÊS SOBRE SE ATRASAR?
Sakura
O templo Tsukimini não mudara muito ao longo de todos aqueles anos. Era primavera e as cerejeiras floresciam o que deixava a paisagem ainda mais bonita. O lago, onde certa vez um bebê de olhos violeta fora abandonado, hoje estava repleto de pais e filhos brincando com barquinhos de papel ou simplesmente pétalas de flores que serviam como balsas para insetos que estavam ali por perto. As mesas e cadeiras estavam arrumadas no pátio principal, o que me deu um vislumbre de certo baile que ali acontecera um dia. Onde uma moça de olhos verdes acabou se reaproximando do amor de sua vida depois de uma dança. Próximo dali existia um lugar onde certa garota de longos cabelos negros derramou sangue por causa do monstro da doença, ali também aconteceu o batizado da menina que a salvou de todo este mal. Na casa em frente, um rapaz de cabelos cinzentos deu a duas irmãs um casal de gatos, que ali ainda viviam junto com seus filhotes. Fora ali também, que certo irmão mais velho quase morrera engasgado com saquê após ouvir um pedido de casamento de seu cunhado. Ali também houve a união de dois adolescentes que partiriam para outro país onde liderariam um clã tradicionalíssimo. Historias que agora se acumulavam em minhas lembranças, e quando me pego pensando em todas estas narrativas acabo por mirar o rosto de cada um daqueles que estão ali, percebo a transformação que o amor, esta pequena palavra trouxe a vida de cada um. E então me rendo às lágrimas de emoção por saber que ninguém mais nos tomaria aquilo ninguém...
— Onee-san, por que está chorando?
Olho para o alto e topo com dois pares de olhos que me acompanharam durante quase toda a vida e então as lágrimas que antes apenas escorriam agora rolavam com afinco.
— Viu o que você fez. _ Ele disse meio serio e meio rindo. _ Agora não vou fazê-la parar nunca mais...
A jovem mulher se abaixa a minha frente mantendo os olhos a altura dos meus.
— Dessa vez não tenho curativos de coelhinho, mas eu sei que minha promessa foi cumprida. O seu dodói nunca mais vai doer.
E então ela me abraçou e conjuntamente com Shaoram ficamos olhando ali tudo ao nosso redor. Observando nossos filhos, familiares e amigos. E ali eu soube que me apaixonar foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido, e não sei por que, mas senti que Tomoyo e Shaoram sentiam a mesma coisa.
FIM
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