Notas iniciais
Os amigos são a família que escolhemos, são os irmãos que passamos a ter, não por casualidade, e sim por carinho de verdade.E assim como as aves se refugiam nos seus ninhos e os ursos nas suas grutas, a amizade é o escudo protetor do ser humano. Talvez nós estivéssemos protegidos, até de nós mesmos, se todos fossemos amigos.
Tomoyo Doudouji
Capítulo 27- Falling In Love

Tomoyo

Observei as duas primas se encararem por um momento. Até então apenas Usagi relatara tudo o que acontecera com ela desde que conheceu aquele demônio inglês. Sakura ouvia tudo em silencio, observando com uma expressão incrédula o rosto de sua prima. Algumas lágrimas escorriam de seus olhos esverdeados, sua expressão se resumia a choque e magoa. Ela olhava fixamente para Usagi que, com toda sua determinação, não se abalou por um momento se quer, olhou nos olhos dela o tempo inteiro e manteve a voz contida. Quando contou os momentos que passou na sala de música com Eriol observei uma sombra se perpassar no olhar de Sakura, e a magoa se tornar nojo. Ela olhou para barriga de Usagi juntando as peças...

_Quer dizer que esta criança... Este bebê...

Usagi que até então tinha estado firme, finalmente se rendeu a emoção. Confirmou com a cabeça. Algumas lágrimas descendo pelo lindo rosto.

_ Ele não quis assumi-la, na época eu fiquei desesperada, eu não sabia o que fazer... Grávida, sem marido, foi então que conheci Ichiro, ele me acolheu, a mim e a minha Yuuri...

_ E você vai dar a luz a um filho de um monstro?

Olhei assustada. Sakura olhava enojada para Usagi, seus olhos estavam frios, gelados... Ela olhava para Usagi como se nunca tivesse a visto na vida.

_ Sakura-chan, como pôde dizer isso? Como pôde?

_ Não, como você pôde? Depois de tudo que ele fez a mim, a você, a Shaoram-kun, a Tomoyo-chan, você vai dar a luz ao filho dele? Ao filho DAQUELE MONSTRO?

O rosto de Sakura estava distorcido em dor, mágoa e decepção... Eu não a reconhecia, ergui meu braço para ela, mas minha voz não passava de resmungos. O que Sakura estava pensando, porque ela fazia aquilo com Usagi?

_ Sakura-chan, ela não tem culpa... Ela não sabe... É apenas um bebê...

Usagi chorava desolada segurando a barriga, parecia tentar fazer Sakura ver. Mas ela estava cega.

_ Você é um monstro Tsukishiro Usagi, igual ao pai da sua filha, jamais vou te perdoar. JAMAIS VOU TE PERDOAR!- E dizendo isso ela saiu correndo pela porta.

Olhei atordoada para a porta com os braços erguidos e tentando em vão trazer Sakura, as lágrimas desciam como facas por sobre meu rosto. Olhei a meu redor atordoada sem saber o que fazer, foi quando um grito sufocado chamou minha atenção. Usagi estava ajoelhada em meio a uma poça de água. A bolsa!

Shaoram

Cruzei as portas do hospital em alta velocidade, e percorri o corredor conhecido. Estava a apenas alguns passos do quarto quando ouvi um grito de socorro. Abri-a e me deparei com Tomoyo e Usagi. Percebi que Usagi entrara em trabalho de parto, minha mãe mais havia ficado para trás estacionando o carro e não havia sinal do Prof. Kinomoto, nem de Sakura.

_ Onde está Sakura-chan?

_ Ela saiu correndo... AIII... Você tem de alcança-la, está muito... Perturbada...

Fui até a cama de Tomoyo e apertei o botão de emergência para chamar os enfermeiros, mas ele parecia não estar funcionando.

_DROGA! Porcaria de botão, isso é hora de dar pau? Precisamos ser rápidos antes que ela suma. Tomoyo-chan, você precisa acompanhar Usagi até a enfermaria, e precisa avisar Ichiro que a filha deles vai nascer. Acha que consegue? Como estão seus pés? Terá de levar o oxigênio, Usagi eu sei que está doendo, mas você precisa ajuda-la sim? Eu vou atrás de Sakura!

Pode ser que encontrem minha mãe no caminho ela irá ajuda-las.

Tomoyo me olhou com determinação e afirmou que sim com a cabeça.

_ Vai logo seu retardado! AAIII! Isso dói pra caramba!

E deixando as duas ali comecei a correr para a direção em que ela apontou que Sakura foi.

Sakura

Correr para bem longe daquele lugar e dela, era a única coisa que me restava fazer. Como todos suportavam aquilo? Como todos podiam admitir que aquilo acontecesse? Que Usagi desse a vida a uma criança que era filha daquele que destruíra tantas, inclusive a da própria mãe. Onde Usagi estava com a cabeça?

Meus pés me guiaram pelos corredores do hospital, eu corria sem ver para onde ia , quando dei por mim as luzes brancas do corredor foram trocadas por luzes de postes, eu sabia no fundo para onde estava indo, mas meu cérebro parecia desligado, eu não queria pensar em tudo que eu ouvira da boca da minha prima. Era demais, traição demais... Meus melhores amigos me traírem daquela forma, e me roubarem das pessoas que eu amava.

As luzes do metro passaram rápidas demais, e quando desci na estação certa dejavu veio a minha mente assim como a noite que me levou até ali seis meses atrás, a mesma noite em que eu me perdi de mim mesma.

Entrei para baixo do Rei pinguim e me escorei na parede embaixo do desenho de Tomoyo e chorei amargamente esperando que a dor passasse, mas a dor aumentava cada vez mais e parecia não haver mais lugar para ela. E então a voz conhecida chegou ao meu ouvido.

_ Olá amorzinho... O que faz aqui sozinha?

Tomoyo

Assim que Shaoram saiu pela porta me ergui de minha cama, eu estava me acostumando a fazer isso uma vez que diariamente me levantava para tomar banho, ir ao jardim tomar sol, sem contar às vezes que ia ao banheiro, mas aquilo era a custa de muito esforço. Mas a vontade de ajudar Usagi era tão grande que mesmo em face da dor e da tontura que senti, ignorei a ambas e comecei a desencaixar meu tubo de oxigênio do cilindro maior e encaixa-lo no menor do carrinho que eu usava para os passeios, quando me senti segura para respirar outra vez pus uma perna após a outra no chão e me equilibrei com dificuldade, fui para o lado de Usagi e ajudei-a como pude a se levantar, as contrações dela estavam bem fortes, e ela também sentia dor. Ambas então puxando o carrinho fomos para o corredor.

_ Tomoyo-chan... Sakura-chan tem razão, a culpa é toda minha... AIIIIII! Eu sou mesmo um monstro.

_ Você não é...

Eu disse juntando todo o ar dos meus pulmões, perdendo o folego por um instante. Mas encarando os olhos dela. E fiz sinal com a cabeça para continuarmos.

_ Obrigada, Tomoyo-chan. Espero que ela me perdoe...

Ela disse com os olhos marejados, depois ficamos muito ocupadas em nos apoiar pelo corredor para chegar à enfermaria e encaminhar Usagi para o parto.

Shaoram

Eu já percorrera toda aquela área duas vezes, ela não poderia ter atravessado o hospital sem ter sido vista. A não ser que ela não estivesse mais lá. Tentei pensar objetivamente os lugares para qual ela poderia ir. Em casa ela não estava, pois assim que localizei o pai dela ele também saiu a sua procura. Com Usagi e Tomoyo também não, pois ambas com um pouco de sorte já estariam bem. Então algo na minha cabeça fez sentido. E se algo estivesse agindo dentro de um ciclo em Sakura. Penso na noite em que tudo começou, fomos ao parque do Rei Pinguim. E se ela perdida em seus pensamentos tivesse sido guiada em busca de respostas, e se esse fosse o fechamento do ciclo. Corro para o metrô e como se por magia o trem chega naquele minuto à estação, adiantado. Rezo ao céu para que meu palpite esteja certo e que Sakura realmente esteja no parque. Sento no banco e aguardo o trem chegar à estação certa quando percebo um que um homem muito estranho me observa, usando longas vestes negras e longos cabelos azuis e óculos redondos, sorri bobamente pra mim.

_ Boa noite, jovem mestre.

Olho assustado para ele, pois pouquíssimos me tratam desta forma. Na verdade apenas aqueles que serviram a meu pai.

_ O Senhor conhecia meu pai.

_ Na verdade não, apenas acreditei que você tinha porte de ser um pequeno mestre, é como chamamos os aprendizes, no meu... Digamos país...

_ É uma coincidência, pois os empregados do meu pai me tratam desta forma.

_ Não existem coincidências, apenas o inevitável.

Olho para ele que me sorria feito um babaca.

_ O que está olhando?

_ Um conselho de amigo: Se quiser encontrar algo que perdeu, busque onde não procurou. Mas se quiser resgatar algo que se ama, apenas o amor poderá resgata-lo.

O homem estava sentado me observando, olho para ele sem entender. Ele parecia muito com alguém que eu conhecia, mas quem? Percebo que estou quase na estação e me ergo para saltar. Quando ouço aquela voz.

- Boa sorte jovem mestre!

Sakura

Os olhos azuis me encaravam, e eu me sentia mais vulnerável que nunca. Eu estava indefesa, longe de casa, longe de tudo que eu amava. Observei o sorriso dele para mim e senti sua mão em meu rosto.

_ Sakura-chan... Olhe pro meu rosto... Não gosta de mim mais?

É uma alucinação, ele não está aqui. Você está sozinha... Não tem ninguém.

_ Sakura-chan... Deixe-me te ver... Olha pra mim amorzinho, erga seus olhos...

Ele não está... É mentira...

O teto vermelho está sobre minha cabeça e sinto as mãos dele me tocarem...

_Sakura! Sakura!

Olhos azuis surgem a minha frente, sinto meu corpo pressionado sobre a cama de dossel. Dessa vez ele vai conseguir, eu não tenho como resistir e se eu deixar ele...

- Sakura, por favor, abra os olhos...

A cama não é macia, está frio. Estou me debatendo.

_ Sakura eu estou aqui... Não é ele sou eu... Sakura... Por favor...

É logico que você está aqui, vai me abusar, vai me machucar, como fez com Usagi... PARA!

_Sakura-chan, me ouça... Sou eu... Sakura, EU TE AMO! Você ouviu bem, Sakura me perdoa eu te amo!

Lábios quente tocam os meus, e a dor vai chegar... E a dor vai chegar... E a dor... Mas não é dor! Mas a dor não chegou... E o perfume é outro, e as mãos na minha pele são gentis, e não dói, então é... Não pode ser...

Tomoyo

Desde que fui diagnosticada com leucemia venho testando todos os meus limites dia após dia. Os tratamentos rigorosos, a pressão psicológica, sem contar as mil e uma adversidades que apareceram em minha vida desde então. Mas até então eu não havia percebido algo, algo de importante e pela qual valia a pena lutar. Algo que nem mesmo o meu amor por Sakura superava, a minha vontade de viver... E a minha vontade de ajudar a quem eu amo...

- Mais um pouco Tomoyo-chan...

Estamos nos arrastando pelo corredor havia alguns minutos, o esforço de minha respiração era ruidoso. Estava achando estranho ainda não termos encontrados enfermeiros, eles geralmente ficam em plantão, ao atravessar o segundo corredor meu corpo começava a me vencer, meu pulmões clamavam por oxigênio, pois o suprimento que me era levado era muito pouco devido ao esforço de apoiar Usagi, esta se segurava sentindo a dores das contrações lutando para se manter em pé. Quando finalmente chegamos ao fim do terceiro corredor encontramos não só Yelan, como também o Sr.Kinomoto e Ichiro.

_ Kamen-sama, o que vocês duas pensam que estão fazendo...

_ Ichiro... Ichiro... Yuuri...

_ Eu já te disse que não quero que nossa filha se chame Yu...

Mas vendo as manchas na roupa de Usagi, Ichiro mais do que depressa pegou- a no colo e partiu levando-a, e gritou dando ordens para que me colocassem em meu quarto. As enfermeiras vieram com as macas onde me colocaram e me levaram para uma sala próxima. Eles me ligaram a um oxigênio novo e aplicaram algum remédio. Depois disso não sei mais o que ouve, pois no segundo seguinte tudo o que eu vi foi escuridão.

Shaoram

Entrei no parque pinguim já quase sem folego, e se ela não estivesse ali? Eu teria perdido todo aquele tempo. Mas eu tinha de confiar em minha intuição, haveria um motivo para eu estar ali. Entrei embaixo do escorregador e com alivio percebi que meu palpite estava correto, ela estava lá, sentada encolhida contra a parede, mas seu olhar estava fixo em algo que eu não via, me aproximei com cuidado tentando não assustá-la.

_ Sakura, amor... Sou eu... Shaoram... Está tudo bem. Estou com você agora.

Ela continuou encarando a outra parede inexpressivamente. Ela parecia dopada, fora de si. Seus olhos estavam fora de foco. Meu coração começou a acelerar com medo de que ela estivesse louca de vez. Ela piscou mais uma vez e então abaixou a cabeça parecendo desfalecer.

_Sakura... Por favor... Sakura! Sakura!

_ Não me toque! Você não vai me machucar. Não me toque!

O corpo dela começou a tremer e ela se encolheu em reação a minha aproximação.

_ Saia! SAIAAAAAAAAA!

Ela disse desesperada tentando se afastar, o corpo dela escorregava pela parede e ela se deitou no chão se encolhendo ainda mais.

_ Sakura! Sakura!

Chamei-a novamente na esperança de que ela despertasse daquele transe, ela já estava melhor. Ela não voltaria ao ponto de inicio. Não se dependesse de mim.

- Sakura, por favor, abra os olhos...

Ela reage chorando mais alto. Seu corpo treme violentamente. Sinto-me perdido por um instante, o que fazer? Como ajudar Sakura? Aproximo-me dela e tomo-a em meus braços ela luta contra mim.

_ Sakura eu estou aqui... Não é ele sou eu... Sakura... Por favor...

_É logico que você está aqui, vai me abusar, vai me machucar, como fez com Usagi... PARA!

Olho para seu rosto e vejo o sofrimento em que ela se encontra, entro em desespero. Ajuda-la não está em minhas mãos. As minhas lágrimas se juntam as dela e peço ajuda a única força que acredito poder salvá-la então algo surge no fundo de minha mente. “Se quiser encontrar algo que perdeu, busque onde não procurou. Mas se quiser resgatar algo que se ama, apenas o amor poderá resgata-lo.” Então uma ideia me vem à mente.

_Sakura-chan, me ouça... Sou eu... Sakura, EU TE AMO! Você ouviu bem, Sakura me perdoa eu te amo!

Então seguro o rosto dela entre as mãos e beijo os lábios dela. Inicialmente com delicadeza, percebo que ela para de se debater. Passo a beijar partes de seu rosto, as pálpebras, o nariz, a maça do rosto e sua testa. Volto a beijar seus lábios, mas dessa vez com mais intensidade e ela corresponde, timidamente no inicio, como se estivesse tentando entender o que estava acontecendo. E então de repente suas mãos que estavam me empurrando se agarraram a meu pescoço e ela começou a me beijar com tamanha intensidade que foi difícil me conter. Afastei um pouco seu rosto do meu e acariciei sua bochecha, ela ainda mantinha os olhos fechados, estava chorando.

_ Sakura-chan... – Sussurrei – Abra seus olhos, por favor.

E então ela abriu as íris esmeralda para mim e reconheci nelas o brilho que há tanto tempo havia se perdido.

Notas finais
Ohayo Minna-san... Voltei!!!
Como prometi!!! Ficaram felizes???
Espero que sim... Estou muito feliz com os reviews do ultimo capitulo... Minna-san,vocês são tão kawaiii. *-*!!
Espero que este capitulo mate um pouquinho da curiosiade de vocês...
* Sakura-chan foi muito mal com Usagi-chan, mas se ponha ponha no lugar dela, saber que a prima vai ter um filho do garoto que a deixou naquele estado, que barra. =?
* Shaoram-kun como sempre arriscando tudo pela Saki, amor de verdade é mesmo outra coisa eim???
* Pobre Saki, até quando será assombrada pelo eriol? Sera que Shao finalmente conseguira acorda-la do pesadelo.
* Sera que ocorrera tudo bem no nascimento de Yuuri e Tomoyo deveria se arriscar tanto para ajudar Usagi-chan???
Espero vocês aqui embaixo... Para novos reviews e recomendações então... Vou tentar postar mais um essa semana! Beijos
Bell-chan
Obs: Recomendem a fic PLEASE!!!