Falling In A New Adventure

7 Capitulo 7 - Preocupações


Notas iniciais
PoV - Cédric Dupont

"Por que que tem uma fada aqui?" — Sussurrei baixinho ajeitando meu chapéu, nenhum dos garotos sabiam responder, Salém até chegou a arriscar um palpite de que ela só queria causar o caos, afinal, era uma fada, uma criatura travessa que os humanos não compreendia muito bem. De repente, o Líder gritou alguma coisa e vários lacaios saíram correndo apressadamente.

Não muito tempo depois, vários goblins vieram trajando suas mascaras e, equipados com suas armas, todos gritavam freneticamente. A fada deu dois longos giros em volta do Líder Goblin e, no instante seguinte, ele gritou e veio, junto às criaturas menores, em nossa direção.

"Corram!" — Gritei ao meu grupo e, imediatamente, partimos dali sem cautela alguma até chegarmos ao território dos orcs. Outra vez, estávamos embaixo da chuva, procuramos algum lugar para nos abrigar e avistamos uma pequena casa no limite do Vilarejo dos Orcs e entramos nela rapidamente, fechando a porta ao passarmos.

Estava muito mais escuro ali dentro do que do lado de fora, eu até pensei em conjurar meu [Sight], mas chamaria muita atenção – "Está muito escuro aqui" – Bast reclamou e, logo depois, como se respondesse ao pedido dele, um trovão caiu muito perto, iluminando o local. Todos nós gritamos, parte pelo barulho repentino, parte por termos visto uma Senhora Orc encolhida em um canto do casebre nos olhando.

"Não gritem" – Ouvimos uma voz rouca que não pertencia a nenhum de nós, demorei um pouco para acreditar que tinha sido a Senhora Orc, mas ela tornou a falar – "Não gritem, vão atrair os outros" – Na mesma hora, pude ouvir Shandi brandir sua espada e Taylor contrair seu arco, mas Salém falou rapidamente – "Não a ataquem!".

"Senhora, o que aconteceu aqui?" — O alquimista perguntou a ela, mas ela não respondeu – "Não vamos te machucar, só queremos saber o que houve" – Tentei incentivá-la e deu certo, logo voltamos a ouvir aquela voz rouca e feroz – "Eu vi tudo, tudo começou quando uma criaturinha com asas e bem brilhosa chegou ao vilarejo, mas tanto meu senhor quanto meu herói se recusaram a ouvi-la".

Ela deu uma pausa e fungou ruidosamente, ficamos aguardando um minuto até ela voltar a falar – "Não sei o que ela queria, mas partiu para o sul e, na noite daquele mesmo dia, vi o líder dos goblins invadir sorrateiramente nosso território e quebrar a entrada encantada do nosso memorial. Ele estava diferente, não usava máscara alguma" – Ela suspirou – "Tentei falar com meu senhor, mas ele esta crente de que foi o Orc Herói tentando abalar seu poder que fez isso e vice-versa".

Assim que terminou de falar, ela acendeu uma vela a seu lado, não sei exatamente como que ela fez isso, mas fez, e iluminou levemente o lugar. Eu não estava acreditando que estávamos recebendo ajuda de uma Senhora Orc falante, todos nós ainda estávamos digerindo a informação, menos Salém, o alquimista se sentou ao lado dela e começou a mexer na bolsa.

Só então reparei de fato na criatura, ela era bem velha, seus cabelos eram cinzentos, era muito enrugada e encolhida e, além de várias cicatrizes, ela tinha várias feridas recentes. E era exatamente isso que Salém também tinha visto, pois pegou uma poção branca da bolsa e espalhou pelas feridas dela – "Você é muito gentil, garoto. Mais pessoas deveriam ser assim, mas não as culpo" – Ela lançou um olhar cansado na nossa direção.

Senti-me meio mal por isso, mas eu realmente não tinha culpa, monstros nunca foram amigáveis, então olhei de novo para o alquimista e ele ainda estava cuidando dos ferimentos da senhora. Várias coisas se passaram pela minha cabeça, aquele garoto é tão gentil, mas acho que um tanto ingênuo, aquela Senhora Orc poderia tê-lo matado. Conclui por mim mesmo que não queria deixá-lo sozinho nunca, quero o proteger.

Fiquei tão imerso em meus pensamentos que não notei que havia parado de chover, até que Taylor me chamou – "Para onde vamos agora?" — Ele perguntou. Tomei um longo minuto pensando antes de responder – "Que tal voltarmos para Geffen e contar o que descobrimos para as autoridades?" — Mas, assim que falei, Blake contestou brincando – "Ah, Claro, vamos lá falar que uma Senhora Orc nos contou tudo isso..."

Blake tinha razão, então resolvemos que teríamos de fazer algo por nós mesmos, concluímos que seria mais prudente esperar o amanhecer para fazer qualquer coisa, pois estava quase impossível enxergar. Comemos algumas frutas para repormos nossas energias e ficamos discutindo algumas estratégias enquanto descansávamos. Pude ver que Shandi e Kagura cochilaram sentados, um apoiado no outro, Bast também adormeceu, apoiando o rosto nos próprios joelhos, sentado ao lado do templário.

Os primeiros raios solares entraram pelas pequenas janelas empoeiradas do casebre, o silêncio da manhã foi completamente quebrado pelo som das batalhas que ocorriam. Saímos correndo, Shandi, Bast e Kagura ainda estavam bem sonolentos. No centro do Vilarejo dos Orcs, pudemos ver o que ocorria, as três grandes criaturas lutavam entre si.

Os lacaios também lutavam e, além do nosso pequeno grupo de aventureiros, não havia mais nenhum presente – "Alguém tem que ir até Geffen ao menos alertar sobre esta guerra" – Blake disse em um cochicho. "Deixa que eu vou, sou uma das mais rápidas" – Disse Kagura, ainda coçando os olhos e, assim que concordamos com um aceno e ela saiu correndo por de baixo das árvores rumo ao norte.

"Certo, o que faremos?" — Bast perguntou – "Bem, como discutimos mais cedo, nosso alvo é o Líder Goblin, você nos dará suporte, principalmente ao Shandi, que terá que segurar os monstros menores longe de nós. Eu e Blake vamos atacá-lo assim que conseguirmos oportunidades e Salém ajudará onde for necessário. Se algum dos orcs nos atacar, nós vamos correr, tudo bem?" — Todos concordaram após minha explicação.

Porém, mal tínhamos chegado a luta, quando vários goblins vieram nos atacar, o Líder Goblin estava mais forte, apesar disso, a fada não estava em volta dele como achei que estaria. Derrotar as pequenas criaturas a nossa volta foi fácil, mas eles eram numerosos, [Heaven's Drive] conjurei mais uma vez em um novo grupo de monstros enquanto me esquivava de seus ataques.

"Cédric, não se preocupe com eles, eu te protejo, concentre-se em derrotar o Líder" – Blake gritou, correndo para o meu lado. Então comecei a conjurar [Fire Bolt] nele enquanto o mercenário me protegia. No momento em que minha magia o acertou, ele se desconcentrou da batalha e o Orc Herói aproveitou a chance para lhe dar um forte golpe de espada no braço, fazendo-o gritar de dor e derramando um liquido negro no chão.

"Cédric, acho que não vai adiantar derrotarmos o Goblin!" — Salém gritou, correndo desajeitadamente em minha direção, chegando perto de mim, ele tropeçou e, por pouco, não o peguei antes de cair – "O que você quer dizer com isso?" — Blake perguntou, ofegante e Salém respondeu ainda um pouco assustado – "O problema é o que a fada o ajudou a fazer, arruinou a entrada do memorial".

"Será que conseguimos fazer ele voltar a funcionar?" — Perguntei – "Não sei, mas o problema vai ser chegar lá" – Blake respondeu, então que notei que a maior briga acontecia bem próxima ao memorial, mas, ainda sim, tínhamos que tentar, Salém provavelmente estava certo.

Demos uma volta para evitar a briga maior, andando pela sombra e derrotando os monstros no caminho sem perdermos nossa posição. Quando chegamos lá, notamos que a base do memorial ainda estava intacta e tinha várias pedras roxas pelo chão – "Alguém sabe montar isso aqui?" — Perguntei

Sem abaixarem a guarda, foram me dizendo que não, até que Salém se voluntariou – "Nos deem cobertura, vou ajudá-lo" – E, dizendo isso, auxiliei Salém a pegar e tentar encaixar as pedras, não foi tão difícil quanto pensei, mas roxas estavam a tanto tempo uma em cima das outras que pareciam se encaixar perfeitamente, mas, apesar disso, tivemos que remontar duas vezes.

Quando montamos pela terceira vez, uma brilho fraco passou pelas pedras, nos poupando de nos preocuparmos em como reativar o portal. Olhei sorridente para o alquimista, ele respondeu me olhando igualmente – "Bom, agora podemos nos concentrar em derrotar o Goblin e, talvez, restaurar a pequena ordem que existia aqui no vilarejo anteriormente.

Contornamos novamente a briga, nos posicionando novamente perto do Líder Goblin e, como antes tinha dado certo, continuamos com a mesma estratégia, porém, dessa vez, quando acertei a [Fire Bolt], o Orc Herói atacou o Senhor dos Orcs, que gritou furiosamente, bufou e tomou uma grande quantidade de ar ruidosamente, pouco depois, ele saltou e caiu em um estrondo, provocando um grande abalo na terra.

O [Earthshaker] do Senhor dos Orcs nos alcançou e, em breves segundos, rompeu o chão, separando nosso grupo em várias partes. Tentei usar algumas magias minhas para nos reunir, mas meu controle mágico sobre o elemento terra era muito escasso para concertar o estrago feito. Olhamos uns para os outros, estávamos eu e Blake em uma parte, Salém e Taylor em outra e Bast e Shandi em uma outra.

–Vocês estão bem? — Perguntei usando o bracelete avermelhado.

–Estamos sim – Responderam quase ao mesmo tempo.

–Vamos tentar voltar para a casa da Senhora Orc – Liderei – Tomem muito cuidado, por favor.

Fomos cada dupla para um lado diferente, a princípio, caminhamos tranquilamente, mas, a medida que nos afastávamos daquela catástrofe, os monstros voltaram a surgir. Apesar disso, estávamos bem, Blake atraia e se esquivava dos golpes das criaturas quase perfeitamente, hora ou outra, uma Senhora Orc o acertava e eu conjurava continuamente minhas [Thunderstorm] enquanto avançávamos correndo.

Eu e Blake fomos a dupla dividida para a parte sul, então, rapidamente encontramos o caminho que nos levaria até o casebre da orc, mas resolvemos esperar por ali, eu estava com um péssimo pressentimento de que algo ruim iria acontecer – "Estou preocupado" – Murmurei para Blake e, antes que Blake respondesse algo, alguém gritou.

Alguém nos ajude! O Senhor dos Orcs e seus arqueiros estão aqui – Foi Shandi quem gritou.

Olhei desesperado para Blake, mas ele falou antes de mim – "Vamos, ainda dá tempo de ajudarmos, eles tinham ido para oeste, certo?" — Eu concordei com ele e saímos correndo na direção em que tínhamos visto o garoto pela última vez. O caminho estava completamente sinuoso, o que nos atrasou bastante.

Então encontramos o Senhor dos Orcs, seus arqueiros estavam em alerta procurando qualquer sinal de que alguma coisa estava se aproximando para que atirassem. Andamos cautelosamente procurando os garotos pelos arbustos e outros locais onde poderiam estar escondidos.

Shandi está muito ferido, não sei o que eu faço – Bast choramingou aos sussurros.

–Estamos indo – Murmurei – Cadê vocês? — Mas não responderam.

Meu coração batia cada vez mais acelerado, um mistro de pânico, culpa e desespero me envolveu – "Aonde será que estão?" — Perguntei retoricamente, mas Blake me respondeu – "Apesar da casa da Senhora Orc ficar para o sul, o Senhor dos Orcs estava no caminho, então, talvez, eles tenham rumado para o norte" – Eu concordei com a cabeça, fazia sentido.

Demos uma volta por mais oeste do Orc para que seus arqueiros não nos notassem, no mesmo instante, uma forte luz opaca veio do leste, chamando a atenção das criaturas. Passamos correndo o mais rápido que conseguímos e, chegando ao norte do vilarejo, avistamos várias pessoas chegando e, no meio delas, vimos Bast.

Desviamos das pessoas e alcançamos o nosso sacerdote, só então notei que ele estava conversando com Kagura – "Cadê o Shandi?!" — Quase gritei, o garoto me olhou tristonho – "Ele esta bem ferido, um paladino e um sacerdote o levaram" – Kagura respondeu. Eu queria muito vê-lo, mas não tinha tempo para isso.

Ainda preocupado, olhei de Blake para os sacerdotes – "Alguém sabe algo sobre aquela luz?" — Mas, assim como eu, eles não sabiam de nada, meramente negaram com a cabeça – "Temos que procurar Taylor e Salém" – Dizendo isso, começamos a desviar das pessoas, seguindo para leste a fim de dar a volto pelo Vilarejo dos Orcs.

Pelo caminho, notamos que os orcs haviam parado de brigar entre eles próprios. Seguímos eliminando os que vinham em nossa direção até chegarmos em uma área próxima ao Memorial dos Orcs, estava razoavelmente vazia, dali, avistamos o Orc Herói e o Senhor dos Orcs juntos lutando contra o Líder Goblin. De repente, ouvimos um farfalhar vindo de um arbusto próximo.

Nos preparamos para atacar quando Taylor saiu das sombras dos arbustos, estava bem machucado, cheio de cortes pelo corpo – "Taylor! Você está bem? O que houve?" — Perguntei, na mesma hora em que Bast e Kagura começaram a lançar feitiços de cura sobre ele, fechando vagarosamente suas feridas. O bardo deixou cair uma lágrima – "Salém me atacou..." — Demorei um pouco para digerir o que ele disse.

"Como assim?!" — Eu gritei – "O que aconteceu?" — Taylor respirou fundo enquanto lembrava dos fatos – "Quando o [Earthquake] nos separou, caminhamos para perto do memorial e, nessa hora, aquela fada apareceu, tentei atacá-la, mas ela esquivou" – Ele deu uma pausa para respirar e fez uma careta quando os sacerdotes lançaram magias em seu rosto.

Quando o garoto voltou a falar, sua voz estava cheia de tristeza – "A fada nos atacou, acertou alguma coisa no Salém e depois entrou no memorial. Salém brilhou e emitiu uma luz forte que me cegou, quando voltei a ver, ele estava diferente e me atacou, eu não sabia o que fazer, então revidei o ataque, errei algumas vezes tentando afastá-lo, mas ele não desistiu, só correu quando acertei uma flecha em seu ombro".

"Você o atacou? E como assim, estava diferente?" — Minha voz saiu fraca, repleta de medo. Taylor olhou sombriamente – "Não tive escolha, ele não parecia mais um humano, seus cabelos negros assumiram um tom verde escuro, surgiram garras afiadas, seus olhos brilhavam, um verde e o outro arroxeado, suas orelhas estavam pontudas e pior... Ele tinha um chifre projetando-se de sua testa".

Pude notar no ar de pavor que o grupo assumiu, eu os olhos um a um, Bast e Kagura, que haviam acabado de fechar as feridas do bardo, olhavam assustados para o mesmo e Blake tinha uma expressão preocupada no rosto – "Ele é nosso amigo, gente, nos ajudou várias vezes e agora é nossa vez" – Eu disse, todos olhando para mim – "Mas, agora, ele..." — Bast começou a falar, mas eu o cortei – "Deve ter sido amaldiçoado pela fada, não podemos simplesmente nos livrar dele!".

Perguntei a Taylor para onde o alquimista havia corrido, ele apontou para o sul, para além das fendas no chão. Partimos imediatamente contornando os obstáculos, Blake na frente, abrindo caminho. Algum tempo depois, o mercenário parou e agachou – "Tem um rastro de sangue humano recente por aqui" – E, mais uma vez, partimos, logo atrás de Blake que seguia o rastro.

Continuamos até sairmos do Vilarejo dos Orcs e nos vimos no território dos goblins, estava bem vazio, parecia que quase todos eles haviam ido lutar junto ao Líder, de forma que continuamos a seguir nosso caminho quase sem sermos perturbados por aquela sociedade humanoide.

Um pouco depois, deparamos-nos com um grande problema, o rastro deixado pelas gotas de sangue havia acabado. Demos uma volta por ali, a fim de encontrarmos alguma posta, mas não encontramos nada concreto. Caminhamos perdidamente sob o fraco sol da manhã até encontrarmos algo.

A princípio era bem baixo, mas, a medida que avançávamos em frente, se tornava mais audível. Pudemos identificar um batuque rítmico de tambor e, com poucas expectativas, corremos na direção da música ritualística até chegarmos em uma ampla região dentro de um círculo de pequenos cogumelos.

Vários goblins estavam reunidos ali com máscaras animadas e no centro estava Salém, estava exatamente como Taylor descreveu, o ombro machucado já sem a flecha. Os pequenos humanoides cantavam e dançavam em volta do alquimista sem terem nos percebido até que nosso amigo olhou em nossa direção.

Seus olhos brilhavam revelando lágrimas em seu rosto, ele não pareceu nos reconhecer, pois, no momento seguinte, emitiu um ruído ameaçador por entre os dentes. A música parou no mesmo instante, todas as criaturas lançaram olhares furiosos em nossa direção e, no próximo minuto, todos eles correram para nos atacar.

Blake avançou alguns passos para impedir o avanço dos goblins, mas não foram só aqueles que vieram nos atacar, agora vinham de vários lados. Taylor focou os arqueiros que estavam muito fora de nosso alcance, Kagura atacava agressivamente com uma maça, revelando uma força e agilidade que eu não sabia que tinha. Eu conjurei magias de baixo nível enquanto bloqueava e revidava alguns ataquem com meu bastão.

Estávamos reduzindo significativamente o número deles, quando algumas plantas brotaram no meio do grupo, quebrando nossa posição. Uma hidra lançou seus tentáculos em mim e me ergueu no ar antes que eu tivesse qualquer reação, então, do alto, olhei para Salém, o garoto-monstro estava muito próximo e consegui notar que ainda usava o bracelete vermelho do nosso grupo.

–Salém! Salém, lembra quem somos?!" — Eu gritei pelo bracelete, sem resposta.

–Pare de fazer isso, Salém! — Todos gritaram logo em seguida ao mesmo tempo.

No instante seguinte, vimos alguns efeitos, o alquimista deu passos inseguros para trás e caiu de joelhos, levando uma das mãos à testa evitando seu chifre que agora emitia um brilho que lembrava um brilho lunar. As plantas pararam de nos atacar, ficaram estáticas, eu cai no momento em que a hidra se acovardou.

"Salém, você não é mau. Somos amigos!" — Gritei, dando passos na direção dele, os goblins também recuaram sem saber o que fazer. "A...mi...gos..." — Ele murmurou, mas logo em seguida levantou o rosto, furioso – "Não!" — Gritou. Os goblins reagiram ao grito, se prepararam para nos atacar novamente, mas eu os ignorei, passei correndo por eles e abracei Salém com força.

"Não vou abandonar você e também não permito que você vá" – Falei, apertando-o mais. A princípio, ele se debateu um pouco e soltou um último grito antes de eu sentir suas lágrimas aquecidas caírem em meu ombro, as criaturas em volta saíram correndo freneticamente no instante em que uma forte luz veio de Salém, cegando-nos.

Quando voltei a ver, ali estava meu amigo, apesar de algumas mudanças, seus olhos ainda eram heterocromáticos e seus cabelos verdes escuros, mas era ele e estava todo arranhado, como se estivesse esse tempo todo lutando – "Cédric..." — Murmurou, sua cabeça prensada em meu peito – "Esta tudo bem agora, pequeno" – O consolei, afrouxando o abraço até o soltar.

Os outros membros do grupo rapidamente correram ao nosso alcance, Taylor foi o primeiro a falar – "Me desculpa por isso" – E apontou para um machucado no ombro do garoto. Blake o ajudou a levantar e os sacerdotes tentaram curá-lo, mas não deu certo – "Está coberto de magia negra" – Eu disse após uma breve análise.

Andamos um pouco até o Vilarejo dos Orcs, mas o garoto não aguentou muito, fraquejou e desmaiou, quase caiu no chão, porém, rápido do jeito que é, Blake o segurou, pegando-o nos braços e continuamos a avançar, o vilarejo estava cheio de aventureiros agora, chegamos a tempo de vermos o líder de Geffen, um poderoso arcano, derrotar o Líder Goblin.

Corremos o mais rápido que conseguimos com a ajuda do [Agility Up] do Bast e da Kagura até a torre de Geffen, o sol queimando sob nossas cabeças. A ala médica estava lotada de pessoas ferias, mas, bastou uma olhada rápida de Maria, a arcebispa chefe, para mandar Salém para outra área.

Carregamos nosso amigo até a Guilda dos Magos, Magda, a mestra da guilda, coordenava seus pesquisadores à mão de ferro – "Senhora, precisamos de sua ajuda" – E, como da última vez, precisei gritar as primeiras palavras para conseguir a atenção dela. Mas, dessa vez, ela não me olhou com arrogância, na verdade, ela olhou bastante curiosa para mim e para o alquimista.

"Ele..." — Eu comecei a explicar, mas ela me cortou – "Magia negra... Levem-no para minha sala" – E, dizendo isso, prosseguiu até a sala, fomos logo atrás, seguindo-a. A sala dela era magnífica, repleta de estantes e iluminada por belos cristais coloridos, ela usou o [Napalm Beat] para empurrar tudo que havia encima da mesa – "Coloquem-no aqui".

Blake se aproximou e depositou Salém na mesa, Magda pegou um enorme cajado em um canto da sala e passou por toda extensão do corpo do garoto, juntou as sobrancelhas em um olhar frustrado – "Retirem a roupa dele, já volto" – E, dizendo isso, se dirigiu à porta – "E você vem comigo" – E saiu com Kagura.

Olhei apreensivamente para o restante do grupo, esperando um voluntário, mas ninguém disse nada – "Tudo bem, eu faço isso, mas preciso de ajuda, Blake?" — Pedi ao mercenário que me ajudasse e, exitante, ele aceitou. Removemos as roupas do alquimista revelando dezenas de cortes, deixando-o apenas com a roupa íntima e esperamos Magda e Kagura voltar, mas a líder da guilda voltou sozinha.

Ela trouxe consigo algumas poções, nos afastou do garoto e foi passando uma a uma no corpo dele e, aos poucos, suas feridas foram se fechando. A última e mais trabalhosa foi a causada pela flecha de Taylor e, assim que esta se fechou, Salém abriu os olhos vagarosamente – "Olá, gente" – Disse de uma forma cansada com a voz muito fraca.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.