Falling From The Stars
2 Encontros e desencontros
Notas iniciais
Acordei com o despertador tocando, essa noite havia sido maravilhosa. Ontem foi tudo tão confuso... Fiquei animada em estudar com Luke. Acho mesmo que nos dois vamos ser amigos pra valer. Eu só tenho duas amigas de verdade. A minha tia por parte de pai, Fabiana, e a minha colega de escola, Vicky. Fora isso tenho Aaron, Carter e Mike, que são meus melhores amigos.
Coloquei o uniforme e desci as escadas.
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Todos os dias eu vou pra escola a pé, não é muito longe. A essa hora da manhã meu irmão e minha vó ainda dormem, então eu tomo café sozinha. Catei um iogurte de morango (meu preferido) na geladeira e o comi. Peguei uma maçã e a devorei em dois minutos. Escovei os dentes e ajeitei a cabeleira loira que vai até um pouco acima da cintura.
Estou pronta para mais uma segunda feira.
Sai de casa com o fone do ouvido já ativo. Coloquei It’s Time, Imagine Dragons pra tocar.
Imagens vieram a minha cabeça do meu primeiro dia de aula aqui. Eu me adaptei rápido, tomara que o mesmo aconteça com Luke.
Falando na criatura...
– Tchau mãe. É eu sei. Pode deixar. Ok. Tá mãe! Eu preciso ir. Tchau – Luke deu um beijo na bochecha de uma mulher muito parecida com ele, que deduzi ser sua mãe, saiu de uma casa azul e sorriu a me ver parada olhando ele.
Tirei o fone de ouvido e sorri também.
– Bom dia! – Falei. Luke deu um beijo longo na minha bochecha e se posicionou do meu lado esquerdo. Voltei a caminhar em direção a escola.
– Não sabia que você ia a pé – Falou. Dei de ombros e sorri.
– Então, animado para o primeiro dia de aula?
– Mais ou menos – Disse em um tom preguiçoso.
– Imagino... – Zombei.
– A culpa não é minha se meu sono me seduz – Falou mordendo o lábio inferior. Gargalhei da sua indisposição já avistando a escola. – É lá a minha prisão?
Olhei pra ele, que olhava o colégio sorrindo.
– Sim.
– Uau – sorriu – É gigante! Muito maior que a minha antiga. Espero que seja menos entediante também.
Luke sorriu com o canto da boca.
– Não se preocupe novato. Vou te mostrar tudo. – Sorri. Entramos pelo gigantesco portão talhado com as iniciais B.M.H.S, de “Breeding Mannerliness High School”. – Só preciso pegar alguns livros no meu armário antes, mais tarde nós fazemos um tour.
Caminhei pelos corredores, com Luke atrás de mim, até chegar ao armário 408.
– Letta! – Vi Aaron correndo na minha direção e me joguei em seu colo sorrindo. – Bom dia.
– Oi!
– Scarlett?
Eu e Aaron viramos para Luke.
– Ah sim – ri -, desculpe. Luke, este é Aaron. Aaron, esse é o Luke. – Eles se cumprimentaram. – Onde estão Mike e Carter?
– Na quadra, onde mais? Bom, agente se vê Letta.
Aaron beijou minha bochecha e se despediu. Voltei pro armário.
Já com todos os livros na mão, escutei o sinal batendo e indicando a primeira aula. Luke me seguiu novamente até a sala.
A professora ainda não tinha chegado, percebi. Passei pelas carteiras, já que a minha é a última da última fila. Joguei minha mochila no chão e coloquei meus livros embaixo da carteira. Sorri para Vicky, que escrevia algo no caderno. Luke se sentou na minha frente, e ficou olhando com desgosto para o lado. Segui seu olhar até Brian e seu grupinho. Brian olhou pra mim de um jeito amedrontador.
– Bom dia alunos – A professora Amélia disse, entrando na sala.
– Bom dia, professora. – A turma entoou.
– Vejo que já conheceram o aluno novo – A professora disse sorrindo – Está se acostumando à escola nova, Luke?
– Estou tendo uma ajudinha, professora.
– Scarlett, suponho.
Corei.
Luke se virou, me encarando com um sorriso de lado.
– Bom, alunos, este é Luke Alexander Dallas, nosso novo aluno. Está faltando mais alguém?
– Não – A turma entoou, novamente.
Eu particularmente gosto da professora Amélia. Ela é uma mulher gentil, porém firme. Ela já adquiriu cabelos brancos e grisalhos e algumas rugas, por causa da idade.
– Muito bem. Como vocês sabem, essa é a aula de português. Aula passada conversamos um pouco sobre o tema “amor” e o gênero "romance" e hoje aprofundaremos isso. Alguém pode me dizer exemplos de casais famosos?
– Romeu e Julieta! – Sophie, uma garota romântica e sonhadora respondeu. Ela até que é gente boa.
– O casal do Titanic! – Anna disse.
– Você se refere a Jack Dawson e Rose DeWitt Bukater, Anna? – A professora Amélia questionou, e Anna assentiu sorrindo de lado. – Mais alguém?
– Angelina Jolie e Brad Pitt! Hazel e August! Hum... Você e o professor Malferinn? – Pietra respondeu, tardando a se arrepender do que falara. O professor Malferinn é da disciplina de química, e o povo shippa.
– PIETRA! – A professora gritara, se acalmando logo depois. – Bom, já chega! O que todos esses casais têm em comum? O que o amor significa pra vocês?
Várias pessoas levantaram a mão, mas a professora Amélia disse que ela mesma escolheria quem iria falar.
Primeiro, seu dedo apontou para Sophie, que falou que “o amor é um sentimento de satisfação e romantismo”.
– Brian! Responda a mim, o que o amor é pra você?
O loiro riu, depois encarou a professora, entediado. Por fim, respondeu:
– Eu não faço a mínima ideia.
A sala inteira se calou. Amélia transformou seus lábios rachados em uma linha fina, em desaprovação.
– Você pretende se casar algum dia, Brian?
– Imagino que sim. – Ele deu de ombros.
– Como seria a sua esposa?
Brian olhou indiscretamente na minha direção. Por favor... Não começa, pensei, tomara que ele esteja olhando pra janela.
– Seria a mais bonita de todas – Disse. – A que todos os garotos quisessem. A minha ideia é que seja loira.
Envergonhada, desviei o olhar. Eu sabia que Brian me “desejava”, mas não gostava de mim. Não era como eu sonhara. Brian me queria por cobiça, poder. E isso me indignava.
A professora Amélia seguiu o olhar de Brian até mim, que brincava com uma mecha do cabelo, cabisbaixa.
– Scarlett! – Levantei o olhar até a professora. – Pra você, o que é o verdadeiro amor?
Refleti.
– Pra mim o verdadeiro amor é confiança. É esperança e saudade. Quando o amor é verdadeiro você ama aquela pessoa desde o primeiro momento, até o último. Você sente um fogo dentro de si. Você luta por aquela pessoa. O amor verdadeiro é uma magia, ele cria a felicidade. O amor é uma força. Você se preocupa com aquela pessoa. Se ela chora, você é incapaz de sorrir. É meio louco. E complexo.
Luke sorrira o mais belo dos sorrisos, pensei. Brian, por sua vez, tinha um olhar entediante.
– Muito obrigada, Scarlett. – A professora disse.
A aula passou rápido, assim como as outras duas. Na aula de fisiologia, o professor deu as boas vindas a Luke o fazendo dizer tudo o que sabia sobre a matéria. Na aula de matemática, o professor chegou a esquecer de que tinha um aluno novo e continuou a dar milhões de exercícios. E finalmente, a tão esperada hora do recreio.
– Você entra na fila, pega uma bandeja e as tias da cantina te dão a comida, certo? – Luke perguntou, segurando a bandeja cinza. A fila andou e a Mary – Cozinheira de mais ou menos quarenta e sete anos, com os cabelos pintados de vermelho e olhos pretos entediados – colocou um pote com iogurte de morango na minha bandeja. Peguei mais um misto quente e uma caixinha de suco de laranja.
– Certo – Falei pra Luke, que decidia entre suco de laranja e uva. — Aí você escolhe uma mesa.
– E qual é a sua mesa?
– Eu não tenha uma mesa. Costumo lanchar em baixo das árvores. É mais tranquilo.
– Então vamos escolher uma árvore! – Sugeriu, sorrindo e olhando para o bosque do lado da cantina. Andamos até lá fora e escolhemos uma árvore grande, meio afastada das outras. Os olhos de Luke brilharam. – Vamos escalar? Podemos comer lá em cima!
Fiquei surpresa, e meio temerosa com a ideia.
– Não sei não, Luke, eu...
– Vamos Scarlett! Vai ser legal!
– É que eu não sei escalar uma árvore. – Dei de ombros tentando parecer indiferente.
– Eu juro que te protejo – Disse, com convicção. Assenti, e o castanho sorriu. Tirei os saltos e os coloquei no chão. Confesso que é uma sensação boa seus pés em contato com a grama (mesmo com a meia). Luke se agarrou ao galho mais baixo, fazendo impulso para subir. Já lá em cima, se virou pra mim e estendeu a mão. Aceitei e Luke me puxou pelo braço até lá em cima. Já no tronco espesso da árvore, segurou minha cintura pra subir em um tronco mais alto, e subiu logo depois. – Viu? Tudo bem.
Peguei o lanche que ele tinha deixado sobre o tronco mais reto, e suguei o líquido de laranja. Luke mordeu seu sanduíche. Virei para o lado, observando as pessoas se moverem e conversarem. Encostei as costas no tronco, suspirando pesadamente.
– Sua resposta na aula de português... Foi muito bonita. – Ele disse, dando a entender que não tirara aquilo da cabeça. Corei de leve, sem graça.
– Não foi nada de mais.
Acho que Luke compreendeu que eu não gostava de ser o centro das atenções.
– O Brian é sempre assim?
– Assim como? – Perguntei desinteressada, mordendo o sanduíche.
– Ah, sei lá. Ele sempre implica com você, daquele jeito?
– Acho que sim – Respondi.
– Scarlett? – Luke perguntou, fazendo-me encará-lo. – Você... Não sei, gosta dele?
Sorri.
– É claro que não.
A feição de Luke pareceu mais aliviada.
– Por quê? – Provoquei, sorrindo de lado.
– Ah, Scarlett. Curiosidade. É que ele te olha de um jeito tão possesivo. Não sei.
– Eu tenho medo dele – Confessei, depois de segundos silenciosos. Luke me olhou, pensativo. – Isso está tão deprimente! Vamos falar de alguma coisa melhor. O que está achando da escola?
– Não sei direito.
– Olha, eu acho que você vai se dar bem com os meus amigos.
– Talvez – sorriu. – E qual é aquela história da professora Amélia com o... Alferck?
– Malferinn – Ri – os dois se gostam.
Nós conversamos até o sinal bater. Ele teve de me ajudar a descer da árvore.
– Agora é aula de geografia – Falei sorrindo.
– Nossa, por que tanta animação?
– Por que é uma das aulas em que as duas primeiras turmas são juntadas. Ou seja, a aula em que Aaron, Mike e Carter têm comigo.
– E... Eles são seus...?
– Melhores amigos.
– Ah, claro.
Notei Luke ficando sem graça e ri.
– Vamos! – Puxei sua mão em direção à sala de Geografia.
Avistei meus amigos onde nós sempre sentamos, no fundo da sala.
– Minha loira preferida! – Disse Carter me abraçando.
– Sua loira, não – Corrigiu Mike sorrindo.
– Oi galera! — Exclamei sorrindo.
– Quem é ele? – Carter perguntou, em um tom frio.
– Meu amigo, Luke. Ele é novo aqui.
Carter fez uma careta de desaprovação ao escutar o Meu amigo. Ele é, dos três, o mais ciumento. Sussurrei a ele um “Seja gentil!”.
– Oi – Cumprimentou ele.
– E aí, cara? – Mike disse. Sentei na cadeira vaga ao lado de Aaron, e Luke sentou entre mim e Carter. Mike estava ao lado direito de Roni.
– A Briana espalhou pra toda escola que deu uma surra em um menino pra te proteger. – Aaron falou, olhando-me atencioso. Ah sim, os meninos chamam o Brian pelo nome feminino de “Briana”. – E é claro que eu não acreditei. O que aconteceu?
Mexi-me na cadeira, desconfortável e envergonhada pelo que aconteceu no domingo. Suspirei.
– Eu meio que o provoquei. De novo. – Roni me lançou um olhar fuzilante. – Aí ele me ameaçou. Depois... Aaron, eu não consegui me segurar! Ele... Ele me chamou de órfã! – Senti uma lágrima cair, só de falar em meus pais eu fico assim, abalada. Contudo, eu só me permito chorar na frente dos meus amigos. Ou sozinha.
– Scarlett... – Aaron levantou da cadeira, se ajoelhou e me abraçou. – E o que você fez? – O encarei.
– Dei uma surra nele – Ri sem graça. – Ele ia revidar, mas... Luke apareceu.
– Luke é o menino? – Roni pareceu surpreso.
Assenti.
– E aí vem a pior parte – Engoli em seco. –, ele se machucou muito, levou uma surra... Por mim.
– Uau – sussurrou. – Desculpe não estar lá quando você precisava Letta – Roni enterrou sua cabeça em meu ombro.
– Já passou – Falei baixinho. Meu celular apitou.
Aaron sentou de novo.
Wow! Quem é o gato que tá com você? Beijo.
– Vicky.
Ri. Isso é bem do feitio da Vicky.
Haha, o nome dele é Luke, te conto tudo depois. Beijo.
– Lett.
Respondi. Escondi o celular ao ver a professora entrando.
. . .
– Eu só não gostei nem um pouco dessa história de “amiguinho novo”! – Gargalhei. Carter estava com ciúmes de Luke.
– Depois eu conto pra ele, Letta. – Assenti pra Roni.
– Eu até que entendo, mas só preciso aprovar ele primeiro – Mike zombou. – Tipo, ele sabe jogar basquete? Ou futebol americano? Será que ele gosta de Nutella? Ele cuidaria direito de você? Saberia como convencer sua vó? Confiaria a ele seus segredos?
Sorri.
– Só isso. Por enquanto eu acho que somos os mais indicados para o papel.
– Eu amo vocês.
Luke, que tinha sido chamado na diretoria, voltou.
– Eaí? – Perguntei. – O que ele queria?
– Me dar os horários, livros e o armário.
– E qual é seu armário?
– 370.
Okay, esse não é o melhor lugar para Luke. Digamos que é bem perto do armário da Briana. Brian, quero dizer. Somente uns cinco de diferença.
– Já estou até prevendo... – Aaron disse.
– Oque? – Luke perguntou confuso.
– Seu armário é perto da Briana – Mike respondeu.
– É... – Falei – Bom, galera, eu preciso ir. Sabem como é a dona Susan.
Despedi-me dos meninos com um beijo na bochecha e um abraço.
– Acho que eu vou indo com você, então – Luke disse. Sorri. – Tchau – Acenou pros meninos.
– O que achou deles?
– Ah, são legais. Mas eu tive a impressão de que o Cauê não foi com a minha cara.
– Uau. Você é péssimo com nomes. É Carter. E, não liga não, ele é meio ciumento.
– Luke! – Uma mulher, de cabelos pretos e olhos azuis, que regava algumas orquídeas no jardim, disse. Com certeza era a sua mãe. Nós nos aproximamos da mulher, que sorriu gentilmente pra mim. – E a bela moça é?
– Scarlett, prazer – A cumprimentei.
– O prazer é meu.
– Eu preciso voltar pra casa. Tchau Luke – Beijei seu rosto -, até amanhã.
Tornei a caminhar até chegar a casa. Como de costume, a porta estava aberta. Olhei no celular: meio dia e quatorze minutos. Andei calmamente. Minha vó estava cochilando em sua cadeira de balanço, no quintal. Subi as escadas, entrando no quarto do meu irmão.
O quarto dele era exatamente do mesmo tamanho que o meu. A cama se se encostava à parede, a maioria das coisas eram azuis-escuros e verdes. Abri uma fresta da janela, e observei enquanto Dylan dormia calmamente. Dei um beijo em sua bochecha.
– Bom dia – Falei com uma voz suave – Acorde, preguiçoso.
– Lett? – Disse sua fina voz sonolenta.
Meus amigos me chamam de Letta. Vicky – e Brian — me chamam de Let. Dylan e meu pai me chamam de Lett. E minha vó, junto com a minha mãe, geralmente gritam “Scarlett” mesmo.
– Tome um banho, campeão.
Meu irmão se sentou, deu um beijo em minha bochecha e saiu em disparada até o banheiro. Coloquei minha mochila no chão e arrumei seu lençol, seu edredom de nave espacial e o travesseiro amarelo. Peguei no armário uma roupa íntima e o uniforme da escola de Dylan e deixei em cima de escrivaninha. Admirei o porta retrato do aniversário de sete anos dele. Um sorriso puro e sincero estampava seu rostinho angelical. Eu sorria com a mesma intensidade. Somente nós dois. Nós dois contra o mundo.
Catei minha mochila e fui para o meu quarto. Troquei o uniforme por uma roupa mais confortável — http://www.polyvore.com/coachella_blueredwhite/set?id=143626756 – e desci as escadas.
Procurei por alguma coisa pra fazer de almoço, e acabei achando um pacote de macarrão penne. Coloquei água na panela e deixei esquentando. Pus o macarrão na panela e esperei sentada até dar o tempo de cozimento. Despejei-o em uma tigela de vidro e coloquei manteiga em cima. Temperei e servi a mesa.
Fui até o quintal, onde Susan fazia palavras-cruzadas.
– O almoço está pronto, vó.
– Já irei.
Voltei para a sala. Dylan descia as escadas, já de uniforme e correu até mim, dando-me um abraço.
– Hum, que garoto cheiroso! – Elogiei sorrindo.
– Macarrão! – Dylan exclamou empolgado.
– Só espero que esteja bom – Minha vó disse, se sentando.
Esperei que eles dessem a primeira garfada pra começar a comer.
– Está uma delicia Lett!
– Obrigada, Dylan.
– Razoável – Susan defendeu.
Suspirei. Nunca minha vó me elogiaria verdadeiramente.
– Obrigada – Voltei a falar.
Terminei de comer minutos depois. Minha avó foi se deitar e Dylan subiu escovar os dentes.
Arrumei seu material em sua mochila. Fiz rapidamente um sanduíche e peguei uma caixinha de suco para o lanche e esperei que ele descesse.
– Está pronto, campeão? – Perguntei ao vê-lo.
– Sim Lett. Vamos?
– Claro.
Andamos os dois quarteirões até o colégio dele conversando sobre Luke – o que me deixou desconfortável, já que, segundo meu irmão, “um garoto estranho conversando sozinho, em um quarto com sua irmã é suspeito”.
– Dylaaan! – Cantarolou Molly, a amiga dele. A garotinha era ruiva de olhos azuis, parece uma boneca e é uma fofa. – Oi Scarlett!
– Olá! Bom, Dylan, não se esqueça de prestar atenção na aula de português, que você precisa de uma boa nota. E, o seu lanche está no segundo bolso. Por favor, ajude a Skyller a se enturmar, ela vai estar uma turma abaixo de você, mas tente puxar conversa, ou algo do tipo. Qualquer coisa é só pedir pra me ligarem. Até mais, campeão.
Meu irmão me deu um longo e delicioso abraço, antes de sair com Molly e ir cumprimentar os outros amigos.
– Você é a Scarlett? – Me assustei com uma fina voz feminina vinda atrás de mim. Girei os calcanhares e me deparei com uma garotinha idêntica ao Luke.
Seus cabelos finos e castanhos estavam presos em um rabo de cavalo, preso com um rabicó rosa. Seus olhos eram de tonalidade azul-acinzentada. Sorri sincera e falei com a voz mais gentil que consegui:
– Sou sim. Você é Skyller? – A garotinha assentiu – É um enorme prazer te conhecer. Você deve estar meio nervosa.
– Um pouco...
Eu imaginei que a separação dos pais da menina e a mudança de escola e cidade a confundiriam muito. Então tentei de alguma forma ajudar.
– Olha Skyller, vai dar tudo certo, eu prometo. Você vai gostar da escola. Está vendo aquele ruivo ali?
– Sim – disse, olhando na direção de meu irmão e Molly, que conversavam animadamente.
– Ele é meu irmãozinho. Vocês podem ser amigos. Só saiba que você não esta sozinha. Qualquer coisa é só me chamar.
Skyller assentiu e correu em direção a Dylan. Ela e Molly logo começaram a conversar. Olhei orgulhosa pra eles.
Voltei pra casa em passos largos, logo chegando nela. Guardei o resto do macarrão em uma marmita e lavei a louça usada. Subi para o meu quarto e me joguei na cama.
Cansada, acabei cochilando.
Por pouco tempo. O barulho irritante do Whats App, que eu escuto umas cem vezes por dia, me acordou.
“Encontre-me na praça, às quatro da tarde.”.
Sabe quando você descobre que a prova de matemática é no dia do seu aniversário? Ou quando você fica acordada a madrugada inteira por que não consegue dormir, mesmo estando cansada? Existe uma coisa pior: mensagem de número desconhecido. Eu não faço a mínima ideia de quem é esse número de celular. Embora isso, eu vou mesmo assim. Quem sabe seja Luke, que pegou meu número com alguém? Ou alguém lá da escola?
Já são quase quatro horas, então eu simplesmente retoquei a maquiagem e fiz um penteado rápido.
Certifiquei-me de que Susan estava dormindo e andei os quatro quarteirões até a praça. Sentei em um banco de frente para o lago (mais longe do local da briga de domingo) e esperei.
Depois de quinze minutos, levei um susto ao escutar aquela voz pronunciando meu nome. Virei-me rapidamente.
– Não acredito! Você!
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