Falling For You - CIP

2 Capítulo 2 - Seu Braço é Um Canhão


Sábado, 25 de Novembro de 1978

Bruce adorava jogar pinball desde que jogou a primeira aos onze anos de idade, e quatro anos de prática lhe deram muitas habilidades, mas ele tinha que admitir: o jogo ficou bem mais interessante desde que se mudara para aquele bairro e encarou pela primeira vez aquele olhar prepotente e absurdamente azul de Vance Hopper.

Não que fosse do tipo que instiga brigões. Não, longe disso.

Mas não tinha medo dele e... Houve alguma coisa estranhamente satisfatória em deixá-lo sem palavras no dia em que se conheceram. Saber que causaria algo naquele garoto toda vez que batesse um recorde dele naquele simples jogo o incentivava a voltar lá todo fim de semana só para ter aquelas íris azuis sobre si com uma intensidade tão atraente que Bruce não conseguia se impedir de sorrir ainda que Vance parecesse sempre estar considerando seriamente arrancar sua cabeça com as próprias mãos.

Ele gostava tanto desses momentos que quase ficou triste de não poder ir para a loja de conveniência àquele sábado. Só quase.

Seu time de beisebol teria uma grande partida e seu corpo já estava cheio demais com nervosismo e empolgação para ainda caber alguma tristeza, então ao acordar pela manhã Bruce empurrou todos os pensamentos sobre pinball e Vance Hopper para o fundo da mente, se jogou para fora da cama e inspirou forte, pronto para um novo dia.

Depois de tomar um café da manhã bem reforçado e vestir o uniforme, calça branca e a camisa bege número 27, ele pegou sua bolsa com equipamentos e foi para o carro. Seu pai e sua mãe estavam tão empolgados quanto ele, então foi uma viagem bem animada, embora curta.

Bruce só não imaginava que as coisas estavam prestes a ficar ainda mais interessantes.

Depois de se acomodar junto aos companheiros de time em um longo banco de madeira na lateral do campo de beisebol, Bruce se permitiu dar uma olhada ao redor e, de repente, seu queixo caiu. Entre uma pequena multidão de crianças e adolescentes sentados na arquibancada uma cabeleira loira e volumosa se destacou. Lá estava ele, com seus lábios róseos, olhos azuis e postura de marrento, Vance Hopper.

O bad-boy não lhe viu de imediato, estava ocupado demais fazendo o que os bad-boys fazem: jogando coisas nas cabeças dos outros e rindo com um grupinho de outros amigos bad-boys. Mas então seus olhares se cruzaram e por um segundo o mundo pareceu parar.

De repente havia uma tensão totalmente diferente no ar, o jogo significado muito mais tanto para Bruce quanto para Vance e ambos sentiam o estômago formigar. Nenhum deles sabia dizer se aquela era uma sensação boa ou ruim, só... Estava lá.

Bruce não queria admitir para si mesmo o quanto estava gostando da forma feroz e tão, mas tão exagerada que Vance estava torcendo naquele jogo. Não sorrir era difícil, mas conforme sua vez foi se aproximando ficou mais fácil já que ele era o último batedor e a pontuação do jogo era clara: a vitória ou derrota se tornou uma responsabilidade sua.

Chegou sua hora de jogar.

Enquanto colocava um capacete, pegava o taco e ia para a posição, Bruce viu pela visão periférica Vance sair correndo arquibancadas abaixo até a grade que separava os espectadores do campo de beisebol em si.

— Blake! — ele gritou para o pitcher com sua voz firme e máscula. — É melhor não foder com esse jogo, filho da puta! Porque se não... Você não vai querer saber.

— Deixa ele paz, imbecil! — uma garotinha de cabelo castanho e olhar afiado gritou para o bad-boy como se simplesmente não tivesse medo da morte, então se voltou para o campo. — Arrasa, Finney.

O pitcher, embora ainda de os olhos levemente arregalados em uma expressão de medo, sorriu miúdo para a garotinha antes de respirar fundo e se focar 100% no jogo.

Bruce também respirou fundo para recuperar o foco, balançando o taco e firmando as mãos ao redor dele. Ele não sabia se Vance Hopper estava servindo de motivação para o pitcher, mas para si com certeza estava, então ele fixou o olhar na bola como nunca fixara antes. E olha que Bruce sempre foi conhecido por ser um excelente catcher e muitíssimo focado.

A primeira bola foi lançada.

“STRIKE UM” – ecoou pelo campo.

A segunda bola foi jogada.

“STRIKE DOIS” – ecoou pelo campo.

O momento ficou tenso. A última tacada seria realmente a decisiva, nem Bruce nem o pitcher conseguiram evitar dar uma olhadinha rápida para a grade, onde Vance se agarrava forte ao metal com a respiração pesada. Em seguida trocaram um olhar um pouco mais demorado entre si, um podendo ver a determinação do outro refletindo a sua própria. Ambos estavam prestes a jogar com tudo de si.

A terceira bola foi jogada.

A respiração de todos em campo e ao redor dele travavam por um instante.

O tempo pareceu passar em câmera lenta por um único segundo e então...

“STRIKE TRÊS” – ecoou pelo campo.

O campo explodiu tanto em gritos de comemoração quanto murmúrios frustrados.

Bruce olhou para Vance que estava gritando e chacoalhando a grade, parecendo mais feliz com aquela conquista que o próprio pitcher que arremessou a bola da vitória. Quando ele parou de gritar olhou para o campo com um sorriso muito genuíno. Durou só um segundo, pois logo foi substituído por um sorriso diferente, um prepotente e debochado. Mas Bruce viu.

Viu e de alguma forma gostou de ter causado aquele sorriso fofo naquela boca rosada e surrealmente atraente, mesmo que para isso tenha precisado perder. Sua sorte foi o prepotente ter substituído tão rápido, ou acabaria sorrindo junto e isso seria estranho demais.

E a prepotência do loiro lembrou ao asiático que havia uma competição não oficial entre eles que Vance estava ganhando pela primeira vez, ele precisava pensar em algo para virar esse jogo de novo e rápido.

Enquanto os dois times se organizavam para sair do campo de beisebol sem atrapalhar uns aos outros, Bruce teve uma ideia e foi até o pitcher que jogou a bola da vitória.

— Ei! Blake, né? — perguntou com um sorriso gentil.

— Finney, na verdade. Quer dizer, Finney Blake, mas... Enfim, pode me chamar de Finn. — ele disse meio desconcertado, mas sorriu de volta e estendeu a mão para um cumprimento.

— Finn, seu braço é um canhão! — Bruce comentou aceitando o toca aqui. — Me pegou dessa vez, mas um dia vai ter volta, hein?

Finney riu, realmente feliz, e respondeu. — É? Vamos ver então.

Os dois se despediram amigavelmente e Bruce olhou pelo canto do olho na direção de Vance, percebendo que seu plano rápido deu certo: a vitória perdeu um pouco o gosto para ele pelo asiático aparentemente não se afetar com isso.

Depois dessa constatação Bruce olhou sem disfarçar e acenou para Vance, que mais uma vez o olhou como se quisesse arrancar sua cabeça. Bruce sorriu, pelo menos essa vitória estava levando dali.