Falling Down
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
Quando os inquietantes ares da guerra começaram a se espalhar, Luke ficou ansioso; implorou para que a mãe o deixasse participar. Queria ajudá-la, queria ser útil e recuperar o trono que fora usurpado dela, afinal, ele era um príncipe. O sangue do dragão corria quente em suas veias. E o dragão não se acovarda.
Rhaenyra concedeu o desejo do filho, mas não antes de fazê-lo jurar sobre a Estrela de Sete Pontas que não tomaria partido em luta alguma. Assim feito, deu a ele a missão que julgou mais segura; enquanto que Jacaerys, mais velho e mais experiente, seguiria para o Vale e Norte, Lucerys seguiria para o Sul numa tentativa de trazer Lorde Borros Baratheon para o lado dos Negros.
Antes da partida do filho, a rainha o abraçou e tomou o rosto do menino nas mãos, acariciando a bochecha dele com o polegar da mesma forma que fazia quando ele era apenas um garotinho.
O ato expressava toda a vontade que a Targaryen tinha de protegê-lo e mantê-lo ali, ao lado dela e longe dos males e perigos do mundo. Mas as crianças crescem rápido, e logo querem tomar suas próprias decisões e seguirem seus próprios caminhos, não poderia impedi-lo de crescer.
Voando pelo céu azul sobre as costas de Arrax, Luke nem sequer imaginava que estaria vendo os marcantes fios prateados da mãe, esvoaçando com a brisa gélida de Pedra do Dragão, pela última vez.
Ponta Tempestade tinha uma atmosfera escura, carregada de nuvens negras e pesadas que faziam jus ao nome do castelo; a gigantesca torre da fortaleza erguendo-se como um punho desafiando a tormenta. Arrax pousou com leveza no pátio e Luke acariciou as escamas verdes do dragão, o calor delas lhe passou certa confiança.
Antes de ser convidado a entrar no salão, pegou a carta escrita para Lorde Borros firmemente nas mãos, elas tremiam levemente quando as portas rangeram, se abrindo para ele.
Engoliu em seco e não pode disfarçar o nervosismo quando o viu ali, de todas as pessoas que poderia encontrar naquele lugar e momento, ele; Aemond estava de pé ao lado do Baratheon, com um sorriso satisfeito que o deu arrepios. Forçou-se a avançar e entregar a carta para o Lorde, ignorando as ofensas e a terrível sensação de estar sendo observado pelo Targaryen.
A safira que ocupava o lugar do olho perdido dele tinha um brilho perigoso, e Lucerys não pôde deixar de se lembrar do dia em que arrancou o tal olho que agora faltava nele com uma adaga. Não se arrependia, mas temeu que o tio quisesse cobrar a dívida agora que estavam ali.
O homem mais velho leu a carta da rainha com uma feição de desdém, e ao terminar a pôs de lado, perguntando irônico a Lucerys com qual das filhas dele o príncipe iria se casar. O Velaryon em nenhum momento mentiu, afirmando que seria uma alegria tomar uma das filhas de seu anfitrião como esposa, mas que no entanto, já estava prometido a prima, Rhaena.
O Baratheon riu cínico e dispensou o rapaz, juntamente com sua tentativa de conseguir o apoio das Terras da Tempestade. Na hora, Aemond puxou a espada, mas Luke permaneceu parado e o recordou de que estava ali como um emissário dos Negros e não como cavaleiro. Percebendo a óbvia tensão, Borros gesticulou para que o Targaryen guardasse a lâmina e ressaltou rigidamente que não aceitaria derramamento de sangue em seu salão; apesar disso, não fez nada para impedir que O Caolho matasse o garoto assim que saíssem dali.
Lucerys deixou apressadamente o salão e montou em Arrax rapidamente, observando preocupado a forte chuva que caía e os raios que cortavam o céu obscuro da Baía dos Naufrágios. Alçou voo para longe do castelo; Arrax batia as asas com força e dificuldade, lutando para se manter estável no ar enquanto o vento parecia querer arrancar Luke de cima da sela.
O moreno se agarrou com força ao pescoço do jovem dragão, mal conseguindo enxergar o que havia a sua frente devido ao temporal que os castigava. Até que de repente um alto e poderoso rugido, mais alto do que qualquer trovão, fez as fundações de pedra maciça de Ponta Tempestade tremerem; Vhagar emergiu das nuvens negras e desceu até o dragão menor ferozmente, montado nela estava Aemond, exalando a mais pura e clara intenção assassina no olhar.
O príncipe mais novo desesperou-se ao perceber que não havia chances para fugir. Em um dia normal Arrax poderia ter facilmente escapado dela com sua velocidade, mas com aquela tempestade nunca poderiam sair dali com vida. O dragão verde soltou um rosnado estrangulado e estridente, que mais parecia um choro, quando Vhagar finalmente os alcançou; subindo para cima deles com os dentes todos a mostra, grandes e curvados como adagas de diamante negro.
Os guardas se juntaram nas ameias do castelo para observar a luta nos céus. O dragão menor lançou suas curtas chamas mescladas de verde contra Vhagar, que contra-atacou com uma enorme rajada de fogo, fazendo-o guinchar alto de dor.
Mas tão rápido quanto começou, a batalha terminou; ferido e amedrontado pela pouca experiência, Arrax tentou desesperadamente fugir da implacável oponente. Contudo, Vhagar foi mais rápida e atracou-se ao pescoço dele, cravando os dentes afiados profundamente na carne quente do outro dragão, sangue negro evaporou das profundas feridas.
Um grito horrendo e assombroso ecoou pela Baía dos Naufrágios quando num violento solavanco, Vhagar arrancou a cabeça de Arrax, fazendo com que o corpo mutilado do dragão e o domador ainda atado à sela caíssem no mar.
Lucerys assistiu tudo aterrorizado, ensanguentado e preso à sela enquanto despencava para uma queda mortal no revolto mar da baía, lágrimas deixavam os olhos castanhos dele sem controle e o ar fora expulso de seus pulmões. Antes de ser engolido pela vastidão azul logo abaixo, a imagem da própria mãe chorando a perda dele surgiu em sua mente. Fechou os olhos e pediu perdão a ela, por toda a dor que iria causar.
Os corpos de ambos foram encontrados três dias depois nas falésias brancas de Ponta Tempestade, lavados e trazidos pelas ondas. A perda dele não seria esquecida; a morte de Lucerys deu um fim à guerra de corvos, diplomacia e matrimônios, mas fez a guerra de fogo e sangue surgir no horizonte. Naquele momento, se iniciava a verdadeira Dança dos Dragões.
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