Falling
1 Capítulo Único
Notas iniciais

"Estou na minha cama e você não está aqui. E não há ninguém para culpar além da bebida em minhas mãos errantes. Esqueça o que eu falei. Não era o que eu queria dizer. E não posso retirar o que disse, não posso desfazer a mala que você deixou".
Falling — Harry Styles
•••
— Eu estou cansada de ser compreensiva, Will. Cansada de reprimir meus sentimentos e menosprezar as minhas mágoas diante de suas palavras ferinas. Eu entendo que você se sinta inseguro, mas nada disso lhe dá o direito de atacar a minha família e meus amigos por não conseguir lidar com os seus próprios problemas. Eu suportei muito durante esses três anos, Will, mas não posso continuar assim. Eu te amo, mas me amo muito mais. Se você realmente não estiver disposto a ter ajuda, não há mais nada que eu possa fazer. Eu tentei tudo o que estava ao meu alcance, mas não dá mais. Vamos terminar.
Essas foram as últimas palavras proferidas por Louisa antes de deixar Will para trás, com o rosto manchado pelas intensas lágrimas e uma mala feita as presas com todas as suas roupas. Tomado pelo orgulho, ele nem mesmo foi capaz de pedir para que ela ficasse, ainda que vê-la daquela forma tivesse o destruído por completo.
O que deveria ser somente mais uma briga de casal se tornou algo muito mais intenso por causa das palavras ditas de cabeça quente por Will. Ele sabia que a culpa não era de Lou.
Eles estavam juntos há três anos e não era a primeira vez em que se desentediam após uma festa de família. Também não era a primeira vez que o motivo havia sido a insegurança de Will diante de suas condições físicas. No entanto, essa era a primeira vez em que a frase "vamos terminar" havia sido proferida por Lou e que uma mala foi feita, ainda que fosse algo que o rapaz esperava.
Quer dizer, no fundo, ele esperava que isso nunca acontecesse, mas após uma semana sem a namorada entrar em contato com ele ou agir como se nada tivesse acontecido, como sempre acontecia quando eles tinham uma briga mais intensa, Will percebeu que havia perdido Lou. E ele não poderia estar se odiando mais do que naquele momento.
Paraplégico desde que sofreu um acidente de moto quando tinha dezoito anos, Will se tornou alguém fechado para o mundo e sem qualquer perspectiva de construir uma família. Sendo alguém que vivia pela liberdade, se tornar preso em uma cadeira de rodas em uma idade tão jovem destruiu todos os seus sonhos.
Seu mundo se tornou sombrio. Seus amigos se afastaram e sua família se tornou cada vez mais cautelosa com ele. Will odiava a sensação de ser alguém frágil. Nunca teve uma personalidade muito fácil de lidar e sabia que havia se tornado alguém extremamente amargo desde a paraplegia, mas ele não era um pobre coitado e odiava a forma como todos os tratavam.
E foi em meio a solidão e desesperança que ele conheceu Louisa Clark, a fisioterapeuta recomendada pelo anterior que o acompanhava desde o acidente e que iria se aposentar.
A garota de sorriso fácil e de otimismo que beirava a ingenuidade, conquistou seu coração sem que Will tivesse a chance de protestar. Lou trouxe vida e cor para seu mundo sombrio.
Durante um ano, Will tentou lutar contra seus sentimentos, mas seus esforços foram completamente ineficientes diante dos sorrisos doces e olhos brilhantes que Lou direcionava a cada resposta ácida recebida pelo mal-humorado rapaz. Ela parecia se divertir com as tentativas de Will em afastá-la a cada nova sessão de fisioterapia.
Quando começaram a namorar, Will tinha a certeza de que Lou se cansaria dele a qualquer momento e o abandonaria. Ainda assim, ele gostava de ter a companhia da garota. Gostava do som do seu sorriso e do seu péssimo gosto para roupas. Ele se sentia vivo quando estava com ela e até mesmo aprendeu a sorrir, depois de oito anos vivendo em completa amargura.
Por isso, Will decidiu ignorar as vozes deprimentes e autodepreciativas de sua mente e a chamar para morarem juntos após um ano de namoro. Foi a primeira vez que ele deu o primeiro passo e permitiu que alguém invadisse tanto o seu espaço pessoal desde o acidente.
Durante os dois anos vivendo juntos, eles tiveram bons e maus momentos. Will sabia que era uma pessoa difícil de lidar. Ele sabia que tinha sorte de ter se apaixonado e ser correspondido por alguém tão resiliente e paciente quanto Lou. Ainda assim, ele agiu como um idiota por causa da sua insegurança e acabou machucando profundamente a pessoa que esteve ao seu lado todos esses anos, mesmo ele não merecendo.
Will encara a tela do celular e observa a foto que estampava a alegria que eles compartilhavam na comemoração de dois anos de namoro. Eles haviam viajado para a praia. Era a primeira vez de Lou conhecendo o mar e ele ficou realmente feliz por ser o responsável pelo sorriso animado e o brilho intenso em seus olhos durante aquela semana.
Ele se sentia patético. No dia em que tiraram a foto, ele prometeu a si mesmo que faria de tudo para que ela sempre permanecesse com aquele mesmo sorriso gentil e ingênuo enquanto estivesse ao seu lado, mas tudo o que fez foi machucá-la e a fazer chorar.
— Você é um grande idiota, Willian Traynor? Até quando pretende agir como um ser lamentável e patético que passa os dias deitado na cama e sentindo pena de si mesmo?
A entrada brusca de Betty em seu quarto faz com que Will se assuste. Ele não saia de casa desde que Lou havia ido embora, desde então o silêncio ensurdecedor havia se tornado seu companheiro. Ao erguer o corpo, ele encontra a loira de braços cruzados, direcionando um olhar enfurecido para o rapaz.
— O que está fazendo aqui? — resmunga com a voz rouca devido à falta de uso. Não dormia há dias, não se alimentava direito e havia se isolado completamente do mundo. Ele estava péssimo.
— Eu vim aqui tentar colocar um pouco de juízo nessa sua cabeça dura — explica Betty de forma dura. Ela entra de vez no quarto e anda até as janelas, abrindo bruscamente as cortinas. — E o que aconteceu nesse lugar? Está tão abafado e escuro. Ao menos deixe um pouco de ar entrar no quarto. Por acaso está tentando se tornar o novo Batman?
O lugar estava uma verdadeira bagunça. Havia garrafas de bebidas de todos os tipos espalhadas pelo chão e uma de whisky na mão de Will. Pelo modo como ele estava, Betty sabia que ele estava bebendo desde cedo. Na verdade, ele deveria estar bebendo sem parar desde a partida de sua melhor amiga.
— Vai embora! — exige Will, irritado com a presença da adolescente. Ignorando o pedido do rapaz, Betty passa a recolher as peças de roupas espalhadas pelo chão com uma expressão de insatisfação. — Você nem mesmo gosta de mim. Por que você está fazendo isso?
— Porque a Lou está preocupada com você, babaca — resmunga, cansada.
Ela termina de juntar as roupas e coloca no cesto de roupa suja que havia no banheiro do quarto. A loira retorna para perto de Will e puxa o cobertor que o embrulhava, encarando-o com repreensão.
— Você realmente não merece o amor dela.
Elizabeth Cooper é a melhor amiga de Louisa e uma das poucas pessoas que nunca demonstrou qualquer sentimento de pena por Will. Apesar das implicâncias devido o choque de personalidades, ele a considerava bastante e era grato pelo comportamento dela. Ao menos quando estava com Betty, ele não se sentia um incapaz, ainda que fosse evidente que ela não aprovava o relacionamento dos dois.
— Mesmo depois do que aconteceu, ao invés de ir atrás dela, você resolveu agir como um covarde e perdeu a chance de ser feliz com provavelmente a única pessoa nesse mundo que é capaz de suportar essa sua personalidade distorcida. Como pode ser tão orgulhoso quando está prestes a perder alguém tão doce, inteligente, dedicada e incrível como a Lou? — questiona Betty com os olhos verdes azulados brilhando em irritação.
— Você não deveria estar feliz por isso? Nós finalmente terminamos, assim como você previu. Por que se importa tanto com isso? — indaga Will de forma amargurada.
Já era difícil para ele ter que lidar com a ausência de Louisa, mas ter Betty jogando em sua cara os erros que cometeu ao permitir que Lou fosse embora por causa de seu maldito orgulho era ainda pior. Ele sentia que a cada minuto que passava, muito mais infeliz ele se tornava.
— Que tipo de pessoa amarga você acha que eu sou para ficar feliz pela infelicidade dos outros? — resmunga Betty, dobrando o lençol que puxou de Will. Ela suspira e o encara com seriedade. — Eu não estava feliz com o relacionamento de vocês, porque sempre foi Lou a dar o braço a torcer. Sempre foi ela a pedir desculpas e a ter que ser compreensiva por você. Isso não é justo. Para que um relacionamento dê certo, é necessário que as duas partes cedam. Você é rude, cínico e tem a tendência a afastar as pessoas. Se não fosse tão bom com tecnologia, aposto que nunca conseguiria um emprego com essa sua péssima personalidade.
— Vai logo direto ao ponto — reclama Will, sentando-se na cama.
— Irritante — bufa Betty, cruzando os braços. — O que eu quero dizer é que apesar de você ser um idiota, a Lou é feliz quando está ao seu lado. E é nítido para mim que você a ama.
— Como você disse, ela é uma pessoa incrível e eu sou um completo idiota. Lou merece alguém que a fará voar ainda mais longe do que alguém amargo e que a atrapalha como eu — sussurra Will, sentindo seu coração se apertar a cada palavra proferida. Ele queria chorar. — Eu sou uma pessoa ruim, orgulhosa e que só sabe machucar as pessoas que ama. Ficar comigo só fará com que ela se machuque cada vez mais. É melhor mesmo que ela vá embora antes que eu realmente acredite que mereço a ter ao meu lado.
— Você precisa seriamente de terapia. Eu estou falando sério. Quando resolver essa crise, você vai procurar alguém para te ajudar com essa sua insegurança e todos os seus pensamentos autodepreciativos.
Betty suspira e se senta na cama.
Ela encara a foto que havia ao lado da cama do rapaz e dá um discreto sorriso ao ver o sorriso da amiga estampado na foto.
— Desde que vocês terminaram, Lou parece esperar para que você vá atrás dela se desculpar. Chega a ser deprimente a forma como ela tem lutado contra o hábito dela de vir atrás de você. Sabia que ela tem trabalhado ainda mais e só tem dado sorrisos falsos que não convencem ninguém desde que vocês terminaram? Todos estão preocupados com ela.
— Ela... está bem?
Apesar de saber que deveria se esquecer de Lou, Will não conseguia deixar de pensar na mulher e em como ela estaria. A dor de não a ter se tornava ainda mais insuportável ao pensar que ela deveria estar sofrendo por culpa dele. Will queria tanto a ver e ter a certeza de que ela não estaria se esforçando demais.
— Na frente das pessoas, ela tenta parecer estar bem, mas eu conheço a Lou e sei que ela está destruída — responde Betty, suspirando mais uma vez.
— Mas... acho que ela será capaz de superar em breve.
Will tenta soar firme, mas se sentia afetado com a possibilidade de Lou não estar bem.
Betty encara o por alguns instantes, refletindo sobre a resposta que deveria dar. Apesar de suas desavenças com o rapaz, ela sabia que ele não era uma má pessoa.
Com sinceridade, ela preferia que a melhor amiga não se envolvesse com alguém que a machucava tanto, ainda que não fosse proposital. Por outro lado, a cada vez que relembrava como ele parecia realmente determinado a fazer Lou feliz, ela sabia que não era certo separar os dois.
Betty morde o lábio e observa o estado lamentável de Will. Ele estava pior do que ela imaginava. Havia emagrecido, estava com um forte cheiro de bebida, os cabelos estavam completamente fora de controle e a barba estava por fazer. As roupas estavam sujas e pelo estado da casa, ele não deveria estar comendo direito desde que Lou havia ido embora.
Havia demorado um tempo até colocar todos os pós e contras desse relacionamento, ponderando se deveria interferir ou deixar que os dois se entendessem. Por fim, ela concluiu que seria melhor verificar o estado de Will para tomar uma decisão.
Agora, depois de ouvir os dois lados e ter a certeza de que o caso de Will dependia seriamente de terapia e ajuda profissional, assim como Lou havia destacado diversas vezes, Betty via que precisava ajudar o casal.
— Vai embora e me deixe sozinho — insiste Will ao ver que Betty não comentaria sobre o que ele havia dito.
Betty suspira novamente e pega o celular ao sentir o aparelho vibrar em seu bolso. Era uma mensagem de Louisa. Na mensagem, ela informa que sairia para o aeroporto em uma hora e questiona se a amiga iria com ela ou se iriam se encontrar por lá.
Ao encarar a expressão desolada de Will, Betty tem uma ideia. Não havia garantias de que daria certo. Mesmo que a amiga tivesse pedido para não contar a Will sobre sua ida a outro país, Betty tinha esperanças de que ao saber que a amada partiria, o rapaz poderia tomar uma atitude.
— Lou vai para a Inglaterra se especializar na área da fisioterapia — revela Betty, surpreendendo Will. — Ela conseguiu uma bolsa em Oxford e está embarcando hoje no voo das nove horas da noite.
Will encara Betty em choque por alguns minutos.
Ele sempre soube do sonho de Lou de se especializar na área de fisioterapia neurofuncional em Oxford, mas em pensar que ela iria assim que terminasse o namoro, não era algo que se passava em sua cabeça.
— Isso...
A voz de Will falha por alguns instantes. Sua mente perturbada pela falta de sono e excesso de álcool parece ter dificuldade para encontrar as palavras que deveria proferir.
— Que bom... para ela...
— É realmente isso que você pensa? — insiste Betty com um olhar severo. — Em três horas você vai perder o amor da sua vida e tudo o que você tem para dizer é "que bom para ela"? Eu sabia que você era um covarde idiota, mas você realmente está passando dos limites dessa vez, Willian.
— E o que você quer que eu faça? — questiona Will com a voz carregada de amargura. — Esse é o sonho dela. Como eu poderia a impedir de ir? Eu já atrapalhei demais a vida dela. Se Lou tem a chance de realizar algo que ela sonha desde criança, eu não posso ficar em seu caminho.
— Você a ama ou não? — indaga a loira de forma impaciente.
— É claro que eu a amo. Lou é a luz que iluminava a minha vida. Eu... eu me sinto perdido sem a ter comigo...
As lágrimas descem pelo rosto de Will de forma inesperada. Ele soluça e sente seu peito se comprimir.
Will sentia a falta de Lou. Ele a queria ao seu lado. Queria sentir o calor de seus braços mais uma vez. Queria ouvir o som melodioso e envolvente de suas gargalhadas. Will queria ser capaz de voltar no tempo para o impedir de machucar Lou.
— Se você se sente assim, precisa dizer para ela — aconselha Betty com determinação. — O voo dela sai em duas horas.
— Eu... eu...
Will hesita. Ele não se sentia no direito de ir atrás de Lou. Ainda assim, pela primeira vez na vida, ele experimentava o desespero de pensar em sua vida sem a linda, divertida e positiva, Louisa Clark.
— Ah, sinceramente! Por que você tem que ser tão teimoso? Deixe o orgulho de lado e vai atrás dela. É a sua última chance! — insiste Betty, usando seu tom de urgência. — Se ela for embora, pode ser que você nunca mais a veja. Vale mesmo a pena deixá-la ir apenas por uma filosofia fajuta de que você está fazendo isso pelo bem dela? Se você a ama, vai atrás dela. Fala que se arrepende de ter sido um babaca. Lute para mostrar para ela que você está disposto a mudar para fazê-la feliz. Ou você pretende ficar desse modo miserável pelo resto de sua vida?
— Não. Se eu... se eu tivesse mais uma chance, eu consertaria todos os erros que cometi — garante Will, completamente atônito.
— Excelente. Agora vai tomar um banho e se prepare para impedir que ela se mude definitivamente para Oxford — orienta Betty, sorrindo animada.
Um pouco mais sóbrio, Will puxa a cadeira de rodas que estava ao lado da cama e se senta sobre ela. Com o domínio que adquiriu ao longo dos anos de fisioterapia, ele vai para o banheiro e toma um banho com pressa. Ao sair, ele encontra uma roupa preparada por Betty sobre a cama.
Quando sua aparência parece minimamente apresentável – já que ele não tinha tempo para tirar a barba e os cabelos estavam enormes -, Will e Betty pegam um táxi chamado pela loira e correm para o aeroporto, torcendo para que chegassem a tempo.
Durante todo o trajeto, Betty tenta falar com a melhor amiga, mas por algum motivo, suas ligações não eram atendidas. Para piorar, o trânsito caótico da cidade não ajudava em nada os dois impacientes passageiros, que encaravam as horas em desespero.
Quando eles finalmente alcançam o aeroporto, eles ainda demoram um tempo para conseguir montar a cadeira de rodas e conseguir se locomover em meio a tantas pessoas. O anúncio de que o embarque dos passageiros com destino para Oxford já havia se iniciado.
— Droga! — resmunga Betty, irritada. — Eu não acredito que perdemos a chance.
— Não! Ainda não! — responde Will, dirigindo-se para a fila preferencial da compra de passagens da companhia responsável pelo voo de Lou.
— O que você vai fazer? — pergunta Betty com curiosidade.
— Eu vou embarcar naquele voo, nem que essa seja a última coisa que eu faça — afirma Will com determinação.
Por sorte, a fila preferencial estava vazia e ainda havia lugares no voo para Oxford. Mesmo sentindo seu bolso chorar pelo valor absurdo da passagem área comprada de última hora, com a ajuda de Betty, ele consegue embarcar no voo nos últimos segundos.
— Lou! Lou! — grita Will, assim que entra no avião. — Louisa Clark! Onde você está, Lou?
Com o coração batendo como um louco, Will manobra a cadeira de rodas pelo avião e grita em busca de Lou, ainda que os comissários de bordo orientando o rapaz para se sentar em seu lugar, pois partiriam em instantes. Ele não se importava. Naquele momento, tudo o que ele precisava era ver Louisa mais uma vez.
— Will?
Louisa se levanta da poltrona que estava sentada e arregala os olhos ao reconhecer o ex-namorado.
— O que... você está fazendo aqui?
Ao ver o rosto de Louisa depois de uma semana longe, Will sente as lágrimas se formarem em seus olhos. A garota sai de seu lugar e se aproxima do namorado, ignorando todos os comissários de bordo que pareciam prestes a ter um colapso.
— Lou... — sussurra Will, sentindo um nó na garganta pela saudade e a vontade de chorar. — Me perdoa, Lou. Eu sei que eu não mereço, mas eu te amo demais para deixar você ir sem saber meus sentimentos. Por favor, não vá. Não me deixe, por favor. Eu sei que deveria ter dito isso naquele dia, mas eu fui covarde demais. Por favor, me perdoa, Lou.
— Will...? — balbucia Louisa, sem acreditar no que ouvia.
Lou conhecia o rapaz bem o bastante para saber o quanto era difícil para ele reconhecer de que estava errado. Extremamente orgulhoso, Will raramente se desculpava. E naquele momento, ele estava chorando, implorando para que ela o perdoasse e não o deixasse. Isso era algo que ela jamais imaginou que aconteceria.
— Por favor, não vai embora. Não se mude para Oxford — implora Will, aproximando-se de Louisa com sua cadeira de rodas. — Eu te amo, Lou, e sei que eu estou sendo egoísta, mas eu realmente não posso viver sem você.
— Espera...
— Não, por favor, Lou. Me deixa falar.
Will a interrompe, sentindo que se não falasse tudo o que sentia, jamais seria capaz de dizer seus sentimentos a ela novamente.
— Você tem sido a minha razão de viver há três anos. Você se tornou a luz no fim do túnel que eu precisava quando a minha vida era completamente tomada pela escuridão. Você tem toda razão de estar furiosa comigo e eu sei que não é justo que eu te peça para ficar quando você está prestes a realizar seu sonho de fazer sua especialização na Inglaterra, mas eu não posso te deixar ir desse jeito.
— Mas, Will, eu...
— Você tinha razão. Eu preciso de ajuda e estou disposto a mudar. Não apenas por você, mas por mim mesmo. Eu prometo que procurarei uma ajuda especializada. Irei me esforçar para me tornar alguém digno de estar ao seu lado e...
Antes que Will continuasse a despejar de forma desesperava as palavras que começavam a não fazer qualquer sentido, Louisa se joga sobre o rapaz e o beija de forma eufórica, tentando acabar com a saudade insana que sentia de Will desde que o deixou.
Ela nunca o viu tão fora de controle como naquele momento. Suas palavras haviam sido sinceras e a deixam mais feliz do que ela imaginou que ficaria. Seu orgulhoso e amado Will havia deixado o orgulho de lado para ir atrás dela para implorar seu perdão e ainda pedir para que ela não o deixasse.
— Eu também te amo — declara Lou, deixando vários selos em seus lábios.
Ela aperta o rosto de Will e sorri daquela forma que fazia o coração do rapaz se aquecer e se agitar.
— Eu não sei quem foi que te disse que eu me mudaria para Oxford, mas isso não vai acontecer. Pelo menos, não agora.
— O quê...? Mas a Betty disse... disse que você iria — balbucia Will, confuso com a situação.
— Ah, então foi a Betty quem mentiu para você. Eu sabia que deveria desconfiar da mensagem dela de que eu deveria desligar o celular e esperar por uma surpresa — responde a garota, rindo.
— Então você não vai se mudar? — questiona Will, ainda atordoado com a situação.
— Não. Eu apenas farei um curso de um mês em Oxford. Eu estarei de volta no final do mês que vem — afirma Lou, dando um sorriso divertido ao ver a expressão incrédula do namorado. Ela deixa mais alguns beijos em seus lábios e abre um largo sorriso. — Mas foi realmente surpreendente te ver falar de seus sentimentos com tanta sinceridade.
— Que droga, Lou! Maldita Betty! Eu sabia que não podia confiar naquela idiota —resmunga Will, sentindo-se envergonhado pela cena que ele havia feito na frente de tantas pessoas.
— Com licenças. Desculpa atrapalhar, mas os senhores realmente precisam voltar para seus lugares — pede a aeromoça, encarando o casal com apreensão. Eles já estavam muito atrasados, se demorassem mais um pouco, eles teriam problemas.
— Ah, claro — concorda Louisa, dando um sorriso sem graça.
Ela então se vira para o namorado e o encara com apreensão.
— E então? O que vamos fazer agora?
Will pondera sobre o que deveria fazer.
Ele deveria deixar Lou ir sozinha para Oxford e descer do avião ou acompanhar a garota sem qualquer certeza do que aconteceria, assim como costumava fazer antes do acidente.
Ele respira fundo e lembra que já havia pagado caro na passagem aérea comprada de última hora.
— Bom, eu nunca conheci Oxford. O que acha de ter um companheiro de viagem? — indaga Will, dando um sorriso esperançoso. Ele sabia que poderia ser rejeitado por Lou.
— Mas e o seu trabalho? — pergunta Lou, surpresa com a resposta.
Apesar de seu humor ácido, a garota sabia que ele era uma pessoa bastante responsável, que jamais deixaria seu trabalho de lado.
— Eu posso resolver os problemas do meu trabalho em qualquer lugar do mundo, mas já passei tempo demais longe de você — responde Will com sinceridade e suas palavras emocionam Lou. — Eu te amo, Louisa Clark, e não pretendo de deixar partir mais uma vez.
Ela sorri com as lágrimas descendo pelo bonito rosto e o beija mais uma vez, enquanto os outros passageiros que assistiam o reencontro do casal batem palmas, animados com o desenrolar daquela estranha, mas adorável história de amor.
Para o alívio dos comissários de bordo, depois de toda a comoção do casal, Will e Lou finalmente se sentam. Comovido pelo casal, o passageiro que estava sentado ao lado de Lou no banco do lado do corredor troca de lugar com Will e o ajuda a se sentar.
De mãos dadas e cheios de expectativas para o futuro, Will e Lou partem para Oxford, cientes de que o amor que sentiam estava mais forte do que nunca e que fariam tudo o que estivessem ao seu alcance para tornar seu relacionamento saudável e duradouro.
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