Fallin' for you
1 Dance
Notas iniciais
Na primeira vez que o vira, ele era um inimigo. Na segunda, um estranho. E na terceira fora aquele que a convidara para dançar. A Fairy Tail estava dando uma festa. Todas as guildas foram convidadas, inclusive a dele. O que pareceu alguns minutos, na verdade foram horas e horas dançando com aquele que rira dela nos Jogos Mágicos. Como a vida dá voltas, pensava a maga celestial que tinha a cintura circundada pelas mãos do Dragon Slayer da Luz. Ele girou seu corpo delicadamente, não era o mesmo de antes.
Após perder Lector, mesmo que ele tenha retornado, passou a lutar pelos seus amigos. Ganhou uma nova força com isso. Lutar por alguém valia muito mais do que lutar pelo seu orgulho e honra. Sabertooth havia mudado muito depois dessa ideologia imposta por Natsu. Alguns membros entraram, outros saíram. Mas ele continuou lá, queria se desculpar pelo que havia feito. Nunca percebera o quanto era arrogante e convencido, e que, às vezes, palavras podem machucar mais do que tudo.
Quando a convidara para dançar, Lucy estranhou. Estranhou mais do que quando ele pedira para sentar com ela na mesa. O grande Sting Eucliffe a convidando para dançar? Aquele que rira dela? Olhou ao redor e vira que nenhum dos seus amigos permanecia por perto, estava de certo modo mais isolada. Todos estavam em casais, e não queria atrapalhar. Muitos poderiam resolver seus assuntos amorosos naquela noite. Quando ele puxou a cadeira, reparara que Sting era bonito sem sua expressão de arrogância costumeira.
Ele também não deixara de notar o quanto ela era delicada. Planejava pedir desculpas pelo ocorrido nos Jogos, mas todas as palavras haviam fugido de sua mente quando fitou os orbes castanhos dela. Não poderia dizer um simples “me desculpe”. Por isso resolveu começar uma conversa agradável com ela. Não foi muito difícil, e aos poucos entendia a raiva que os membros sentiram quando ela foi espancada por Minerva. E, rapidamente, entendeu que se dissesse “me desculpe”, ou fizesse um discurso pedindo desculpas, por mais sincero que fosse... Não faria a mínima diferença. Então resolveu partir para ações. Levantou-se e estendeu-lhe uma das mãos em um pedido mudo.
Lucy encarava aquilo sem acreditar, após a conversa não esperava por este pedido. Hesitante, aceitou. Só não sabia que aquela seria a primeira de muitas danças que teriam naquela noite.
Muitos casais já haviam deixado à pista, mas eles continuavam lá: com olhos fixos um no outro. Era o momento perfeito, pensava Sting. Poderia pedir desculpas nesse exato instante. Olhou para ela novamente e se perdeu em seus orbes castanhos. Eram tão inocentes, puros. Como pudera rir dela nos Jogos? Segurou a cintura de Lucy delicadamente, mas de modo firme trazendo-a para mais perto de si. Tinha que se desviar dos olhos da maga celestial a sua frente. Levou seu rosto para perto da orelha dela a fim de lhe dizer o que pretendia desde o início. Erro fatal. O perfume era tão delicado como ela. Poderia respirá-lo por horas que não se importaria. Mas também nunca seria o suficiente. Prendeu e respiração antes que fosse tarde demais.
– Me desculpe... Pelos jogos...
Demorou-se um pouco mais naquela posição e afastou-se confuso e relutante. Por que ela não respondera nada? E, principalmente, por que seu perfume era tão embriagante? Encarou novamente a loira a sua frente, esperando por sua resposta. Ela estava com os olhos arregalados, parecia surpresa. Teria se assustado com a sua aproximação repentina? Procurava em sua expressão qualquer traço de raiva ou perdão. Vendo que não conseguiria nada, abaixou a cabeça triste. Fora uma pessoa tão ruim a ponto de não conseguir se desculpar? Deixou as mãos caírem ao lado do corpo e, a passos largos e lentos, deixou a pista indo em direção aos fundos da guilda.
– Sting... — Lucy murmurou vendo-o se afastar lentamente.
Estava estática. Não pelo que o loiro havia dito. Isso percebera já havia algum tempo depois que eles começaram a dançar. Ele queria se desculpar. E, mesmo que inconscientemente, ela já havia o perdoado. Na verdade, ela nunca o culpara. Na época, Sting estava cego por toda a fama e poder que possuía. Mas o que realmente a deixara estática, sem palavras, surpresa... Fora a aproximação repentina do rapaz. Ainda sentia a respiração dele em seu pescoço, o que causava arrepios, coisa que a maga amaldiçoava por ter ocorrido e agradecia por ele, aparentemente, não ter notado. No modo que ele sussurrara, era possível perceber arrependimento e tristeza, mas não deixara de ser provocante.
Quando acordou de seu transe, o loiro já havia saído da guilda, deixando a porta entreaberta, indicando que havia ido para o jardim dos fundos. Não pensou duas vezes, e saiu rapidamente atrás dele. Quando o encontrou, sentiu seu coração se apertar. Por quê? Não sabia. Mas aquela cena a deixava triste. Sting estava sentado em um dos bancos de cabeça baixa. Suas mãos seguravam a cabeça, pois, caso contrário, parecia que cairia. Sentou-se ao seu lado e tocou em seu ombro.
– Sting...
– Olha... Eu vou entender se você não me perdoar. Sempre fui arrogante e insensível, nunca liguei para nada a não ser meu orgulho e...
– Sting! Pare! – a loira o interrompeu antes que ele continuasse falando, em sua opinião, asneiras.
– Parar? – ergueu a cabeça confuso, fazendo a loira suspirar.
– Não diga besteiras. – vendo o olhar confuso dele, continuou – Nunca o culpei, por nada. Vejo que agora mudou, e para melhor. Também, mesmo que o culpasse, não guardo rancor.
– Lucy... — não conteve o sorriso e abraçou-a, surpreendendo a maga celestial. Levantou do banco e girou-a no ar, o que a fez soltar uma risada. Quando finalmente colocou-a no chão, enterrou seu rosto na curva do pescoço de Lucy fazendo-a corar – Obrigado.
– Pelo o quê? – perguntou confusa. Não fizera nada de mais.
– Por perceber em apenas algumas horas o que os outros levaram semanas. – levou um bom tempo para que todos conseguissem ver que o antigo Sting Eucliffe estava morto e um novo melhor e mais forte ressurgia.
Ficaram naquela posição por vários minutos. Sting embriagava-se com o perfume de Lucy. Ela, por outro lado, gostava de sentir o calor que o corpo do mesmo emanava, e isso a relaxava. Apesar do coração de ambos baterem forte, isso era o que parecia certo no momento. Se sentiam estranhamente felizes.
Aos poucos, a contragosto, foram se desfazendo do abraço. Constrangidos, encararam o céu.
– É melhor eu ir... Meu trem parte cedo – seus olhos se encontraram com intensidade e ansiedade, sabiam o que viria a seguir – Adeus, Lucy.
– Adeus, Sting. – antes que perdesse a coragem, depositou um leve beijo na bochecha. Ele retribuiu o gesto, demorando-se mais para afastar os lábios da face rosada da garota. E, antes que pudesse se afastar completamente, puxou-a para mais um abraço, dessa vez mais apertado – Não é como você não fosse me ver mais... Venha me visitar – sussurrou sorrindo.
– Virei... Então, até logo, Lucy. – soltou-se do abraço e afastou-se da loira.
– Até logo, Sting.
Apesar de tristes e confusos, estavam certos de uma coisa: queriam se encontrar novamente. E com esse pensamento, afastaram-se ansiosos para o próximo encontro.
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