Fallen World

31 Capítulo 31: Destinados a Morrer


Notas iniciais
Oie pessoas, aqui vai o primeiro capítulo da 4° Temporada. Amei escreve-lo! Vocês terão suas respostas aqui, mas tem muita coisa pra acontecer no próximo e ah, o título é uma ligação indireta com o título do cap passado ( O Destino de todos nós ) vocês entenderão o motivo ... Também coloquei alguns toques que eu achei interessante ( A trilha sonora da Fic ) em alguns trechos, se puderem da uma olhada ... aconselho a escutar apenas 2 min, não precisa ser tudo não. BOA LEITURA !

Fallen World

4° Temporada Episódio 31: Destinados a Morrer

Pov. Julie (https://www.youtube.com/watch?v=ttT7EO5aTvY )

Tentei me livrar deles mas simplesmente não consegui, os dias pioravam a cada minuto para todos nós, tinha me esquecido de como realmente era sobreviver na estrada, ficamos vulneráveis a cada passo que damos. Acontece que não consegui escapar deles, topei com um beco sem saída e estava sendo cercada por um grupo inferior de errantes, eu poderia acabar com eles mas é difícil quando sua faca foi jogada para longe.

Mas eu sabia, sabia que dessa vez não estava sozinha. Eu tinha o Nick, e todos os outros que não se renderam tão facilmente e apesar de tudo, estão vivos hoje. Logo o transformado que estava mais próximo de mim tem seu crânio feito em pedacinhos, respingando o sangue no meu rosto, os demais me deixam de lado e seguem o imenso barulho do tiro de agora a pouco.

– Você está bem? — Perguntou apreensivo Nick, mirando sua pistola no crânio dos outros errantes enquanto disparava e recarregava novamente.

– Estou, vamos depressa. – Respondi arfante, enquanto pegava a mochila que deixei cair no chão, e corria na direção de Nick saindo daquele lugar.

– Venham logo! Antes que os disparos atraiam mais! — Escuto a potente voz de Abraham prevalecer, continuo correndo apenas querendo me distanciar dali, elevo minha cabeça enquanto o suor ia descendo pelo meu rosto e finalmente mais ao longe, consigo ver a van acinzentada nos esperando, Rosita ia mirando nos transformados que se aproximavam , com a cabeça no lado de fora da janela.

Apenas escuto os disparos e a bala passando ao meu lado atingindo os caminhantes que vinham por trás, Nick me acompanha atento como sempre mas rapidamente chegamos no veiculo sendo recepcionados por Eugene que abre a porta dianteira para que possamos adentrar na van.

Nick me ajuda a subir, a nossa pressa era grande mas no fim sempre vale a pena. Lá dentro meus olhos fixam-se em Francis segurando Bernardo, que nos olha todo contente com seus primeiros dentinhos à mostra.

– Como vocês foram? – Perguntou Nick em relação à Daryl que remexe em algumas sacolas espalhadas pela van.

– Conseguimos saquear um mercado que estava intacto, mas não estava totalmente abastecido então foi um número razoável de mantimentos. – Respondeu Daryl fitando seus olhos em Mari, que surge do último banco de trás ao qual dormia.

– Oi, você demoraram hein. – Brincou a garota ainda com os olhos fechados enquanto tentava sorrir em meio a sonolência.

Tivemos a sorte de encontrar Daryl, Francis e Mari em uma das nossas buscas por mantimentos mas em especial, à formula do Bernardo, precisávamos alimenta-lo. Conforme ele ia crescendo mais difícil ficava de faze-lo mamar. Daryl procurava por remédios em uma farmácia quando o Abraham o encontrou, a primeira vista eles se estranharam afinal, um é o espelho do outro mas quando vimos de quem se tratava, foi uma alegria única.

– Sentem-se, vamos partir! – Alertou o ruivo dando partida no veiculo enquanto Mari cai para trás ainda sonolenta. Deve fazer cerca de dois anos que estamos nessa viagem para Washington D.C o que era normal afinal, estamos muito longe de lá e ainda vamos percorrer muito caminho pela frente. Mari estava diferente, tinha aproximadamente 16 anos e sua cintura já era bem definida, os cabelos castanhos agora estavam longos ultrapassando o ombro e encaracolados nas pontas, se tornou em uma bela mulher.

– Barras de cereais ... mais água ... – Proferi, verificando o que realmente tinha conseguido trazer. Desde que embarcamos nessa viagem, estamos sempre abastecendo tudo que temos, precisamos nos alimentar e hidratar, pois o caminho é longo e por isso sempre paramos em um ponto e fazemos uma busca geral.

No mesmo dia que encontramos Daryl e as outras, soubemos do destino que Rick tomou, sabíamos que Terminus era uma armadilha e eu realmente queria voltar para salva-los mas acontece, que já estávamos bem longe da localidade e Nick queria continuar com a viagem, restava apenas acreditar que o Rick sairá dali sem ferimentos.

– Ei meu querido, mamãe trouxe um brinquedinho para você! – Exclamei pausadamente modificando minha voz enquanto Bernardo andeja com a ajuda de Francis, na minha direção todo contente. Retiro um patinho de borracha que fazia um barulho ao aperta-lo e entrego para ele que demonstra sua imensa felicidade.

– Fez muito bem, é bom dar brinquedos para ele se entreter de vez em quando. – Completou Francis que permaneceu a mesma ao logo dos anos, seu rosto afinou um pouco mais e agora definitivamente, era oficial o romance com Daryl, que ia trocando caricias e beijos durante a viagem. Sinto que Mari fica um pouco entristecida quando vê Daryl e Francis se beijando, é mais por saudades do Carl.

Nick senta do meu lado, enquanto observava Bernardo atento ao brinquedo. Olho para os olhos de Nick, eles nunca mudam ... sempre estão determinados e confiantes, as vezes fico satisfeita só de ver os olhos azuis dele brilharem apenas ao ver o Bernardo seguro e principalmente, feliz.

– Mama ... Papa ... – Ouço um barulho do tipo se ecoar pelo veiculo, olho para baixo e vejo Bernardo proferindo suas primeiras palavras, o garoto olha para mim e para Nick que explode de felicidade e orgulho. Todos começam a sorrir e olham atentamente para ele, inclusive Abraham que estava no volante.

– Esse moleque ... – Indagou o ruivo fazendo uma pausa enquanto retornava: — Pelo menos falou papai e mamãe ao mesmo tempo. – Completou Abraham realizando um xingamento logo em seguida enquanto manobrava o veiculo com dificuldade fazendo a van andar em ziguezague.

– Vai com calma cara! – Berrou Daryl segurando Francis para a mesma não cair. Nick protege Bernardo enquanto meus olhos ficam atentos na parte da frente.

– É fácil falar, porque vocês mesmo não olham? — Se defendeu Abraham, todos então, damos alguns passos à frente nos posicionando na fileira de bancos ao lado do motorista e conseguimos entender do que se tratava. Uma horda imensa de errante cortava o caminho passando por nós, alguns estavam completamente deformados, mas sempre tinham aquele mesmo andar de sempre, e novamente meu estomago se revirava de tensão.

– O que vamos fazer? – Questionou Mari assustada.

– Ficar calmos e fazer o mínimo de barulho. – Respondeu Rosita nervosa.

Apenas nos sentamos e esperamos que tudo acontecesse normalmente, alguns errantes esbarravam na lataria da van mas iam embora rapidamente. Era enorme a quantidade de transformados que passavam entre nós, na verdade, que transitavam de um lado da estrada para o outro.

– Fiquem atentos, talvez sejamos obrigados a fazer algo de inesperado. Deixem suas armas por perto. – Sussurrou Nick entregando sua pistola para mim.

– Mari, não fique tão perto da janela! – Reclamou Francis também em tom de sussurrou enquanto a garota bufava sentando-se no banco do meio.

Bernardo estava inquieto, ele percebia a movimentação lá fora. Tento mantê-lo tranquilo no meu colo com o brinquedo chamando-lhe a atenção, o silêncio era grande e o único barulho que se ouvia, eram dos passos e grunhidos daqueles vermes do lado de fora.

– Filho ... da .. puta! – Ouço Abraham murmurar pausadamente, estranhamos a situação logo de inicio quando enfim, vemos um homem acenando com os braços e gritando intensamente.

– Ei!! Vocês !! Me ajudeeeem!! – Berrou o rapaz visivelmente nervoso enquanto tentava desviar dos errantes que ainda passavam.

– Que imbecil, não sabe que o barulho atrai mais deles? – Retrucou Mari já apunhalando sua arma de pequeno porte.

– Abram as janelas! É hora de agir. – Indagou Nick pondo-se em pé enquanto me olha preocupado, rapidamente os demais abrem as respectivas janelas ao lado dos assentos e começam a disparar sobre os transformados mais próximo da van que rapidamente se movimenta na direção do rapaz que é surpreendido por dois errantes que por trás, realizam uma única mordida no pescoço do homem.

– Vê que idiota, só nos fez atrai mais errantes e desperdiçar munição! – Reclamou Rosita irritada.

Começo a ficar tensa, vejo Abraham dirigindo bastante nervoso enquanto o veiculo ia passando por cima dos errantes que iam ficando na frente mas logo tudo se passa quando a noite chega e enfim, podemos descansar. Esse era o meu novo cotidiano ...

Amanheceu, e tudo iria se repedir novamente. Mari já estava de pé sempre empolgada quando vai entrar em ação mesmo que Francis achasse uma má ideia, era necessário a garota se defender aos poucos mas isso já havia acontecido antes afinal, foi Mari quem matou aquela desgraçada da Mia.

As vezes fico revendo meus pensamentos e me lembro de todos que se foram, de todos que vi morrendo na minha frente, do nada vem a imagem da prisão na minha cabeça e bate uma saudade daquele tempo, da nossa vida naquele lugar ... mas também vem na minha cabeça a invasão da Mia com o Governador, no caos que surgiu, da Molly morrendo com um sorriso no rosto bem na minha frente ...

Agora os tempos são outros, não temos um lugar seguro apenas a esperança do Eugene resolver todo esse mistério do apocalipse e acabar com a praga e tudo dependia de Washington D.C, durante esses anos na estrada, chegamos a encontrar um casal no meio da rua mas não foi nada bom acolhe-los, durante a noite um deles tentou nos extorquir, Abraham matou o homem e infelizmente, deixamos a mulher para trás com o corpo do esposo nos braços. A nossa humanidade estava dissipando-se aos poucos e isso me preocupava bastante.

– Vamos parar naquele posto, quem sabe damos a sorte de encontrar gasolina. – Afirmou Abraham apontando para um singelo e pequeno posto mais à frente, do lado havia uma lanchonete.

– Estou apertado. – Esbravejou Eugene fazendo uma careta.

– Essas lanchonetes sempre tem banheiros internos, vamos dar uma olhada. Pode haver alimentos lá também, até facas. – Respondeu Daryl andando na frente, sendo seguido pelos demais. Eu e o Abraham nos entreolhamos, isso porque Rosita permaneceu no interior da van, cabisbaixa e pensativa.

Andejo na direção do veiculo enquanto olho Abraham adentrar na lanchonete junto ao restante, me posiciono sobre o vidro meio aberto enquanto Rosita me olha preocupada.

– Você não vai descer? – Perguntei pacifica.

– Não, acho melhor esperar aqui mesmo ...

– Escuta Rosita, você não pode ficar assim. Quando irá contar para o Abraham? – Fui direto ao ponto.

– Acha que é tão simples? Não vê o jeito dele? Não quero nem imaginar como ele iria reagir se soubesse que estou grávida, Julie! – Respondeu ela enxugando algumas lágrimas que caiam.

– Eu tive a mesa hesitação em relação ao Nick, e ele aceitou numa boa. Até me surpreendi agora irei lá dentro porque também estou apertada, nos espere aqui ok? – Indaguei despedindo-me dela.

– E então, como ela está? – Foi logo perguntando Abraham assim que adentrei no local.

– Normal, só está um pouco cansada .. quer ficar lá dentro um pouco sabe? – Respondi sorrindo.

O interior da lanchonete era normal e comum nos Estados Unidos, as cadeiras eram interligadas entre si junto à uma mesa encostada em uma parede bem próximo a extensa janela de vidro.

Começam a remexer nas coisas lá de dentro, tinha um balcão onde atendiam os pedidos e eu e Nick ficamos lá conversando com o Bernardo que já estava mais calmo. Repentinamente, cinco disparos são feitos dentro da lanchonete, corremos na direção do barulho e nos deparamos com Eugene caído no chão com sua arma elevada e um errante, que antes devia ser uma idosa, caída no chão já sem vida.

– Está tudo bem, ela me surpreendeu mas consegui derruba-la. – Explicou-se Eugene se engasgando um pouco.

– É mas você gastou cinco balas para eliminar um único errante, seu estupido. – Menosprezou Daryl chutando o transformado para o lado enquanto nos deparávamos com a cozinha da lanchonete.

Logo a busca por algo no local começa, Eugene estava no banheiro enquanto Abraham surgia com a reserva de gasolina que conseguiu no posto ao lado, Mari e Francis conversavam sentadas a uma das mesas, pude ouvir apenas uma parte da conversa das duas.

– Eu comecei a perceber seu modo de agir nos últimos dias, você mudou bastante. Não quer contar nada para mim? – Esbravejou Francis tocando nas mãos da jovem que estava sobre a mesa.

– Não foi nada, apenas me lembrando do Carl mas não se preocupe, eu vou seguir em frente.

– Olha essas facas da cozinha, dá pra eliminar muito zumbi. Quer uma delas? – Nick surge de uma porta com inúmeras facas na mão, pego uma delas, a maior pra ser honesta.

– Você realmente gostava dele né? Mas veja, um dia você irá ... – Ouço a voz de Francis mais ao fundo enquanto o seu grito de susto se prevalece logo depois. – Ai meu Deus!!

(https://www.youtube.com/watch?v=e0gSvSUtZWQ )

Olhamos rapidamente para a direção das duas, era possível observar inúmeros errantes se debatendo sob o vidro das janelas bem próximas as duas. Mari vai ao chão já surpresa enquanto Francis se afasta um pouco mais dali.

– Eles podiam estar passando por perto e foram atraídos para cá com os disparos! – Alertou Nick bastante nervoso.

– São muitos deles, bem mais que o de ontem! – Indaguei surpresa diante daquilo, tudo que eu via era os reanimados debatendo-se sobre a janela, não consegui ver o lado de fora apenas as roupas pútridas dos vermes que ali estavam.

– Eles cercaram aqui na frente e não tem porta dos fundos. – Murmurou Daryl ajudando Mari a se levantar.

– Que droga! Isso tudo é culpa sua Eugene, não temos como sair e ... – Reclamava Abraham sendo interrompido por um grito ecoado do lado de fora da lanchonete, era a Rosita e a partir dai, o desespero começou a dominar todos nós.

– Rosita, ela está lá fora!! Eles devem ter cercado todo o local!! – Berrou desesperado o ruivo.

– A única solução é abrir a porta, e deixar que entrem aos poucos para eliminarmos. – Deu uma sugestão Francis, todos então a encaram, era muito arriscado mas era a única maneira de sair dali e poder salvar a Rosita.

– Vamos, Mari e Julie, vocês ficam agachadas atrás desse balcão tudo bem? – Tentou organizar as coisas Nick, sem sucesso.

– Não, claro que não! Vou ajudar a elimina-los, quanto mais pessoas mais rápido sairemos daqui! – Retrucou Mari com a voz mais potente. Vou diretamente para o balcão com Bernardo chorando em meus braços, Eugene me faz companhia afinal, ele tinha que estar seguro.

Vejo Daryl, Abraham , Nick, Francis e Mari se posicionarem em uma linha horizontal. Meu coração bate mais rápido enquanto eu tentava distrair Bernardo.

Logo escuto os grunhidos dos errantes com mais potência, eles já estavam adentrando no local e os disparos vem a tona, o barulho foi imenso em muito alto, tampo os ouvidos de Bernardo para que ele não chorasse ainda mais, os tiros continuam por longos minutos, ouço a voz de Abraham e Francis serem ofuscadas pelos disparos e os gemidos dos transformados mas logo, tudo se normaliza. Elevo minha cabeça lentamente, estava receosa. Vejo um imenso mar de zumbis caídos no chão do local, Abraham corre passando por cima deles, levanto-me enquanto abraçava Nick, todos estavam bem.

(https://www.youtube.com/watchv=WB6_phG0fuA&list=PL4D6005D2F05714FF&index=17 )

Chegamos no lado de fora e nos deparamos com uma cena chocante.

A van estava completamente cercada por errantes pelos dois lados, alguns já andejavam por dento do veiculo elevando ainda mais as suspeitas.

– Rosita? Rositaaaa!!??- Abraham grita intensamente, mas sem chorar.

– Anda vamos, temos que ir cara! – Foi o que apenas disse Nick, puxando-o pelo braço. Fico olhando o carro sendo dominado por alguns segundos, fecho meus olhos e retorno a correr, eu sei que sempre será assim. Somos destinados a morrer.

Notas finais
Aqui está a imagem da lanchonete. http://i.imgur.com/l0psXJp.jpg