Fallen World

24 Capítulo 24 : O que me tornei ?


Notas iniciais
Mais um capítulo pessoal! Esse capítulo é puco parado mas é importante para podermos explicar alguns acontecimentos pedentes, e outros que virão... Até as notas finais o//

Fallen World

Capítulo 24: O que me Tornei ?

Era mais um dia repugnante na minha vida sem graça e completamente sombria. Os dias se passavam e eu simplesmente não conseguia dormir, os fatos horripilantes se repercutiam em meus pensamentos fazendo minha vértebra tremer. Estava na beira da anemia, sem vontade alguma de comer apenas tomando água. A faculdade já não me interessava mais, minha mãe se preocupava comigo intensamente, tentava me alegrar ou quando não tinha outra maneira, me levava ao psicólogo.

Foram incontáveis visitas afim de melhorar minha autoestima, e tudo mais uma vez, foi inútil. Já não havia mais solução para o meu caso perdido, o ápice da minha inquietude e assombrosos pensamentos veio a tona naquele dia a qual ficará marcado na minha memória até o fim dessa vida miserável que eu tenho.

A chuva atreve-se a cair enquanto o sol ainda predomina os céus. Escuto as gotículas de chuva baterem na janela do meu quarto entretanto, o barulho que se prevalece agora, são os passos imundos do verme que me deixou assim.

– Lá vem ele, fazer essas barbaridades de novo. – Penso nisso toda vez que vou , ou ao menos tento dormir.

A porta é chutada com frieza, e aquele porco invade no meu quarto cheirando a álcool, tenho ódio dele, tão estupido e imundo, me dá nojo! O vagabundo que outrora foi o meu pai, avança pra cima de mim com seu desejo infinito por sexo, e ali mais uma vez ... eu era abusada pelo meu próprio pai miserável. Eu cresci fisiologicamente, e ele notou.

Os movimentos repetitivos começam, tudo que passa na minha mente é a vontade de estraçalhar esse maldito por completo, e infelizmente, aconteceu. Enquanto puxava meus cabelos com força e me batia, na verdade ... enquanto me espancava, pego uma faca a qual guardei por debaixo do travesseiro, e em um único movimento brusco, enfio ela no peito daquele infeliz, que cai da cama indo ao chão de tanta dor.

– Sua desgraçada! Por quê diabos vocês vez isso?? — Se debateu agonizado no chão, que estúpido! Ainda pergunta o motivo de tanta brutalidade. Cuspo na face dele enquanto encosto na cama ficando sentada ao chão, ele me olha assustado, retiro a faca de dentro dele enquanto o sangue jorra para fora respingando em minha face, fiquei admirada com aquela cena, me tranquilizou.

Seguro a faca com força, enquanto olho atentamente para aquele vagabundo, em seguida, fixo novamente a faca no peito dele, e isso se repete por longas e incontáveis vezes. Os gritos dele já cessaram, uma poça de sangue se formava ao redor do corpo deformado, e a cada facada, profiro um novo xingamento. Não queria que aquilo acabasse, queria ver ele completamente despedaçado, esse era o meu maior desejo, minha vontade saciou-se diante do meu ato macabro, mas eu gostei do que fiz e queria repetir essa sensação milhões de vezes.

– Filha, larguei do trabalho mais cedo! Vai querer alguma coisa pro jantar... — Ela indaga adentrando ao local enquanto se depara com um cena frustrante e chocante. Não consegue pronunciar nada, apenas fica abismada e perplexa. Olho para ela atentamente, queria que ela pudesse entender tudo mas do que adiantaria? Obviamente iria me chamar de louca, enquanto o maridinho sai ileso dessa história.

– O que você fez? Ele está morto?? — Questionou incrédula enquanto ia ao chão desabando em lágrimas.

Levanto-me ainda com a faca em mãos, me retiro do quarto indo em direção a garagem, pego a chave e parto com a moto do homem que já não está mais entre nós, e desde então vivo por ai, sem rumo algum. Apenas querendo matar essa minha vontade esmagadora de sangue.

O apocalipse começou e agora, apenas os mais preparados sobrevivem. Formar grupinhos de sobreviventes? Que coisa mais repugnante, me deixa completamente enjoada! Prefiro andar sozinha por ai como foi nos últimos anos após fugir de casa. O barulho da minha moto atrai mais deles, me refiro aos vermes que surgiram do nada, querendo apenas saciar essa sede de sangue que todos eles tem.

Aumento a velocidade, não queria nenhum atraso no meu caminho. Estava na cidade em busca de comida ou mantimentos, pela primeira vez senti a necessidade de ter comida sempre que disponível. Andejo por dentro da cidade, desviando de todos os errantes que encontrava pela frente, até que um disparo ecoa-se pelas ruas desertas. Dou meia-volta dirigindo-me para onde o barulho surgiu até que me deparo com três pessoas desesperadas de frente a um restaurante, estavam cercados.

Desço da moto enquanto efetuo dois disparos sobre o crânio de um errante que tentava abocanhar uma loira. Após tudo se normalizar, eis que sou convidada a entrar no restaurante, era lá que eles se abrigavam! Que ridículo ...

– Você salvou minha vida!! É claro que deve ficar conosco. – Esbravejou a loirinha metida a santa com o nariz empinado.

– Não quero ser uma preocupação. – Respondi dando um leve e meigo sorriso, mesmo que seja completamente falso.

O líder do grupo fica indeciso diante da minha presença, sinto que ele não foi com a minha cara. Eu realmente não queria ficar ali fazendo o papel de senhorita boazinha, com minha expressão meiga sempre em face, mas era preciso se eu realmente quisesse sentir tudo aquilo de novo...

– Dormimos lá em cima, pode ficar descontraída ok? Somos um grupo unido, não se sinta deslocada. – Indagou uma jovem de cabelos escuros compridos, entregando-me um lençol e um travesseiro.

– Meu nome é Julie, esses são James, Tina e Molly. E aquele ali é o Nick. – Completou ela bastante simpática, agradeço com um sorriso dócil .

A parte de cima era bem apertada, tinha alguns colchões pelo chão, enquanto haviam mochilas com inúmeras roupas espalhadas. Jogo-me em um dos colchões, estava esgotada, foram dias e mais dias de imensa correria, fecho por fim os meus olhos. A noite chega rapidamente, todos estavam dormindo com exceção de uma mulher, desço para o térreo, minha boca estava seca e precisava beber algo.

– Sem sono? – Indagou a negra surgindo da cozinha do restaurante.

– Dormi a tarde toda, acabei ficando sem sono durante a noite. – Respondi tocando na minha nuca enquanto me contorcia bastante.

– Não se preocupe, logo você vai se acostumar com o chão duro... – Indagou ela pegando uma sesta enquanto colocava algo dentro.

– O que? Nunca dormi tão bem desde que tudo isso começou!! – Proferi tentando ser simpática, tudo que faço é contar mentiras. Não consigo dormir direito desde aquele verme começou a me molestar.

– E você, não dorme? – Questionei brincando, a mulher vira-se me olhando.

– Sim, só estou preparando os medicamentos e os esparadrapos para colocar no James e no Nick, preciso trocar os curativos. – Respondeu retornando para a direção oposta, atrevo-me a dar dois passos para frente enquanto tampo em um único movimento, a boca e o nariz da mulher que se agoniza tentando escapar.

– Hoje infelizmente você não vai dormir... – Sussurrei no ouvido da mulher que vai aos prantos, ela tenta se safar e consegue entretanto, já foi tarde. Jogo-a no chão, enquanto dirijo minhas mãos na garganta de Tina, era esse o nome dela. Os olhos lentamente se dilatam, não sinto mais sua respiração, ela se foi.

Por quê fiz isso? Não tinha necessidade de tudo isso ter acontecido! Ela não fez nada para mim, ninguém fez! Será que esse apocalipse está me deixando louca? O que eu me tornei?

Volto a dormir como se nada tivesse acontecido, amanhece e todos já se deparam com o corpo de Tina estirando no chão. Nick rapidamente percebe que a negra fora estrangulada, as suspeitas vem a tona, mas não para mim ...

– Todos deviam estar dormindo... Quem foi a última pessoa acordada durante sua ronda? –Questionei provocando ainda mais a situação.

– Infelizmente foi você, Julie . – Os olhos da jovem rapidamente começam a lacrimejar, ela se retira do local bastante abatida, consegui despistar as suspeitas. Julie seria expulsa do grupo pelo que supostamente fez.

Enterramos Tina, uma lágrima falsa escorre pelo meu rosto. De alguma forma Julie continuou no restaurante, mas algo de estranho acontece. Molly se exalta enquanto dispara em James ferindo-o na perna, vários errantes são atraídos para o local, e a porta não aguenta.

Corro para os fundos com James nos braços, Nick me ordenou tal ato. Acontece que simplesmente não consegui aguentar, pego uma faca enquanto dirijo dezenas de facadas no rosto do rapaz que não consegue nem gritar. Despois de alguns minutos, Nick e Julie surgem no local me observando com os olhos arregalados, subo rapidamente na moto enquanto tento sair dali o mais rápido possível.

Passaram-se longos meses, pelo menos é o que eu acho. Estava começando a ver as coisas um pouco diferentes agora, consigo reunir um estrondoso grupo, me tornando líder deles, tínhamos comidas, armas, moradias, e até um tanque de guerra! Mas tudo novamente mudou quando caminhei pela floresta e me deparei com elas duas ... caminhando no pátio de um prisão como se nada tivesse acontecido.

Meu punho se fecha automaticamente. Encaro as duas enquanto minha cede insaciável de sangue retorna, eles ... eles me obrigaram a fazer aquilo! Um grupo de sobreviventes enquanto algo, ou melhor, um monstro vivia preso de mim ... não aguentei e a culpa é deles! Eu me recusei, não queria conviver com eles mas acabei ficando e fazendo aquelas barbaridades ...

Julie e Molly andejam sorridentes, nem notam minha presença. Meus pensamentos se reviram, uma raiva começa a eclodir dentro de mim. Eles se deram bem, tinham um lugar seguro, e aparentemente não fizeram nada de traumatizante para sobreviver, mas eu desde aquele dia na minha casa ... me tornei outra pessoa.

Agora eu sei no que eu realmente me tornei, e esses medíocres vão pagar caro. Não irei desistir até que essa minha cede se sangue se dissipe .

Notas finais
E então, curtiram? Que tal comentários? Favoritar? Acompanhar? Recomendar? Vamos lá o//