Notas iniciais
Oi, amores! Como estão? Eu sei, eu sei. Estão querendo me matar. Mas eu nem matei o Nico! Só fiz ele cair num sono profundo! Se eu quisesse matar, seria pior! u.u Bem, sobre esse capítulo: EU AMEI ESCREVÊ-LO! FOI UMA DAS COISINHAS MAIS KAWAII QUE EU ESCREVI! SÉRIO! *u* Nem vou mais enrolar! :3 P.O.V da Thalia! Enjoy it! ;)

Thalia

Empurrei Scarlet à minha frente, ordenando que mostrasse o caminho. A raiva que eu sentia de Luke chegara a um nível absurdo. E a presença de Scarlet só a fazia aumentar. Como ele pudera ser capaz de fazer o que fez? Fazer com que eu acreditasse que Nico estava morto?

De uma coisa tive certeza: se eu encontrasse Luke novamente, iria matá-lo da forma mais brutal possível.

Afastei-me um pouco mais quando Isabelle ficou logo atrás de Scarlet, com Leo ao seu lado, e fiquei perto de Katie. E, consequentemente, de Nico. Tão tranquilo. Parecia que estava dormindo. Encarei-o por um longo momento durante a caminhada, rezando a todos os anjos para que conseguíssemos o antídoto.

— Esse lugar me dá arrepios. – Leo estremeceu quando um som estranho percorreu o ar.

— Os anjos evitam entrar aqui. – Scarlet parecia confortável naquela floresta horrível. – É o melhor lugar do mundo para se esconder uma simples flor.

— Cale a boca e mostre o caminho. – Falei, ainda ao lado da maca onde Nico se encontrava.

— Você ouviu a garota. – Disse Leo, empurrando Scarlet, que rosnou.

— Quando eu me livrar dessas algemas... Vou matar você.

— Você não vai se livrar dessas algemas e não vai tocar em Leo. – Isabelle disse. A voz carregada de ódio. – Vai apenas nos mostrar o caminho até o antídoto.

Scarlet deu um riso debochado.

— Vai proteger seu namorado, irmãzinha?

Isabelle cerrou os punhos.

— Você perdeu o direito de me chamar assim há muito tempo, Scarlet.

— Ah é... – Scarlet riu. – Você tem um irmãozinho agora, não é? É tão engraçado o modo como você trata o Anjo da Terra como um irmão mais novo... Já me substituiu, não é?

Isabelle revirou os olhos.

— Não dá para substituir algo que não existe. Você não é minha irmã, Scarlet.

A ruiva riu novamente e permaneceu em silêncio, apenas seguindo em frente. O caminho foi longo e assustador. Com sons assustadores. Até que um, mais alto que os outros, se sobrepôs aos nossos passos. Alertei-me, assim como os outros. Scarlet sorriu.

— Ele está aqui...

Arregalei os olhos ao ver a criatura que sobrevoava o local.

— Pelos anjos... – Katie levou a mão à boca.

Cocatrice! – Avisei, pegando o arco no mesmo momento.

— Coca o que? – Leo pegou sua espada.

— Cocatrice, Valdez! – As asas de Isabelle saíram. – É uma criatura metade galinha e metade réptil. Já foi muitas vezes comparada a um basilisco, mas não são os mesmos monstros. – Ela arremessou uma adaga na direção do monstro. – Mas há certo parentesco entre os dois!

Scarlet riu novamente.

— A flor está presa na ponta de sua cauda. – Ela disse. – Boa sorte para pegar.

Rosnei. Depois encarei Katie.

— Tente trazê-lo para baixo. – Meu olhar foi para Isabelle. – Não deixe Scarlet tentar nada! E proteja Nico!

Isabelle assentiu e condensou as sombras ao seu redor, puxando Scarlet para perto da maca e encobrindo-se junto com eles.

— Não fixem seu olhar no dele! – Avisou Katie. – Ou virarão pedra!

— Que ótimo! O basilisco mata e o primo dele nos transforma em pedra! Dá para piorar? – Leo reclamou.

— Está vendo aquele bico? – Apontei. – Ele vai arrancar suas vísceras em segundos com aquilo!

Leo perdeu a cor, enjoado.

— Ok. Foi o suficiente.

O cocatrice mergulhou atrás de Katie depois que ela desferiu um golpe em seu olho, pousando no chão com um estrondo. O som que ele emitiu era como o de uma galinha misturado a um silvo de cobra. Completamente indescritível. Evitei fixar meu olhar nos olhos da criatura e visualizei uma flor, roxa, com detalhes em amarelo em suas pétalas. Tão linda e delicada que era como se não fizesse parte do cenário em que estávamos.

Avancei sobre o cocatrice, quase arrancando sua cauda, mas a criatura desviou no último segundo. Seu bico quase atingiu minha perna, mas consegui desviar por muito pouco.

— Temos que atacar de maneira organizada! – Avisei quando Percy quase foi destroçado. – Percy, Leo! Tentem arrancar a cauda! Eu e Katie vamos mantê-lo distraído conosco! – Atirei uma flecha, que atingiu em cheio o olho do cocatrice. – Um olho a menos para ver! Travis, Connor! Se ele desviar a atenção de nós, mantenham-no distraído! Vocês são rápidos! Conseguem distrair o cocatrice!

— Sabemos que somos demais! – Travis sorriu, convencido, e começou a correr com Connor ao redor do cocatrice. Eu e Katie o mantínhamos distraído, tentando nos abocanhar e levando golpes de volta.

Percy e Leo se aproximaram lentamente da cauda do cocatrice. Continuei meu trabalho, mantendo-o distraído.

Foi quando o cocatrice abriu as asas.

— AFASTEM-SE! – Falei. Os outros fizeram o que eu falei, no mesmo momento em que o cocatrice levantou voo, me segurando entre suas patas na decolagem. Gritei, surpresa, quando não senti mais o chão sob meus pés. – MERDA! – Protestei quando vi o chão muito abaixo.

Livrei-me das patas do cocatrice e escalei-o, equilibrando-me sobre suas costas. A criatura tentou me atacar, mas consegui desviar e me afastar. O cocatrice emitiu aquele som estranho mais uma vez.

Quando me vi posicionada logo atrás de sua cabeça, ergui minha espada e cravei exatamente no ponto logo atrás de sua cabeça. O cocatrice guinchou de dor. Inclinei a lâmina para a direita e a criatura inclinou-se para a esquerda, lutando para se livrar de mim.

— QUIETO! – Cravei a lâmina mais fundo. Outro guincho de dor ecoou pelos céus. Inclinei a lâmina para a direita. – Para a esquerda! Agora!

O cocatrice me obedeceu, inclinando-se para a esquerda, perto de onde estávamos antes que ele me capturasse. Puxei a lâmina para trás e o cocatrice mergulhou, colidindo violentamente contra o chão. Tossi quando encontrei o chão com violência, rolando pela grama até bater contra uma pedra. O cocatrice levantou-se, erguendo-se pronto para me matar, mas um guincho de dor escapou de sua garganta. Olhei para um ponto atrás dele e vi sua cauda dividida em dois. Assim como vi a flor, coberta de sangue, nas mãos de Percy, que tinha um sorriso vitorioso.

O cocatrice guinchou e levantou voo, deixando uma trilha de sangue para trás conforme se afastava. Percy me entregou a flor e eu não contive um soluço de alívio.

— Vamos. – Chamei, correndo até Isabelle, que já havia baixado as sombras. Scarlet estava inconsciente no chão, o que poderia significar que tinha tentado fazer algo. Entreguei a flor para Katie e caminhei até Nico. – Estamos quase lá, Nico! Estamos preparando o antídoto!

Katie logo começou a pegar alguns itens. Leo acendeu uma fogueira usando seus poderes e Isabelle criou, usando sombras, um frasco de vidro.

Katie pegou a flor, cortando suas pétalas, e Percy colocou água numa tigela de argila que foi colocada sobre o fogo. Eu ainda estava perto de Nico, afagando seus cabelos. Scarlet havia acordado e estava sentada e quieta. Pelo olhar, estava planejando alguma coisa.

— Terminei. – Katie sorriu, colocando o líquido violeta dentro do frasco de vidro. A tatuagem de um olho reptiliano brilhou no pulso de Scarlet. Arregalei os olhos.

— Você sabia... – Ela começou. – Que o cocatrice é parente do basilisco?

No segundo seguinte, o cocatrice pousou novamente. Katie tampou o frasco e se alertou. Scarlet ficou de pé. Não estava mais algemada. Um sorriso cruel enfeitava seu rosto.

— Foi você! – Rosnei. – Você chamou o cocatrice aqui!

Scarlet bateu palmas com um sorriso debochado.

— Meus parabéns, alteza! Você é um gênio! – Ela sorriu. – Eu precisava atraí-lo até aqui. – Ela caminhou até o cocatrice, acariciando seu pescoço. Era imune aos seus olhos, assim como aos do basilisco. – Para que vocês pegassem o antídoto.

— Por que você iria querer o antídoto? – Rosnei, pegando meu arco. Scarlet riu alto.

— Para que eu o destrua! – Ela disse, sombria. – Sabe, Thalia... O Anjo da Terra vem dando muito trabalho para Luke. Então concordamos que o melhor a fazer era deixá-lo dormindo. Assim o trabalho de Luke seria facilitado. O antídoto está bem guardado com ele. E apenas com ele. Akhlys já usou o dela há um tempo. Esse e o de Luke foram os últimos que restaram. – Um sorriso cruel enfeitou seu rosto. – Então faremos assim... Entreguem-me o antídoto e o Anjo da Terra... E eu não os matarei.

— É a persuasão! Não deem ouvidos a ela!

Os outros assentiram, colocando-se à frente de Nico. Scarlet sorriu.

— Então está bem... Será do jeito difícil.

O cocatrice guinchou e avançou sobre nós. Peguei meu arco e atirei, atingindo seu outro olho. A fera guinchou de dor e Scarlet rosnou.

— Estamos seguros agora! – Avisei, pegando minha lança e avançando sobre o cocatrice.

— Thalia! – Chamou Katie. – Cuide de Nico! – Ela me jogou o antídoto. – Nós daremos um jeito no cocatrice!

Assenti e, com o antídoto em mãos, corri até Nico. Mas fui barrada por Scarlet, que surgiu subitamente e agarrou minha garganta com força. Engasguei e sufoquei, sendo erguida a alguns centímetros do chão. Scarlet riu e, com a outra mão, pegou o antídoto. Depois me largou.

— Obrigada, Thalia... Se não fosse por você... Eu não teria feito isso... – Com um movimento brusco, ela jogou o frasco no chão.

— NÃO! – Gritei, sentindo lágrimas descerem pelo meu rosto, quando o frasco se partiu em vários pedaços. – Não... – Solucei. Depois encarei Scarlet. – EU VOU MATAR VOCÊ!

Segurei minha lança com firmeza e avancei sobre Scarlet, quase cortando sua garganta. Ela riu debochadamente e levantou voo, indo velozmente até o cocatrice e criando rédeas com sombras.

— Vamos sair daqui, querido... – Ela acariciou o monstro, montada sobre ele. Depois nos encarou. – Podem se despedir de seu querido anjo da Terra! Em poucos dias, Luke virá levá-lo! – Com um movimento da cauda, o cocatrice destruiu a maca onde Nico estava. Aproveitei a proximidade e o segurei antes que atingisse o chão. Scarlet riu e o cocatrice levantou voo.

Solucei alto quando ela se afastou. A cena se repetira. Eu, de joelhos, com Nico em meus braços e soluçando sem parar. Os outros estavam em silêncio. Todos mergulhados em sua própria tristeza. Eu o havia perdido.

— Nico... – Solucei. – Não pode me deixar... Eu preciso de você...

Olhei para os cacos de vidro ao redor e vi um pedaço, grande e curvo, com um pouco do antídoto dentro. Muito pouco. Menos de um gole. Mas eu tinha que tentar.

Estiquei-me e peguei o pedaço, estendendo-o na direção de Nico com cuidado para não cortar seus lábios. Depois despejei o conteúdo em sua boca. Mal me mexia.

— Thalia... – Chamou Isabelle. – É muito pouco...

Solucei mais alto, deixando meu corpo desabar sobre Nico e soluçando alto. Era o pior momento da minha vida. Num dia, eu havia me entregado a ele. Estávamos unidos. Éramos um só. No dia seguinte, eu o perco. Era como se a vida houvesse me pregado uma peça. Uma brincadeira de mau gosto.

— Por favor, Nico... – Sussurrei, soluçando. – Eu te amo... Não me deixe... Acorde, por favor... – Encarei-o por um momento, levando minha mão ao seu rosto, frio. – Eu te amo, Nico.

Solucei novamente, odiando Luke com todas as minhas forças. Odiando Scarlet com todas as minhas forças. Eu os mataria. Prometi isso a mim mesma.

Lentamente, Nico se moveu, respirando fundo. Levantei-me num pulo, encarando-o para ver seus olhos negros postos em mim. Estava incrédula. Ele tinha um pequeno sorriso.

— Podia ter me beijado... Seria tão Disney, mas seria lindo. – Ele sorriu de canto.

— Nico! – Levantei-me, abraçando-o com força. Nico riu baixo, mas me abraçou de volta. E não esperou que eu tomasse a iniciativa para me beijar ardentemente. Sorri durante o beijo e o puxei para mais perto de mim, aprofundando-o o máximo que pude.

— A propósito, Grace... – Começou quando nos separamos, nossos rostos próximos. Nossas testas coladas uma na outra. – Eu também te amo.

Sorri, sentindo lágrimas de alívio descerem pelo meu rosto. Nico sorriu e se afastou levemente, encarando os outros, que sorriram e se aproximaram.

— Eu já estava pensando que teria que te beijar, di Angelo! – Leo sorriu, ajudando Nico a levantar. Nico me puxou para cima também, apoiando-se em meu ombro.

— Sinto-me sortudo por ter acordado antes disso. – Nico brincou, arrancando risos dos outros.

— Pelos anjos, seu idiota! – Isabelle se aproximou de Nico, abraçando-o. – Quando vai parar com isso?

— Acho que quando eu enjoar de assustar vocês. – Nico riu baixo. Isabelle riu também, empurrando-o.

— Idiota. – Brincou. Nico riu outra vez.

O olhar de Nico foi para Percy.

— Não vai nem me abraçar, priminho? – Ele estendeu os braços e Percy riu baixo, abraçando-o.

— Você quase me matou do coração, idiota!

Nico apenas sorriu.

— Eu sei... Foi mal...

Percy riu novamente.

— Vamos procurar um lugar para ficar... – Sorri levemente. Percy sorriu.

— Que não seja nessa floresta... – Nico sacudiu a cabeça, sentindo tontura. – Muitos espíritos agitados.

Sorri compreensivamente. Isabelle criou um portal.

— Vamos. Conheço um lugar seguro... Olympic National Park— Ela disse. – Estaremos seguros lá.

Sorrimos e seguimos Isabelle para dentro do círculo, vento os últimos vestígios da floresta para a qual eu nunca mais retornaria desaparecerem.

Notas finais
E aí? O que acharam? Ficaram com raiva da Scarlet? Acharam que a Thalia não conseguiria acordar o Nico? Concordam com o Nico e acham que devia ter sido mais Disney a cena? Querem ver um pouco mais da relação fraternal entre a Izzy e o Nico? Digam-me nos reviews! E Thalico? Não foi a coisinha mais fofa do mundo? No próximo capítulo, alguém vai aparecer! Quem será? A gente se vê nos reviews! ;) Bjoks! *3*