Notas iniciais
Oeeeeee! Tudo bem com vocês, amorecos? :3 Olhem, eu JURO que ia postar ontem, mas adivinhem que maravilha: A ENERGIA ACABOU! E o pior foi que acabou no bairro todo! Não consegui postar NADA! Mas eu consegui postar para vocês hoje! Comemorem! :3 Não enrolo mais! Até porque o cap conseguiu ficar triste, fofo, emocionante e foda! Tudo no mesmo cap! E está gigante! Bem, fiquem com o cap! P.O.V do Nico! :3 Enjoy it! ;)

Nico

– BIANCA! – Disparei até os destroços da casa, tirando Umbra do bolso e jogando a mochila no chão. O Renegado sobre ela sorriu diabolicamente para mim. Tinha os olhos completamente negros e cabelos dourados. Os dentes eram afiados. Um par de asas brancas projetava-se de suas costas.

Solucei alto, erguendo Umbra e baixando-a com força, um golpe que o Renegado aparou quase com facilidade. Ele riu debochadamente e eu aproveitei que baixara a guarda para golpeá-lo novamente.

Novamente, o Renegado bloqueou meu golpe. Gritei e o golpeei novamente. Senti o chão tremer sob meus pés. O Renegado se distraiu, encarando-me com choque no olhar. Aproveitei e o ataquei.

Fiz um corte em seu peito. Ele sibilou de dor e me golpeou de volta. Ignorei a dor quando a lâmina na espada penetrou meu braço esquerdo, fazendo um corte imenso. Ergui Umbra novamente e, dessa vez, não errei.

Atravessei seu coração num golpe certeiro. O Renegado gritou de dor por um curto período de tempo antes que a lâmina negra sugasse toda a sua força vital, transformando-o em cinzas.

Solucei, guardando a espada e correndo até Bianca, que pressionava o ferimento em sua barriga com força. Eu pressionava o corte em meu braço, mas nem ligava para aquilo. Era tanto sangue que me dava tontura. Thalia estava ao seu lado, tentando lhe dar néctar. Ela virou-se para mim. Pesar era a única coisa que eu via em seus olhos.

– Bia... – Solucei, puxando-a para perto. Ela tossiu, cuspindo sangue, e me encarou. Um sorriso de ternura passou pelo seu rosto.

– Ei... Não chore, Nico. Estou bem. Você não pode ficar aqui, Soldatino.

– Bianca... Por favor... Fica comigo. – Solucei mais alto. – Não me deixe.

O sorriso de Bianca apenas cresceu.

– Vai dar tudo certo, Nico. Você precisa ir.

Neguei.

– Por favor... – Abracei-a quase com força. Bianca afagou meus cabelos.

– Sinto muito... – Murmurou. Ela encarou Thalia. – Por favor... Não deixe que nada aconteça com ele.

Thalia abaixou-se, segurando sua mão.

– Eu juro que não deixarei que ninguém o machuque.

Bianca sorriu, fechando os olhos devagar. Antes de partir, ela me encarou.

– Eu te amo, Soldatino. Procure... – Ela ofegou. – Hades. Ele tem o que você precisa...

Bianca deu seu último suspiro, fechando os olhos para nunca mais abri-los novamente.

E eu não pude fazer nada além de gritar. Gritei tão alto que meu grito ecoou pelos céus. Gritei tão alto que minha garganta doeu. Desabei aos soluços sobre Bianca, ignorando a chuva que começava a se formar.

– Nico... – Chamou Thalia. – Temos que ir.

Não a ouvi. Ignorei qualquer som ao meu redor e fiquei lá, soluçando. Ouvi o som de sirenes da polícia e Thalia fez um gesto. A imagem da van de Leo tremulou e, por um instante, fitei uma van policial. Ela fez outro gesto e a imagem de Leo mudou para a de um policial adulto por alguns segundos.

– Vamos. – Ela segurou meus braços e puxou-me até a van. Eu ainda soluçava, mas deixei que Thalia me levasse até o veículo, sentando-me em um dos bancos. Leo entrou na frente e ligou a van no momento em que Thalia fechou a porta. – Vai, Leo. Temos que sair.

Leo, ainda abatido, assentiu e deu partida. Eu estava alheio a tudo, ainda soluçando, encolhido no banco de trás. Thalia virava a cada cinco minutos para me fitar. Eu não conseguia parar de chorar.

– E Percy, Annabeth e Hazel? – Leo perguntou após ouvir as explicações de Thalia.

– Vão nos esperar em frente a uma lanchonete. – Thalia estalou os dedos e a van de Leo voltou ao estado natural, sem disfarces tanto para o veículo quanto para o motorista.

Percy e Annabeth subiram em silêncio. Com certeza a notícia da morte de Bianca chegara aos seus ouvidos. Hazel entrou e não esperou nem um segundo para vir me abraçar com força. Deixei-me desabar e solucei o máximo que pude. Nem sabia como ainda tinha lágrimas para derramar. Hazel também chorava. E chorava tanto quanto eu. Thalia não disse uma palavra. Se havia mesmo presenciado tantas palavras quanto dizia, então sabia como era a dor de perder alguém.

Mas não sabia a dor de perder uma pessoa amada. Talvez um amigo. Mas não um irmão.

A van parou em frente a um Hotel. Thalia saiu primeiro. Hazel, ainda chorando, saiu logo depois, ligando para Frank e explicando tudo aos soluços. Percy estava quieto. Os olhos vermelhos. Annabeth segurava sua mão com firmeza.

E eu estava silencioso. Impassível. Os olhos tão vermelhos quanto os de um viciado. Ignorei o fato de ter deixado meus óculos na van e prendi as lágrimas com força. Eu não iria chorar mais. Thalia trocou algumas palavras com a atendente, que lhe estendeu quatro chaves.

– Eu quero dormir sozinha. – Murmurou Hazel. Ela me encarou, mas eu não a encarei de volta. Sabia que Hazel queria chorar a noite inteira sem incomodar meu sono.

– Ficamos com um dos de casal. – Annabeth pegou a chave e subiu as escadas.

Leo pegou outra chave e subiu em silêncio. Thalia me encarou.

– Vamos, Nico... – Ela segurou, hesitante e delicadamente, a minha mão e me puxou escadaria acima. – Você precisa dormir.

– Não quero dormir.

– Mas precisa. – Seus olhos azuis faiscantes fitaram os meus. – Nico. Eu sei a dor que você sente. Mas precisa deixá-la de lado. Precisa focar em um objetivo. Precisa se fortalecer e sobreviver.

– Como consegue? – Eu a encarei. – Como consegue ficar tão impassível? Como não chorou uma única vez? Você acabou de presenciar uma morte! Será que não tem coração?! Não se importa?! Como...

Antes que eu dissesse mais alguma coisa, Thalia fez o inesperado.

Ela passou seus braços ao meu redor, abraçando-me com força. Fiquei completamente imóvel. Chocado com sua atitude repentina.

– Chore, Nico... Não guarde nenhuma lágrima. – Sussurrou. – Eu guardei as minhas por tempo demais e elas quase custaram minha vida. Pode chorar.

No mesmo instante, fiz o que ela disse e deixei tudo fluir. Não guardei nenhuma lágrima. Não contive um único soluço. Thalia não disse nada. Ela compreendia aquela dor. Devia ter perdido alguém importante. E conteve sua tristeza até que um dia ela veio à tona. E quase a matou.

Nem me dei conta de que adormeci, deitado em seu colo conforme ainda chorava.

[...]

A luz do sol quase me cegou quando abri os olhos. Eu estava em minha cama. Thalia dormia num colchão improvisado ao lado da janela. Não fazia ideia de como ela não acordou com os raios de sol direcionados para seu rosto.

Corei ao lembrar que dormira em seu colo na noite anterior. Acredite em mim quando digo que aquilo foi o mais próximo que já estive de uma garota.

– Bom dia. – A voz de Thalia me assustou. – Tudo bem com você?

Sabia que ela se referia à Bianca. Respirei fundo. Precisava conter o luto. Quanto mais eu mergulhasse na mesma depressão em que mergulhei após a morte de minha mãe, mais perigo de morrer eu correria. Pensei em Bianca. Ela diria para eu deixar a dor de lado e me concentrar em lutar. Concentrar-me em meus objetivos. Foi o que ela fizera para cuidar de mim após a morte de minha mãe.

– Vou melhorar. – Corei. – Obrigado... Por... Você sabe.

Ela corou levemente, mas sorriu ao ver meu rosto vermelho.

– De nada. – Ela sorriu.

– Thalia... – Comecei. Ela me encarou. – Você acha que todos esses monstros estão atrás de nós por minha causa?

Thalia negou.

– Sou uma das melhores guerreiras lá em cima, Nico. Eu sou a garantia para vencer a batalha. – Ela suspirou. – E aqui em baixo eu fico exposta. Fraca. Eles estão aproveitando que vão matar dois coelhos com uma só cajadada. A tenente das Tropas de Ártemis e o anjo da Terra.

– Para de me chamar assim. Fico parecendo um esquisito.

Ela riu.

– É a verdade.

Revirei os olhos e me levantei. Decidido a treinar. A fazer de tudo para ficar forte. Para proteger Thalia. Para não deixar que o que aconteceu com Bianca aconteça com ela. Para não permitir que ela morresse lutando (provavelmente) por minha causa.

E também fiz a mim mesmo a promessa de nunca dizer isso a ela.

– Bom dia, gente! – Leo entrou no quarto. Como sempre, mascarando a dor com bom humor. Mas não pude evitar estranhar tanto bom humor para alguém que acabara de presenciar a morte de uma pessoa próxima.

– Bom dia. – Respondi, engolindo o luto e levantando-me.

Leo me encarou, confuso. Depois deu de ombros e sorriu.

– Vamos descer. Estão todos lá em baixo.

– Preciso fazer algo antes. – Caminhei até o quarto de Hazel. Sabia que ela ia querer ir junto, apesar da dor e do sofrimento. Mas eu conhecia Hazel. Seu coração era tão frágil quanto vidro. Um desequilíbrio emocional e isso poderia causar a morte dela. E a última coisa que eu ia querer era a morte de mais uma irmã.

Escrevi, às pressas, um bilhete, deixei sobre a mesa de cabeceira de Hazel, que ainda dormia, e saí em silêncio.

“Hazel...”

“Eu sei que você vai me odiar pelo resto da sua vida por isso, mas acredite, é para o seu bem e eu não quero perder você.”

“Quando você ler isso, eu e os outros já teremos ido embora. Ligue para o nosso pai. Ligue para Frank, mas não fique, em hipótese alguma, sozinha. Eu prometo a você que voltarei vivo e vingarei Bianca.”

“Eu te amo.”

“Nico.”

Nem Percy, nem Leo, nem Annabeth questionaram a razão de deixar Hazel para trás. Eles sabiam que seria minha primeira providência.

– O feitiço vai durar o suficiente para ela buscar ajuda. – Thalia me encarou. – Tem certeza?

Assenti.

– Não posso arriscar perdê-la também.

– Então vamos. – Percy subiu primeiro na van. – AI! Quem deixou esses óculos aqui?

Arregalei os olhos.

– Ah meu deus! – Exclamei. – Está tudo bem?

– Eu estou bem, relaxe. – Percy estava com meus óculos nas mãos. Puxei-o para mim.

– Está tudo bem com os óculos? Eles quebraram?

Percy bufou.

– Obrigado pela preocupação.

Annabeth riu. Leo a acompanhou e ligou a van. Estavam todos felizes demais. Será que estavam fazendo o mesmo que eu ou já esqueceram que Bianca morreu?

Bianca...

Bianca...

Eu não me lembro do rosto dela!

Arregalei os olhos. Depois segurei Percy pelos ombros.

– Percy! Quantos primos você tem?

Ele pareceu confuso.

– D-dois! Você e Hazel!

Arquejei alto.

– Tudo bem com você, Nico? – Annabeth me encarou.

– E a Bianca?

– Que Bianca? – Leo parou num sinal vermelho.

– Bianca, Valdez! Minha irmã!

Todos, exceto Thalia, se entreolharam, confusos.

– Nico... Hazel é sua única irmã!

Não!

– Posso falar com você, Nico? – Thalia me puxou para o banco onde estava. – Eu sei o que aconteceu, Nico... – Sussurrou. – Bianca tinha certo conhecimento da magia. E usou esse conhecimento para apagá-la da mente de vocês no dia em que morresse.

– Por quê? – Contive um soluço. Depois levei as mãos às têmporas, esfregando-as. O rosto de Bianca parecia uma imagem desfocada em minha mente.

– Porque ela sabia o que você era desde o início, Nico. Ela queria que você seguisse sem o peso do luto. Sem ela.

Neguei.

– Ela não pode fazer isso.

– Foi a coisa mais difícil que ela já teve que fazer. E seu pai a ajudou.

– Ele também vai se esquecer dela? Da própria filha?

Thalia negou.

– Eu não sei, Nico. Mas você ainda se lembra dela porque está guardando sua dor. Se você liberá-la, Bianca vai sumir das suas memórias.

– Então Hazel...

– Hazel não vai se esquecer de Bianca. Porque ela foi morar com vocês depois que Bianca lançara o feitiço. Apenas a dor será apagada.

Bufei.

– Não é justo.

– Ela vai voltar para as suas memórias, Nico. Quando você estiver pronto para recebê-la novamente. – Thalia segurou meu rosto entre as mãos. – Nico, deixe-a ir.

Neguei, soluçando baixo.

– Não posso.

– Você deve. – Ela se afastou. – Mas não vou obrigar você a isso. Eu sentiria o mesmo se Jason, meu irmão, quisesse que eu o esquecesse. Quando estiver pronto, você deve deixá-la ir.

Assenti.

– Não estou pronto para isso. – Eu a deixarei ir quando vingá-la! – Mas obrigada pela informação. Eu ia ser internado no manicômio mais próximo se não fosse por você.

Thalia riu baixo.

– Chegamos, pessoas! – Leo parou a van. – Vamos tomar um café. Depois cair na estrada para não sei onde.

Thalia revirou os olhos.

– Preciso falar com um anjo que está disfarçado aqui. Talvez ele me dê uma pista de como poderei recuperar minhas asas.

– Quem seria esse cara?

Thalia examinou a padaria onde tomaríamos café.

– O nome dele é Dionísio.

Arregalamos os olhos.

– Dionísio... Sr. D?

Ela me encarou confusa e assentiu.

– Conhecem ele?

– É nosso chefe. – Comentei. – Ele é dono de uma lanchonete não muito longe daqui.

Thalia assentiu, nos encarando, e entrou primeiro na padaria. Entrei logo depois e a guiei até uma mesa. Os outros chegaram e nos acomodamos, no mesmo instante em que uma mulher veio anotar os pedidos.

– Então são quatro pães, uma porção grande de panquecas e um misto quente?

– Sim. – Disse Leo.

– Bebidas?

– Suco de laranja. – Pediu Annabeth.

– Café pequeno. – Pediu Percy.

– E eu um café grande e extra forte. – Leo sorriu. A moça virou-se para mim.

– Cappuccino.

Thalia a encarou, confusa. Depois olhou o pequeno cardápio de novo. Por fim, ela a encarou e suspirou.

– Quero o mesmo que o dele. – E me indicou com um movimento da cabeça.

A moça virou-se e saiu de lá.

– Confusa, Thalia?

– Não conhecia nenhuma dessas bebidas. O que é um expresso?

– É café.

– Mas expresso não seria meio que um trem? Quem ia querer um trem no café da manhã?

Não pude conter um riso baixo. Thalia bufou e me bateu. Apenas ri mais ainda. Leo ia me acompanhar, mas, assim que Thalia o fitou, ele desviou o rosto e fingiu uma tosse. Thalia me encarou de novo e eu consegui parar de rir.

– Desculpe, Lia...

Thalia corou no mesmo instante. Percebi o que havia dito e corei mais do que ela, desviando o olhar.

Será que tem um buraco onde eu possa enfiar minha cabeça agora?

– Me chamou de que?

– De Lia. – Fiquei mais vermelho do que antes. Leo ria baixo do outro lado da mesa. Thalia deu um sorriso mínimo.

– Eu gostei.

Sorri envergonhado. A garçonete voltou com nossos pedidos.

Salvo pela garçonete!

Agradecemos quando ela nos serviu e começamos a comer no mesmo instante. Thalia fitou o cappuccino, hesitante.

– Beba um gole. É muito bom. — Mordi meu misto quente.

Thalia bebeu um pequeno gole. Depois sorriu e bebeu todo o resto do cappuccino.

– É bom! Muito bom!

Sorri quando ela perguntou se eu beberia mais do meu cappuccino e não pude dizer não àqueles olhos brilhantes e exaltados, como os de uma criança que acabara de provar o primeiro pedaço de um doce maravilhoso.

Quando terminamos de comer, pedi mais um cappuccino para viagem. E, como se fosse possível, os olhos de Thalia brilharam mais ainda.

– Você gostou bastante, pelo jeito. – Sorri quando ela bebeu metade do copo. – Mas tome cuidado. Vai saber o que cafeína demais pode fazer com um anjo.

Thalia apenas sorriu enquanto subíamos na van e Leo ligava o veículo. Eu nem imaginava como nos aproximamos tão rápido. Apesar de ela ter tentado me matar no nosso primeiro contato. Talvez Thalia tivesse uma facilidade que eu nunca terei em fazer amigos.

Na verdade, eu gostaria de saber até hoje o que ela viu em mim para querer ser minha amiga.

Não pode ser essa história de Anjo da Terra. Essa é a maior bobagem que eu já ouvi em anos. A pior piada que já fizeram com meu sobrenome!

DIOS MIO! – Leo freou a van com força, praguejando alto em espanhol. Meus óculos caíram. Annabeth, que estava no colo de Percy, caiu para frente e Percy, numa tentativa de segurá-la, caiu junto. Thalia gritou algo parecido com “meu cappuccino!” e a van fez um barulho quase ensurdecedor.

– Tudo bem com vocês? – Perguntei.

– Bati a testa nos seus óculos. – Percy reclamou. – Essa droga não quebra?

– Cara, você deve sentir alguma atração pelos meus óculos. – Revirei os olhos. – Respondendo sua pergunta, Thalia fez um feitiço ontem, lembra? Eles estão resistentes a tudo, inclusive testadas de primos lerdos.

Percy deu a língua e ajudou Annabeth a levantar.

– Meu cappuccino... – Thalia reclamou. – Estava no finalzinho.

Sorri de canto.

– Vai fazer bico por um fio de café? Sério?

Ela bufou e me empurrou. Ri.

– Agora, Valdez... – Comecei. – Poderia me explicar... POR QUE DIABOS VOCÊ FREOU O CARRO DAQUELA MANEIRA?! – Acabei escorregando no sotaque italiano quando elevei a voz.

– Tinha alguém na rua. Estava parado. Na frente do carro.

– Não vejo ninguém. – Disse Percy.

– Se eu estivesse a ponto de ser atropelado por uma van, já teria fugido para longe. – Comentei, saindo do carro e tombando assim que senti um golpe forte na nuca. Minha visão se escureceu por um momento.

– Nico! – Percy pulou da van, seguido de Annabeth. Leo saiu do carro.

– Muito bem, esquisito! Eu tenho uma furadeira e não tenho medo de usar!

Ignorando a dor, levantei-me, cambaleando. Senti as mãos quentes de Thalia me ajudando a levantar e tirei Umbra do bolso.

Era um rapaz. Ele tinha cabelos cor de areia e olhos azul-piscina. Ou algo parecido. Uma cicatriz enorme e branca como cera atravessava o lado direito de seu rosto, começando acima da sobrancelha, atravessando o olho e descendo até o queixo.

Luke! – Thalia rosnou.

– Thalia, querida! – Ele sorriu. – Finalmente te achei! Estão todos tão preocupados com seu paradeiro que foi muito difícil nos tirar de lá. Estamos quase prontos para atacar com todas as forças. – Luke me encarou. – Mas, antes, recebi ordens para lidar com certas ameaças. Começando pelo seu novo amiguinho.

Apertei o botão do cilindro e Umbra formou-se em minha mão direita. O riso de Luke falhou aos poucos.

Umbra... – Murmurou, perplexo.

– Que bom que sabe o nome da espada que vai tirar a sua vida. – Rosnei, atacando primeiro. Luke recuperou-se do choque e bloqueou meu golpe, golpeando-me de volta.

Thalia quis vir em meu auxílio, mas centenas de outros Renegados surgiram, dando-lhe uma distração. Ela me encarou, preocupada, mas fez surgir sua lança e atacou. Leo pegou um martelo e o passou para Percy. Annabeth pegou a mesma pá que usara para matar o demônio que me atacou e os três foram para cima dos Renegados, pegando suas armas assim que os derrotava, deixando Percy e Leo com uma espada e Annabeth com uma adaga.

Acabei me distraindo por muito tempo. Tempo suficiente para que Luke desferisse um golpe, atingindo meu braço esquerdo. Gemi baixo de dor quando pensei ter visto fumaça sair do ferimento.

Consegui atingi-lo com um golpe, apesar da dor. Luke gritou de dor, pressionando o ferimento em seu ombro. Depois veio para cima de mim com tanta velocidade que conseguiu tirar Umbra de minhas mãos.

No segundo seguinte, a lâmina de sua espada, metade negra, metade dourada, atravessou meu ombro direito. Gritei de dor. Era a pior que eu já havia sentido.

– E a espada que vai tirar a sua vida, Anjo da Terra, se chama Mordecostas.

Tentei rir, saiu uma tosse.

– Que nome mais ridículo. Não aceito morrer para uma espada chamada Mordecostas. Qual é, cara! Ela nem tem dentes! Como vai morder as costas de alguém?

Luke rosnou de ódio e tentou me golpear novamente. Como se eu estivesse numa espécie de transe, desviei. Mas não consegui me livrar de seu pé, que pressionara meu pulso com força.

– Agora fique parado... Odeio fazer sujeira.

– Nico! – Thalia tentou vir em minha direção. Um Renegado a barrou.

Tentei me debater quando Luke ergueu a espada, pronto para me matar.

Então algo estranho aconteceu.

Uma silhueta, localizada no topo de um prédio, saltou de lá e pousou com um estrondo imenso no chão. As asas negras abertas, espalhando penas com o impacto, indicavam que o estranho era um anjo. Não pude ver seu rosto, pois estava coberto por um capuz, mas, pelas curvas definidas do corpo, era uma garota.

O primeiro Renegado que avançou para cima dela não durou nem um segundo. Num movimento rápido, vi um lampejo brilhante e, no segundo seguinte, o corpo do Renegado tombou no chão, com a cabeça separada.

Senti enjoo. Luke rosnou.

– Cuidem dela... Vou terminar meu serviço!

– Não tão cedo! – A voz da garota me surpreendeu. As sombras ao seu redor se moveram, o que me assustou, e formaram uma adaga, que ela arremessou na direção de Luke, atravessando sua mão. Luke gritou de dor e largou a espada, que caiu a centímetros do meu rosto. Engoli em seco.

Luke avançou para cima dela e tudo o que conseguiu foi, num movimento rápido, arrancar seu capuz, revelando longos cabelos negros (talvez mais longos que os cabelos de Thalia antes de serem cortados!) e misteriosos olhos violeta, que pareciam uma mistura de tons. Perto da pupila, via-se a cor violeta, brilhante e misteriosamente bela, um pouco afastada da pupila, uma cor rosada. Linda também. E, mais distante da pupila, um roxo que parecia azul, dando àqueles olhos, uma mistura incomum e linda de cores.

– Isabelle! – Rosnou Luke. A garota, Isabelle, tirou das sombras (sério, como ela faz isso?) uma espada de lâmina transparente, o que me surpreendeu, e a direcionou para a garganta de Luke.

– Acho que você não quer morrer agora, Sr. Cicatriz. – Um sorriso debochado percorreu seus lábios cobertos por um batom vermelho brilhante. – Então vá embora e não se esqueça de esperar seu ego inflar novamente antes de voltar.

Luke rosnou e gritou algo em uma língua que não reconheci para os Renegados, que se retiraram, com a exceção de, aproximadamente, cem.

– Matem todos! Menos esses dois! – Luke apontou para Thalia e, em seguida, para mim. – Eu irei matá-los! Tragam os dois para mim!

Thalia riu debochadamente e sacou a lança.

– Tentem. – Desafiou, colocando-se, num salto invejosamente gracioso, em minha frente.

E eles realmente tentaram. Jogaram-se sobre os outros de modo brutal. Os outros vieram se posicionar em minha frente também, o que já estava me dando nos nervos. Estava cansado de precisar de ajuda. Queria ser mais útil. Porque, para um Anjo da Terra, eu parecia mais um peso morto. Inútil.

Lembrei-me de Bianca. Ela, com certeza, morreu me protegendo. Morreu por minha culpa. Tudo o que me restava dela era a sua voz. Seus cabelos negros emoldurando o rosto desfocado, já que eu não conseguia me lembrar dele.

Um dos Renegados penetrou a barreira, derrubando Percy, que girou e conseguiu fazer um corte profundo em sua panturrilha.

Porém, um segundo Renegado passou e, dessa vez, conseguiu chegar até mim. Gemi alto de dor quando suas garras cravaram-se em meu tornozelo, puxando-me. Thalia tentou vir até mim. Um Renegado aproveitou essa distração para golpeá-la com força nas costas. Thalia gemeu alto de dor e tombou. Ainda fixava seus olhos em mim.

– Thalia! – Gemi mais alto quando o Renegado me puxou com mais força. Eu me agarrava firmemente a uma raiz no chão.

Então me lembrei da promessa que fiz a mim mesmo.

Eu prometi me esforçar para proteger Thalia. Para não deixar que a ferissem novamente. E vê-la ali. Fraca e ferida, acendeu dentro de mim uma fúria completamente sinistra.

Então eu praticamente entrei em transe. Era como um de meus apagões, porém eu lembrei perfeitamente desse.

Com um movimento rápido, chutei o rosto do Renegado, quebrando seu nariz. Ele gritou e me soltou. Levantei-me, coberto de fúria, e recuperei Umbra, usando-a para atravessar-lhe a garganta. Os Renegados sibilaram, voltando-se para mim com fúria brilhando como fogo no olhar.

Usando Umbra, fiz um corte em minha palma. Não muito profundo. Nem muito superficial. O suficiente para pingar sangue.

E as palavras que eu disse, apesar de serem em uma língua que eu não reconheci, foram muito claras para mim.

Com o sangue do Necromante, eu vos invoco, guerreiros que sob meus pés repousam!

No segundo seguinte, o chão estremeceu. Uma enorme rachadura partiu dos meus pés e estendeu-se até o prédio de onde Isabelle saltou. Da fenda, ergueu-se uma mão esquelética, seguida de muitas outras. Thalia arregalou os olhos, ainda no chão, enquanto Isabelle cuidava de seu ferimento. Percy ficou estático. Annabeth ficou pálida. Leo não conseguia acreditar.

Dezenas de esqueletos trajando armaduras ergueram-se do chão, levando desde machados até espadas.

Senti-me enfraquecido e, através de Umbra, usei um pouco da energia vital que tirei do dragão. Senti-me revigorado.

Os esqueletos me encararam, como se esperassem uma ordem.

– Eles estão esperando suas ordens, Necromante! – Informou Isabelle.

Ergui Umbra, apontando-a para os Renegados.

– Ataquem! Matem todos os Renegados!

O exército avançou para cima, matando qualquer Renegado que estivesse no caminho. Thalia e Isabelle riram, como se estivessem brincando de pega-pega, só que um pega-pega com espadas, lanças e Renegados assassinos.

Peguei minha espada novamente e ergui-a, partindo para a batalha, saindo subitamente de meu transe e percebendo o que havia feito.

Nunca me senti tão capaz de fazer algo em toda a minha vida.

Sorri, assim como as meninas, e ataquei.

[...]

– Trinta e sete! – Thalia matou mais um Renegado. – Trinta e oito!

– Quarenta e um! – Isabelle saltou num mortal perfeito por cima do Renegado, arrancando suas asas e, de costas, atravessando-lhe com a espada. – Quarenta e dois!

– Só faltam mais dez! – Comemorou Leo. Sorri enquanto partia um Renegado em dois. Os esqueletos faziam boa parte do trabalho. – Pera, agora nove... Opa, dois esqueletos destroçaram um ali. Oito. Thalia matando dois de uma vez. Seis. Isabelle matando um com a espada e dois com essa coisa esquisita que ela faz com as sombras. Três! Animem-se.

– Dois! – Percy atravessou o coração de um Renegado.

– Um! – Annabeth usou as costas de Percy como apoio para saltar por cima dele e atacar o Renegado que vinha em sua direção.

– E... – Thalia e Isabelle sorriram. O Renegado foi em direção a elas e ambas atacaram. Girando as espadas ao mesmo tempo num golpe certeiro e mortal. – Acabou!

Sorrimos em comemoração e, exaustos, desabamos sentados no chão.

Thalia encarou Isabelle e sorriu.

– Izzy! Que saudades de você! – Ela a abraçou. Isabelle sorriu e retribuiu o gesto.

– Digo o mesmo, Thalia! – Depois de abraçá-la por um longo tempo, os olhos de Isabelle fixaram-se em mim. – Como encontrou o Anjo da Terra?

– Ela caiu no meu quintal. – Respondi antes de Thalia. – Na verdade, caiu no quintal do vizinho e tentou me matar.

Thalia revirou os olhos, apesar de sorrir.

– Desculpe por aquilo. Não confio em estranhos. Muito menos naqueles que acabaram de me levar para sua casa.

Corei violentamente, achando que ela estava dando outro significado para o que dissera.

– Não acredito que teve coragem de ofender Luke. – Isabelle sorriu de canto. – Talvez você seja muito corajoso, ou muito estúpido.

Apenas sorri de canto, um sorriso que não durou muito, já que senti uma dor infernal no ombro, bem onde Mordecostas havia me atingido. Olhei para lá e vi o ferimento aberto. A pele em volta estava quase em carne viva. Pude ver algumas veias negras se destacando a partir do ferimento no ombro até minha clavícula. Do ferimento saía sangue e um líquido preto estranho.

– Nico? – Thalia me encarou. – Tudo bem?

Apenas assenti, cobrindo o ferimento com a mão. Com certeza estava mais pálido que o normal. Senti tontura. Isabelle revirou os olhos e agarrou meu braço, puxando-o com força. Ela usava luvas de couro da cor preta.

Thalia arregalou os olhos e levou uma das mãos à boca. Annabeth arquejou. Percy ficou branco como cera e Leo gritou algo em espanhol.

Isabelle estava em choque.

– Merda! – Praguejou. – Onde Luke encontrou isso?

Thalia a encarou.

– Onde você acha? Ele tem um exército de demônios!

A tontura aumentou. Senti meu corpo tombar para frente e fui amparado por Thalia.

– Ninguém me disse isso!

– MENINAS! – Esbravejou Annabeth. – O que ele tem?

– A espada de Luke... – Thalia me ajeitou em seu colo. – Tinha sangue de demônio.

– E o que é que tem? – Leo a encarou.

– Sangue de demônio, além de causar uma queimadura muito feia, é venenoso para anjos.

– Venenoso em que sentido? – Percy estremeceu.

Isabelle o encarou.

– Venenoso no sentido de ou encontramos um antídoto...

Thalia respirou fundo.

– Ou Nico morre.

Notas finais
E então? O que acharam? Particularmente, eu amei esse cap! A cena Thalico mais do que fofa no hotel (morri escrevendo :3); Nico querendo proteger Hazel... Será que vai durar?; A cena lindinha na padaria :3; Luke aparecendo e causando raiva nos fãs; Nico sendo ousado e não perdendo sua piada; Isabelle lindamente diva chegando para derrubar forninhos (garanto que ela arrasará muito mais!; E Nico descobrindo seus poderes de Necromante foram apenas alguns detalhes que me deixaram mais confusa para decidir qual foi minha parte favorita! :3 Digam o que acharam! Qual foi sua parte favorita? E a Isabelle? Gostaram dela de cara ou precisam de mais capítulos para notarem o quanto ela é diva? :3 Até o próximo amorecos! ;) Bjoks! *3*