Fallen Creature
2 Capítulo 1 - Blood
Notas iniciais
-Ai! –ela caiu de costas, com um baque surdo, no chão de terra. Permaneceu ali por alguns minutos, pois a dor era demasiado grande para que ela se movesse. Nadia tentou se levantar, sem sucesso, pois tombou novamente no solo. Arqueou as costas e apertou as pálpebras com força, tentando se virar para a direita. Conseguiu mudar de posição, ainda de olhos fechados; quando sentiu algo úmido em suas costas. Ela não precisou olhar para descobrir o que era: sabia que era seu sangue que vazava por suas escápulas.
Embaixo dela havia uma grande poça de sangue, que manchava a folhagem alaranjada no chão. Buscou forças para abrir os olhos, e quando a achou sentiu-se forte o suficiente para se sentar também. Dito e feito, Nadia se sentou na grama com dificuldade e observou o local onde se encontrava: uma larga clareira rodeada de árvores iguais, todas de tronco grosso e grandes copas laranja e vermelhas. A grama irregular era de um verde fosco, e uma grande área dela estava vermelho vivo.
Nadia olhou para si mesma: seus braços e mãos estavam muito pálidos e com vários arranhões, alguns superficiais e outros profundos que ardiam de forma inexplicável. Suas pernas também estavam muito feridas; mas não havia dor que podia ser comparada àquela que ela sentia em suas costas, e que agora se espalhava pelo seu corpo. Lágrimas não foram impedidas de rolarem por sua face enquanto ela amaldiçoava a responsável por sua dor.
-Maldita seja aquela criatura que se denomina ‘’anjo’’. Tomara que seja punida. Que arda no infer... –ela botou a mão na boca de imediato. Não podia pronunciar essa palavra, era proibido, e ela podia ser castigada por ousar pensar em Inferno. –Perdão, Senhor. –ela olhou para o céu e se desculpou, não sabia se a ouviriam lá em cima, mas fazia parte de sua etiqueta fazê-lo.
Inspirou lenta e profundamente, se levantando. Demorou a achar equilíbrio: o espaço ao redor dela girava e parecia que não ia parar nunca. Apoiou-se com urgência em algum tronco de árvore, respirando com dificuldade. Seus batimentos cardíacos estavam acelerados e ela estava exausta.
Por quanto tempo havia caído? Aonde tinha caído? E por que Taellia a dispensara sem maiores cerimônias, mutilando-a sem dó? O que eu sou agora, se sem minhas asas não posso provar ser um anjo? Sou humana agora? Vou morrer?
Essas perguntas ocupavam sua mente, já que o oxigênio não o fazia. Nadia se sentou novamente, encostando muito de leve as costas na árvore. Por mais fraca que ela estivesse, a Morte não vinha, ela pairava entre a Vida e Morte, ou simplesmente se encontrava no meio-termo entre Anjo e Humano.
Ficou ali, extremamente confusa e desiludida; e seu coração quase saltou boca afora quando ouviu passos não muito distantes.
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-Querido, eu estou exausta. Por que não paramos naquela clareira ali? –disse a mulher, apontando para das muitas clareiras existentes naquele bosque.
-Claro, amor. – o marido assentiu com um sorriso, entrando na clareira e largando a mochila no chão. A esposa fez o mesmo, sentando-se na relva.
-Peter, estou tão feliz que você tenha conseguido tirar uma semana de folga para acamparmos! –disse a ruiva.
O moreno abaixou-se e beijou a testa da mulher.
-Está escurecendo. –ele disse, apontando para o céu que se tingia se azul marinho. –Melhor armarmos as barracas. –e pegou duas barracas desmontadas da mochila.
Do nada, a esposa deu um grito que ecoou por entre as árvores.
-Helena! O que houve?! –Peter correu até sua mulher, que cobria a boca com as mãos, em sinal de desespero. –Meu Deus... –ele murmurou, chocado, ao ver uma garota desmaiada perto de uma árvore, ao lado de uma poça de sangue.
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Notas finais
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