Fallen Angel
2 Sant Odreys
Notas iniciais
P.O.V Amélia
– Vamos, Amy!- Maddie me puxava com uma mão, enquanto a outra estava ocupada por uma mochilinha rosa.
– Calma, pequena.Eu já vou.- Falei tentando fechar minha mala.- Pronto, pronto!- A peguei no colo.- O que tem aí?- Perguntei apontando para a sua mochilinha.
– Minhas bonequinhas...Olha.- Disse tirando algumas bonecas e me mostrando.
– Prontas?- Mamãe perguntou arrumando sua bolsa.
– Uhum.- Respondi colocando Maddie no chão e pegando minha mala.- Segura minha mão, pequena?!- Estiquei meu braço para ele pegar.
Saímos de casa, um carro já estava a nossa espera, os dois homens que estiveram em casa á mais ou menos dois dias estavam lá, mamãe acenou para eles.
– Coloquem as malas no carro, eu vou fechar a porta.- Angeline falou.
Obedeci imediatamente, o homem de terno preto veio me ajudar a abrir o porta-malas, joguei nossas três malinhas lá dentro e quando terminei suspirei aliviada.
– Como vai?- Perguntei tentando puxar assunto.
– Bem.- O homem respondeu, seus olhos eram de um verde claríssimo, seu cabelo era castanho encaracolado e o terno que usava lhe caia perfeitamente. Não deveria ter mais de vinte e quatro anos.
– Sou Amélia!- Sorri estendendo-lhe a mão.
– Mark.- Ele apertou minha mão.- Acho melhor você entrar no carro.- Falou dando a volta.
– Tudo bem.- Murmurei.
Entrei e me sentei no banco de trás ao lado de Maddie, que já estava na cadeirinha, mamãe apontou para o cinto de segurança, logo entendi o recado.Me arrumei quando terminei de colocar o cinto e puxei meu celular com os fones, mas não dei play em menhuma música.Fiquei apenas fingindo que ouvia alguma coisa, abri o aplicativo do twitter e fui atualizar meu fc.
Em poucos minutos chegamos no aeroporto, saímos todos do carro, Mark e o outro tiraram nossas malas, puxei a minha malinha e peguei na mão de Maddie.Eu estava me encaminhando para a sala de espera, mas Mark apontou para outro lado.
– Nós não deveríamos, sei lá, esperar?- Perguntei alto o bastante para que eles ouvissem.
– O jatinho já está pronto.- O outro respondeu.
– JATINHO?- Me assustei, atraindo olhares de algumas pessoas, Mark me olhou como se eu fosse algum tipo de ET.- Desculpa.- Falei para depois ficar em silêncio antes que eu desse mais uma mancada.
– Damas, esse é o piloto, Aron.- O outro cara de terno falou.
– Olá.- O piloto sorriu para nós.- Como você está Richard?- Virou-se para o que o apresentou.
Os dois afastaram-se e Mark fez sinal para que entrasse-mos na aeronave, dei um passo na direção da escadinha, mas minha irmã ficou parada, sem sair do lugar.
– O que foi, princesa?- Perguntei a pegando em meus braços.
– Não quero entrar no pássaro grande.- Ela choramingou.
– Ora, mas ele não faz mal.- Olhei para ela.- Veja, não dói.- Falei tocando na asa do jatinho.
– Você promete?- Perguntou.
– Prometo.- Beijei seu rosto.
– Promete de dedinho?- Mostrou o dedinho mínimo.
– Sim.- Agarrei seu dedinho com o meu.- Agora vamos, mamãe já está la.- A coloquei no chão a fazendo me olhar estranho.- Sobe a escadinha.- Apontei.
Ela pegou em minha mão e foi caminhando na frente, colocou o pé no primeiro degrau e gargalhou, cutuquei seu bracinho a incentivando.
Depois de toda a brincadeira ela jogou-se na poltrona ao lado de mamãe, que nos olhava adentrando o pequeno corredor do jatinho.Me sentei na poltrona ao lado da janela.
– O que você tem, mãe?- Perguntei.
– Nada, só estou pensando.- Respondeu tentando sorrir.
– Amy, Amy!- Maddie me chamou.- Olha que bonita essa minha boneca, o cabelo dela está rosa!- Bateu palminhas e eu a acompanhei.
– Linda, não é?!- Fiz cosquinhas nela, logo parando quando o piloto entrou em sua cabine.
– Senhoras e senhores, vamos decolar agora, peço que coloquem seus sintos.– Depois ficou em silêncio.
Mark e Richard passaram pelo corredor acomodando-se duas poltronas atrás de nós.Minha irmã apertou meu braço fachando os olhinhos e eu fiz o mesmo.Quando o jatinha estabilizou eu pudi respirar em paz, mas logo me veio á mente que estávams no ar e que podíamos cair a qualquer momento.
Arranquei meu celular do bolso e o religuei, coloquei meus fones de ouvido e coloquei uma música calma.Fechei meus olhos, lembrando de tudo o que havia acontecido desde o dia em que o pai de Maddie havia ido embora.
Mamãe chorava muito, estava tremendo enquanto Madd chorava em seu berço, eu não sabia a quem atender primeiro.Corri para balançar Madd, tentando a fazer parar de chorar, mamãe estava com machucados por todo o seu corpo.Ainda com minha irmã em meus braços, fiz uma compressa com água gela e coloquei sobre sua cabeça.
– Vai deitar, mãe.- Sorri amarelo.- Eu cuido da Maddie.- Ela não respondeu, apenas saiu mancando.A pequena em meus braços parecia sentir a dor de mamãe, continuei a balançando, até que ela dormiu.
***
Mamãe estava lavando a louça, enquanto eu brincava com Madd no chão da cozinha, ela tentava dar seus primeiros passos, era até engraçado de se ver.
– Mãe.- Ela falou apontando para Angeline, que veio correndo até nós.
– Repete!- Pedi pulando.
– Mãe.- Sorriu.
***
– Ei, Amy!- Ouvi uma voz conhecida ao longe, mas eu sentia tanto sono que não consegui distinguir.
– Ummmm.- Murmurei.
– Amy!- Abri meus olhos lentamente, virando minha cabeça para o lado do corredor.
– Sim, mãe.- Respondi coçando meus olhos.
– Já vamos pousar.- Falou sorrindo, ela está feliz.
– Já?Mas, nós decolamos agora!- Falei.
– Você dormiu a viagem inteira.- Ela soltou uma risada abafada.
– Desculpa...- Senti meu rosto ficar vermelho.- Foi tudo tranquilo?
– Claro que foi.Tente manter-se acordada.
– Tá.- Sorri, olhando o céu pela janelinha, já era noite.Eu devo ter hibernado, porque não é possível.Tentei contar algumas estrelas e algumas nuvens, não é necessário afirmar que não consegui.
Pisquei algumas vezes tentando afastar o sono, já deveria ser noite também em Nova Iorke, o que meus colegas devem estar fazendo a essa hora?Lembrando-se de mim é que não.
– Vamos pousar.- O piloto avisou.
Maddie acordou com o som, passou as pequenas mãos em seus olhinhos e olhou para mim e mamãe.Segurou sua boneca e enconstou sua cabeça em meu ombro.Como uma vez Chris Rock falou em Todo mundo odeia o Chris, quando uma família tem mais filhos do que pais, um filho acaba adotando um irmão; ou uma coisa assim, na verdade o que concluo é que eu acabei por ''adotar'' Madd.
O jatinho pousou na pista, nos levantamos e a primeira a sair foi minha mãe, ela sorria como a muito tempo eu não via.
– Estamos em Sant Odreys e seja o que Deus quiser!- Mamãe sorriu.
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