Fallen
6 Capítulo 6
Chegando em casa mamãe foi para o quarto e eu a segui, era agora ou nunca, eu encostei ela na parede.
— O que você tem pra me contar mamãe? O que ainda não me contou que eu precise tanto saber? — Nada, você não precisa saber de nada – disse ela com indiferença. — Então me responda: o que foi aquilo que aconteceu na escola? O que você e Beatrice estavam conversando quando eu sai? E o que é esse programa de honra que eu devo tanto participar – eu estava ficando brava e quase começando a gritar. Ela nunca me contava nada, só o desnecessário. Isso me deixava mais brava ainda. — Se acalme Alice. Eu não tenho nada para lhe contar. — Ah não? Isso tem a ver com meu pai? Porque você nunca fala dele e parece que as coisas estão envolvidas – disse sem pensar duas vezes, mamãe me olhou assustada e indignada, ela nunca havia me olhado assim antes. — Não fale do seu pai! – pediu ela. Arregalei os olhos. — Então realmente tem algo a ver com papai?! — Não! Alice! Chega de perguntas por hoje, anda, saia do meu quarto. — Não até você me contar o que tem o papai nesta história! Porque você nunca me conta nada sobre ele? Ele é meu pai eu tenho o direito de... — Não Alice! Não, não e não! Não quero falar sobre seu pai, não quero falar sobre isso, não quero falar sobre nada! – mamãe me empurrou para fora do quarto e trancou a porta atrás de mim. Que inferno! Eu teria que descobrir sozinha. Peguei meu celular na mesa da cozinha e a campainha tocou. Quem seria? Não queria conversar com ninguém. Abri a porta e dou de cara com Victor. Ele estava de chinelos, uma bermuda jeans e uma camiseta azul, o cabelo todo bagunçado. E seus lindos olhos verdes me encarando. — Podemos conversar? – disse ele com delicadeza. — Hãm, claro – fechei a porta atrás de mim – vamos conversar enquanto andamos está bem? Não quero ficar em casa. — Tudo bem. Fui andando na frente, senti seus olhos me fitando. Eu queria ir até ele e abraça-lo, estava com saudades de ficarmos juntos, mas não sabia se isso era forte o suficiente. Uma parte de mim ainda o amava, a outra... Estava confusa. Chegamos num trecho um pouco mais vazio da praia, ele pegou meu pulso e fez com que eu sentasse ao seu lado. — Eu sei que não estamos mais juntos... — Estamos dando um tempo, é diferente. — Tá, tanto faz, enfim, eu só acho que você deveria saber que eu vou mudar de escola – ele estava sentindo... Culpa. — E para onde você vai? – perguntei, meio que dando de ombros. — Eu vou estudar na Primer, conhece? – arregalei os olhos. — O quê?! Pera, você vai estudar onde?! — Na Primer. – disse ele com os olhos confusos – Porque? O que tem de errado? — Nada, na verdade nada – sorri. — Hãm, então está bem. — Você está no programa de honra? – perguntei sem pensar, e se fosse algo de que ele não deveria saber? E se eu estivesse dando uma pista de que eu também iria estudar lá? — Estou sim, por quê? Como ficou sabendo disso? – perguntou ele desconfiado, ou confuso, não soube dizer. — Nada, uma amiga me contou, mas não soube explicar o que é esse programa de honra, então, você poderia me contar né? – disse com um tom de inocência. Ele ficou assustado e com uma pressa repentina. — Ah, na verdade, eu preciso ir! Só vim aqui para te avisar, estou atrasado para voltar para casa, vou sair com meu... Meu pai! Vou sair com meu pai hoje. — Entendi, tudo bem então, se não quiser não precisa me contar – dei um sorriso – Até mais – disse me levantando e depois acenei para ele. Victor ficou paralisado. Achei estranho, mas continuei meu caminho. O que eu queria mesmo e ir para a praia novamente, não. O que eu queria era ver Gabriel. Quando cheguei na parte da praia em que ele ficava parei, procurando-o na água e na areia. Até que eu o vi. Deitado na areia, de olhos fechados. Ele tinha um bronzeado incrível. Seus músculos estavam à mostra. Sentei-me silenciosamente ao seu lado. Ele não se levantou nem disse nada. Fiquei quieta, sem querer fazer nenhum barulho para assusta-lo. — Você não deveria chegar sorrateiramente do lado das pessoas sabia? – disse Gabriel ainda de olhos fechados. Fiquei quieta, ainda admirando sua beleza. Como ele era lindo. — Então Alice, fez a matrícula? Arregalei os olhos. — Como você sabe que sou eu? — Sei lá, – ele deu de ombros – intuição? O calor super-reconhecível do seu corpo perto do meu? – corei e senti que as bochechas dele também estavam vermelhas enquanto ele franzia a testa, mas não sabia se era de rubor ou por conta do sol. Ele se levantou e sentou mais perto de mim. — Então? Fez a matrícula ou não? – disse ele sorrindo. — Fiz sim, — assenti – logo estudaremos juntos. — Que bom, fico feliz. Então você conheceu a senhorita Beatrice e o mordomo antipático dela o Sr. Smith? — Sim – sorri – mas ele não me pareceu antipático, só cansado. — Isso porque você ainda não o conheceu. Acredite em mim. Fechei a cara ao me lembrar da briga com a minha mãe e a notícia de Victor. Gabriel rapidamente percebeu e pegou minha mão. — O que houve? Suspirei.
— Briguei com minha mãe, por descobrir que ela esconde coisas importantes de mim praticamente desde o dia em que nasci. E pelo visto terei de descobrir sozinha. E meu... Ex... Enfim, encontrei com Victor e ele disse que vai estudar na Primer também! Veja se não é o fim do mundo... — Victor vai estudar lá também?! – disse Gabriel se sobressaltando. — Sim, por que? Ah! E ele me disse que está no programa de honra. Você também está? – Não resisti em perguntar novamente. — Estou – disse Gabriel um pouco em dúvida. — Legal, estaremos os três na mesma turma, – disse com ironia – mas afinal, o que é o programa de honra? — Hum, na verdade, ainda não descobri – disse Gabriel. — Ah...Ouvi minha mãe conversando com Beatrice, ela disse que não sabia se eu entraria para o programa de honra, mas Beatrice acha que eu deveria. — Seria legal ter você na minha turma – disse Gabriel sorrindo e percebi que ele ainda segurava minha mão, eu a acariciei. Com a outra mão, Gabriel acariciou meu rosto, eu fechei os olhos enquanto ele me puxava para mais perto de si. Senti o leve toque de seus lábios nos meus. Ele estava calmo, sem pressa para terminar, me deixando tomar fôlego de vez em quando. Não queria que aquele momento acabasse, estava tudo tão perfeito. Senti um pingo na minha testa. Depois outro e mais outro, me afastei de Gabriel, ele me olhou confuso, mas logo percebeu. Esta chovendo. Levantamos e saímos correndo para uma cabana próxima. A chuva aumentou, já eram dezesseis horas, estava tarde. — E agora? Como vou para casa? – não queria ligar para minha mãe me buscar, eu odiava esses momentos de orgulho. Gabriel segurou minhas mãos. — Não vá. Fique aqui comigo. Quando a chuva passar eu a levo em segurança para casa. Suspirei. Ele era tão lindo e encantador. Um perfeito cavalheiro. — Está bem. Eu fico.
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