Fallen

19 Capítulo 19


Notas iniciais
Oi amores, desculpem-me pela demora, semana de entrega de trabalhos e provas não é fácil! Ultimamente to sem tempo pra tudo, até para respirar e também tendo uns problemas de criatividade, mas a minha última intensão é parar a fic justo agora. Mais uma vez, desculpem-me pela demora, nem eu estou gostando dessa situação e fazendo o possível para continuar. Espero que gostem do capítulo.
Boa leitura!

Ariane nos encontrou na entrada da escola. Ela estava eufórica por estar com a “nova” colega de quarto, mas ao mesmo tempo calma, acho que ela não havia tomado café naquela noite.
Ela nos guiou até o quarto de número 18. Cada quarto tinham suas portas decoradas com adesivos, fotos, desenhos, pinturas da escolha do aluno. Algumas davam a impressão de que o lugar devia ser organizado, outras... Bem, era melhor nem saber quem dormia ali. A porta do nosso quarto era de uma madeira escura, com um grande quadro branco no centro onde alunos deixavam recados para nós. No topo do quadro estava escrito “Ariane”, ela logo pegou a caneta e modificou para “Ariane & Alice”.
— Bem vinda ao seu novo quarto – ela sorriu e abriu a porta.
O quarto dava de cara com uma ampla sala, haviam dois sofás marrons, uma mesa de centro de vidro, uma grande lareira de pedras cinzas e acima dela uma televisão de tela plana de aproximadamente 48 polegadas. As paredes eram de um tom leve de lilás. Ao lado da lareira, havia um frigobar branco médio. Do outro lado da sala, com as portas de vidro abertas, uma pequena sacada, com vista para o mar. Um grande arco separava a sala do quarto, assim que passei por ele dei um suspiro. Havia uma beliche de madeira negra com colchão e edredons brancos. Na parede direita um grande armário branco de quatro portas, duas delas estavam repletas de adesivos e posters de One Direction e Justin Bieber. Fiz uma careta. Pelo menos era bom ver que Ariane não iria invadir minha parte do quarto. Odiava que mexessem em minhas coisas. Do lado esquerdo havia uma escrivaninha branca com um notbook preto, um porta canetas repleto de canetas coloridas e um bloco de anotações. Logo a cima, um mural cheio de lembretes, marcando datas, horários e locais. Uma grande janela com cortinas lilases dava novamente para o mar.
— O que achou? – disse Ariane sorrindo esperançosa e Gabriel atrás dela sorrindo de aprovação.
— Adorei! Obrigada por me deixar ficar aqui Ari – coloquei a mochila no chão e lhe dei um abraço.
— Não há de que Ali. O quarto também é seu, não se esqueça disso.
Gabriel deu uma leve cotovelada em Ariane, que saiu da frente fazendo careta. Ele me abraçou.
— Espero que fique confortável aqui, o que precisar é só dizer a Ariane, eu nem deveria estar no quarto de vocês à esta hora, o toque de recolher já foi acionado, quando você quiser voltar para casa, é só avisar – ele me deu um beijo na testa.
Me virei para Ariane, que não estava mais ali e segurei o braço dele.
— Mas espere, aonde você vai?! Você não vai embora, certo?
— Relaxe meu amor, estarei aqui no quarto da frente, não vou deixá-la. Qualquer coisa é só bater na porta que eu virei correndo – ele me deu um rápido beijo e entrou no quarto da frente. Fiquei olhando a porta até que Ariane se materializou ao meu lado.
— E então? – ela me olhou maliciosamente – Super firmes não é?
Abaixei a cabeça, envergonhada e senti minhas bochechas enrubescendo.
Ariane me fez escolher uma das camas, por mais que eu não quisesse, acabei escolhendo a de cima, que eu duvidava que ela estivesse usando. Coloquei meu pijama, escovei os dentes e me deitei. A cama era muito confortável, como tivesse feita especialmente para mim. Ao me deitar, senti como se as nuvens estivessem me abraçando, me embalando e me ninando, fazendo com que eu rapidamente caísse em um sono profundo. Profundamente cheio de pesadelos.

No sonho, eu estava em uma densa floresta, um grande pássaro negro voava por entre as árvores calmamente, esperando o momento certo, depois de ter torturado bastante sua presa, para pegá-la. No caso, eu era a presa. Corria por entre as árvores, com o pássaro bem acima de mim, gritava por socorro, mas a voz não existia. Corri desesperadamente pela floresta em busca de ajuda, até que tropecei em uma raiz de árvore e cai. O grande pássaro ousou a minha frente. Era o meu fim. Uma luz branca iluminou-o e percebi que não era um pássaro, e sim um anjo com grandiosas asas negras, com bordas douradas, me olhava com fuzilantes olhos vermelhos brilhantes. O corpo de um homem moreno, musculoso de cabelos pretos. Ele deu um sorriso monstruoso para mim e foi se aproximando, fechei os olhos e esperei pela morte.

Acordei suando frio, as mãos geladas, ofegante. Levantei-me, lembrei do dia anterior, de onde eu estava e fui para a sala. Peguei meu cobertor, o travesseiro e o celular, joguei-os por cima do sofá, e me deitei. Eram 4 horas da manhã e haviam 34 chamadas perdidas de minha mãe e 8 mensagens perguntando onde eu estava, com quem estava, quando eu voltaria para casa e outras com diversas ameaças de morte. Enfiei o celular de baixo do travesseiro e liguei a televisão para me distrair e esquecer o sonho. Rapidamente adormeci com a televisão ligada e as lembranças longes.

Acordei com o barulho da televisão e um pacote de salgadinhos sendo remexidos por Ariane. Ela estava sentada no sofá com os pés em cima da mesa de centro. Calças jeans, sapatilhas pretas e uma bata vermelha. O cabelo loiro com uma linda trança.
Sentei-me e esfreguei os olhos.
— Que horas são? – perguntei bocejando.
— Sete e meia – disse ela mastigando uma batata.
— O que?! – peguei aflita meu celular em baixo do travesseiro, e estava atrasada somente 10 minutos do meu horário. Olhei para Ariane decepcionada.
— Se eu dissesse o horário correto, você continuaria dormindo um pouco mais – ela deu uma risadinha e voltou a mastigar as batatas.
Levantei para tomar um banho e me deparei com a sala completamente bagunçada.
— O que houve aqui? Passou um furacão?
— Quase isso – ela me olhou como se não acreditasse que eu não soubesse, até q suspirou e disse – suas asas se abriram durante a madrugada. E provavelmente se agitaram muito. Quando voltei para cá já estava uma bagunça! — Ela estava mais concentrada na televisão do que em mim
— Você... Não dorme aqui? — Perguntei inocentemente.
— Não — ela respondeu rapidamente, como por um impulso.
— Então...?
— Eu não durmo – ela se levantou como se aquilo não fosse nada e andou até o frigobar para pegar um refrigerante. Como assim ela não dormia? Teria de perguntar aquilo para Gabriel depois. Dormir era uma das melhores coisas do mundo, como ela conseguia ficar sem dormir?!
Fui tomar meu banho. Coloquei uma saia rodada preta um pouco acima dos joelhos, uma camiseta regata que havia pegado sem pensar em meu armário e uma sandália preta. Prendi meu cabelo em um alto rabo de cavalo. Quando me dei conta, faltavam apenas 15 minutos para tocar o sinal. Corri para o frigobar, Ariane não estava mais a vista. Peguei uma coca gelada, peguei meus materiais e fui em direção à porta. Assim que abri a porta, Gabriel estava parado a minha frente. Os cabelos loiros desgrenhados, uma bermuda cinza, camiseta vermelha e chinelos, como se estivesse indo para a praia. Mas e daí? Quem liga para roupas quando se tem um lindo, maravilhoso e perfeito namorado — que você não merece — bem a sua frente?
— Bom dia meu amor, como foi a noite? – ele me deu um beijo na testa, sorriu e me puxou para que fossemos em direção à sala.
— Agitada – suspirei e me lembrei do sonho.
— Bem, então se prepare e tome bastante cafeína, pois tenho certeza que o dia será bem agitado também.
Descemos as escadas em silêncio e assim que viramos o corredor demos de cara com Victor.
— Bom dia – dissemos os três ao mesmo tempo.
Ficamos nos encarando sem ninguém dizer sequer uma palavra.
— Então... Tudo bem Victor? – assim que terminei a frase ele se virou e seguiu em frente, sem nem me responder – Bem que você avisou... hoje vai ser “O” dia.
Estávamos no jardim quando o sinal tocou. Todos começaram a correr. Beatrice não era lá muito tolerante com atrasos, subimos correndo com todos os outros alunos. Eu e Gabriel nos sentamos na segunda fileira do fundo da sala, cada aluno tinha um netbook disposto em sua frente. Assim que Beatrice entrou na sala, seguida por Steven, todos se calaram. Ela estava linda como sempre, usava um vestido verde escuro com um decote em V e o cabelo preso em um coque. Steven novamente estava com um terno escuro e uma gravata azul.
— Bom dia. Ontem vocês se conheceram, já sabem quem são seus colegas de classe, hoje começaremos conhecendo o passado. A história de como os Anjos vieram para a terra e quem são os principais das profecias e jornada aqui.
Engoli em seco. Eu estava tremendo, com frio na barriga, senti minhas mãos ficarem geladas, Gabriel percebeu e as envolveu, aquecendo-as. Ainda estava nervosa, mas sorri, saber que ele estava ali comigo era a única coisa que eu precisava. É agora.
— É agora. Vou saber sobre meu pai.