Fall In Love [HIATUS]
15 Capítulo 15
Notas iniciais

– O sr. D irritou o pai dele tempos atrás, sentiu-se atraído por uma ninfa dos bosques que tinha sido declarada inacessível. — explicou Quíron.
– Uma ninfa dos bosques — repeti, ainda olhando para a Diet Coke como se tivesse vindo do cosmos.
– Sim — confessou o sr. D. — O pai adora me castigar. Na primeira vez, Proibição. Horrível! Dez anos abasolutamente terríveis! Na segunda vez... bem, ela era mesmo linda, não consegui ficar longe... na segunda vez, ele me mandou para cá. Colina Meio-Sangue. Acampamento de verão para moleques como você. "Seja uma influencia melhor", ele me disse. "Trabalhe com os jovens em vez de arrasar com eles". Ah! Que injustiça.
O sr. D parecia ter seis anos de idade, como uma criancinha fazendo pirraça.
– E... — gaguejou — o seu pai é...
– Di immotales, Quíron — disse o sr. D. — Pensei que você tinha ensinado o básico a este menino. Meu pai é Zeus, é claro.
Percy pareceu pensar um pouco, quando enfim falou:
– Você é Dionisio — disse ele. — O deus do vinho.
O sr. D revirou os olhos.
– Como eles dizem hoje em dia, Grover? As crianças dizem, "fala sério" ?
– S-sim, sr. D.
– Então, fala sério, Percy Jackson. Achou o quê; que eu fosse Afrodite?
– Você é um deus.
– Sim, criança.
– Um deus. Você.
Ele se virou e olhou diretamente para o Percy, consegui ver uma espécie de fogo arroxeado nos seus olhos. Sabia que o Sr. D estava mostrando um pouco do seu poder, eu sabia que, se Percy o pressionasse, o sr. D iria mostrar coisas piores. Iria plantar uma doença no cérebro dele que o levaria a usar camisa-de-força pelo resto da vida.
– Gostaria de me testar, criança? — disse em voz baixa.
– Não. Não, senhor.
O fogo diminuiu um pouco. Ele voltou ao jogo de cartas.
– Acho que ganhei.
– Não exatamente sr. D — disse Quíron. Ele baixou uma seqüência, contou os pontos e disse: — O jogo é meu.
Sr. D não fez nada, ele apenas suspirou pelo nariz, como se estivesse acostumado a ser batido pelo centauro. Pôs-se de pé, e Grover levantou-se também.
– Estou cansado — disse o sr. D. — Acho que vou tirar uma soneca antes da cantoria desta noite. Mas primeiro, Grover, precisamos conversar de novo sobre seu desempenho para lá de imperfeito nessa missão.
O rosto de Grover cobriu-se de gotículas de suor.
– S-sim, senhor.
O sr. D voltou-se Percy.
– Chalé 11, Percy Jackson. E cuidado com seus modos.
Ele se afastou para dentro da casa, com Grover o seguindo arrasado.
– Grover vai ficar bem? — perguntei a Quíron.
Quíron assentiu, embora parecesse um pouco perturbado.
– O velho Dionisio não está realmente zangado. Ele apenas detesta seu trabalho. Ele foi... ahn, confinado à Terra, pode-se dizer, e não pode agüentar ter de esperar mais um século antes de ser autorizado a voltar ao Olimpo.
– O Monte Olimpo — disse eu. — Você está me dizendo que realmente existe um palácio ali?
– Bem, agora há o Monte Olimpo na Grécia. E há o lar dos deuses, o ponto de convergência dos seus poderes, que de fato costumava ser no Monte Olimpo. Ainda é chamado de Monte Olimpo, por respeito às tradições, mas o palácio muda de lugar, Percy, assim como os deuses. — expliquei.
– Você quer dizer que os deuses gregos estão aqui? Tipo... nos Estados Unidos? — Percy perguntou-me.
– Bem, certamente. Os deuses mudam com o coração do Ocidente.
– O quê?
– Vamos, Percy. O que vocês chamam de "civilização ocidental". Você acha que é apenas um conceito abstrato? Não, é uma força viva. Uma consciência coletiva que ardeu brilhantemente por milhares de anos. Os deuses são parte dela. Você pode até dizer que eles são sua fonte ou, pelo menos, que estão ligados tão intimamente a ela que possivelmente não vão deixar de existir, a não ser que toda a civilização ocidental seja destruída. A chama começou na Grécia. Então, como você bem sabe... ou espero que saiba, já que foi aprovado no meu curso... o coração da chama se mudou para Roma, e assim fizeram os deuses. Ah, com nomes diferentes, talvez: Netuno em vez de Poseidon, Juno em vez de Hera, e assim por diante; mas as mesmas forças, os mesmos deuses.
– E então eles morreram.
– Morreram? Não. O Ocidente morreu? Os deuses simplesmente se mudaram, para a Alemanha, para a França, para a Espanha, por algum tempo. Aonde quer que a chama brilhasse mais, lá estavam os deuses. Eles passaram vários séculos na Inglaterra. Tudo o que você precisa é olhar para a arquitetura. As pessoas não esquecem os deuses. Em todos os lugares onde reinaram, nos últimos três mil anos, você pode vê-los em pinturas, em estátuas, nos prédios mais importantes. E sim, Percy, é claro que agora eles estão nos Estados Unidos. Olhe para o símbolo do país, a águia de Zeus. Olhe para a estátua de Prometeu no Rockfeller Center, para as fachadas dos edifícios governamentais em Washington. Eu o desafio a encontrar qualquer cidade americana onde os olimpianos não estejam proeminentes expostos em vários locais. Goste ou não — e acredite, uma porção de gente não gostava muito de Roma também -, os Estados Unidos são agora o coração da chama. São a grande potencia do Ocidente. E, portanto, o Olimpo é aqui. E nós estamos aqui.
Ele parecia aturdiado, então virou-se para Quíron e perguntou:
– Quem é você, Quíron? Quem... quem eu sou?
Quíron sorriu. Ele mudou de posição, como se fosse levantar da cadeira de rodas.
– Quem é você? — ele ficou pensativo. — Bem, essa é a pergunte que todos queremos ver respondida, não é? Mas, por enquanto, temos de lhe arranjar um beliche no chalé 11. Ali haverá novos amigos para conhecer. E tempo à vontade para as aulas amanhã. Alem disso, haverá guloseimas em volta da fogueira esta noite, e eu simplesmente adoro chocolate.
E então ele se levantou da cadeira de rodas. A manta caiu de cima das pernas, mas elas não se moveram. A cintura foi ficando mais longa, erguendo-se acima do cinto. E de lá ergueu-se um majestoso tronco de um cavalo branco. Olhei para o cavalo que acabara de pular da cadeira de rodas. Mas, onde devia estar o seu pescoço, estava a parte de cima do corpo do meu professor de latim, suavemente enxertada no tronco do cavalo.
– Que alívio — disse o centauro. — Fiquei tanto tempo confinado lá dentro que minhas juntas adormeceram. Agora venha, Percy Jackson. Vamos conhecer os outros campistas. Audrey, faça o favor de nos acompanhar para explicar os Percy o que é o Acampamento Meio-Sangue.
Passamos pela quadra de vôlei. Diversos campistas se cutucavam. Um deles apontou para o chifre de minotauro que Percy carregava. Um outro disse:
– É ele.
A maioria dos campistas era mais velha que nós. Seus amigos sátiros eram maiores que Grover, todos trotando de um lado para outro de camisetas cor de laranja do ACAMPAMENTO MEIO-SANGUE, sem nada para cobrir os traseiros peludos à mostra. Percebi que Percy não estava muito a vontade, até o entendeo; eu também não estaria. O modo como as pessoas o olhavam esperando que ele desse um mortal ou coisa assim.
Percy estava olhando para trás, então resolvi olhar também. Ele estava olhando para a Casa Grande. Bom, a Casa Grande é a maior casa do Acampamento — quatro andares, azul-céu com acabamento em branco, como um hotel de veraneio de primeira classe à beira-mar.
– O que há lá em cima? — perguntou a Quíron. Olhamos para onde ele estava apontando e seu sorriso desapareceu:
– Apenas o sótão.
– Mora alguém lá?
– Não — disse eu em tom definitivo. — Nem uma única coisa viva.
– Venha, Percy — disse Quíron, o tom despreocupado agora um pouco forçado. — Há muito para ver.
Caminhamos pelos campos de morangos, onde campistas colhiam alqueires de morangos enquanto um sátiro tocava uma melodia numa flauta de bambu.
Quíron contou que o acampamento cultivava uma bela safra para exportar para os restaurantes de Nova York e para o Monte Olimpo.
– Paga as nossas despesas — expliquei. — E os morangos não exigem esforço quase nenhum.
Eu disse que o sr. D produzia esse efeito sobre plantas frutíferas: elas simplesmente enlouqueciam quando ele estava por perto. Funcionava melhor com as vinhas, mas o sr. D estava proibido de cultivá-las, portanto, em vez delas eles plantavam morangos.
Observei o sátiro tocando a flauta. A música fazia com que filas de insetos saíssem dos canteiros de morangos em todas as direções, como se fugissem de um incêndio.
–Grover não vai ter muitos problemas, vai? — perguntou a mim e a Quíron. — Quer dizer... ele foi um bom protetor. Sem dúvida.
Quíron suspirou.
– Grover sonha alto, Percy. Talvez mais alto do que seria razoável. Para atingir seu objetivo, ele precisa primeiro demonstrar uma grande coragem tendo sucesso como guardião, encontrando um novo campista e trazendo-o em segurança à Colina Meio-Sangue.
– Mas ele fez isso!
– Eu poderia concordar com você — disse Quíron. — Mas não cabe a mim julgar. Dionísio e o Conselho dos Anciãos de Casco Fendido devem decidir. Receio que possam não ver essa missão como um sucesso. Afinal, Grover perdeu você em Nova York, há o desventurado... ahn... destino da sua mãe. E o fato de que Grover estava inconsciente quando você o arrastou até os limites da propriedade. O conselho pode questionar se isso demonstra alguma coragem da parte de Grover.
– Ele vai ter uma segunda chance, não vai?
Quíron retraiu-se.
– Infelizmente aquela era a segunda chance de Grover, Percy. Além disso, o conselho não estava muito ansioso em lhe dar outra oportunidade depois do que aconteceu na primeira vez, cinco anos atrás.
Abaixei a cabeça, pensando no que aconteceu com a Thalia.
– O Olimpo sabe, eu o aconselhei a esperar mais tempo antes de tentar de novo. Ele ainda é muito pequeno para a sua idade.
– Que idade ele tem?
– Ah, vinte e oito. — disse eu.
– O quê! E ainda está na sexta série?
– Os sátiros amadurecem no dobro do tempo dos seres humanos, Percy. Grover teve idade equivalente à de um aluno de escola secundária nos últimos seis anos. — expliquei.
– Que coisa horrível.
– De fato — concordou Quíron. — De qualquer modo, Grover está atrasado, mesmo pelos padrões de sátiro, e ainda não avançou muito em magia dos bosques. O pobre estava ansioso por perseguir o seu sonho. Talvez agora encontre alguma outra carreira...
– Isso não é justo! — disse eu. — O que aconteceu na primeira vez? Foi mesmo assim tão ruim?
Quíron desviou os olhos para eu depressa. Balancei a cabeça em negação, acho melhor contar isso outra hora.
– Vamos andando?
Mas Percy ainda não estava pronto para mudar de assunto.
– Quíron — disse ele. — Se os deuses, o Olimpo e tudo isso são reais...
– Sim, criança?
– Isso significa que o Mundo Inferior também é real?
A expressão de Quíron se fechou.
– Sim, criança. — Ele fez uma pausa, como se estivesse escolhendo as palavras cuidadosamente. — Há um lugar para onde vão os espíritos após a morte. Mas por ora... até que saibamos mais...eu recomendaria que tirasse isso de sua cabeça.
E assim, continuamos o nosso passeio.
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