Fall

1 Seus olhos...


Notas iniciais
I hope you like ♥

Novamente estou aqui. Mais um relato de minha cruel vida infeliz.

Não tão infeliz assim, se eu pensar bem.

Eu estava amando. Sim. Estava apaixonada.
Por uma garota. Estranho pensar isso, não é?

Eu. Uma cidadã hétero, que sempre pregou os "bons costumes", estava apaixonada por uma garota.

Ela não merece ser chamada de garota.

Dakota Henley Vamhouser era uma mulher.

E que mulher, por assim dizer.

Ela era do tipo que tem cabelos coloridos e ama fotografia. Do tipo que os homens buzinam na rua, e ela manda eles para a puta que pariu. Do tipo que ouve Skillet e Taylor Swift no mesmo dia. Que é diferente, mas tão clichê ao mesmo tempo. Tão linda. Tão... Adorável.

Lembro quando eu a vi pela primeira vez. Dentro de um ônibus.

Sim. Eu, Victoria, pegando um ônibus. É de se impressionar, não é mesmo?

Ela estava sentada a alguns bancos de mim. Com fones de ouvido, absorta em seus próprios pensamentos e sonhos. Ela olhava para a janela, e o balanço o automóvel fazia seus cabelos balançarem tão lindamente.

Quando eu parei em minha parada (estranha esta frase, mas vamos continuar), ela desceu junto comigo.
Vi que ela ficara na parada, provavelmente esperando outro ônibus. Resolvi ficar também.

Sua beleza era tanto, que só de pensar em ficar longe dela, meu coração doía.

Tento me aproximar mais, mas não tenho coragem suficiente. Vejo que ela é mais baixa do que eu imaginava e sorrio com isso.

Se não tenho coragem, vou ser coragem mesmo.

Fico de pé ao seu lado.

Ouço-a praguejar algo relacionado a fones de ouvido que estragam muito rápido, guardando seu celular com os fones na mochila que levava em suas costas.

Ela olha para o lado, vendo meu rosto.

— Oi. — falo, vendo seus olhos tão perto de mim. Escuros, profundos. Perfeitos.

— Olá. — ela responde sorridente. — Tudo bem?

E ali, iniciou-se uma longa conversa com risadas constrangedoras, sorrisos lindos e gostos compartilhados.

Logo depois, trocamos nossos números e marcamos de sair na mesma semana. Eu estava estasiada com esse novo mundo, e animada por ela ser tão dócil e querida comigo.

Já no primeiro encontro, ela me chamou de "amor", e eu achei isso altamente adorável.

Mesmo no escuro cinema que escolhemos, eu podia ver a intensidade com que suas orbes escuras me encaravam a cada frame passado na tela gigantesca a nossa frente.

Nossos lábios se tocaram com tanto carinho naquele dia.

Minha primeira experiência homossexual, foi a melhor de todas.

Sua boca carnuda (mas nem tanto) era macia. Seus lábios rosados, acompanhados do batom vermelho que ela usava, a deixada ainda mais atraente.

Eu segurava sua fina cintura, e seu peito batia no meu conforme nos abraçávamos. Sua mãos com dedos finos e longos, acariciavam meus cabelos loiros, e eu simplesmente amava isso.

Pouco tempo depois dessa nossa "aventura" nós marcamos outras. Começamos a namorar rapidamente, porém escondidas.
Meus pais nunca aceitariam, e nunca aceitaram. Imagine eles, religiosos, héteros, e totalmente recatados, vendo sua filha lésbica? Seria um choque muito grande.

E foi por causa disso que minha vida é cruel e infeliz.

Há torno de de duas semanas, resolvemos contar aos meus pais que estávamos juntas e felizes. E que o amor é mais importante que qualquer preconceito idiota do mundo.

Eu e minhas ideias idiotas.

Meus pais piraram. Donna até que compreendeu, mas não aceitou, e se retirou da sala de estar onde estávamos.

Porém, Anthony, não gostou nem um pouco disso.

Seu monstro! Você acabou com a harmonia da minha família! Você é uma criatura repugnante e suja. Pratique seus pecados, mas não leve minha filha com você!

Essas foram algumas palavras que saíram pela boca de Anthony naquele dia.

Se fossem apenas palavras...

Ela enlouqueceu. Começou a atirar coisas contra Dakota, e eu sempre ficando a sua frente. Quando tentei puxá-la pelo braço, para irmos embora daquela casa, ele foi mais rápido.

Tirou a menina de meus braços, dando um fim nela.

Ela a espancou, matando-a com as mãos. Com vidros que foram jogados contra ela.

Tentei pará-lo. Tentei.

Donna, que havia voltado, segurava meus braços, me impedindo de fazer qualquer coisa. Eu me debatia, mas nunca tive uma força tão grande.

Meu coração morreu naquela noite. Meu amor morreu naquela noite.

Assim como eu mesma.

Eu realmente não aguentei tudo isso. Quis matar Anthony aquele dia (e nos dias que se passaram), mas os mesmos me impediram de fazer qualquer coisa.

Hoje, duas semanas depois da minha morte simbólica, minha morte real acontece. Consegui fugir das garras de meu progenitores (os quais eu não devo mais nenhuma satisfação ou algum respeito).

E aqui estou, sentada na Golden Gate. Como é bonito por aqui. O sentimento de eu estar há alguns centímetros de cair em queda livre, sem nada nem ninguém para me segurar, é ótimo.

Suicidar-se na Golden Gate. Clichê, não é? Mas eu sei que ela pensaria o mesmo se estivesse no meu lugar.

Não sei se alguém vai ler isto. Vou soltar este papel no vento, e se chegar em alguém, obrigada por ler.

Adeus.

Victoria M. Sivan
04.25.2015

Notas finais
Obrigada por ler ♥

Qualquer erro me avise, que eu corrijo imediatamente.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!