Fall

20 Vigésimo Capítulo


Notas iniciais
Desculpa a demora, e o brigado por esperar.
Tive uns problemas tensos por aqui, perdi minha vovó :/
Mas enfim, leiam e me digam o que acharam.
Beijos a todos e todas

Três dias se passaram e o blog de Megan ainda estava fora do ar. Mesmo assim eu ainda não tinha pensado em nada para consertar aquela situação. Nós ainda omitíamos aquilo de Danny – E era uma merda ter que fazer isso.

Naquele dia mais tarde meu celular vibrou no bolso durante a terceira aula. Megan havia me enviado uma mensagem de texto:

Eu sei que foi você, quando eu colocar meu blog no ar de novo eu juro que todo mundo nesse campus vai saber de vocês quatro do pior jeito”

Senti um agouro de morte cruzar meu peito naquele momento em que eu lia a mensagem, fechei o slide do celular e o puis no bolso de novo me esforçando para pensar algo racional o bastante – Por mais que a única coisa que passava na minha cabeça era um jeito bom de atear fogo àquela garota.

Quando eu saí da sala, vi de relance dois caras colocando uma faixa no corredor – Falava de algum festival de cinema na universidade. Não dei muita atenção e fui me encontrar com Dougie para voltarmos para casa. O prédio dele não ficava muito longe do meu – por sorte.

-Alguma ideia? – Ele perguntou esperançoso depois de darmos um beijo rápido no rosto.

-Nenhuma... A não ser que você queira matar ela, porque eu tenho muitas ideias pra isso. – Começamos a caminhar – Muitas mesmo.

Nossa aula acabava mais ou menos na hora do por do sol. Eu via nossa sobra enquanto caminhávamos para casa. Não paramos em lugar nenhum, e também não conversamos muito. Olhávamos para frente caminhávamos enquanto a noite caía.

Chegamos em casa e pouco depois meu celular vibrou com uma mensagem de texto de Tom:

-Fui no mercado, vou demorar um pouco. Beijos.

Ele mandou para mim e para Dougie ao mesmo tempo. Pensei em algumas coisas que poderia fazer com Dougie com a casa vazia, mas deixei passar quando entramos pela porta e ele me abraçou sutilmente e enquanto eu trancava a porta ele repousava seu rosto em meu peito.

-Espera aqui – Eu disse selando seus lábios com os meus. Ele apenas assentiu com a cabeça.

Liguei o aquecedor, conectei meu ipod ao rádio da sala e deixei uma lista de musicas tocando.

Voltei para Dougie, o levei até o tapete e lá tirei meus tênis, e os dele também. Ele se aproximou mais de mim, eu o beijei lentamente. Estávamos dançando como se flutuássemos pelo tapete cinzento.

-Uma hora o blog vai voltar Harry... O que nós vamos fazer? – Ele perguntou sem jeito, sem sorrisos.

-Eu não sei Dougie... – Respondi olhando em seus olhos tristes – Eu não sei...

Giramos.

-Você acha que o pessoal do campus vai dar bola? Você acha que eles vão mesmo se importar com isso.

-Acho que sim, amor... – Respondi sem pensar muito.

-Você me chamou de quê? – Ele disse levantando o rosto, com um sorriso perdido no olhar.

-Amor... Eu acho. Por quê?

-Você nunca me chamou disso antes. – Paramos de dançar.

-Mentira sua. – Eu o beijei. Sim, eu sabia que eu nunca tinha o chamado de “amor” antes. Queria que viesse naturalmente.

Ficamos sozinhos por mais uma hora. Dougie passou esse tempo deitado no meu colo no sofá da sala enquanto assistíamos qualquer coisa na televisão. Meus dedos se entrelaçavam ao cabelo dele, e ele caiu no sono mais de três vezes.

Tom chegou com as compras do mercado. Eu as tirei do porta malas sozinho e deixei em cima da mesa da cozinha. Deixei os dois loiros guardarem os mantimentos e fui até a varanda acender um cigarro ou dois – ou três.

No segundo cigarro senti os braços de Dougie circularem minha cintura enquanto ele me abraçava por trás. Ele repousou seu rosto em minhas costas inclinadas sobre a sacada. Me virei no mesmo instante para ele e afastei meu cigarro de perto dele.

-Não Dougie! Eu não gosto que você me veja fumando. – Eu tentei sair de seu abraço, mas ele não me deixou – E eu devo estar com um cheiro muito forte!

-Harry, você quase sempre está com cheiro de cigarro – Ele respondeu virando o olhar para mim e deu uma risada breve no final da frase.

Eu me senti um lixo.

-Nossa... Que ridículo que eu sou. Um fedido.

-Eu gosto. Gosto do cheiro – Ele grudou seu corpo ao meu – E gosto de você com o cheiro, porque sempre que eu sinto pelos corredores da faculdade, eu me lembro de você. Não se incomode com o cheiro, nem com os cigarros em si, amor. Eu te amo assim.

-Eu também te amo Dougie, cada dia mais. – Ele beijou meu peito.

Eu terminei o cigarro com ele no meu peito. Joguei o filtro na calçada e abracei o garoto. Ele olhou para mim e pediu:

-Acende mais um? – Eu não entendi o por quê?

-Por quê? – O segurei pela cintura.

-Quero experimentar. – Ele me disse enquanto deixava as duas mãos em meu peito.

-Você não vai fumar, Dougie.

-Por que não? – Ele retrucou indignado.

-Porque faz mal. – Respondi de meditado.

-Foda-se... Eu quero experimentar, Harry – Me encarou de um modo estranho.

-Só esse... Não quero você viciadinho, ententendeu? – Eu puis as mãos em seus ombros.

-Tá, pode deixar.

Eu acendi, dei dois tragos e depois coloquei-o na mão dele entre os dedos. Ele entendeu como se tragava de primeira. Em seguida ele soltou toda a fumaça em mim. Demos risada. Eu deixei ele terminar o cigarro e voltamos para dentro. Fomos até a cozinha fazer companhia para Tom.

Não demorou muito até que Danny chegou, jantamos sopa os quatro. Era realmente horrível estar tão preocupado com o que Megan faria e não poder contar para ele. Tom e eu, principalmente estávamos odiando aquela situação.

Nós quatro subimos para os quartos, Danny e Tom iam tomar banho – Eu tinha certeza que juntos. Eu e Dougie fomos para nosso quarto. Nos deitamos por cima das cobertas.

-Eu estou com medo, Harry... Não quero esse tipo de atenção, não quero ser tachado de bicha na faculdade.

Eu o abracei forte, passando a mão por seu cabelo e disse:

-Dougie, olha pra mim – Ele olhou – Nem que eu tenha que matar aquela garota... Eu não vou deixar isso acontecer. Confie em mim.

Percebi o medo em seu rosto. Medo de mim.

Estar com Dougie me explorava coisas que eu não sabia. Eu me sentia tão imundo, tão idiota, um monstro às vezes... Eu odiava me sentir mal, eu só queria vê-lo feliz, só isso.

Peguei no sono alguns minutos depois que paramos de conversar, eu dormi de costas para a parede, abraçando Dougie por trás, eu realmente preferia dormir exatamente nessa posição. Me dava mais certeza de que eu o estava “protegendo” ou algo do tipo... Eu não deixaria que nada acontecesse a ele.

Fui acordado, o quarto ainda estava escuro. Eu mal podia ver o rosto de Dougie na minha frente. Ele afagava meu rosto com uma das mãos.

-Eu nunca mais quero ir embora. Eu não quero sair dessa cama. – Percebi que ele estava chorando por sua voz – Se você me mandar ir um dia, eu vou dizer não...

Me quebrou no meio, eu senti meu olho transbordar, respondi forçando ao máximo para me permanecer estável e firme.

-Esse dia nunca vai chegar, porque eu te quero aqui pra sempre Dougie. Nem pense nisso. – Sequei seu rosto com meus dedos.

Rolei na cama, ficando por cima dele, dei-lhe um beijo suave e voltei a falar.

-Amanhã eu vou resolver, ou tentar resolver o problema com a Megan, não vou deixar aquela vadia arruinar nossa vida.

-O que você vai fazer?

-Não tenho certeza, mas você vai ser o terceiro a saber... Depois de mim... E da cara dela.