Fall
22 Vigésimo Segundo Capítulo
Notas iniciais
Desculpa, estou de férias aqui.
Enfim, espero que gostem.
Mais uma manhã em que eu acordava nos braços quentes de Harry. Eu conseguia cuidadosamente sentir o seu hálito na minha nuca se eu prestasse atenção.
Eu não duvidava que Harry gostasse de mim, mas eu simplesmente não concebia a ideia de que ele pudesse sentir o mesmo que eu sentia por ele, por mim. Ele não era exatamente do tipo que ficava dizendo “eu te amo” o dia inteiro. Ele mal dizia. O que mais me acalmava era o fato de que todas as noites eu poderia me deitar com ele, muitas delas fazer amor com ele e na manhã seguinte ele ainda estaria lá.
Era sábado, então nós quatro provavelmente tomaríamos café da manhã juntos. Era realmente bom tudo isso – Essa vida que levávamos. Dois casais dividindo o mesmo teto. Tom e Danny já eram de fato um casal, eles até usavam aliança. Eu e Harry éramos diferentes, eu não sabia o que eu era para ele, apenas o que ele era para mim – O mais perto do céu que eu já havia chegado.
Comecei a me levantar da cama, mas quando tentei me mover senti braços ao meu redor me puxando para baixo de novo. Em seguida, lábios pelo meu pescoço e nuca.
-Bom dia – Ele simplesmente disse isso, mas num timbre que meus joelhos teriam falhado se eu já não estivesse deitado.
-Bom dia... Eu não sabia que você já estava acordado.
-Onde você estava indo? – Ele disse conforme eu me virava para ele.
-Preparar café da manhã. – Suas mãos já corriam pela minha cintura me conduzindo para cima dele. Passei minha perna para o outro lado dele.
-Sozinho? – Os botões do meu pijama lentamente eram soltos por seus dedos correndo pelo meu peito e barriga.
-É – Fui beijado a cada botão desabotoado até que a camisa já não estava mais lá.
-Entendi. Você ainda vai? – Ele disse tirando a própria camiseta e sorrindo cinicamente.
-Acho que não. – Eu respondi rindo.
-Foi o que eu imaginei. – Cínico mais uma vez.
O que eu mais gostava em Harry era que mesmo que estivéssemos quase nus debaixo das cobertas, ele já estava feliz em apenas me beijar e me ter em seus braços – ou pelo menos fingia bem que estava gostando.
Fiquei naquela cama por um período de tempo realmente grande com Harry. Tempo o suficiente para sairmos do quarto com o cheiro de Tom e Danny fazendo o almoço.
Estávamos os quatro à mesa depois de alguns minutos. Tom pareceu se lembrar de alguma coisa enquanto mastigava e engasgou. Danny começou a bater em suas costas de modo realmente forte. Foi algo desesperador de se ver. Tom começava a balbuciar para que ele parasse. Harry começou a gritar também – Eu comecei a rir.
Enfim tudo se sessou. Tom se recompôs e começou a falar de novo:
-Então... Minha mãe disse que a gente já pode ir buscar as camas, Harry. – Ele disse entre garfadas no frango cozido.
-Que camas? – Eu interrompi. Eu era o único que não sabia?
-A mãe do Tom está reformando a casa – Harry respondeu – E deu duas camas de casal pra mim e pra ele. Pra ficar aqui em casa.
-Isso mesmo – Tom assentiu sorrindo. Aquela cova em sua bochecha esquerda sempre me intrigava. Onde estava a do lado direito?
-Espera só um pouco – Danny disse cravando seu grafo no frango – Por que sua mãe te deu essas camas? Eu digo... Quem ela está achando que vai dormir nessas camas.
-Dan... Eu e você em uma... E o Harry e o Dougie na outra. – Respondeu como se fosse algo óbvio. E de fato, era.
-Você contou pra sua mãe que nós estamos juntos? – ele respondeu levando uma mão ao rosto. Mantinha a calma na fala mesmo que era claro que ele estava prestes a perder a cabeça.
-Contei, ué. Qual é o problema? – Isso foi o que fez Danny perder a calma. Eu pude ver seus olhos incendiarem com as palavras de Tom.
-QUAL É O PROBLEMA? – Ele repetiu aos berros, respirou fundo tentando se controlar. Ele tremia – Agora é questão de tempo, de pouco tempo pra minha mãe saber! – Arrancou o garfo do frango – Você tem noção disso, Tom? – Ele abaixou os olhos para a comida e então se levantou da mesa – Perdi a fome.
Então eu vi um garoto deixar o ambiente. Eu não sabia seu nome e ele não me lembrava a ninguém. E por algum motivo, Tom foi atrás dele. Eu escutei mais discussões por alguns segundos, depois um estalo alto. Passados mais alguns segundos, houve silêncio.
Encarei Harry até ele se levantar e me puxar pela mão para fora da cozinha. Tom estava do lado de fora de seu quarto. Quando nos viu ele olhou diretamente para Harry.
-Vamos agora? – Ele tinha a indignação no olhar – Não quero nem saber, eu vou trazer essa cama. Depois eu converso com o Danny. Ele quer ser irracional, vou ser também.
-Vamos. – Respondeu sem reação.
-Nós voltamos amanhã bem cedo... – Tom me disse colocando uma mão em meu ombro.
-A casa dos seus pais é tão longe assim? – Eu perguntei pasmo.
-É a casa de Liverpool, era da minha avó antes dela falecer. Se fosse a casa de Harrow, nós voltaríamos daqui a pouco.
Concordei quando Harry perguntou se estava tudo bem, mesmo que fosse a primeira noite que eu passaria longe dele desde o nosso primeiro beijo. E ainda por cima, estando apenas com Danny – Que além de nunca ter parecido olhar direto nos meus olhos, hoje estava com os nervos a flor da pele.
Eu não queria que ele fosse.
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