Fall

24 Vigésimo Quarto Capítulo


Notas iniciais
Penúltimo Capítulo dessa temporada. Vale lembrar.

Se meus pais não tivessem emprestado a carreta eu não sei como faria para levar as duas camas (de casal) para casa. Eu sabia que eles só tinham feito isso para eu ter que voltar antes do Natal para devolver. Eles odiavam a ideia de eu morar longe deles.

Harry estava dormindo desde que passamos por Stafford – Que foi quando eu comecei a dirigir. Nós revezávamos a direção pelo percurso pelo caminho para não ficar tão cansativo para nenhum dos dois. Chegamos depois de três horas e meia de viagem de volta a Londres. Paramos para tomar café e fomos para casa.

Deixamos o carro na rua e subimos para nossos quartos. A porta do meu vinha primeiro no corredor do segundo andar. Harry passou por mim indo direto para o seu, mas eu o puxei pelo braço quando olhei o que havia em uma das camas na primeira porta.

Eu ouvi a respiração de Harry alterar-se ao meu lado enquanto ele passava pela porta. Nós observávamos a cena com cautela. Como se não acreditássemos no que víamos. O punho dele se apertou deixando uma veia ou duas saltadas – Eu segurei seu braço para evitar alguma desgraça. Eu puxei o moreno para fora do quarto.

-Eu não sei o que fazer Harry... Eu não sei o que sentir. – Eu sussurrei sentindo minhas estruturas caindo.

-Não sei o que você vai sentir, mas eu sei o que eu vou fazer. – Ele disse voltando ao quarto – Deixa que eu faço isso Tom...

Ele foi até a cama – bufante – e puxou os cobertores de cima deles. Eles estavam apenas de cueca e meia. A indecisão de sentimentos dentro de mim começava a sumir, e a raiva tomava seu lugar com facilidade. Os dois acordaram na hora e se assustaram ao nos ver.

Era realmente uma cena ridícula. O que eles falariam agora? “Não é o que vocês estão pensando”?

-Que porra é essa!? – Harry começou a gritar. Eu me encostei à parede ao lado da porta.

-Harry... Não é o que... – Ele quase disse – A gente não... – Danny se perdia na própria desculpa esfarrapada.

-Vocês não se pegaram?! Ou vocês não se comeram!? – Ele andava de um lado para o outro, impaciente – Porque eu não sei qual está mais difícil de acreditar.

Eu me mantive onde estava, eu teria medo do meu próprio olhar para os dois naquele momento. Além do mais, eu concordava com tudo que Harry falava.

-Então me explica, Dougie – Ele voltou a falar – Eu e o Tom dirigimos – Então ele voltou a berrar – AS PORRAS das quatro horas para ir buscar camas novas para eu e você – Apontou para Danny – E para você e para o Tom... E vocês, na nossas costas, resolvem se pegar – Ele apertou as têmporas e deu um sorriso irônico – Vocês realmente acharam que não ia ter nenhuma PORRA de consequência? – Ele sempre gritava o palavrão.

Dougie se levantou da cama cautelosamente. Caminhou cabisbaixo até Harry e o olhou nos olhos. Ele tinha dor e culpa no olhar que estava prestes a transbordar.

-Nada que eu falar ou fizer agora vai te acalmar, porque você está com a cabeça quente – Ele começou a balbuciar com as lágrimas que começavam a despencar de seus olhos – e eu realmente estou errado. Se você quiser me ouvir mais tarde, a gente pode conversar... Mas se você que eu pegue minhas coisas e dê o fora, eu vou entender... Porque eu fodi tudo dessa vez.

Então eu vi a muralha desabar. Harry seguiu Dougie quarto afora sem pensar duas vezes.

Eu olhei para Danny. Ele olhou de volta.

-Por quê? – Eu supliquei.

-Eu não sei... – Seus olhos baixos – Foi bom por um instante, mas agora eu estou vendo que só o que eu consegui foi machucar a única pessoa que conseguiu se importar comigo completamente e... E eu te amo tanto Tom. – Ele negava com a cabeça em desgosto e enxugava os olhos com as mãos – Eu sou um idiota. Eu passei um ano chorando por você, caindo de bêbado tentando te esquecer, e quando eu te tenho eu... – Ele soluçava – Te perco assim... – Eu tinha menos de um segundo para pensar. Claro que doera ver aquela cena, saber que ele não era apenas meu. Mas eu não o deixaria de amar por causa de uma noite com outro em seus braços. Me sentei ao seu lado.

-Shhh...Shhh... – Eu o cortei selando seus lábios com a ponta de dois dedos – Não Danny... Não fale mais nada. Você não vai me perder. Não assim pelo menos. Eu te amo de qualquer forma. Mas eu quero saber... Vocês... Fizeram?

-Não Tom... – Ele apertou minha mão – Não mesmo... A gente deu dois beijos e dormiu. Só isso...

-Não foi tão grave quanto eu pensei... Só que Danny... – Eu o olhei bem nos olhos – Eu vou continuar com você, mas toma cuidado com o que você faz... Porque eu não sou a prova de balas. Já está doendo demais, eu não suportaria outra dessa.

-Me desculpa Tom... Eu prometo que de hoje em diante só vou beber se você estiver comigo.

-Vocês estavam bêbados? – Eu perguntei com uma certa indignação na voz.

-Sim – Ele respondeu percebendo que falou demais.

-Além de tudo você deu bebida pro Dougie. – Eu me levantei da cama – Eu te amo Danny, e como eu amo... Mas assim você dificulta as coisas.

Comecei a fazer meu caminho até a porta do quarto, eu não queria olhar para o rosto dele, não naquele momento.

-Você está com ciúmes de mim, ou dele? – Danny perguntou gritando da cama para mim.

...

Eu saí do quarto.

POV – HARRY

Dougie parou de andar em direção à porta quando eu gritei seu nome pela quarta vez. Onde ele iria de cueca?

-Não foge de mim... Eu não estou fugindo de você – Eu disse quando ele se virou – E sou eu quem deveria fazer isso. Eu não quero te ouvir mais tarde. Eu quero te ouvir agora... Então pare de fugir dos seus problemas e os enfrente de uma vez.

-Você quer saber o que houve entre o Danny e eu? Ótimo! – Ele enxugava as últimas lágrimas – Nós nos beijamos duas vezes e mais nada. E um deles eu nem me lembro direito porque eu estava caindo de bêbado. Eu não me lembro de como parei em casa...

-Vocês encheram a cara? – Eu perguntei indignado. Ele assentiu sem graça.

Eu rodeei pela sala do mesmo jeito que as informações rodeavam por dentro da minha cabeça. Encarei o teto por segundos. Mordi os lábios me virei para ele de novo – Concentrado.

-Sabe Dougie... Eu tinha planos para nós. Eu gosto de você de um modo especial, você sabe disso. – Eu falava um milhão de vezes mais devagar do que os pensamentos vinham à tona e mesmo assim eu não parecia controlar tudo o que eu falava – Eu queria ser o cara que te ensinaria a beber, queria te ensinar a fazer a barba... Queria te ensinar a dirigir no verão. Mas de algum modo você parece ter aberto mão disso... De mim.

-Eu nunca abriria mão de você, Harry. Essas últimas semanas ao seu lado tem sido a melhor época da minha vida. Você é a única coisa que me aconteceu que eu tenho orgulho... Com o Danny, foi só um beijo. Um beijo e mais nada! – Ele balbuciava.

-Você dormiu com ele. Vocês dormiram na mesma cama agarrados. – Eu disse um pouco mais alto.

-Eu estava bêbado.

-Não importa.

-Eu te perdoei em menos de cinco minutos. E você sabe de quando eu estou falando – Aquele dia na festa dos amigos do Danny com aquele garoto que eu não me lembrava do nome.

-Era diferente – Eu disse chegando mais perto.

-Por que era diferente?

-Era diferente Dougie! – Nós gritávamos e cada vez estávamos mais próximos.

-Porque naquele dia você estava traindo e não sendo traído!? Foi muito pior Harry. Porque nós dois sabemos que você e aquele cara não pararam no beijo.

-Nós não tínhamos nada na época.

-E o que temos agora Harry? – Seus olhos transbordaram.

Então eu tirei do bolso algo que trouxe da viagem, uma coisa que nem a Tom eu tinha dito que comprei. Uma pequena caixa aveludada que caberia na palma da mão se assim eu a tivesse tirado do bolso. Dois pequenos anéis prateados pendiam de dentro dela e brilharam quando eu a abri.

-Como eu disse Dougie... Eu tinha planos para nós.

Lágrimas escorreram de seus olhos ao mesmo tempo em que ele entendia o que era aquilo e o que eu queria dizer. Nós estávamos muito próximos. Ele pois as duas mãos em meu peito.

-Então não abra mão deles Harry... Não abra mão de mim. Eu te suplico – Sua voz falhava pelo choro.

Quando eu dei por mim, minhas mãos estavam em sua cintura. Não era minha cabeça agindo, era o meu peito, que era onde suas mãos ainda permaneciam. Aproximei meus lábios dos dele.

-Só quando você desistir de mim... –Eu sussurrei. Então nossos lábios se selaram.

-Isso não vai acontecer... – Ele disse ficando na pontados pés me abraçando por trás da nunca e indo até meu ouvido sussurrando – Eu te amo Harry...

-Eu também te amo...

-E eu realmente quero que você me ensine a fazer a barba e dirigir, se você ainda estiver disposto. – Ele disse sorrindo.

-É claro. – Eu disse o apertando um pouco mais contra mim e o beijei no topo da cabeça.

Pelas suas costas, eu abri a caixinha aveludada e peguei o menor dos dois anéis. Me afastei um pouco dele segurando sua mão direita.

-Namora comigo, Dougie? – Eu perguntei no meu melhor tom de voz.

-Não tem por que perguntar. É obvio que sim. – Ele respondeu rindo baixo.

Eu coloquei o anel em seu dedo e logo ele arrancou a caixa da minha mão e fez o mesmo.

-Agora não temos mais dúvidas do que somos. Eu sou seu... – Ele disse enganchando seus dedos na borda da minha calça – E você é meu.

Nos beijamos de novo.

Eu não disse mais nada. Houve silêncio na sala até ouvirmos passos falhados pela escada. Tom descia degrau por degrau com os olhos inchados.

Ele ia passar por mim prestes a cair em prantos, então eu o abracei. Dougie entendeu e ficou a menos de um metro de nós – Sem saber o que fazer e explicitamente culpando a si mesmo por tudo.

Com Tom em meus braços eu senti meu celular vibrar. Atendi e só pelo “Olá” eu já sabia que eu estava falando com o diabo. Eu fechei meus olhos enquanto ela falava.

-Olá Harry... Adivinha qual blog voltou ao ar hoje? – Ela fez uma pequena pausa – E adivinha que matéria vai ser a primeira? – Ela fez outra pausa – Acho que você já sabe, né? Então acho bom você dar uma olhada, você sabe o endereço.

-Poste o que quiser Megan, todo mundo sabe que eu e você tínhamos um caso. Vai parecer que você era tão ruim, mas tão ruim... Que eu comecei a pegar homem – Eu disse com sarcasmo na voz – Você que sabe...

-Você não devia ter me trocado por um moleque Harry. E você e seus amigos enrustidos realmente não deviam ter tirado meu blog do ar. Eu vou até o final com isso. E, aliás... Um amigo seu me deu uma foto que essa você não quer nem ver... Traição é foda né? –Eu não respondi – Você se lembra do Steven, não lembra? Do banheiro... Ele que me deu a foto, nada é de graça, mas eu disse que vou até o fim, não disse? – Eu desliguei.

Olhei para Tom, depois para Dougie. Respirei fundo e disse sem olhar para nenhum dos dois:

-A Megan reabriu o blog dela, vai postar minha foto com o Dougie agora. E tem uma foto do Danny beijando o Dougie ou algo do tipo. Não sei o que ela vai fazer com essa. – Eu me virei para Dougie – Pare de ser fotografado pelo amor de Deus. – Eu disse um tanto seco, mas o puxei rindo e beijei seu rosto – Eu não me importo se você não se importar.

-Eu não me importo... Mesmo. Mas você disse que ia fazer algo e...

-Eu esqueci – Confessei e nós três rimos da nossa própria desgraça.

Tom olhou para Dougie sem graça, passando o polegar pelos outros dedos – Algo que ele fazia quando estava nervoso, eu já tinha percebido isso – E começou a falar:

-É... Eu não estou bravo com você, de qualquer forma. Então não vamos ficar estranhos um com o outro, por favor.

Dougie foi para os seus braços e eles se abraçaram sorrindo. Me puxaram para o mesmo abraço e eu cedi sem pensar duas vezes.

Viesse o que viesse, eu não abriria mão disso.

Notas finais
Ansiosos para o próximo e último?