Fall

5 Quinto Capítulo


Notas iniciais
lembrando que vocês sempre poem me contatar pelo meu facebook: facebook.com/gabrielcostafagundes ... ou pelo twitter @bieljudd

A televisão estava ridiculamente baixa. Não havia palavras no ar, só o cheiro do chá. O tempo fechava lá fora, uma tempestade se aproximava. A cidade de Londres estava mais cinzenta do que de costume – Assim como minha sala.

Dougie faltara à aula naquela tarde – Harry, por outro lado, não. Danny também não estava em casa. Éramos apenas eu e aquele garoto loiro do outro lado da sala. Ele mal tocara no chá, o meu já havia acabado há tempos.

Ele segurava sua caneca com um ou dois goles a menos de chá de frutas vermelhas. Eu olhava para ele me deparando com aquele olhar vazio que me enchia de indecisão. Minha mente viajava pelo corpo dele. Por seu cabelo um pouco mais loiro que o meu, por seus olhos azuis e seus lábios doces – Por sua pele... E o quanto eu a queria tocar.

Me enchi de esperanças, me levantei andando pelo tapete velho no chão, sentindo o vento gélido que invadia o cômodo pela janela semiaberta. Tomei a caneca de sua mão suavemente e a deixei na mesinha de centro – Ele mais uma vez não se opôs ao meu toque e meus atos.

Segurei sua mão sem pressão e a afaguei com o polegar. Ele ainda tinha o olhar perdido, me senti inseguro no que fazia. Me aproximei um pouco mais, ficando ajoelhado no sofá ao seu lado. Subi minha mão por sua nuca, então ele fez seus lábios irem de encontro aos dele. Nos beijávamos suavemente, sem muita velocidade, mas eu já sentia seu calor por meu corpo.

-Eu estou aqui pra você, Dougie. – Eu disse separando brevemente nossos lábios.

-Obrigado – Ele deu um sorriso breve e se acomodou em meus braços.

-Você está com sono? – Perguntei olhando em seus olhos cansados. Acariciando sua nuca.

-Estou. Posso dormir aqui? – Eu primeiro pensei se ele estava falando da casa, mas quando ele fechou os olhos percebi que ele falava de meu colo.

-Pode – Eu disse rindo – Mas você não prefere deitar em uma cama?

-Thomas... Eu te conheci ontem, eu não vou pra cama com você – Ele respondeu sorrindo cinicamente.

-Não há nada que eu poderia fazer numa cama, que eu não faria com você nesse sofá, Dougie. – Aquilo com certeza soou muito mais pervertido dito do que em minha mente.

-Então vamos pra cama mesmo, porque pelo menos é mais confortável que esse sofá. – Senti aquela frase tão sugestiva, mas não cultivei o pensamento. Me levantei.

-Estendi minha mão para ajuda-lo a levantar, porém ele não a soltou quando estava de pé. Aquilo meu deu opção de escolha para que quarto nós iríamos. Optei pelo meu.

O quarto não era só meu, eu o dividia com Harry, que por sorte não estava nem em casa na hora. Dougie se deitou em minha cama quando me sentei nela. Ele estava de frente para mim com um sorriso perdido pelo rosto. Tirei meus tênis, e ele fez o mesmo em seguida, puxei um cobertor do pé da cama e nos cobri enquanto me deitava o abraçando.

Meus olhos se fecharam quase juntos aos dele, eu me lembro de tê-los visto fechar. Estava tão frio por fora daquele cobertor, e nada me faria querer deixa-lo naquele instante. Caí em inconsciência enquanto meu raciocínio esvanecia pelo sono.

-o-

Algum tempo indefinido depois de adormecer, meu descanso e o sossego foram quebrados por uma voz estridente que vinha da porta.

-E as coisas começam a fazer sentido... – Era a inconfundível voz de Danny atravessando o quarto enquanto meus neurônios se aceleravam junto com meu coração, Dougie não acordou.

Me levantei da cama, nunca fiquei tão feliz por estar completamente vestido. Olhei perdido para Danny, para Dougie... Fiquei olhando de um para o outro, apontando para a cama, de boca aberta sem saber bem o que falar. Meu sangue fervia e meu coração já disparava.

-Você não queria que ele fosse embora porque você tá pegando ele, não é? – Ele perguntou com rispidez – O garoto mora aqui há um dia e você já está na cama com ele... – Me olhou com certo desprezo, mesclado com nojo.

Talvez seja um bom momento para contar sobre algo que aconteceu no inverno passado.

Era dezembro, a neve caía sobre o campus e toda Londres, nós três já estávamos de férias da faculdade e cada um passaria o Natal e o Ano novo com suas famílias.

Harry já havia ido embora, ele pegou o trem e estava voltando para casa. Eu e Danny iriamos pela manhã, eu o deixaria na estação e seguiria para a casa dos meus pais com o meu carro. Estávamos em casa com a lareira acesa, tínhamos uma garrafa de vinho e biscoitos na mesa de centro enquanto assistíamos televisão – Algum filme de drama que não me lembro mais o nome.

Daniel tinha um olhar diferente naquela noite. Eu tinha certeza que fosse pelo tanto de vinho que bebíamos para afastar o frio. Estávamos no mesmo sofá, ele estava sentado quase apoiado em mim, estávamos de frente para a TV. Ele deixou sua mão sobre minha coxa sugestivamente virada para cima com o desenrolar do filme – Eu a segurei depois de um tempo sem saber se era o certo a fazer. Despreocupei-me quando ele entrelaçou seus dedos aos meus e eu vi que ele sorria. No final do filme ele me beijou. Seus lábios eram finos e macios. Sua língua se mexia sutilmente junto a minha. Era algo inesperado, o que me motivava mais a não parar.

Algumas horas se passaram, e ainda estávamos lá, naquele sofá. Nos beijávamos mais intensamente... Já passava da meia noite e a programação da televisão não era mais ouvida naquela casa. As paredes suavam. Subimos as escadas, nos despimos e sujamos os lençóis. Nós apenas fazíamos, não falávamos. Tudo aconteceu realmente rápido, eu nunca soubera de Danny com algum garoto, e já o tinha visto com algumas garotas em festas da universidade, tudo me deixou um pouco confuso quando acabou.

Pela manhã, estávamos seminus deitados debaixo das cobertas com algumas marcas roxas pelo corpo. Eu o vi sair da cama, mas não me mexi, fingi que ainda estava dormindo. Pouco tempo depois ele trouxe chá com torradas numa mesa de café da manhã improvisada. Com um sorriso no rosto, comemos e mais tarde fomos para a estação, onde eu o deixaria. Nos despedimos com um beijo longo dentro do carro. Enfim ele se foi...

Com o passar dos dias na casa dos meus pais, onde eu só falava com Danny por mensagens de texto ou pela internet, pensei em como nos comportaríamos quando voltássemos para a universidade.

Pensei que Danny tivesse pensado o mesmo, pois com o passar dos dias nós nos falamos cada vez menos, e quando as festas acabaram, e as aulas voltaram... Ele me cumprimentou apenas com um abraço e um aperto de mão. Como se nunca tivesse acontecido nada. Nos comportamos como amigos desde então. Foi difícil de entender o porque, mas era melhor assim, pelo menos era o que eu achava.

Notas finais
Amo qualquer um que ler essa história e deixar um review.