Fall

9 Nono Capítulo


Paredes com ladrilhos, um espelho embaçado na parede, a janela fechada para não deixar o frio entrar e meu melhor amigo dentro da banheira com água morna, completamente nu – Eu sei que o melhor seria ter água gelada dentro dela, mas eu simplesmente não conseguia lidar com a ideia de jogar Danny para uma morte hipotérmica.

Ele começava a voltar à consciência. Eu olhava em seus olhos conforme eu afagava seus cabelos castanhos, já encharcados e ia tirando-o de seu rosto. Ele quase sorriu quando viu meu rosto. A vergonha era nítida em seus olhos conforme eles abriam e fechavam.

-Cadê o Harry? – Ele me perguntou.

-Lá embaixo Danny... Quer que eu vá chamar ele? – Perguntei chateado.

-Não, fica aqui... Não vai embora. – Ele me olhava com seus olhos de oceano com um brilho tão nostálgico.

-Tudo bem... – eu passava as costas da mão esquerda por seu rosto – Mas então será que você pode me explicar o que está acontecendo, Danny?

-Não... Só se você entrar aqui comigo – Ele estava consciente, não sóbrio. Eu até achei cômico.

-Você quer que eu entre na banheira com você? – Perguntei ainda incrédulo, de certo modo... Por mais que eu já cogitasse a ideia de dizer “ok”.

-É... Se entrar, eu conto. Conto tudo. Mas você tem que prometer que não vai ficar bravo comigo... Nem me bater – Deus, ele estava tão bêbado.

-Prometo não te bater, mas não prometo nada de não ficar bravo – Eu disse já tirando meu cardigã.

Tirei o resto de minha roupa, ainda que tivesse permanecido minha cueca no lugar. Entrei na água sem cerimonia de frente para Danny, deixando nossas pernas quase entrelaçadas com isso. A água estava numa temperatura excelente. Repousei minhas duas mãos nas pernas dele e as mexia o acariciando até o tornozelo – Às vezes ia até sua coxa.

-Então Danny... O que está havendo?

-Eu bebi demais... – Eu só o olhei com ódio e ele então prosseguiu – Eu não pude lidar com a ideia de ser gay ou algo do tipo e ainda estar... – Ele parou.

-Estar o que, Danny? – Ele abaixou a cabeça para responder.

-Gostando de você... – Ele apertou os lábios.

Aquilo quase me pegou de surpresa. Mas era uma de minhas alternativas mentais para o comportamento mental.

-Desde quando? – Perguntei calmo.

-Desde o inverno passado... – Ele confessou corando.

-Então por que você não deu mais passos comigo quando a gente ficou antes do Natal? – Era quase um ano de amor em silêncio, e eu não conseguia entender o porquê.

-Porque eu estava com medo, e eu não me lembro de nada daquela noite, eu bebi demais. Não sei nem se a gente fez sexo ou não.

-A gente fez, e você foi ótimo Daniel... – Me senti realmente uma prostituta por alguns segundos.

-E eu não lembro de nada, da noite que provavelmente foi a melhor noite da minha vida... – Seus olhos transbordavam conforme ele falava. Aquilo me cortou o peito em dois.

-Oh Danny... – Eu o puxei até mim, ele se sentou entre minhas pernas de costas para mim – Não fica assim... – Eu beijei sua nuca – Terão noites melhores. Eu te prometo.

Eu puxei seu rosto e beijei seus lábios, por mais desconfortável que aquela posição fosse. Corri minhas mãos lentamente por seu corpo nu e submerso. O volume em minha cueca aumentava, e ele nem de cueca estava... Mas se tivesse usando alguma, o volume estaria quase igual.

-Espera... – Ele disse como se saísse de um transe – E o Dougie? Eu não quero furar o olho dele. Ele é um bom garoto.

-Nós não temos nada, Danny... É algo muito mais fraternal. – E era de fato, Eu me preocupava muito mais com Dougie antes de qualquer outro sentimento, eu só o queria bem. Abracei Danny por trás.

-E nós... O que temos? – Ele perguntou colocando uma mão sobre minha coxa olhando para baixo.

-Temos esse agora, temos o amanhã se você quiser, temos o que tivermos que ter Dan...

-Eu não quero mais passar um dia sem você. É por você que eu volto pra casa todo dia, Tom. Sem você eu já estou ficando sem ar.

Eu comecei a chorar impulsivamente. A primeira lágrima que cortou meu rosto me fez segurá-lo mais forte.

-E por que você nunca me contou? – Eu perguntei entre lágrimas.

-Porque eu nunca me achei bom o suficiente pra você, você merece melhor do que eu. Olha pra mim... Eu sou ridículo.

-Eu sempre achei o contrário. – Danny era mesmo um garoto muito bonito – Você é lindo Danny.

-Eu te amo Tom.

-Você está bêbado.

-Há um ano? – Ele retrucou olhando em meus olhos, se virando de frente para mim, ficando de joelhos.

Sem argumentos ou palavras, eu o beijei outra vez e saí da banheira. Ele me olhou desamparado até eu pegar a toalha branca, dobrada no armário debaixo da pia. A abri em minha frente virado para Danny.

-Vem – Ele sorriu como uma criança.

Ele saiu da banheira e eu o embrulhei na toalha. Depois disso peguei uma para mim, me sequei rapidamente e a enrolei na cintura. Dei minha mão para Danny segurá-la e o levei até a minha cama.

Eu o sequei melhor com a toalha em volta dele e terminei de me sacar. Ele se deitou e logo estava aconchegado eu estava indo me deitar quando ele me interviu.

-Tom... – E olhou para minha cueca abaixando as sobrancelhas.

Eu entendi e a tirei. Eu estava mesmo com a pretensão de não tirá-la. Sequei-me mais uma vez e joguei as duas toalhas em cima da cadeira no canto do quarto.

Entrei debaixo das cobertas com ele, ainda tremíamos de frio quando começamos a nos beijar. Eu circulava suas costas com as pontas dos dedos e os entrelaçava com seu cabelo quase seco. Então eu separei nossos lábios e rolei na cama com ele. O abracei com força e percebi que eu não queria mais soltar. Me senti burro de não ter percebido antes o quanto eu queria seu abraço, seu toque e seu calor – Porque naquele momento era minha maior certeza de que eu estava vivo.

Viajei em pensamentos com nossas línguas unidas em movimentos contínuos. Lembrei de todas as vezes que tive problemas nos últimos anos, Danny sempre foi meu porto seguro, minha base. Eu não estava com sono o bastante para pegar no sono, mas Danny já começava a fechar os olhos em sono.

-E se eu não lembrar disso amanhã? – Ele perguntou balbuciando.

-Você vai lembrar – Respondi de meditado passando a mão por seu cabelo.

Entrelacei nossas pernas e encostei meu membro ao dele – Ambos estavam quase rígidos. Beijei Danny outra vez. E logo ele estava dormindo.

POV – DOUGIE

Já fazia mais de uma hora que Danny e Tom haviam subido, Harry me olhava estranho volte e meia, eu estava com muito frio e meu corpo não escondia isso – Eu estava tremendo.

Eu me encolhi em cima do sofá e abracei minhas pernas na esperança que melhorasse alguma coisa, mas não mudou nada. Harry me olhava de canto de olho.

-Vou pegar um cobertor pra você – Ele disse já se levantando com um sorriso vazio no rosto.

Apertei minhas pernas e me mexi um pouco enquanto ele não voltava. A televisão parou de fazer qualquer som – Era uma cena de suspense no filme que eu assistia. O silêncio dominou a casa subindo pelas escadas e correndo pelos corredores. Um vento mais forte bateu na janela ao lado da televisão e a fez abrir. Me levantei para fecha-la, era um pouco alta para mim, então me apoiei na estante para alcançar a tranca. Desci de costas me chocando no mesmo instante em algo – quente.

Virei o rosto por cima do ombro assustado e lá estava ele – Harry em todo seu vigor embrulhado num edredom. Ele me envolveu em seus dois braços fortes junto à coberta. Imediatamente eu senti todo seu calor que vinha dentro do edredom negro. Me senti como sua presa e nada mais. Ele passou suas mãos por meu peito e depois as costas da direita por meu rosto. Eu não tinha reação – Eu sentia medo demais para me mexer. O melhor medo que eu já senti.

Saí do transe quando sua mão tocou meu membro e me virei rapidamente para ele. Eu ia começar a falar quando ele tampou meus lábios com dois dedos.

-O Tom está lá em cima, dormindo com o Danny, e você mesmo disse que não era sério, então... O que você tem a perder?

O que eu tinha a perder?

Notas finais
Não curti muito POV do Dougie, mas eu amo ele.