Fall
17 Décimo Sétimo Capítulo
Notas iniciais
Gostei desse capítulo.
Acordei na cama com Harry naquela manhã, meus fantasmas não estavam mais me assombrando tanto. Acho que eles não me alcançavam quando eu estava em seus braços. Ele já estava acordado, mas estava ali, parado olhando para mim, preocupado.
-Como você está? –Ele tinha o hálito daquele chiclete que ele mascava de manhã para tirar o mal hálito matinal.
-Melhor... Obrigado Harry... Por tudo. – Eu disse passando a ponta dos meus dedos por seu rosto.
-Para com isso... Você teria feito o mesmo por mim que eu sei. – Ele disse sorrindo, ele nem tinha certeza do que dizia, mas era um jeito de dizer que ele faria tudo de novo. Eu o abracei forte e beijei seu peito. Ele tinha um pouco de pelos no peito – eufemismo – mas eu gostava daquilo, o deixava mais másculo, eu não sei... Eu simplesmente gostava.
-Vamos naquela cafeteria que tem na rua do prédio do Cinema? Uma garota da minha sala disse que é muito bom lá. – Eu perguntei passando a mão por sua cintura.
-Só se você me deixar pagar.
-Não Harry, é o mínimo que eu posso fazer né... Nem adianta insistir, eu pago e ponto final.
-Se você faz tanta questão... – Ele disse me dando um beijo forte e depois me ajudou a levantar da cama.
Ele pegou meu ipod e ligou na caixa de som em cima da mesa do computador. Uma música da Taylor Swift começou a tocar. Acho que se chamava “Mine” ou algo do tipo... Nós estávamos trocando de roupa e ele me circulava com os dedos enquanto eu estava sem camiseta. Eu me envolvia em seus braços e o beijava o mais doce que eu podia. O frio não me atingia, e pelo visto, nem a ele. Demoramos o tempo de mais três músicas da Taylor Swift para nos trocarmos. Havia fagulhas no ar e eu me agarrava a elas – e a ele.
Na verdade, ele me vestiu, ele escolheu as roupas que eu ia usar, e ele mesmo as colocou em mim, e eu sentia vontade de tirar todas as dele conforme ele se vestia.
Pensamos em chamar Danny, mas ele ainda estava dormindo. E Tom, a essa hora ainda estava na faculdade. O carro estava não estava na garagem, Tom tinha ido com ele para aula, provavelmente estava frio demais para ir andando de manhã.
-Vem Dougie, vamos pegar o circular. – Andamos até o ponto ônibus e subimos no primeiro que passou. Harry pagou antes que eu abrisse a carteira, eu sei um soco no ombro dele. Não que eu tivesse muita força, ou que eu soubesse fazer isso... Era apenas para ele sentir que eu fiquei bravo.
A cafeteria ficava a uns quarenta metros do prédio da turma de Cinema, que era a mesma que o Danny fazia. Era bem aconchegante e quente. Tinha um balcão que a cortava quase de ponta a ponta e uns sofás no fundo. Nos sentamos em um deles. Entrelaçamos nossos dedos e eu me deixei minha cabeça em seu ombro. Ele chamou a garçonete. Eu não sabia se eu devia soltar sua mão. Então ele a segurou mais forte quando eu tentei soltar.
-O que vocês vão querer? – Ela perguntou com indiferença. Me entregou um cardápio pequeno.
-Dois cappuccinos grandes – Eu comecei a falar e peguei o cardápio e dei uma olhada por cima – Uma cesta de pão de queijo e... – Olhei para Harry – O que mais você quer?
-Trás por favor um sanduíche de peito de frango. – Ele disse olhando para a mulher, que ia tirando nota de tudo que falávamos.
-Dois, por favor – Ela anotou também.
-Mais alguma coisa? – Ela perguntou.
-Não, obrigado... – Eu respondi de imediato.
A mulher se foi e eu me aconcheguei mais no sofá e nos braços de Harry. Ele mexia no meu cabelo com leveza e eu deixava meus dedos correrem por sua coxa, indo e voltando.
-Você está bem Dougie? Digo... Mesmo? – Ele passou a mão para o meu ombro.
-Estou... – E não menti – Eu estou feliz aqui com você... É coisa de gente carente ficar falando isso, mas eu estou feliz mesmo. – Eu disse me virando para ele.
Eu me sentei de pernas cruzadas em cima do sofá, de frente para ele. E logo em seguida nosso pedido chegou, realmente rápido. Começamos com os sanduiches, nós conversávamos sobre muitas coisas, música, filmes, desenhos animados que assistíamos quando éramos crianças... Era um lado dele que eu não conhecia. Nós sorríamos o tempo todo, descontroladamente.
Harry pegou um pão de queijo na cesta e levou até minha boca, estava delicioso. Eu fiz o mesmo com ele. Ele mordeu o pão de queijo, e em seguida mordeu o meu dedo sorrindo. Nós comemos todos os pães de queijo da cesta depois disso. Quando o assunto e a comida acabaram, nós simplesmente começamos a nos beijar. O sorriso de Harry me chamava subitamente até ele. Eu me debrucei sobre ele e afaguei seu cabelo – Ele fechou os olhos e continuava sorrindo.
Eu poderia manter isso para o resto da vida dentro de mim. Esconder um sentimento que crescia no meu peito, que em poucos dias já me tinha pelas pernas, dominado. Mas eu queria falar, eu queria que ele soubesse. Foi então que eu disse:
-Eu amo você Harry... Só saiba disso. – Eu disse forçando uma indiferença na voz, como se não fosse nada demais. Pelo visto eu não consegui. Ele mudou sua expressão de repente.
-Vem cá... – Ele me fez ficar um pouco mais perto e se sentou de frente para mim, também de pernas cruzadas – Eu ainda estou descobrindo isso, mas eu tenho certeza que eu gosto muito de você. – Eu me desanimei com a resposta, mais parecia um “eu não te amo” do que qualquer coisa – Mas se o que eu sinto por você é só fraternal... Eu não sei o que é amar – Ele segurou minhas suas mãos – Mas se não for amor... Eu não sei mais dizer o que é fraternal... – Me partiu no meio com sua resposta, meu rosto queimou, eu com certeza tinha corado.
-Isso quer dizer que você... – Ele me interrompeu depois disso.
-Que eu acho que gosto de você também... – Ele fechou os olhos com força – Que eu te amo também.
Nós nos beijamos de novo... Eu poderia dizer que aquele não era o momento mais feliz da minha vida, mas seria uma mentira terrível.
Nosso beijo foi interrompido pelo barulho de um pigarro na garganta, como de quem quer chamar atenção. Nos separamos alguns centímetros e olhamos quem era – uma garota ruiva com roupas de penúltima coleção de loja de departamentos, segurando o celular como se estivesse tirando uma foto e com um sorriso amarelo no rosto – Megan, ex de Harry.
-Agora entendi por que você terminou comigo Harry, porque você é viado! – Ela disse rindo no final da frase.
Se aquilo já estava ao ponto de me tirar do sério, eu tinha medo do quanto Harry estava se irritando. O meu coração estava acelerado com a adrenalina pulsando por todo o meu corpo freneticamente.
-Pra falar a verdade... Eu já sabia né... Eu só precisava de uma prova – Ela olhou para o smartphone – E agora eu já tenho.
-Desculpa... – Harry começou irônico levantando um dedo – E você vai fazer o que com isso mesmo? Colocar no seu blog?
-É o que parece...
-Se toca Megan, você acha que eu me importo com a opinião do povo do campus sobre mim, ou sobre quem eu estou saindo? Eu saía com você – o nojo na palavra “você”, foi nítido – Se eu fazia isso, é óbvio que eu não ligo.
-Ótimo... Mas será que o seu bofe aí acha isso? – Eu olhei com indiferença pra ela – Será que os outros dois viadinhos acham isso? Aqueles que moram com você... Como é mesmo o nome? – Ela colocou os dedos de uma mão sobre as têmporas e continuou – Thomas e Daniel... Não é? – Ela perguntou.
Todos na cafeteria já olhavam para a cena, não que fossem muitos. Então Harry se levantou e avançou até a garota a segurando pela raiz do cabelo da nuca. O olhar dela de superioridade mudou para um de vitima numa fração de segundos.
-Escuta aqui sua prostituta ruiva – Ele sussurrou em seu ouvido, ainda que eu conseguisse ouvir – Escreve o que você quiser de mim, mas se você mencionar o nome de qualquer amigo meu, eu acabou com a sua raça... – Ele se aproximou de seu ouvido – E você vai se arrepender de um dia ter pensado em se inscrever pra essa universidade... Estamos entendidos?
Senti medo de Harry naquele momento. A garota lançou um ultimo olhar mortal sobre nós e saiu da cafeteria. Harry se virou para mim ainda com um olhar maléfico.
-Que ótima ideia sair pra tomar café hein? – Eu me assustei com o que ele disse, como se a culpa fosse minha.
Mas depois disso ele me puxou para que eu ficasse de pé também e me abraçou. Eu repousei minha cabeça em seu ombro, tendo que ficar na ponta dos pés para isso. Me segurou levemente e curvou o pescoço para me dar um beijo no rosto.
-Vai ficar tudo bem... Ok? Eu não vou deixar ela fazer nada que te comprometa.
-Eu estou com você Harry, não me importo com isso, por mim eu contava pro mundo que eu estou com você. – Eu disse sorrindo.
Eu paguei a conta e fomos para casa. Almoçamos com Danny e Tom e depois fomos para a aula. Eu aproveitava cada momento com Harry, eu ainda estava mastigando o fato de ele me amar... Era tão bom ficar repetindo a cena na minha cabeça.
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