Falcão

15 CAPÍTULO 15: Monotonia & Provocações


Notas iniciais
É dia da mentira, mas o capítulo é de verdade! Capítulo dedicado a querida Yeriim que escreveu uma incrível recomendação para Falcão, muito obrigada, fiquei muito feliz por recebê-la! Boa leitura!

FALCÃO

Escrita por Coffee

CAPÍTULO 15: Monotonia & Provocações

Eles foram direto para a cadeia de Konoha que era onde o Hokage disse que estava pelo comunicador. Naruto, Shikamaru e ele estavam apenas com alguns cortes no corpo, nada muito sério, embora as roupas estivessem banhadas de sangue.

Por isso usaram os telhados para não chamar atenção, entrando por uma das janelas da pequena cadeia de Konoha. Era um lugar escuro e fétido, subterrâneo com vários níveis. Kakashi ainda estava na base com outros ninjas.

Seus olhos se desviaram até pararem na figura pequena a alguns metros de distância. Seu corpo relaxou imediatamente. Ela estava bem, inteira e lhe mandou um sorriso. Naruto correu até ela a abraçando.

— Obrigada Sakura-chan! Sem você eu não teria recuperado a Hina-chan, obrigada!

Ela abraçou o amigo de volta.

— Sem problemas, Naruto. E se isso te acalma falei com Shizune alguns minutos atrás, ela acabou de sair do clã, ela curou Hinata que está se recuperando bem.

— Isso é ótimo! ‘ttebayo, mal posso esperar para ir vê-la!

Eles sorriram mutuamente, e, antes que pudessem falar qualquer coisa, os três conselheiros foram trazidos por alguns ninjas, já estavam usando as roupas da prisão (calça e blusa negras), e já haviam sido revistados.

Naruto e Sakura caminharam para o seu lado, e eles três ficaram observando os conselheiros sendo fichados. O Hogake conversava com o Nara.

— Eu tenho vontade de estraçalhar esses velhos...

O loiro comentou.

Ele nunca concordou tanto com ele, mas foi Sakura quem respondeu.

— Nem me fale... Eu tive a chance, os tive em minhas mãos, não imagina quanto foi difícil me controlar...

— Ah eu imagino, estou fazendo isso agora mesmo.

A médica parou a conversa com o loiro, olhando para ele por alguns segundos, e depois voltou a observar o conselho.

Algum tempo depois eles foram encaminhados para as celas, e o Hogake se aproximou.

— Shikamaru já me contou que ainda há outra base de aliados deles, e que vocês conseguiram que alguns os dessem a localização. Amanhã bem cedo Shikamaru e Sai irão atrás deles, vocês podem ir para casa descansar.

Eles acenaram positivamente e saíram. O jinchūriki partiu rapidamente para ver a namorada, e ele e Sakura finalmente ficaram sozinhos, andando pelas ruas da vila.

— Eu disse que daria certo.

Ela comentou e ele revirou os olhos. Depois ela narrou como tudo acontecera, e repetiu novamente que ela estava certa.

Ao chegarem a casa eles tiraram os sapatos, e, assim que entraram Sakura afundou o corpo no seu em um abraço. O chakra verde clareando o ambiente enquanto ela curava os pequenos cortes de seu corpo mesmo o abraçando.

— Acabou — Ela disse.

Ele fechou seus braços ao redor dela, deslizando as mãos para cima e para baixo das costas pequenas em uma carícia disfarçada.

— Acabou.

Repetiu.

♦ ♦ ♦

Hinata quando foi resgatada tinha alguns cortes no corpo e alguns dedos quebrados na tortura, mas com a ajuda e cuidado de Shizune e Sakura em três dias ela já estava totalmente recuperada.

Os chefes das outras vilas ao receberem as cópias das armadilhas do conselho acreditaram na palavra de Kakashi. O Raigake foi o mais resistente, mas como uma intervenção de Gaara e da Mizukage ele finalmente entendeu que o líder da vila da folha não tivera nada haver com os ataques.

Os conselheiros continuaram presos aguardando o julgamento, mesmo que metade das vilas shinobis quisessem suas cabeças eles teriam um julgamento justo para não causar mais discorda nem princípios de guerras onde quer que fosse (aliados ou familiares).

Shikamaru e Sai havia ido até as outras bases e rendidos os ninjas que se entregaram sem nem ao menos lutar, sabiam que não tinha saída, e assim como os conselheiros eles aguardavam julgamento.

A calmaria se estendeu naquele resto de semana, o loiro e ele treinavam às vezes a tarde, porque o Hogake não os designara para nenhuma missão, e Sakura passava o seu tempo no hospital como sempre fazia.

Tudo parecia ter voltado à calmaria. A médica estava de volta na sua casa, suas coisas espalhadas novamente junto às dele.

Naruto tivera a brilhante (estúpida) ideia de que eles tinham que sair no fim de semana para comemorar aquela fase que acabara. Comemorar a saúde da sua Hina-chan, a coragem de Sakura, e a paz, porque, segundo ele próprio nunca se sabia o quanto ela iria durar.

Mesmo contragosto lá foi ele, para o pub preferido de Naruto, com a mesma música alta, os mesmo jovens bêbados, o mesmo ambiente deplorável que visitaram algum tempo atrás.

Sakura estava ao seu lado, tinha se trocado no próprio hospital, usava uma saia preta justa e uma blusa azul e não o agradou nenhum um pouco o modo como os homens se viraram para ela quando entraram.

Para a sua infelicidade (e principalmente de Naruto) Seiji, Yahiko e outros ninjas que ele não sabia os nomes estavam lá também. Seiji se virou imediatamente para Hinata quando ela entrou, andando até ela e lhe cumprimentando com um beijo tão próximo a boca que a deixou sem-graça e vermelha.

Ele observou Naruto fechar os punhos e se controlar.

Os civis e outros ninjas — fora os da operação — não sabiam que os conselheiros estavam presos. Kakashi faria um pronunciamento na terça-feira a noite onde contaria para toda a vila o motivo para eles estarem atrás das grades.

Imaginou que por esse motivo Seiji continuava a cutucar o loiro, pensava que, se ele soubesse que Naruto não estava mais na mira do conselho (dependendo da aprovação deles para ser o próximo Hogake) ele não provocaria o jinchūriki daquela forma.

Foram se sentar em uma mesa mais afastada. Shikamaru chegou algum tempo depois acompanhado da ninja de Suna, e a mesa engatou em uma conversa animada (em que ele nem ao menos sabia o assunto). O ninja branquelo também fora convidado, mas já tinha um encontro marcado com a Yamanaka.

Para sua infelicidade (e novamente, a de Naruto) além de estarem no mesmo ambiente, os ninjas se postaram há alguns metros deles, todos em pé bebendo. Vez ou outra eles falaram algo mais alto, somente para irritá-los e depois riam em conjunto.

Hinata e Sakura foram ao banheiro, e permaneceram os três e Temari na mesa falando de um assunto qualquer. Quando as duas estavam voltando Seiji e sua gangue aumentaram o tom de voz.

— Hinata está cada dia mais gostosa — Foi justamente o Hyuuga que comentou.

— Você perdeu essa delicinha Seiji — Um dos outros disse com a voz carregada de malícia.

— Oh, eu bato uma todos os dias pensando em fuder essa vadia.

Foi tudo tão rápido que quando se deu conta Seiji estava no chão e Naruto em pé com o punho fechado diante dele. O Hyuuga levantou-se, com o byakugan ativado, os olhos claros manchados de ódio.

Quando Naruto deu mais um passo em direção ao outro, com o punho levantado, ele correu, segurando os braços do loiro, assim como Sakura que se postou na frente dele, as mãos no peito do loiro, provavelmente com um pouco de chakra imobilizando-o.

— Naruto! — Ela chamou, o loiro parecia em um transe de ódio — Naruto não perca a cabeça, uma luta aqui pode machucar muita gente, esqueça isso Naruto.

— Você ouviu o que ele falou da Hinata!

— Sim, nós ouvimos Naruto.

— Deixe isso para lá Naruto-kun — A namorada chamou, mas ele não deu atenção.

O jinchūriki tentou soltar suas mãos, mas fez mais pressão segurando-as. A tentativa de se aproximar de Seiji foi impedida por Sakura.

— Naruto não obrigue Shikamaru a te prender em uma sombra, controle-se.

Não satisfeito o Hyuuga se moveu rapidamente, dando um soco na direção de Naruto.

Sakura pegou os braços dele no ar, e Shikamaru assumiu a posição dela na frente de Naruto. As mãos da médica se fecharam em torno do punho de Seiji e ele fez uma careta de dor.

— ‘Me solte!

— É melhor vocês saírem daqui antes que Naruto acabe de perder o controle.

— Deixe que ele perca!

— Vamos ser realistas, não queremos que Naruto perca o controle ou toda a vila será destruída, então, por favor, vá embora.

— Ele não quer defender a putinha dele? Deixe que ele defenda!

O ninja se livrou do aperto de Sakura e Naruto rosnou feito um animal, furioso.

— Sasuke! — A médica gritou.

— Naruto-kun não! — Hinata tentou novamente.

Sakura gritou quando Naruto se soltou de Shikamaru e dele, partindo novamente para cima de Seiji. Agiu rápido, com chakra nos pés entrou na frente do loiro, o sharingan brilhando. O Uzumaki olhou nos seus olhos e entrou em transe imediatamente.

— Vamos tirá-lo daqui, o genjutsu não vai durar muito tempo.

Shikamaru o ajudou e eles arrastaram Naruto para fora da boate enquanto Sakura segurava o Hyuuga que tentava atacar o Uzumaki de todo jeito. Os amigos dele finalmente tomaram coragem, percebendo que o loiro (por algum motivo) atacaria de verdade sem se importar com o conselho, e se colocaram no lugar da médica segurando o amigo.

Lá fora, Naruto se libertara rapidamente da sua ilusão, mas Sakura e Hinata já estavam na sua frente. A loira de Suna os acompanhou, mas olhava tudo calada.

— Chega Naruto, deixe isso pra lá, você sabe que pode machucar muita gente. Vamos, passamos no Ichiraku comer um ramén e depois vamos para casa.

A rosada propôs. Ele tentou dar um passo em direção à porta do pub, mas foi parado pela namorada que o abraçou.

— Está tudo bem Naruto-kun, ouça a Sakura-chan, vamos sair daqui.

O loiro pareceu se acalmar nos braços dela. O olhar de ódio dele foi se suavizando, até se acalmar completamente. Seiji não saiu de dentro da boate e ele agradeceu pelo bom senso dele ou dos amigos.

Eles se colocaram a andar rumo ao Ichiraku.

— Vocês deviam ter me deixado quebrar a cara dele.

O jinchūriki comentou quando se sentaram em uma mesa do Ichiraku.

— Deveríamos, mas todos sabemos que você não quebraria somente a cara dele, e sim a vila toda.

O Uzumaki coçou a cabeça sem graça como se concordasse com a opinião da ninja de Suna.

— Já passei essas faltas de controle com Gaara muito tempo atrás. Coloca em perigo a vida de muita gente.

— Não dá para ficar calmo com ele falando daquele jeito da Hina-chan.

— Não precisa se preocupar com isso — A Hyuuga comentou, falando uma frase completa pela primeira vez desde o incidente — Eu sei quem eu sou e você sabe quem eu sou, a opinião dos outros não me importa.

Ele sorriu sem graça, pedindo desculpas pelo trabalho que dera e logo se afogou nas tigelas de ramén.

Passaram algum tempo ali, evitando o assunto incidente para que o loiro não se irasse novamente e depois foram para casa.

— Ainda bem que Naruto não perdeu a cabeça por completo.

Sakura comentou quando eles chegaram.

— Foi por pouco.

— ‘Se ele explode ali, destruiria não só a boate como metade da vila. Seiji não tem muita massa cefálica, não é possível...

— Ele não sabe que Naruto não está mais na mira do conselho.

— Sim, ele disse aquilo para Naruto imaginando que ele não iria atacar por causa do conselho.

Ele acenou positivamente.

— Aposto que depois do pronunciamento de Kakashi-sensei na terça, Seiji não irá mexer com eles novamente. Quando ficar sabendo que Naruto não precisa mais se controlar para não perder o posto de próximo Hokage ele não vai arriscar deixá-lo nervoso como hoje.

— Provavelmente não.

Eles se sentaram no sofá, as luzes apagadas. Sakura se ajoelhou no sofá, pedindo para que ele virasse de lado e começou a massagear seus ombros.

Aquilo o relaxou instantaneamente.

— Tirando esse quase acidente de hoje tudo parece estar voltando aos eixos.

Ela comentou.

Perigoso. Estranho.

Não precisou dizer, ela completou seu pensamento:

— Isso me assusta nunca se sabe quanto tempo vai durar.

A monotonia nunca dura muito no mundo shinobi.

♦ ♦ ♦

Kakashi os chamou em sua sala em pleno domingo, tão cedo que já era um indício de problema.

— Já resolvi tudo com as outras vilas. Os conselheiros serão julgados na quinta-feira, os advogados de defesa já foram contratados.

Acenaram positivamente esperando que o Hokage soltasse a bomba.

— Umiko fez um pedido.

— Ele não tem direito a um pedido.

— Um pedido sobre o julgamento Naruto, ele tem direito.

O loiro bufou.

— Qual o pedido? — Shikamaru perguntou.

— Um julgamento por combate.

— Isso ainda existe? — A médica disse passando o peso de uma perna para a outra, ela vestia o jaleco branco, pronta para partir para o hospital tão logo Kakashi os liberasse.

— Também pensei que não Sakura, mas andei pesquisando... Nós de Konoha não usamos isso faz muito anos, mas ainda está na constituição do País do Fogo, e acreditem, é praticado em muitas vilas.

Julgamento por combate... Uma luta até a morte. Por que Umiko arriscaria tanto? Arriscaria morrer ao invés de preferir um julgamento normal? Konoha não tinha mais pena de morte desde que a Godaime assumira, então qual o motivo do ex-conselheiro querer algo como aquilo?

— Quem ele escolheu? — Perguntou.

— Como? — Naruto o interrompeu.

— Quando um prisioneiro pede um julgamento por combate ele escolhe seu adversário. É a lei — A rosada explicou.

— Quem ele escolheu?

Perguntou novamente, dessa vez olhando diretamente para o Hokage que balançou a cabeça de um lado para o outro incerto com a resposta, ou em como falá-la, e, finalmente depois de tanta procrastinação detonou a bomba, confirmando sua teoria.

— Sakura.

Notas finais
Quero agradecer por todo o apoio, pelos comentários maravilhosos que vocês têm me mandado, muito obrigada mesmo, vocês fazem bem não só ao meu eu escritor, mas ao meu eu pessoa, que passando por tantos momentos difíceis consegue encontrar aqui carinho e reconhecimento. Obrigada!