Notas iniciais
Olááááááá, terraquios! Só porque estava seguindo os dias de postagem aconteceu algo chamado CARNAVAL DE RUA. Culpa toda dele, toda, briguem com ele. E com minha amiga que me puxou pra água e agora estou resfriada. Espero que gosteeeeeem lalalala amo esse capitulo lalalalala

“Nunca nos devemos envergonhar das nossas lágrimas.”

(Charles Dickens)

– ABAIXA ESSE SOM, CARAMBA! – berrei enquanto espancava a porta do quarto do meu irmão.

Não era mais do que 9 e meia da manhã, o que esse imbecil tinha na cabeça pra colocar MEU CD do Queens essa hora? Os vizinhos deviam estar a ponto de ligar pra policia. Fora o meu estado. Devia estar com olheiras gigantes de ter ido dormir muito tarde, esperando meu musico misterioso aparecer (o que foi totalmente inútil, já que a cortina estava fechada o tempo todo e não teve musica nenhuma). Levantei da cama tão tonta que só consegui achar um pé da minha pantufa malhada. Estava me sentindo despedaçada, a garoa da noite passada deve ter realmente resultado em gripe.

– Agora você é surdo, é? Onde está a mamãe? – aumentei minha voz mais ainda, se é que era possível. – Guilherme, vamos lá. Coopere. Eu estou com sono. – quando estava a ponto de dar meia volta tomar uma chuveirada fria, percebi que o local onde eu batia já não era mais a porta. E sim o meu irmão.

– Telefonema para você. – foi a única coisa que ele disse, botando o telefone sem fio na minha mão e batendo a porta na minha cara.

– Obrigada, senhor delicadeza! – gritei por ultimo, obviamente tampando o bocal do aparelho. – Bom dia? – disse, com um tom de voz totalmente diferente.

– Ana Valentina! – a voz cansada da minha mãe gritava do outro lado da linha – Eu a deixo dormindo em casa pela primeira vez e você põe essa musica alta?! O sindico do condômino já ligou avisando que está acabando com a harmonia das ruas! – ah, se ela soubesse em que parte do Guilherme eu queria enfiar essa harmonia...

– Mãe! Mas eu não fiz nada! Eu acabei de acordar!

– Não vem me falar que o seu irmão que está escutando essas músicas, eu sei que quem escuta música barulhenta aqui é você. E não ache que isso vai me fazer mudar de idéia e te deixar morar com seu pai de novo. Será que você não pode assumir seus erros uma vez na vida?

– Será que você não pode acreditar em mim uma vez na vida? – perguntei, torcendo para minha voz soar calma.

– Ana, só... Só desliga essa coisa, eu não deveria ter gritado. – o tom da minha mãe agora era mais calmo e suave, mas mesmo assim a interrompi.

– Não deveria mesmo! – cansei de lutar contra a raiva – EU DISSE QUE ERA MELHOR EU TER IDO PRA CONXIXINA COM O MEU PAI! Você nunca acredita em mim, nunca me elogia, só olha para os meus erros, por que isso? Por que você não escreve na testa que você só se importa com o Guilherme? Ah, é! Não precisa. Já é obvio demais.

– Você sabe que isso não é verdade!

– Não? – perguntei.

– Eu vou chegar em casa na hora no almoço, vamos conversar com calma. – ela disse, ou suplicou, mas eu estava nem aí.

– Não precisa, obrigada, nossa relação já é perfeita sem conversas. A ração da Dorathy está acabando, eu vou achar um lugar onde venda, você nem deve estar se lembrando da existência dela mesmo.

– Ana Valen...

–Até de tarde, bom trabalho. – falei, doida pra desligar aquele treco. E foi o que fiz. Antes que ela pudesse responder, desliguei e joguei o telefone no chão gritando comigo mesma.

Entrei direto no chuveiro. Devo ter demorado uns 20 minutos, ou 40. Tanto faz. Botei uma blusa de manga comprida, apesar do calor, a maior parte das minhas blusas eram assim. Um short e patins. Estava oficialmente odiando o calor de da cidade. Troquei a água da minha calopsita e deixei um bilhete em cima da mesa.

"Fui no petshop. Provavelmente depois vou caminhar na ilha. Ou vou na casa da Liv. No clube. No shopping. Qualquer coisa. Volto antes das três, ou quatro, acho. Se eu não voltar antes do por do sol podem chamar a policia.

Hasta luego"

***

Sai da mercearia do condomínio enfiando a ração do meu passarinho na mochila e comecei a dar voltas no parquinho com patins. Meus cabelos longos e mal presos brigavam com o vento e a velocidade. Estaria tudo bem se ontem a noite, quando saí da casa da Olívia, eu tivesse pegado o meu MP3 e não o dela que só toca música aguada. Tentei tira-lo da mochila e no momento que achei uma pasta de musicas melhores eu fui arremessada no chão.

Para a minha defesa, somente um E.T. com 4 olhos conseguiria fazer uma coisa dessas e prestar atenção em carros que brotam no meio do asfalto do nada.

Não sei direito como aconteceu, só consigo me lembrar que dois depois de Clarice Falcão parar de tocar, estava no chão, rolando para cima de um canteiro de flores, com mil e um papeis de partitura voando enquanto eu gritava.

– Ei, parar de berrar e me agradecer seria um boa. – uma voz aveludada disse na minha orelha.

Eu queria gritar, mas acho que saiu meio que um chiado, fazendo o garoto rir.

Corrigindo, fazendo meu Musico Misterioso rir.

Corrigindo o corrigido, fazendo o Daniel rir. Agora que eu sabia o nome dele.

– Acho que não fomos devidamente apresentados, Garota da Janela. – ele disse.

Garota da Janela? Ele tinha mesmo me visto naquela noite? Ele tinha me dado um apelido? Era tanto coisa passando como um raio que eu nem conseguia acompanhar direito o que ele dizia. Seus olhos verdes tiraram minha concentração do resto da rua. Nem o circuito de irrigação do quintal que estava me encharcando parecia alguma coisa importante. Eu estava ocupada analisando o lábio superior fino e o inferior carnudo do garoto para raciocinar.

– ... se você quiser. — ele falou, provavelmente terminando alguma frase, que eu não havia escutado.

– Ahn... Oi? — disse, torcendo para que minhas sardas não realçarem o vermelho que minhas bochechas deviam estar. Provavelmente não adiantou, mas gerou um outro sorriso lindo dele.

– Eu estava dizendo que esse não é um primeiro encontro típico. Você chegou aqui essa semana, certo? Eu poderia te apresentar alguns lugares mais legais se você quisesse. Eu diria que é nova aqui, mas levando em conta o jeito que a Cerejo falou com você ontem...

– Ah, ela é minha prima. E sim, eu sou nova aqui. Digo, mais ou menos. Já morei aqui, mas eu era muito pequena. – Disse. E ao mesmo tempo me arrependi. Um garoto lindo praticamente em cima de mim e eu me lembrando dessa parte da minha vida. – Não importa. Infelizmente, estou voltei.

– Infelizmente? Eu diria ao contrario. Finalmente tenho uma vizinha interessante. – Ok, se eu não estava corada antes, agora sim ele tinha conseguido. – Mas você não tem nada a ver com a Olívia.

– Haam, não é a primeira vez que escuto isso. – falei sorrindo, e algo me diz que ele gostou de me ver sorrir. – Somos... Muito diferente. De todas as formas.

– Serio? Bem, eu adoraria conhecer uma Cerejo fora do comum. Se bem que acho que já comecei com uma vantagem boa.

– Ah é? Foi tão fácil assim? E eu não sou Cerjo. – perguntei, levantando uma das sobrancelhas. E era verdade, não, eu não recebera aquele sobrenome.

– Sua prima não sobe em nada com rodas. Caso esse milagre acontecesse, não andaria bem assim. – ele disse, pude sentir sua respiração em minha boca.

– Isso era para ser um elogio ou uma zoação? – perguntei, com um meio sorriso.

– Vou deixar você escolher essa. – falou, se divertindo. – Pode pensar antes de escolher. Enquanto pensa pode me pagar o favor.

– Favor...? – perguntei, sem entender direito.

– Bem, normalmente quando salvo garotas de um atropelamento...

– Espera aí! – o interrompi me lembrando do mundo. – Aquele carro ia me atropelar? E você apareceu do nada. Por que me puxou pra calçada? E o imbecil do motorista foi embora de boa?

– Você não era mesmo daqui, né? Isso é cidade grande, de rotina corrida, Garota da Janela. Bem vinda ao Brasil. Da próxima vez, tire os olhos da música e foque na rua se não quiser quebra todos os seus ossos.

O MP3 da Liv! Eu tinha me esquecido completamente dele. Olhei envolta o procurando e o avistei a poucos centímetros da minha cabeça. Dá para acreditar que com todo esse tombo ele levou só uma rachada em metade da tela? Anotei mentalmente que deveria mandar um e-mail para o cara que planejou a tela dele. Levantei a mão para pegar ele, ou pelo menos tentei, pois percebi que algo forte a envolvia.

– Ah, me desculpe. – o garoto disse rapidamente, tirando suas mãos do meu pulso.

Me amaldiçoei em silêncio por ter feito ele fazer isso, já que ele se apoiava em minhas mãos para não cair, e as soltando, teve que rolar para o lado. Ele se levantou e estendeu a mão para me ajudar a fazer o mesmo. Mas assim que estiquei meu braço fiz uma careta.

– Acho que acabou batendo com o cotovelo no chão quando te puxei. – falou, com um tom de desculpa, enquanto passava suas mãos nas minhas costas e tentava me colocar de pé. – E o joelho também.

Olhei automaticamente para minha perna. Eu devia ter batido o joelho com muita força mesmo, pois havia um raladão ensangüentado nele. Na verdade, havia praticamente aberto um rombo onde jorrava sangue.

Ok, talvez eu esteja sendo um pouco dramática, não tenho problemas com sangue, mas um terço da minha perna estava escorrendo sangue. Com um dos meus baços no pescoço dele, fiz uma tentativa falha de caminhar. Assim que levantei minha perna tive que abafar um grito para não parecer fraca na frente de um estranho.

– Pode gritar ou chorar, não contarei a ninguém. – ele disse e eu revirei os olhos. – Consegue andar? Olhando pelo lado bom nem vai precisar mexer muito as pernas – falou, dessa vez com um expressão um pouco seria.

– Não sei. Acho que devagar sim. Mas não consigo dobrar o joelho. – respondi. Me agarrei ao braço dele e tentei pegar impulso. – Acho melhor não tirar o patins.

– Consegue chegar em casa assim? Posso te levar le...

– Não! – praticamente gritei. – Quer dizer, consigo, mas não quero. – percebi a cara confusa dele e tentei explicar – Digamos que eu estava justamente saindo de casa e planejando não voltar nas próximas 10 horas. – Espirrei.

– Saúde. Você pelo menos tinha idéia de onde queria ir passar esse tempo? – ele perguntou, neguei com a cabeça sem jeito. – Ok, não vou nem perguntar por que não quer voltar para casa. Acho que sei um lugar aqui perto, mas prometa que nunca falara desse lugar para ninguém.

– Como se eu estivesse em condições de ir para correndo pra estação de radio contar pra cidade toda. – ele soltou um riso, estava gostando dele rir tanto.

– Gostei do seu sotaque.

Tampei a boca rapidamente. Na maioria das vezes que eu ficava nervosa, eu falava com um pouco de espanhol ou puxava demais o ‘r’.

Ele me encostou em um poste e começou a recolher as folhas de partitura espalhadas no chão, algumas um pouco molhada, o que me fez me sentir mal. Pegou minha mochila e começamos a andar (e ser levada) por algumas ruas. Até ele parar na frente de um portão que parecia ter sido abandonado há algum tempo.

***

– Me desculpe, eu te puxei sem pensar. Eu deveria ter previsto isso... – o menino falou, passando um pano molhado delicadamente em volta do machucado em minha perna.

Olhei para os lados para estudar o local mais uma vez. Era escuro, o pouco de luz era vindo de frestas nas janelas. Prateleiras e mais prateleiras cobriam as paredes. Uma longa ficava no centro, com gavetas escancaradas e com marcas de fogo. Cadeiras e metades destruídas de cadeiras estavam amontoadas em um dos cantos. O lugar parecia ter enfrentado um incêndio. Me perguntei se o garoto realmente ia sempre ali, por que não tinha arrumado o espaço e por que ele ia ali.

– A culpa não é sua. Se você não tivesse me jogado na calçada o carro teria passado em cima de mim e provavelmente eu estaria quebrada, não machucada. – aleguei.

Naquela grande sala empoeirada e iluminada apenas pelos poucos raios de sol que atravessavam as frestas das janelas grandes tampadas com tábuas, com seguia ver pouca coisa, os olhos verdes brilhantes dele e o sorriso branco. Se tinha aranhas e monstros do meu lado eu não percebi.

– Você agiu como um herói. – falei o que era para continuar em meus pensamentos.

– Pode contar comigo sempre, Garota da Janela. Mas você não me parece muito uma princesa em perigo.

– Geralmente fico atenta na rua. Ando distraída. E desculpe pelas partituras danificadas.

– Está tudo bem. Eu estava voltando da aula de violino. Antes as partituras do que você, né? – gemi quando ele passou algo em spray no meu joelho. Me perguntei como ele tinha arrumado uma caixa de primeiros socorros ali. – Esqueci de avisar que ia doer um pouco? – ele disse, com um sorriso brincalhão. – Eu vou amarrar um pano em volta disso, não é boa idéia tampar um ferimento assim, mas vai evitar que ele infeccione até você chegar em casa. – fiz uma careta em pensar em como explicar isso para minha mãe.

Ele começou a recolher os curativos e guardá-los em uma caixa, balançando o cabelo e revelando um arranhão em sua testa que eu não havia visto antes.

– Céus, você se machucou também. – estendi a mão e toquei de leve o arranhão. Era fino, mas espesso e sangrava um pouco. Como eu não tinha parado pra pensar que com a queda ele não teria se ferido também.

– Ahn... tá tudo bem. – ele passou a mão nos cabelos compridos os jogando para trás.

– Pode chorar, prometo não contar pra ninguém. – repeti o que ele me disse mais cedo e abri a caixa de novo enquanto ele sorria. – Deixe disso, vamos inverter os papeis.

Peguei um algodão e estiquei a mão para uma torneira atrás de mim. Apesar o lugar onde estávamos parecer não ter luz, tinha água. Molhei-o e passei no machucado do garoto que fez uma careta engraçada. Ri e terminei de limpar o local. Abri um band-aid e cobri o ferimento. Não me dei conta que minha mão continuava na testa dele até ela ser envolvida por uma mão quente e forte.

– Obrigada. – falei baixinho. – Por tudo... Por me salvar e por... Pelo curativo improvisado e por deixar eu ficar aqui com você e não ter que fazer minha mãe achar que não sei me virar por um dia.

– Não foi nada. – o sorriso voltou ao seus lábios. – Meus pais estão viajando, é uma espécie de lua de mel anual, antes de começarem a viajar só pelo trabalho e esquecerem que tem casa. – ele disse, olhando para o chão. – Eu tenho que ficar suportando minha irmã, por isso costumo passar as tardes aqui, então acho que quem acabou ganhando na historia fui eu. É a primeira vez que tenho companhia. – abriu os braços como me apresenta-se a seu maior tesouro, parecendo um garoto totalmente diferente do de cinco segundos atrás.

Ele me ajudou a levantar da cadeira e me guiou até uma porta grande nos fundos, coberta com uma cortina limpa e considerável nova, diferente da mesa e estantes ali. Abriu-a revelando 20 espécies diferentes de plantas e flores. Era um espaço não muito grande, mas lindo. Havia uma estrutura de ferro no centro, como se alguém tivesse começado a construir uma estufa e desistido antes de cobri-la. Um dos cantos possuía uma mesa feita com tábuas de madeira com folhas espalhadas, algumas canetas, uma caixa e um aparelho de som. Era uma completa bagunça, mas um tanto aconchegante. Se a casa do garoto fosse tão difícil quanto a minha, dava para entender porque ele gostava de passar tanto tempo naquele lugar.

– Uau! Tem um balanço! – larguei o braço dele e sai pulando de um pé só, descalça, até o balanço rústico e me sentei.

– Bem, ninguém deve usar ele a décadas, mas acho que sim. É, eu tenho um balanço. – disse, se sentando em uma pedra grande ao meu lado.

–Isso é muito legal. – Falei sorrindo, mas sorrindo de verdade, como não fazia há tempos. – Por que tenho a impressão de que você não traz muitas pessoas aqui? – perguntei, notando uma única cadeira perto da mesa, uma única palheta em cima de papeis, uma única luminária.

– Porque eu realmente não trago pessoas aqui. – ele disse, mas seus pensamentos pareciam estar muito longes.

– Ah, claro, mas achou super normal trazer alguém estranho aqui.

– Estranho? Achei que quando cuidamos do hemorragia externa da outra pessoa, deixamos de ser estranhos.

– Eu não sei nem o seu nome, por que não seriamos estranhos? — menti. Claro que eu sabia.

– Daniel.

– O que?

– Você disse que não sabia nem o meu nome. Daniel Germano. E o seu?

– O meu nome? — pergunto parecendo uma sonsa.

– Sim, o seu nome. Ontem ouvi a sua prima te chamar de Ana, mas no jogo se referiram a você como Val. É demais pedir para explicar?

Abro a boca para responder e hesito. Quando as pessoas perguntavam meu nome eu costumava dizer Ana ou Valentina, dependendo do meu humor. Como se eu fosse duas pessoas diferentes, e só depois elas descobriam que era uma só. Ultimamente venho falado somente Tina, desde que conhecia a Júlia e ela me dissera que isso combina mais comigo e resolve tudo.

– Tina. – respondo depois de um tempo.

Ele me olha confuso.

– Tina?

– Sim, Tina. É meu apelido, digo, um deles.

– Apelido de Ana? – ele pergunta mais confuso ainda. – Pensei que seu nome fosse, sei lá, Ana Clara, Ana Luiza, Ana Paula...

– O que te faz pensar que todas as Anas tem que ser Claras, Luizas ou Paulas? – o interrompo de repente indignada.

– Nada. – ele levanta as mãos em defesa. – Só acho que apelidos diminuem o nome, Tina é maior do que Ana.

– Valentina. – digo rapidamente.

– Tudo bem, estou começando a me arrepender por ter perguntado.

– Ana Valentina, ok? – explico. – Tina.

– Você não podia ter dito isso desde o inicio?

– Eu não gosto muito de falar meu nome todo. – encolho os ombros.

– Por que? Valentina é um nome lindo e forte. Ana Valentina é diferente, mas ainda legal. Mas por que cada pessoa te chama de algo diferente?

– Cada um me chama pelo que gosta mais, ou de acordo de quando me conheceu. Quando eu era mais nova só era Ana, como a Liv e o Felipe. – meu coração me trai ao dizer o nome dele. – Um pouco depois Val, como a Nanda. Então comecei a gostar de Valentina. Agora é só Tina. – falando isso em voz alta parecia a coisa mais besta do mundo.

– Você é uma pessoa complicada. – ele olha para as mãos e depois para mim. – Então, Tina, o que acha de um jogo?

– Jogo?

– É, um jogo de perguntas, vai ajudar a passar o tempo aqui. Eu faço uma pergunta e você é obrigada a responde-la. Depois você se vinga.

Fiquei meio insegura, mas assenti com a cabeça e pedi para que ele começasse. Que mal isso podia gerar?

– Idade?

Hesito um pouco envergonhada.

– 15.

– Serio? – ele perguntou, tentando segurar um riso.

– Não, estou mentindo! – disse, ironicamente. – Que graça tem nisso?

– Sei lá, é que eu achei que fosse mais velha. – corei, para variar.

– Verdade? Geralmente dizem que eu pareço mais nova, por causa do meu tamanho, acho. – olhei para meus pés. O balanço não era alto, mas mesmo assim o chão ficava á uns 2 centímetros deles. – Faço 16 anos em outubro.

– Você fala como uma pessoa mais velha.

– Já me disseram isso também. – sorri, e ele também. Ficamos uns segundos assim, sorrindo e nos encarando. – Minha vez. – anunciei, me endireitando no balanço. – Musica preferida?

– É como você pedir para uma mãe escolher um filho para morrer. – ele fez uma careta.

– Eu sei. – Mordi o lábio malignamente. – Por isso estou perguntando.

– Alguma coisa do Imagine Dragons, talvez All Eyes ou Bleeding out. – E a sua banda preferida?

– Ainda há duvidas? Bon Jovi. – espirrei novamente. – Ai, me desculpe, acho que gripei.

– Deve ter sido a chuva ontem, eu não devia ter aceitado tua ajuda. – revirei os olhos e ele riu. – Cor?

– Azul. – respondi rápido.

– Verde.

– Livro?

– Senhor dos anéis.

– Orgulho e preconceito.

– Filme?

– X- Man. – falei e ele sorriu. – O que foi? Esperava que eu falasse algo como... sei lá, P.s. Eu te amo?

– Na verdade eu esperava algo como “Exorcista”. – ele admitiu, rindo.

– Ew. – fiz uma careta. – Odeio terror. Vamos, sua vez.

– Piratas do Caribe. – ele responde e eu rio.

– Serio?

– Por que não? É um clássico.

– Que tem o Jonny Depp. – completei, me abanando de brincadeira, fazendo o rir.

E assim foi, perguntas aleatórias e sem fundamento por algum tempo, até que tomei coragem e perguntei:

– Falastes que tem uma irmã e não a suporta muito bem. Como a sua família é?

– Ela é... Ãhn, normal. – ele falou, pegando um graveto e riscando a terra. – Meu pai é advogado, minha mãe, engenheira. Eles estão sempre no trabalho ou em algum pais aí. Minha irmã acha que pode mandar em mim quando meus pais não estão. Ela tem 17 anos e não é uma das melhores influencias na vida.

Eu queria saber mais, eu queria sentar ao seu lado e dizer que entendia como era parecer sem importância, mas não o fiz. Primeiro porque meu joelho ainda doía muito, mesmo depois de passar pelos cuidados dele, e segundo porque não sou tão louca assim. Então só assenti com a cabeça e passei a balançar mais devagar.

– A Cerejo e a Nanda comentavam de vez em quando sobre uma prima dela que vinha aqui sempre e de repente parou. Agora a coisa começa a fazer sentido, mas por que deixou de vi aqui tanto? – ele perguntou, com calma, como se tivesse medo de que eu desse outro ataque e virasse a mão nele.

– Bem – eu realmente não sabia como explicar. –, essa pergunta é difícil.

– Mais difícil do que escolher uma musica? – ele perguntou, tentando dar um sorriso. Eu queria dar um também, mas era quase impossível.

– Eu morei aqui até o 4 anos. Quando me mudei achei que era o fim de mundo. Depois me mudei de novo, de novo e de novo. Então... Então eu mudei, mas não de cidade, mudei de verdade, me tornei uma pessoa que eu mesma não reconhecia. E, bem, eu meu primeiro namorado era uma grande amigo, ele morava aqui. Todos achavam que íamos ser desses casais que começam a namorar novos e ficam juntos pra sempre, todos viam um futuro todo programado pra nós dois, acontece que eu não gosto de coisa programada, sabe? Começou a dar errado e foi piorando. Depois aconteceram algumas coisas que não eram para ter sido daquele modo. – ele não tirava os olhos de mim enquanto eu falava, senti lagrimas em meus olhos. Bad Girl dont cry.

– Tina... Não... – ele me interrompeu, pegando minha mão novamente. – Eu não esperava que... Se eu soubesse... Se for difícil não precisa contar. Só não chore, por favor? – Ele pediu e botei minha livre mão em meu rosto, percebendo finalmente que lagrimas escorriam nele. – Não sei lidar com garotas, muito menos com garotas chorando. Nunca sei o que fazer.

– Desculpe. Não era nada. Você me deu uma resposta, merece a minha. – Olhei por um tempo para cima, ordenando as lagrimas a pararem e dei um sorriso leve de gratidão. – O mundo se tornou outro e não sabia como voltar. Me conformei. Tudo um dia muda, né? Talvez a cidade só tenha perdido graça para mim. – era um pouco mais do que eu costumava dizer as pessoas. Mas ele não pareceu se incomodar com a falta de sentido, fiquei feliz, dessa vez ia dar tudo certo.

Ficamos um momento em silencio, tenho a impressão de que falei mais do que devia. Sinto-me desconfortável e encaro o chão. Após uns momentos de silencio constrangedor ele se levanta e me ajuda a me levantar.

– Já é quase uma hora. Vamos, vou te levar para almoçar.

Solto um riso e o acompanho.

– Ótimo, estava começando a achar que teria que comer a ração da Dorathy.

Notas finais
E aí? O que acharam? Gostaram do meu Dan??????????????????????????????????????? Comentem. Comentar não faz dedo cair, tá? Tá bom, calei a boca, é que to ansiosaaaaaaa lalalalalala. BEIJOCAS, Marie