Fake you out

1 Capítulo único


Notas iniciais
OI GENTE!! Voltei com mais uma oneshot!! Dessa vez um angst do Albus aaaaa. Essa história surgiu depois do Pride Day, quando eu ouvi minha família falando idiotices preconceituosas... Não foi muito agradável, mas tudo bem. Eu decidi expressar meus sentimentos nessa história aqui!! Ela também vem de um headcannon (ou canon?) que surgiu na minha cabeça também depois de ler A Criança Amaldiçoada. Tentei dar bastante insight na mente do Albus também. Espero que gostem!!! PS.: link da música para quem quiser ler com ela https://www.youtube.com/watch?v=KnthhE071-I (tá como hiperlink também na primeira frase da história!!)

I want to drive away

In the night, headlights call my name

(Eu quero fugir para longe

Na noite, os faróis chamam meu nome)

O Salão Comunal da Sonserina estava vazio àquela hora da madrugada. O ambiente estava iluminado por apenas alguns lampiões, o que lhe dava uma aparência lúgubre. Albus aproximou-se das janelas que davam vista para o Lago Negro e se sentou ali. O sono parecia algo impossível naquele momento em que seus pensamentos borbulhavam. Havia muito que sentia aquilo. Sua mente não o deixava em paz. As sensações de não ser quem ele é, de viver permanentemente escondido, preocupado com quem pensava o que dele perseguiam-no. Por isso, não conseguia dormir. Não era a primeira vez.

O lago estava tranquilo àquele horário. A pouca iluminação da sala iluminava escassamente alguns metros das águas e não se via nada além de plantas submersas que não se mexiam por uma mínima corrente. Tudo silenciosamente calmo. Era disso que Albus precisava para pensar.

Desde seu primeiro ano, as sombras de seu pai e de seu irmão acompanhavam-no onde quer que fosse. Na menor oportunidade, alguém comentava: “Igual a seu pai”, “Seu irmão pensaria o mesmo”, “Quase tão bom quanto o próprio Harry Potter”; ou, ainda, para sua infelicidade, “Seu pai estaria decepcionado”, “Tem certeza de que é um Potter?”. No início, os comentários eram principalmente devido ao fato de ser sonserino, diferentemente de seu irmão, um típico representante da Grifinória e, como muitos consideravam, a própria reencarnação de James Potter, pai de Harry. Depois de muito apoio e muito esforço, ele finalmente aceitou sua identidade. “Meus pais estavam felizes por mim, independentemente de minha casa. Nada mudou, certo? Eu continuei filho deles, independentemente do que os outros diziam.”, repetia o garoto para si enquanto encarava o fundo do lago, “Meus primos também sempre estiveram comigo. Scorpius também”.

Scorpius. Um calafrio percorreu sua espinha. O garoto Malfoy sempre foi uma questão delicada para Albus. Eles se conheceram no Expresso de Hogwarts e ficaram amigos quase de imediato. As lembranças daquele dia perpassaram sua inquieta mente.

Era dia primeiro de setembro de 2017. O dia não começara muito bem. Para variar, James resolvera tirar o dia para importunar Albus, fazendo piada sobre a possibilidade de ele ir para a tão temida (na época) Sonserina. Seu pai, como sempre, protegeu o mais novo, fato pelo qual ele era muito grato, pois James podia ser insuportável às vezes. Foi o pai quem mais o assegurou de que tudo estaria bem. “Bem, depois de ele enfrentar cães de três cabeças, basiliscos, dementadores, Voldemort e ainda conseguir sobreviver e construir uma família, acho que posso confiar quando ele diz que vai ficar tudo bem”, esse era um pensamento constante na mente de Albus depois que pedia conselhos ao seu pai. Um pequeno sorriso esboçou-se em seus lábios. Seu pai sempre foi seu melhor amigo.

Após se cansar das provocações de James no trem, Albus decidiu trocar de vagão. Foi assim que conheceu Scorpius. O loiro estava sozinho, encarando a paisagem campestre pela janela. A príncipio, houve silêncio. Malfoy havia reconhecido Albus e, embora fosse muito novo para ter consciência de tudo que ocorreu durante a Segunda Guerra Bruxa, ele sabia que, por alguma razão, ele e sua família não estavam exatamente entre os mais agraciados pela nova hierarquia do mundo bruxo, especialmente pelos Potter. Os olhares esquisitos e tortuosos pelo Beco Diagonal e pela Plataforma 9 ¾ eram provas suficientes disso. Albus, por sua vez, não tinha reconhecido o outro e, de qualquer forma, isso não importaria para ele. Não era de seu feitio julgar alguém com base na opinião dos outros (algo que foi só fortalecido ao longo dos anos e de tantos comentários). Sentado na fria sala comunal, o garoto se sentiu ligeiramente reconfortado com as memórias. Ele recordou ter oferecido um sapo de chocolate para o amigo como forma de puxar assunto. Então, seguiram grande parte da viagem conversando.

Albus olhou ao redor para a sala. Ela ficava ainda mais hermética à noite, o que parecia uma boa metáfora para o momento. O menino só queria estar em sua “fortaleza mental”, um lugar solitário onde poderia compreender e lidar com seus sentimentos, o que se aproximava da aura transmitida pelas paredes cinzentas, pelo chão gelado e pelas cores escuras do ambiente. Refletia bem o estado de espírito do garoto.

Enfim, Scorpius tinha sido seu grande companheiro até aquele momento, apoiando-o nos melhores e piores momentos. Sabia que podia sempre contar com o amigo. No entanto, muito mais do que isso, ele era um exemplo para o Potter, um modelo. Também não foi fácil para o outro suportar todas as expectativas que os outros tinham sobre ele apenas por ser um Malfoy — algo que possivelmente intensificou a amizade entre os dois, visto que a expectativa de terceiros era um problema em comum -, porém, o amigo sempre encontrava um meio de respirar em meio à torrente de opiniões externas. Ele sempre conseguia manter a cabeça erguida, por pior que fosse a situação e por mais que durante alguns momentos sentisse-se triste. No final, ele sempre encontrava palavras otimistas para dizer para Albus. Além disso, Scorpius era o arquétipo de aluno-modelo. Sempre com notas altas, sempre respondendo às perguntas da aula. “Isso sempre tirou Rose um pouco do sério, mas era engraçado vê-la competir por quem respondia mais perguntas ao longo do dia, mesmo que ele não ligasse muito para isso”, refletiu, outro pequeno sorriso surgindo em seus lábios, logo desaparecendo: “Porém, nunca me senti seguro o suficiente para ficar tranquilo com ele. Certo, muitas vezes ele conseguia me fazer esquecer minhas inseguranças, mas, por alguma razão, sempre quis agradá-lo e conseguir sua aprovação.”

Nesse ponto, as coisas ficam confusas. Essa necessidade do aval do amigo não parecia “certa”. Por que ele queria tanto que Scorpius se sentisse feliz por estar com ele? Que a achasse divertido? Inteligente? Interessante? Companheiro? Estaria tudo isso embasado apenas em suas inseguranças? Ou teria algo mais?

Esse é outro ponto confuso.

I, I'll never be, be what you see inside

(Eu, eu nunca vou ser, ser o que você vê por dentro)

Por volta do terceiro ano, quando grande parte dos alunos começou a se envolver afetuosamente com outras pessoas, Albus se sentiu um peixe fora d’água. Primeiro, porque não se sentia exatamente interessado em se envolver física e romanticamente com alguém. Após algumas saídas para Hogsmeade, houve tentativas frustradas de isso ocorrer. Vez ou outra, tentavam empurrar alguma menina para ele ou o contrário. Mais uma vez, a sombra de James acompanhava-o. “Ele sinceramente não precisava sair toda semana com uma garota diferente”, Albus rolou os olhos e inspirou fundo. Um dia, vencendo toda sua timidez e curioso, o jovem decidiu dar uma chance à ideia. Ele convidou uma lufana para ir a Hogsmeade com ele em um encontro. Afinal, sua curiosidade pré-adolescente foi sanada, porém a experiência não foi das mais aprazíveis. Não simplesmente pelo fato de ser seu primeiro beijo, mas porque algo não se encaixava na sua cabeça. “Emma era bem legal e bonita, mas não fazia sentido. Eu não me sentia exatamente ‘atraído’ por ela e, muito menos, foi uma explosão de emoção estar com ela ou com qualquer outra garota com quem eu estive”, ele fez uma pausa, “Não seja tão idiota, Albus. Não é como se você tivesse enganado elas ao levá-las em encontros. Algum sentimento amoroso, nem que seja ligeiramente, tinha que ter, seu palhaço.” Diferentemente do que esperava, um gosto amargo surgiu em sua boca. Ele sabia que, por mais que tentasse negar, ele não tinha sentimento nenhum por elas a não ser a amizade. Nada de sentimentos românticos. Ele estava mentindo para si mesmo.

Não demorou muito para que outra pessoa surgisse em sua mente: um corvino de seu ano. Jack McGraw. Uma vez, ele fez dupla com o garoto para um trabalho de Trato das Criaturas Mágicas.

Hagrid acabara de encerrar sua aula sobre Occamis passando um trabalho em dupla. Como era costume de Hagrid quando se falava em bichos perigosos, ele tagarelara sobre como gostaria de ter um. Albus escutava, incrédulo, o professor. Por maior que fosse seu carinho e interesse pela matéria, ter bichos perigosos não era uma ideia muito popular na sua mente. Apesar disso, Albus adorava conversar com Hagrid. Era uma das suas coisas preferidas de se fazer em Hogwarts. Depois de despedir-se do professor, enquanto voltava para o castelo, ouviu alguém chamá-lo:

— Ei, Albus, certo? – aproximou-se um garoto alto e moreno, de cabelos escuros e cacheados; era muito bonito. – Eu sou Jack McGraw.

— Hã, — foi a primeira coisa que Albus conseguiu dizer. Durante alguns segundos, pareceu que todo o ar de seus pulmões tinha se esvaído. – Oi! Sim, sim, sou eu. Prazer! – sorriu de volta.

— O que você acha de começarmos o trabalho amanhã?

— Por mim, tudo bem. – “Não esperava começar o trabalho tão cedo, já que é só pra daqui a duas semanas, mas tudo bem...” – Depois do intervalo à tarde, eu tô livre.

— Ah, ótimo! Eu também estou! Nos vemos na biblioteca, então! – disse Jack, abrindo mais um sorriso e acenando para Albus antes de seguir seu caminho para sua próxima aula.

Albus ficou em transe, observando-o se afastar, sentindo-se impelido a chamá-lo por alguma razão, qualquer uma, porém, desistiu antes que sua voz saísse. Nervoso, ele passou a mão pelos cabelos e saiu de seu torpor, seguindo em direção à sala de Feitiços.

No dia seguinte, eles se encontraram na biblioteca, onde gastaram boa parte da tarde fazendo o trabalho. Depois desse primeiro encontro, Albus percebeu que Jack era bem simpático. Após alguns encontros para fazer o trabalho, eles viraram bons amigos. Todavia, havia uma sensação que não saía da cabeça de Albus depois de cada reunião: a sensação de borboletas no estômago.

— Acho que fizemos bastante por hoje. – disse o moreno, espreguiçando-se na cadeira. – Acho que preciso de um bom pedaço de torta de limão para ajudar a me recuperar.

Albus inclinou-se na mesa em direção ao garoto, apoiando seu queixo em sua mão:

— Então em assim que você lida com as coisas? Com doce?

— Pode se dizer que sim. – respondeu ele, abrindo um grande sorriso.

Lá estavam elas. As borboletas. Um calafrio prazeroso percorreu todos os nervos de Albus. Ele podia jurar que estava corando, mas torcia para o outro não perceber. De repente, todos os seus pensamentos pareciam ter entrado em um nevoeiro. Provavelmente, ele já tinha estourado o tempo limite que faz você não parecer um psicopata ao olhar para uma pessoa. Ou, talvez, o tempo para não parecer interessado demais nela.

Era impressionante como ele adorava a companhia de Jack. Adorava as conversas e o senso de humor do garoto. Mais impressionante ainda era como ele sempre se desfocava do objetivo da tarefa observando o moreno folhear os grossos livros. De repente, a forma como Jack semicerrava os olhos ligeiramente quando estava concentrado, como ele apoiava sua cabeça em sua mão e como ele sempre se manchava de tinta por ficar brincado com sua pena eram bem mais interessantes que 50 centímetros de pergaminho sobre Occamis.

Ainda, muitas vezes, Albus via-se distraído, olhando para a mesa da Corvinal.

Naquele mesmo ano, chegou o dia de jogo entre a Grifinória e a Corvinal. Ele e grande parte de sua família estavam sentados na mesa dos leões no Salão Principal. Todos muito animados, gritando e cantando hinos. Ele também estava animado, mas, diferentemente do que estava acontecendo com os outros, sua atenção estava dividida entre a competição de quadribol e alguém sentado do outro lado do salão. Parte dele estava muito distraída observando a empolgação de Jack ao devolver os gritos da Grifinória junto com os outros corvinos. Para sua tristeza, sua desatenção não passou despercebida por seus primos:

— Ei, Al! Tá tudo bem? Faz um tempo que você tá aí parado, encarando o nada! – perguntou Rose. Ao seu lado, estavam Fred II, Roxanne, Hugo e Lily, encarando-o curiosos.

— Huuum, acho que eu sei por quê! – cantarolou Lily com sorriso de orelha a orelha em seu rosto. “Por Merlin, já não bastava um irmão pestinha, eu preciso de uma irmã também.” — Acho que o Al está apaixonado! Quem é a garota?

Algo se remexeu dentro do estômago de Albus.

— Cala a boca, Lily – respondeu Albus, rolando os olhos. – Eu só estava pensando no tanto de coisa que eu tenho atrasada pra terminar.

— Tá bom. Sei... Vou fingir que acredito.

— Bom, se você preferir posso te trancar no armário do Filch no meio da noite – disse, abrindo um sorriso maligno.

— Nossa! Tá bom, tá bom, eu acredito. Não é pra tanto, também!

Afinal, Lily não incomodou mais o irmão. “Não foi por maldade. Eu amo a Lily, mas às vezes ela e o James se superam.”

Após a entrega do dever, no entanto, Jack e Albus pouco se falavam apesar de ainda serem amigos. Com o tempo e o distanciamento, a euforia que sentia por estar com Jack desapareceu. “Nunca entendi direito o que era aquele sentimento até um pouco mais tarde.”

Durante as férias do quinto ano letivo em Hogwarts, Albus e Rose passaram uma semana em Londres para comprar seus materiais e conhecer a cidade.

— Para onde vamos primeiro, Al? – perguntara ela.

— Vamos para o Big Ben! Eu sempre quis conhecer lá! – respondera, animado.

— Olha! Podemos alugar uma bicicleta ali para ir! – exclamara Rose, apontando para um lugar na calçada cheio de bicicletas enfileiradas e com uma máquina ao lado.

Ambos sabiam andar de bicicleta, apesar de não ser um meio de locomoção comum no mundo bruxo. A mãe de Rose sempre fizera questão de que seus filhos e sobrinhos convivessem com o mundo trouxa, no qual ela cresceu.

Era uma sensação quase tão boa quanto voar em uma vassoura. Dava uma sensação de liberdade sentir o vento batendo no rosto.

— Aposto que eu chego primeiro que você! – dissera Albus, pedalando mais rapidamente.

Rose gargalhou e começou a pedalar o mais rápido que os pedestres à sua frente permitiam. Após uma acirrada corrida, ela chegou ao ponto turístico antes de Albus por alguns metros.

— Acho que você estava errado, pequeno Al – provocara ela, ofegante. – Agora você me deve um sorvete para compensar esse gasto todo de energia – sorrira.

— Você realmente tem o estômago sem fundo do tio Rony – dissera, rindo da gula da prima.

Eles devolveram as bicicletas em outro posto de aluguel dessas próximo ao Big Ben e seguiram mais um trecho a pé.

— É bem bonito.

— Acho que o cenário compensa bem mais do que o relógio – ele comentara.

Realmente, o monumento por si só era bonito, mas a vista para o outro lado da cidade era mais encantadora. Ao redor, havia vários outros pontos turísticos, como o Parlamento britânico.

— Você sabia que uma vez quiseram explodir o Parlamento?

Essa era uma das peculiaridades de Rose. Ela sempre sabia curiosidades aleatórias sobre os lugares.

— Não duvido. Eu mesmo já quis explodir várias vezes o Ministério da Magia – zombou ele, dando uma risada baixa.

Rose, em resposta, deu um tapa no ombro do primo. Ela fez uma expressão irritada, mas o leve sorriso em seu rosto evidenciava que ela estava contendo a risada:

— Albus Severus! Minha mãe, que, por acaso, é também sua tia, trabalha lá. Não sei se você está lembrado! – ela tentava passar um sermão enquanto continuava a estapear o primo.

— Ai, ai, Rose! Lógico que eu lembro! Justamente por isso, você sabe tão bem quanto eu que eles podem ser bem irritantes! Ou vai dizer que você nunca teve vontade de mandar alguns funcionários pra um acampamento de gigantes na Sibéria? – ele segurou os punhos de Rose para conter os tapas e ergueu as sobrancelhas, sugestivo.

Rose não conseguiu mais conter a risada:

— Tudo bem, você venceu. Mas não quer dizer que isso é certo!

— Ok, ok – desistiu, levantando as mãos em rendição. — Agora conta do Parlamento.

— Bem, uma vez, em 1605, em meio a vários conflitos trouxas entre católicos e protestantes, um grupo de católicos planejou matar o rei da época, Jaime I, um protestante. O plano era explodir o prédio enquanto o rei e os outros membros do Parlamento estivessem ali para dar início a um levante católico. Afinal, o plano não deu certo. Eles foram dedurados antes que tudo se concretizasse.

— Uau... Os trouxas conseguem ser bem furiosos quando querem.

— Pois é. É algo paradoxal. Eles mudaram tantas coisas ao longo da história deles, mas, ao mesmo tempo, tem coisas que nunca mudaram e nem têm perspectiva de mudar.

— Bem, nós não somos muito diferentes, né? História da Magia nunca foi meu forte, mas o mundo bruxo de 1600 e o de hoje têm várias semelhanças ainda até onde eu sei.

— Sim, sim.

— Que tal irmos no London Eye antes de pegarmos sorvete?

Rose concordou animadamente. Eles atravessaram o Rio Tâmisa, chegando à roda gigante. A ruiva estava comprando seus bilhetes quando Albus avistou, na fila, um casal. Diferentemente do que ele estava acostumado a ver, o casal era composto por dois homens. Não havia nada de excepcional para quaisquer outros olhos, mas captou a atenção de Albus. Um dos moços estava com o braço entrelaçado no do parceiro, apoiando sua cabeça sobre o ombro dele. Ambos estavam muito contentes. “A princípio, foi bem estranho, mas, observando melhor, vendo que eles pareciam tão bem juntos, aquilo pareceu fazer sentido.”, pensou Albus, ainda sentado nas poltronas do Salão Comunal da Sonserina.

“Naquele dia, eu me deitei pensando em como seria se eu estivesse com outro garoto. Imediatamente, Jack apareceu na minha mente. Todas as vezes que eu me distraía dos livros para observar sua expressão concentrada, que um sentimento reconfortante e doce preenchia meu peito quando ele sorria, que eu pensava em como gostaria de passar o resto do dia com ele... Foi então que eu percebi que ele tinha sido uma paixonite minha”, considerou, remexendo-se na poltrona. “Uau, Albus, paixonite é quase um eufemismo perto de tudo que você acabou de pensar, (querida voz interior, você entendeu). Foi então que eu percebi, também, que era um sentimento bem diferente de estar com Scorpius. O que eu sinto pelo meu amigo não tem nada a ver com essa atração, mas, sim, com minha insegurança e medo de ficar sozinho. O que eu senti por Jack foi bem mais intenso... E, também, foi muito diferente do que eu jamais senti por uma menina.”

“De repente, eu entendi que eu não tinha nenhum problema por não estar interessado em chamar alguma a-l-u-n-a para um encontro em Hogsmeade. Nada nunca esteve errado comigo. Acho que foi uma das realizações mais felizes da minha vida. A minha alegria quase não se continha em mim naquele dia. Mas isso não durou muito”, suspirou, voltando a encarar as janelas da sala.

You say I'm not alone, but I am petrified

You say that you are close, is close the closest star?

You just feel twice as far, you just feel twice as far

(Você diz que não estou sozinho, mas estou petrificado

Você diz que está perto, perto é a estrela mais perto?

Você apenas parece que está duas vezes mais longe, você apenas parece que está duas vezes mais longe)

“O medo de todo mundo me julgar de novo, de todo mundo voltar a me comparar com meu irmão, de ser uma decepção mais uma vez, de todo mundo se voltar contra mim... Tudo isso voltou. Quantas vezes mais eu teria que correr para o banheiro para chorar para aliviar um pouco aquela pressão antes de seguir para a próxima aula? Quantas vezes mais eu teria que colocar um sorriso no rosto quando tudo que eu mais tinha vontade de fazer era passar o resto do dia na Sala Precisa, fingindo que eu poderia estar em qualquer outro lugar? E, ainda, o que será que Scorpius pensaria se eu conversasse com ele sobre isso? Será que ele se afastaria? Quer dizer, nós estávamos do mesmo lado quando eu vim para a Sonserina, mas isso é completamente diferente...”

“Falando assim, até parece que todas essas angústias duraram só até aquele momento”, bufou e revirou os olhos para si mesmo, “Esse é um dos meus maiores medos até hoje. Eu nunca consegui me abrir com ninguém. Nem com a Rose eu conversei.”

And I'll fall

And I'll break

And I'll fake

All I wanna

And I'll fall down

And I'll break down

And I'll fake you out

All I wanna

(E eu vou cair

E eu vou quebrar

E eu vou fingir

Tudo o que eu quero

E eu vou cair

E eu vou quebrar

E eu vou fingir

Tudo o que eu quero)

“Desde então, minha vida não passou de uma mentira. Sempre disfarçando, sempre me esquivando quando alguém pergunta sobre qualquer interesse romântico. E, talvez uma das piores partes, sempre me controlando pra não torcer o nariz quando alguém insinua sobre eu estar com qualquer garota, como aquele dia que a Lily zombou de mim por estar encarando a mesa da Corvinal. Essa é definitivamente a pior parte. Simplesmente não desce... Parece tão... desconexo, sem sentido, uma farsa. Por Merlin, EU sou uma FARSA completa. A todo momento, eu estou enganando as pessoas e me enganando, pensando que eu posso continuar a viver assim.” Ele controlava as lágrimas que saiam de seus olhos. “Algum dia eu poderei ser EU mesmo sem palpitarem sobre a MINHA vida?”

Esses eram os pensamentos que impediam Albus de ter uma noite tranquila de sono há alguns meses já. De fato, não era a primeira vez que descia ao Salão Comunal porque sua mente não o deixava dormir. Era quase um ritual já.

Todas as noites, ele se sentia aliviado ao se ver envolto pelas cortinas da sua cama. Mais um dia tinha acabado. Mais um dia ele tinha usado uma máscara o tempo todo. Mais um dia ele tinha questionado todos os seus atos: se estavam adequados, se alguém suspeitaria de alguma coisa, se as pessoas aprovavam... Mais uma vez ele chegava à cama cansado de tudo isso. Com vontade de dormir por horas, talvez um dia inteiro.

It's the same game today as it always is

I don't give these places fake my name explaining this

And the wrists of my mind have the bleeding lines

That remind me of all the times

I have committed

Dirty dirty crimes that are perfectly form-fitted

To what I've done and what I'm doing

(É o mesmo jogo hoje que sempre foi

Eu não dou meu nome falso a esses lugares para explicar

E os pulsos de minha mente têm as linhas sangrentas

Que me lembram de todas as vezes

Que cometi

Crimes bem feios, que se encaixam perfeitamente

No que eu tenho feito e o que estou fazendo)

“Será que eu estou fadado a iludir as pessoas para sempre? Parece até que eu cometi um crime hediondo. Como se eu tivesse promovido uma chacina. Todo mundo diz que está do meu lado, mas e se não estiverem? O quão perto de mim eles querem dizer que estão ao falarem isso? Eu tenho tanto medo do que Scorpius, Rose, meus pais, meus irmãos têm a dizer. E se eu tiver que passar por todos aqueles julgamentos de novo? E se voltarem a me olhar torto nos corredores?”. A garganta de Albus pareceu se fechar. A angústia ocupava todo seu coração e seus ombros pareceram carregar o peso do mundo. Naquele momento, ele sabia que não poderia mais segurar o choro. Ele nunca conseguia segurar por muito tempo, mas, mesmo assim, sempre tentava, em uma espécie de tentativa estúpida de se mostrar forte para si mesmo e de que suportaria o que fosse preciso. Mas o peso de continuar vivendo uma mentira, se sentindo apenas uma marionete, uma figura oca, sem qualquer essência, já estava grande demais para ele suportar.

A sensação era de estar se afogando em uma piscina bem funda. A luz se tornava cada vez mais distante, a pressão no peito aumentava, a falta de ar piorava.

I'm brewing and losing and spewing infusing

And believe me that's what all the kids are doing

What kids are doing are killing themselves

They feel they have no control of their prisoner's cell

And if you're one of them then you're one of me

And you would do almost anything just to feel free

(Estou me preparando e perdendo e cuspindo, infundindo

E acredite em mim, é o que todas as crianças estão fazendo

O que elas estão fazendo, é se matar

Eles sentem que não têm controle sobre suas celas de prisão

E se você é um deles, então é um de mim

E você faria qualquer coisa para se sentir livre)

“Eu só queria poder fazer alguma coisa pra me sentir livre. Me sentir bem comigo mesmo. Pelas barbas de Merlin, o que eu não faria pra não ter que viver me aprisionando...”

Seus pensamentos foram interrompidos pelo som de passos. Alguém estava saindo dos dormitórios. Ele tentou conter seus soluços e fingir que estava dormindo na poltrona. Apesar disso, uma das pessoas que ele menos queria que o visse naquele estado apareceu: seu melhor amigo, Scorpius.

— Al? É você aí?

Albus ficou em silêncio, esperando que o amigo desistisse e voltasse para o dormitório. Falha tentativa. Scorpius se aproximou, distinguindo a figura do amigo na pouca iluminação.

— Já percebi que é você. O que você tá fazendo aqui a essa hora? Tá tudo bem?

Ele não encontrou forças para responder.

— Óbvio que não – suspirou Scorpius antes de se sentar ao lado de Al.

Scorpius ficou um tempo em silêncio, o que Albus agradeceu internamente. Ele não queria demonstrar toda a enxurrada de sentimentos que o comoviam naquele momento. Não quando passara os últimos minutos se preocupando se o amigo o rejeitaria e deixaria de falar com ele. Se isso fosse colocar uma das suas maiores amizades em risco, ele preferia ficar calado.

I'll fake you out

I'll fake you out

And I'll break down

I'll fake you out

(Eu vou fingir

Eu vou fingir

E eu vou quebrar

Eu vou fingir)

Albus tentou se acalmar antes de reunir coragem para dizer algo, mas, quando estava preparado para dizer alguma mentira para o amigo, Scorpius se pronunciou:

— Eu sei que, às vezes, eu não tenho muito tato para perceber sentimentos, mas, o que quer que você fosse me dizer agora, eu sei que é mentira.

— Uau, se você não tivesse falado que não tem tato, eu nem perceberia – retrucou Albus, ofendido. “Com licença, eu estou passando por um momento delicado, entende? Por Merlin, Scorpius...”. Apesar disso, não podia negar. Ele tinha razão, afinal. Ele o conhecia bem.

— Pois é, então, meu ponto está provado já. Mas a questão não é essa. A questão é que, mesmo não sendo muito bom quando se trata de problemas emocionais, eu sei que você não está bem. E não é de hoje – Scorpius, que estivera vasculhando a sala (por nada em especial, apenas para não pressionar o amigo), voltou seu olhar cinzento para Albus, tentando ler o que quer que estivesse por trás da mente dele.

Outro momento de silêncio se seguiu enquanto Scorpius escolhia suas próximas palavras.

— Eu me preocupo com você, Al. E estou do seu lado, independentemente de qualquer coisa. Eu sei também que muitas vezes você prefere fingir que seus sentimentos não existem e os guardar até que você não aguente mais, mas eu estou do seu lado. Mesmo que seja para você apenas ficar chorando.

— Bem, já ajudaria se você também não esfregasse na minha cara que eu lido com minhas emoções de um jeito péssimo – disse, tentando se demonstrar irritado, mas Scorpius sabia que era só brincadeira. Por mais que incomodasse Albus ser confrontado com essa verdade, isso não o deixava irritado, apenas desconfortável por saber que o amigo falava a verdade. Se não fosse dito daquela forma, talvez ele jamais confrontaria essa realidade, porque, dentre as coisas que se destacam em Albus, uma delas é a teimosia e ambos sabiam disso. Se dependesse de Albus apenas, ele insistiria que tudo que ele sentia não era nada demais pelo resto da eternidade, mesmo que aquilo o corroesse por dentro.

Mais um momento de silêncio. Potter não sabia o que dizer. Se tentasse mentir, Scorpius perceberia. Se falasse a verdade... Essa era uma hipótese que não passava pela sua mente.

I'll fake you out

I'll fake you out

And I'll break down

I'll fake you out

(Eu vou fingir

Eu vou fingir

E eu vou quebrar

Eu vou fingir)

— Nós somos amigos, independentemente de tudo, né? – Albus encarou o amigo.

Scorpius franziu o cenho:

— Claro que sim, cara! Não há dúvidas. Você é praticamente família pra mim.

Albus deu um sorriso fraco em resposta. Aquilo bastava para aquecer um pouco seu coração dolorido.

— Há quanto tempo você tem levantado no meio da noite?

— Sinceramente, já perdi a conta, mas já faz alguns meses.

— Meses? Por Merlin, Al!

Albus simplesmente deu de ombros.

— Hm, você tem conversado com a Rose pelo menos? Sobre o que você vem sentindo?

— Não, e, sinceramente, nem sei se conversarei.

— Alguém comentou alguma coisa ruim recentemente sobre você?

— Não especificamente. Não que eu tenha ouvido também.

Scorpius sabia que Albus não cederia tão facilmente. O fato de ele não ter sequer conversado com a prima evidenciava que a situação era pior do que pensava. Sendo assim, ele também sabia que Albus precisava conversar, ou tudo só se agravaria. Por isso, decidiu adotar outra estratégia, puxando conversa relacionada ao assunto até o amigo se sentir confortável para dizer.

— Eu só... tenho medo de tudo isso voltar – Albus começou a falar, preparado para contar meias-verdades. – Sabe, as pessoas podem ser bem idiotas. E se de repente eu fizer algo que faça com que elas voltem a comentar de novo?

— Se isso acontecer, nós – disse Scorpius, referindo-se a ele e a família de Albus – estaremos ao seu lado como estivemos desde o seu primeiro ano. Nós vamos te defender.

— Mas e se vocês também não gostarem do que eu fizer e se afastarem?

— Jamais faríamos isso – o olhar firme e tranquilizador do amigo mais uma vez examinava o outro tentando decifrar sua mente. – Nunca, entendeu? Não importa o que aconteça.

— Seria bem mais fácil se eu tivesse essa sua confiança...

— Bem, eu também já conversei inúmeras vezes com você, provavelmente assim como Rose, sobre como lidar com a opinião dos outros. A gente sempre estará do seu lado para te ajudar a passar por isso... Mas, algo me diz que esse não é o caso aqui, Al. Você fez alguma coisa?

Albus negou. “Eu realmente não consigo enganar esse cara”, pensou, “eu só queria uma chance de não ter que mentir pra ele, mas eu tenho tanto, tanto medo...”

Diante da preocupação do amigo, uma fagulha de ousadia se acendeu em seu peito: “E se... eu tentasse pelo menos uma vez tirar essa máscara?”

“Pelo menos, uma vez...”

“Mas vale a pena? Vale a pena arriscar nossa amizade?”

— Al, sendo sincero, — mal Scorpius começou a falar e o coração de Albus parecia ter parado. Ele não sabia se queria ouvir o resto da frase – você precisa conversar com alguém sobre o que está acontecendo, mesmo que não seja comigo – havia apreensão na voz do loiro. – Já faz muito tempo que você tá mal.

— Você parece a Rose falando assim – respondeu, com um leve sorriso passando por seu rosto. O coração já parecia ter voltado a bater. Ele realmente estivera esperando o pior naquele momento. Logo, a seriedade voltou para sua expressão. – Você realmente é meu amigo para o que der e vier, né? – ele tentava reunir coragem para tentar contar o que o afligia, ao mesmo tempo em que lutava a sua batalha interna para decidir se contaria ou não. Scorpius estava visivelmente preocupado com ele. “Talvez, só talvez, valha a pena eu tentar”.

— Sou, Al. Pode confiar em mim para o que você precisar – Scorpius, que estava corado desde a comparação do amigo com Rose, podia sentir uma pequena vitória com o rumo da conversa.

I'm so afraid

Of what you have to say

'Cause I am quiet now

And silence gives you space

(Eu estou com tanto medo

Do que você tem a dizer

Porque eu estou quieto agora

E o silêncio te da espaço)

Mais silêncio. Albus pensava e repensava a decisão de contar para o amigo. Havia muito medo, muita ansiedade. “Mas seria tão bom se eu pudesse ser eu mesmo pelo menos com uma pessoa. Uma pessoa só. Todo esse peso já pareceria bem mais leve. Não ter que me esconder completamente do momento que eu me levanto até o momento que eu me deito...”

Buscando até a última gota de coragem que podia encontrar em seu âmago e se apegando a essa esperança de poder ser ligeiramente mais verdadeiro no dia-a-dia, Albus começou a contar sobre Jack. Foi o jeito mais fácil que encontrou de falar, já que isso prorrogaria um pouco a conclusão do amigo e ter que lidar com sua reação.

— E a conclusão disso tudo é... Eugostodegarotos – disse, falando a última parte o mais rápido possível e diminuindo o tom de voz conforme avançava na frase.

— Você...

— Eugostodegarotos – repetiu com a mesma afobação de antes, ansioso demais para esperar o amigo terminar de falar.

— Calma...

— Eu sou gay! É isso, por Merlin! Eu sou gay. Agora não me faça repetir antes de você dizer qualquer coisa ou eu vou entrar em colapso – falou, apavorado. Seus olhos estavam arregalados e, sem perceber, ele havia se encolhido na poltrona.

Scorpius estava digerindo a informação. Não demorou muito até que ele pigarreou e ajeitou a postura antes de falar:

— Tá tudo bem – disse, lançando o olhar mais reconfortante que conseguiu para o amigo, enquanto dava um pequeno sorriso simpático.

— Tá... tudo... bem...?

— Tudo bem – sua compostura evidenciava que ele falava sério. Sério o suficiente para Albus acreditar nele.

Sem pensar duas vezes, Albus abraçou o amigo. Seus olhos lacrimejavam. Scorpius ficou surpreso a princípio, já que ele não era uma pessoa de demonstrar afeto fisicamente, mas, reconhecendo a importância do momento, abraçou-o de volta.

— Eu fiquei tão, tão preocupado – a voz de Al saía como um sussurro. – Você não tem ideia de quantas coisas passaram pela minha cabeça.

— Só posso imaginar, mas sei que deve ter sido horrível. Agora, o mais importante de tudo é: eu jamais te julgaria por isso. Jamais, entendeu? – o abraço se desfez. – Saiba que isso não muda nossa amizade. Nem um pouco. Bem, exceto que agora eu posso te zoar corretamente.

— Eu já sofri demais esses últimos meses, você não acha? – Albus semicerrou os olhos.

Scorpius riu em resposta, sendo acompanhado pelo amigo logo em seguida.

A felicidade cresceu no peito de Al. Ele pensou que não poderia ficar mais feliz do que quando percebeu que ele não era um garoto problemático por não querer sair com meninas, mas aquele momento mostrou-o o contrário. Ele se sentia como se pudesse sair gritando pelos corredores da escola, sem se importar com mais nada. Como se estivesse voando em sua vassoura na noite mais bela de verão. Como se estivesse pulando em um lago refrescante em uma tarde quente.

— Eu sei que talvez você queira ir devagar com o lance de sair do armário pras pessoas, mas acho que posso sanar outra de suas angústias. – Albus saiu momentaneamente de seus devaneios para escutar. – Sua família também está do seu lado, independentemente da sua orientação sexual. Eles vão continuar te amando da mesma forma.

— Ainda não me sinto muito seguro quanto a isso, na verdade... Não é exatamente como se todos os meus medos tivessem passado num passe de mágica, você sabe.

— Eu sei, mas acho que vale a pena te assegurar sobre isso. Eles te amam muito e te querem bem. Duvido que com que você sai importe para eles.

— Talvez você esteja certo, mas, como você disse também, eu prefiro ir devagar. – respondeu, contorcendo o rosto em uma careta.

— Pelo menos, você conseguiu falar para alguém. Já é um bom começo.

Albus sorriu para o amigo. De fato, estava contente com esse pequeno progresso. “Pelo menos, um pouco de peso saiu de meus ombros. Quem sabe um dia não precisarei sentir como se enganasse alguém novamente?”

— Vai ficar tudo bem, Al. E, mesmo que até ficar tudo bem, as coisas sejam meio problemáticas, pode contar comigo – Scorpius ergueu a mão, que estava cerrada para dar um “toquinho” com Albus. O outro correspondeu o gesto. Ele se sentia imensamente feliz e não conseguia parar de sorrir.

— Bem, acho que agora podemos dormir, né? – bocejou Al.

— Concordo, eu estou morrendo de sono – respondeu Scorpius, escorando-se na poltrona.

E então, ambos se levantaram e voltaram para seus dormitórios. Pela primeira vez em meses, Albus teve um sono tranquilo.

Notas finais
Espero que tenham gostado!!! Deixem nos comentários o que acharam!!! Foi minha primeira songfic também, então, espero que tenha dado tudo certo!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!