Fake Hiro
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Jovens, sejam ambiciosos!
Essa é a história sobre o sonho de Morgan e o árduo caminho tomado para alcançá-lo!
De que tipo de sonho estamos falando? Para responder a essa pergunta, primeiro temos que contextualizar a vida de Morgan até agora.
...
Este é um mundo em que a espécie humas — que descende da humana, com a diferença de que pode usar magia — coexiste com a espécie monstas — que consiste de pessoas hibridas, que descendem de criaturas lendárias e humas.
Morgan nasceu em uma família com um pai humas e três mães monstas, crescendo com suas sete irmãs monstas.
No caso de mestiços entre monstas, a criança herdará a espécie de um dos pais. Já no caso de mestiços entre humas e monstas, as crianças sempre herdam a espécie do pai ou mãe monstas. Ou melhor, quase sempre. Na verdade, existem casos extremamente raros em que tais filhos podem nascer humas.
Então, qual seria o sonho de Morgan? Vivendo em um mundo cheio de pessoas monstas, com influência do harem de seu pai e após ter alcançado uma idade jovem e saudável?
—Como minha única criança humas, é você que tem que continuar com o meu sonho, Morgan! Consiga um harem de monmusus! Conquiste um título de hiro! E consiga um harem ainda maior!!!
—Caramba, pai! Quantas vezes já não te falei para parar de vir no nosso quarto para ler as revistas voltadas ao público adulto, da Chrome!? E eu já falei que estou estudando biologia monstas e vou trabalhar com isso!
E assim Morgan começa sua aventura para trabalhar no campo das ciências biológicas de monstas!
...
...
...
Em uma grande casa, aos arredores da vila Shalltear.
—Moga ido ibola?
Happy puxa a calça de Morgan enquanto pergunta.
A irmã mais nova, a harpia Happy (3). Com braços em formatos de asas, e pernas com escamas abaixo da coxa, terminando em quatro garras aos pés. Por ser uma criança ainda, sua plumagem azul claro ainda era curta e macia, imprópria ao voo. Com cabelos da mesma coloração que suas plumas e olhos castanhos também claros, ela normalmente fica em casa aos cuidados de alguém da família.
—S-sim, m-mas…
—Uuu... *olhos lacrimejando*
Morgan se agacha para falar com a irmã.
—Ah! Não fica triste princesinha!!! Eu vou mandar várias cartas, e... e lembrancinhas--- brinquedos! Vou mandar vários brinquedos! Mas só se você se comportar direitinho e obedecer todo mundo...
—Não biquedos, quelo Mogaaaaa!
—E-eu volto logo!
—*chuiff* Logo...?
—É- é! Logo mais eu estou de volta! Relativamente... É só você contar até cem!
—Chei...?
—É, cem. Lembra quantos aninhos você tem?
A Happy olha para as mãos e levanta dois dedos.
—Doi!
—Quase! Lembra que você fez aniversário? Com bolinho e tudo? Então agora são…?
A Happy olha para as mãos de novo. Dessa vez ela levanta três dedos.
—Doi!
—Lembra que depois do dois vem o trê---?
—Dei!
—É! Três, muito bem! Agora é só você continuar aprendendo a contar com a mamãe vermelha, e quando você conseguir contar até cem eu já devo estar de volta! Provavelmente bem antes disso, mas prefiro não fazer promessas sem ter certeza... Então, me promete que vai se comportar?
—Hm, pomede...
*Abraço*
—Ai ai, meu coração não tanka essa fofura...
—Oras oras~? O que é isso logo de manhã~? Quero me juntar também~~~
A Chrome se junta ao abraço.
A terceira irmã mais velha, a súcubo Chrome (19), com pequenas asas púrpuras em suas costas, feitas de uma membrana fibrosa com vasos sanguíneos perceptíveis quando colocadas contra a luz. Uma cauda lisa escarlate se estende por trás de sua cintura, terminando em uma ponta com o formato de um coração. Com cabelos roxos e olhos chocantemente rosados, ela trabalha (de vez em quando) como caixa na loja da Tsubaki, além de receber diversos presentes de seus vários admiradores.
—Hehe~ Você ouviu, diabinha *Chrome olha para a Happy*~~~ A cerejinha disse que você tem que obedecer todo mundo~~~ Especialmente a mim~~~
Morgan pega a Happy no colo e empurra a Chrome enquanto se levanta.
—Não me lembro de ter falado nada dessa última parte... Além disso, para de me chamar de “uma cereja”, e de se referir a mim no diminutivo, é irritante, principalmente vindo de você. Mas mais importante...
Morgan volta a falar com a Happy.
—Isso não conta para a Chrome, ok princesinha? O melhor seria se você conseguisse ignorar ela sempre que puder, nem precisa olhar para a cara dela...
—Não fale assim~~~ Por que falar isso da sua nee-chan, cerejinha~? Foi por causa daquela vez que eu te disse para falar aquelas coisas para aquele comerciante para ganhar umas coisas de graça~? Ou aquela outra vez em que eu te disse para dizer aquelas outras coisas para os seus professores para ganhar notas melhores~? Ou será que é por causa daquela outra vez em que...
—Qualquer uma dessas ocasiões serviria! As coisas que você falou para o comerciante! Por uns dois anos, todas as vezes que ele vinha aqui e me encontrava, ele chorava de felicidade porque pelo que você falou seria um milagre eu ainda estar vivendo! E eu realmente falei aquilo para os meus professores, e tomei suspensão por duas semanas! Você pode continuar lembrando de quantos acontecimentos você quiser, mas a verdade é que qualquer um deles justifica o jeito que eu estou te tratando! Ouviu princesinha? Tenha certeza de não chegar perto dessa dai de jeito nenhum! Promete!?
—Hm, pomede...
—Aiai~~~ Diabinha, você sempre diz o que todo mundo quer ouvir, por que só comigo é diferente~? E cerejinha, não precisa de toda essa rigidez, o que seria o pior que poderia acontecer~?
*Morgan para por um minuto, pensando no pior que poderia acontecer*
—Quem foi que ensinou a Lo sobre *cobre as orelhas da Happy* educação sexual…?
—Ué~~~? Alguém tinha que ensinar, e não seria você~
—Você abriu a conversa falando sobre sadomasoquismo...
—Ué~~~? É importante ela saber essas coisas para não ser abusada por pessoas más~~~
—Mas ela só tinha cinco anos!
—... As garotas amadurecem mais cedo que os garotos~~~?
— A gente teve de fazer todos os aniversários dela a partir disso sem velas, porque ela começava a chorar sempre que via uma!
—Pft---!
Chrome consegue se segurar para não rir, mas não rápido o suficiente.
—...
—...
Morgan devolve a Happy ao chão, e pula em cima da Chrome!
—Sua hipócrita! Quem que é a pessoa má que abusa dos outros!? Não tente tornar as mais novas como você e o nosso pai!!!
—Hohoho~~~ Sua mente é tão pequena quanto você, cerejinha~~~ Por que você acha que não encontrou ninguém em seus dezessete anos de vida~~~?
—Êeee! Moga e Ghome bicaado!
—Não estamos “brincando”, princesinha, estamos “brigando”. Vai ficar mais claro quando eu conseguir enfiar a cauda dela pelo nariz!
—Você que deu a ideia, não vai reclamar depois~~~
Morgan e Chrome estavam se encarando, com as mãos agarradas, em uma disputa de força desnecessária.
—Ah... Que inveja... Vocês sempre tiveram uma relação tão boa...
A Muzet que acabara de entrar na cozinha, comenta.
A quarta irmã mais velha, a slime Muzet (18), com um corpo viscoso, frio e úmido, sem uma forma real definida. A Muzet costuma assumir a forma de uma jovem garota com longos cabelos, exceto por seus pés, que se juntam em uma poça, para sua locomoção. Com um corpo azul escuro e olhos que parecem com um recife de esmeraldas no oceano, ela é uma médica em treinamento.
—Ah! Mu-nee, bom dia!
Morgan rapidamente desliza para o lado e solta as mãos da Chrome, distraída pela chegada da irmã, enquanto lembra de deixar uma de suas pernas em seu caminho, o que faz com que a Chrome tropece e caia com a cara no chão.
—Ai~~~
—Hehehe!!! Mogaaa!
A Happy bate palmas, enquanto Morgan se vira para conversar com a Muzet.
—Desculpa Mu-nee, eu estou saindo e deixando todo o cuidado da casa com você...
—Do que você está falando, doce e gentil Morgan…? Você está saindo em uma viagem para alcançar o seu sonho, não tem nada para se desculpar... Além disso, você se esqueceu que eu sou a sua irmã mais velha...? Não tem nenhum problema em depender de mim quando precisar...
—Mu-nee! *Morgan a abraça com os olhos lacrimejando*
—Hã~~~? Por que você não depende de mim também~~~?
—Arruinando o clima... Que desagradável...
—Se você quer que outras pessoas tenham um suporte em você, o normal seria dizer que você também deveria confiar um pouco nelas... Confiar para receber confiança. O seu problema é que você vai bem além de confiar ou depender, e pula direto para parasitar de todos os outros! É uma relação unilateral em que você recebe sem dar nada em troca!!!
—Hããã~~~ É porque eu comi o seu sorvete de novo~~~~? Já pedi desculpas, não sabia que era seu~~~ *A Chrome tenta dar um abraço em Morgan, mas é repelida*
—Estava com o meu nome, registrado na minha conta na geladeira da vila!
—Não é culpa minha que aquela mulher das neves sempre se confunde~~~ Eu não fiz nada de errado~~~
—Viu, esse é o seu problema!
—Qual~~~?
—ESSE!
—Hã~? Você acabou de apontar para mim como um todo~?
Finalmente, interrompendo a discussão mais uma vez, aparecem três novas vozes.
—O seu problema não é nada do que você tem aí, mas sim o que falta dentro da sua cabeça! É obvio que daqui só tem Morgan, Muzet e Lol para confiar. Hehe!
—I-isso não é algo do qual você deveria estar se orgulhando Lily... M-mas é verdade que você pode confiar em mim também para cuidar da casa, Morgan.
—Vocês falam como se eu também não fosse digna de confiança... Fufu
Enquanto Morgan e Chrome discutiam, apareceram na cozinha mais três irmãs, respectivamente:
A terceira irmã mais nova, a lâmia Lily (14) com um corpo alongado em forma de cilindro da cintura para baixo, terminando em uma cauda em formato de cone, que somados tem um tamanho pelo menos cinco vezes maior do que o seu torso. Seus cabelos purpuras balançam e suas pálpebras se fecham sobre os seus olhos amarelos enquanto ela ri despreocupadamente, com movimentos exagerados. Ela é uma estudante do 9º ano do fundamental.
A segunda irmã mais nova, a vampira Lo (13) poderia ser confundida com uma humas, não fossem os seus cabelos excessivamente dourados, seus olhos vermelhos como o sangue, e os seus grandes caninos, que se destacam enquanto ela fala timidamente. Ela também é uma estudante do 9º ano.
A segunda irmã mais velha, a raposa de nove caudas Tsubaki (23) com grandes orelhas triangulares no topo de sua cabeça, e nove caudas saindo de seu lindo quimono florido. Seus cabelos, orelhas e caudas brilham como prata, enquanto ela fita o resto da família com seus olhos verdes claros. Ela é a dona de um mercadão na vila e normalmente já estaria na loja a esse horário, mas hoje é um dia especial.
—Ah! Lo, valeu por acordar essas dorminhocas. Eu sei que posso contar com você também!
Morgan faz um cafuné em sua cabeça, e Lo relaxa a sua expressão.
—Hã? Pera um pouco! Por que que só a Lo que está sendo elogiada? Eu também me esforcei para acordar!
—M-mas você começou a conjurar magias contra mim enquanto eu tentava te acordar…
—Ah! Hehe, mas eu não te machuquei, não é?
—M-mas e os buracos na parede?
—Ah, já tem vários mesmo--- Ughe---!!!
*Morgan dá um cascudo na cabeça da Lily, e machuca a sua mão*
—Você é bem forte quando quer, Lily, então tem que se lembrar de tratar os outros de forma gentil, para não acabar como as nossas irmãs mais velhas... *Os olhos da Lily começam a lacrimejar* Ah! M-mas você fez um bom trabalho em conseguir acordar! *cafuné na cabeça* *A Lily fica corada*
—Olha aí a injustiça~~~ Você só mima as fedelhas~ Para mim não dá nem um pote de sorvete~~~
*Morgan volta a encarar a Chrome*
—O café está na mesa, crianças! Venham comer!
—A mamãe está chamando… Vamos…
Café, almoço, jantar, lanche, comida, prato, boia, rango, alimento. Ao ouvir a palavra-chave, Morgan sai primeiro. As irmãs saem logo em seguida, exceto pela Tsubaki, que demora mais um momento.
—E eu? Fui ignorada? Fufu…
...
As três mães estavam esperando na sala de jantar.
Trabalhando na comida, sem se incomodar com o barulho do resto da casa, a slime Merry é um dos pilares da família. Normalmente seria Morgan a fazer a comida, mas sendo um dia especial, foi ela quem tomou a responsabilidade. Com o corpo azul e olhos castanhos, ela trabalha como uma médica bastante ocupada. Mas ainda assim, ela consegue focar na família durante o seu tempo livre. Ela é a mãe de sangue da Muzet, mas trata todas as suas crianças da mesma forma, com carinho e amor. Foi ela quem avisou que o café estava na mesa.
—*Uaaahhh* Tanto barulho já logo de manhã, crianças… Ah! Vem sentar aqui do meu lado, amorzinho!
A sonolenta, com olheiras por baixo dos olhos, é a lâmia Selena. Com seus cabelos e parte inferior do corpo vermelhos, e seus olhos amarelos, ela trabalha como professora na escola em que a Lily e a Lo estudam, e varou a noite corrigindo provas. Ela é a mãe de sangue da Lily, mas dentre todas as crianças, sempre deu uma atenção especial para Morgan.
—Eba! Quanta comida! Vamos comer!
Nunca tem um dia ruim para a harpia Lapis! Com o cabelo e penas rosas, e seus olhos negros, ela trabalha como entregadora de correios, voando entre cidades para distribuir encomendas. Não é raro que ela tenha de passar dias fora de casa em viagens. É a mãe de sangue da Happy e ama muito todas as suas crianças.
Toda a família já ia começar a se servir, até que Morgan levantou uma questão.
—Calma, mas cadê o pai?
—"..."
—... V-vocês não se esqueceram dele, não é …?
—"..."
—Bom, ele deve estar ocupado fazendo nada de importante, melhor deixar ele de lado. Não precisa deixar comida para ele, podem comer tudo.
Disse a mãe azul… Com o que as mães vermelha e rosa concordaram…
—(Hã? Eles brigaram de novo?)
Morgan pergunta para a Chrome, que acabou sentando do seu outro lado, que não estava ocupado pela Selena.
—(Parece que uma delas viu ele dando em cima daquela garota fazendeira, Moomo~)
—(... Ele é idiota...?)
—(Hã~? Isso não é o normal para pessoas saudáveis~? Não é só uma cerejinha como você que não consegue nem entender algo tão simples~?)
—(Verdade. Só você poderia entender algo assim. Que bom que concordamos que você herdou a idiotice do pai)
—...
—...
—Ah! Ei, não briguem enquanto estamos comendo!
Apesar do aviso da mãe azul, a Chrome ainda acabou com a cara enterrada em um pote de ovos mexidos, o que não impediu que a Lapis continuasse comendo os ovos que ficaram grudados na cara dela. Apenas uma manhã comum com a família reunida.
…
—Ainda não consigo acreditar que você está saindo em uma viagem, sem mais ninguém para te acompanhar. Você cresceu tão rápido… Ainda me lembro de quando tinha pesadelos e vinha chorando para dormir comigo--- Apesar de sempre reclamar que eu ficava lendo com a luz ligada a noite inteira...
Selena faz uma voz saudosa, enquanto rememora.
—E quando pegava um galho no chão e fingia que era uma espada, mas depois vinha chorando para mim porque umas farpas entraram na mão...
Seguida por Merry.
—Ou quando pedia para vir nas entregas comigo, mas na hora que saiamos chorava para voltar para o chão!
E então por Lapis.
—(Mas era você que vinha no meu quarto… E aquilo não eram farpas, eram carrapatos venenosos... E eu não tinha pedido para ir nas entregas, minha mão ficou presa na mala de correspondências...)
Morgan optou por não falar nada para não estragar o momento.
—Ah! Morgan adorava vir trabalhar meio-período no mercado. (De graça) Fufu
Dessa vez foi a vez de Tsubaki se manifestar.
—Ou quando nos dias frios em que cochilávamos no sofá, mesmo dormindo, sempre me dava o seu cobertor...
Seguida por Muzet.
—...
Mais uma vez, Morgan optou por ficar em silêncio.
—Eu amo Moga!
—(Princesinha! Só você para salvar a conversa!)
A partir daí, todas começaram a se lembrar de memórias que tinham de Morgan.
—Ah~ Eu também me lembro~ Como quando eu ficava sem fazer nada o dia todo enquanto Morgan limpava a casa~~~
—Ou preparava a comida...
—Ou nos levava para a escola!
Morgan percebendo o rumo da conversa, tenta interromper.
—Impressão minha ou vocês---?
Sem sucesso.
—Ou trazia guarda-chuvas na chuva!
—Ou quando estou lendo livros e peço algum lanche, e sempre traz vários doces!
—Ainda me lembro de quando você era bebe e nós acidentalmente quase te afogamos na bacia na hora de lavar o seu pé…
—E daquela vez em que eu quebrei a espada do pai depois de acertar uma pedra e acidentalmente acabei culpando você~
—Tem umas lembranças estranhas entrando no meio! Calma, alguém falou que quase me mataram!?
—Ah… Mas comigo aconteceu só uma vez…
—Não... Não sei nem como começar a responder a essa afirmação! Mas de qualquer jeito, como que alguém consegue “acidentalmente” colocar a culpa do que fez em outra pessoa!?
—"pft... hahaha!!!"
Morgan olha sem expressão para todas elas, que estão rindo, e decide por voltar a comer enquanto espera se cansarem.
...
Quando as risadas se acalmaram e a família terminou de comer, o momento para as despedidas finalmente chegou...
—Tenha uma boa viagem, e se lembre de comer e dormir direito. Mas tente não comer a comida de estranhos...
—Se divirta! Hehe, talvez eu te encontre mais cedo em uma das minhas entregas!
—Tem certeza que você não quer que eu te teletransporte para as cidades que você quer ir? Perfeito! Daí eu poderia ir junto com você!
—Lembre-se de juntar vários itens interessantes das suas viagens, para eu poder vendê-los na minha loja quando você voltar! Fufu
—Talvez nessa viagem você consiga perder sua virg~ Argh! Lily, meu cabelo não!
—Espero que você possa realizar seus sonhos… Mas se você se machucar, o que vai fazer…? Pera… Talvez seja melhor se eu for junto afinal de contas…
—Hehe, não se esqueça de trazer souvenires!
—T-tome cuidado...
—Pomede bolda logo.
—“Tenha uma boa viagem Morgan, amamos você!”
Após as despedidas, Morgan pegou sua mochila, que havia sido cuidadosamente colocada perto da saída, e saiu da casa.
...
No centro do jardim que cercava a casa, havia uma antiga e enorme macieira. O pai costuma se exercitar sob sua sombra.
Hoje também ele estava em baixo dela. Mas ao invés de treinar, ele encostava suas costas contra o seu tronco, e se apoiava em uma espada vermelha, diferente da que costumava empunhar, fincada no chão ao lado.
—Finalmente você veio, Morgan... Estava esperando por você. Hoje é o dia em que você quer sair de casa, não é? Mas eu te dei permissão para isso? Não. O mundo não é um lugar tão simples para que alguém de tão tenra idade consiga viver lá fora! Se você quer sair, então tem que me derrotar antes!
Um corpo que parece ter sido forjado de ferro, sua figura grande e musculosa não é algo comum de se ver em um humas, especialmente em um com sua idade.
Morgan ainda não sabia, mas foi nesse momento que os desafios e interrupções do seu primeiro dia de aventura começaram…
—Calma… Antes de falarmos sobre isso, tudo bem com você!? As mães brigaram com você por causa do que você fez? V-você consegue ficar de pé sem apoio? Sem contar os machucados pelo seu corpo, acho que um dos seus pés está virado na direção errada...
—Hmph! Não passa de um arranhão. Isso não é nada comparado com o que pode acontecer com você lá fora! Só porque você cresceu ao lado de monstas, não significa que você entende o quão perigosos são! Mesmo os mais fracos dentre eles ainda têm um físico muito melhor do que os humas mais treinados!
—Na verdade tem umas subespécies bem frágeis... E não estamos mais em guerra, então não é como se eu tivesse que lutar com ninguém só para viajar...
—Hahahaha!
O pai ri por um bom tempo.
—Logo você, vem me dizer que não vai brigar com ninguém, Morgan!?
—Não acho que justo VOCÊ seja alguém com moral para falar isso…
Apoiado em apenas um pé, o pai tira a espada do chão, em um movimento rápido, ignorando suas feridas.
—Venha! Se você não conseguir me derrotar, também não vai conseguir sobreviver lá fora!
—Como esperado do hiro que derrotou a rainha dos demônios trinta anos atrás… Não tem limites para o absurdo que fala! Como que seria razoável que eu tenha que derrotar o ser mais forte tanto no reino de Rosewald quanto no continente dos monstas, só para que eu possa viajar pelo mundo!?
—... Eu já não sou mais o mesmo... Mês passado eu travei as costas carregando umas árvores para os lenhadores da vila.
—De quantas árvores estamos falando...?
—Sei lá, quantas cabem empilhadas em cada ombro?
—... De qualquer forma, nem sei se você deveria estar aqui conversando. Quero dizer, você está conseguindo ver alguma coisa? Tem um monte de sangue saindo da sua cabeça e cobrindo os seus olhos... Para falar a verdade, desde que eu cheguei aqui, você está olhando para o outro lado enquanto conversa comigo.
—Chega de conversa fiada! Se você não vai me atacar então eu começo!
O pai começa a avançar, enquanto pula com em um pé.
—É disso que eu estou falando! Para onde que você está indo, eu estou aqui do outro lado!
Do nada o pai muda o percurso e desfere um veloz golpe, seguindo a voz de Morgan.
—Que---!?
Que rapidamente desvia…
—Como esperado de um hiro… Apesar de eu nem saber como que você ainda está conseguindo ficar de pé, e mesmo sem conseguir ver, ainda é capaz de fazer um golpe tão preciso...
—Você já perdeu! Ao invés de subestimar o seu oponente e ficar fazendo piadas, deveria ter se aproveitado da oportunidade, tomado a sua arma e me atacado silenciosamente! Batalhas são vencidas ao se aproveitar das oportunidades que se apresentam!
—Não... Não interessa o que eu fizesse, você já tinha perdido só por escolher esse lugar para fazer esse desafio... Você deveria só ter aceitado o meu carinho quando te dei a chance...
—O que?
—Mães!!!
—Ha!? Você vai chamar as mamães??? Você acha que os seus problemas vão se resolver tão facilmente no futuro! Não me faça rir! Eu já esperava por essa mentalidade mimada! Claro que eu já tinha avisado elas que eu iria fazer esse teste, elas não vão vir!
—Ah! Então foi por isso que você não tinha se curado ainda, uma desvantagem para equilibrar as coisas!
Morgan desvia de mais outros golpes.
—Mas eu ainda não tinha acabado… *Morgan volta a gritar* O pai está se vangloriando de como ele conseguiu seduzir a Moomo, uma mulher muuuitooo mais jovem! Quando eu perguntei o que ele queria dizer com isso, ele só riu pelo nariz!!!
—… Touché…
Do nada o ar fica frio, quando um cubo de gelo gigante quebra pela parede da casa e estilhaça no pai, seguido por um forte vento e um jato de agua repentinos, que criam um tornado, com pedaços de gelo que se movem em movimentos erráticos dentro dele.
—Você prometeu que só estava conversando com ela!
—Hã? Ele ainda está vivo?
—Como esperado de um hiro. Vamos mandar mais uns dez para ter certeza...
Enquanto Morgan via suas mães preparando algo assustador, pôde perceber seu pai desenhando algo no chão com seu sangue… Quase não dava para ler, mas parecia dizer: “Perdi, me salva por favor”.
—Um hiro digno de respeito…
...
...
...
Após alguma discussão e muitas desculpas, o pai finalmente foi curado pela Merry… Morgan só pôde pensar em como era assustador o combo que um linchamento até a morte e a magia de ressuscitação faziam...
Seguindo em frente… Como presente para o início da viagem, o pai deu para Morgan a espada que estava usando até agora…
—Eu não posso te entregar minha espada “Astra”, já que ela ainda é demais para você... Mas posso te dar essa “Lamina da Fênix”, é uma espada que encontrei perdida em uma de minhas viagens, e eu mesmo que dei o nome! Você se lembra de ter visto ela...?
Morgan examina a lâmina vermelha.
—Acho que é a primeira vez que estou vendo... “Lamina da Fênix”... Ela é muito leve, e parece maleável demais. Tem algo de especial?
—É uma espada mágica. Quando você usar deve entender o que ela faz. É só não jogar ela fora se quebrar. Guarda de volta na bainha e conta até dez.
—Hã...
Morgan examina a espada. Desfere alguns golpes no ar. E faz uma expressão de dúvida antes de golpear o chão com a espada. Com um único golpe, ela se estilhaça em diversos pedaços.
—...
—Tem que por ela de volta na bainha agora.
Morgan põe ela de volta na bainha e conta até dez. Ao sacá-la de novo, a lâmina reaparece inteira como nova.
—Viu!? Por isso chamei ela de fênix!
—...
Morgan balança a espada mais uma vez, agora em seu próprio braço. A espada mais uma vez se estilhaça, sem deixar nem um arranhão.
—Beleza que a lâmina se refaz sozinha, mas de que que adianta usar uma espada que não corta!?
—Fuhaha! Eu não faço ideia também, mas acho que você deve conseguir descobrir!
—Admito que atiçou um pouco a minha curiosidade...
—De qualquer forma, espero que você tenha uma boa viagem! Mas o mais importante é que você traga de volta com você um montão de jovens mon---
—“Você é idiota!?”
Todo mundo da família não pode deixar de gritar.
E assim a viagem de Morgan finalmente começa!
Ou pelo menos deveria ser assim...
...
...
…
Ao chegar no portão da frente…
—Clak clak clak! (Você fez bem em chegar tão longe, serviçal, mas para ir mais adiante, terá que passar por mim antes!)
—Ah... Violeta, o que você quer agora...?
Violeta, é uma esqueleto inferior, e amiga de infância de Morgan, com a mesma idade. Como sua subespécie sugere, o seu corpo é feito inteiramente de ossos. Sua única roupa é um cachecol vermelho, cobrindo os ossos de seu pescoço. Já que ela não tem uma boca, cordas vocais, ou, mais precisamente, qualquer tipo de pele ou tecidos para fazer uma voz, ela usa a linguagem de esqueleto para falar, fazendo sons com o impacto de seus maxilares.
—Clak clak clak! (Não me ouviu serviçal!? Acha que pode sair em uma viagem sem minha permissão!?)
—...
—Clak clak clak! (Hã!? Hã!? Não vai pedir pelo meu perdão!? Hã!? Saiba o seu lugar, serviçal!)
—...
—Clak clak clak! (C-calma! Por algum acaso você está me ignorando!?)
—...
—Clak clak clak! (N-não! Para de andar para longe! Eu não consigo ir tão rápido! E-espera!)
Morgan para…
—Hah… De novo, o que você quer dessa vez, Violeta…?
—Clak clak clak! (Como eu estava dizendo, serviçal---)
Morgan encara ela.
—Eu tentei ignorar, mas você vai continuar me chamando assim mesmo…? Quer morrer?
—Clak clak clak! (Hue hue! Eu não posso morrer, eu sou uma morta-viva! Além disso, você sempre acaba ouvindo os meus desejos no final, então quer que eu te chame do que além de serviçal!? Por isso você não pode ir embora sem a sua mestra!)
Morgan põe a mala no chão, e pula na Violeta!
...
Esqueletos inferiores são conhecidos dentre os monstas como uma das subespécies mais fracas, sendo uma das únicas que, mesmo quando adulta, se equipara a uma criança humas...
...
—Então? O que você queria, Violeta?
Morgan fica de pé na frente da Violeta, que está de joelhos ao chão.
—Clak clak clak! (Eu posso ou não ter exagerado quando te chamei de serviçal... Mas de qualquer jeito, me leva na viagem com você!)
—Nem pensar.
—Clak clak clak! (Hã? Por que nãoooo? Vamos, por favorzinho!)
—Não. Nem vem. Não vejo como isso poderia dar certo para mim. E por que que você quer vir junto de qualquer jeito? Não prefere ficar na sua casa sem fazer nada?
—Clak clak clak! (Lógico que eu prefiro! Mas conheço uma pessoa idiota que não consegue fazer nada sem a minha supervisão...)
—Interessante, porque eu conheço uma pessoa que atrapalha tudo o que eu faço.
—Clak clak clak! (Ah, a Linda, não é!? Já você sem mim... Além disso! Você sabe que eu sempre amei você [me referindo estritamente aos seus ossos]...)
—Tenho certeza de que você deixou de lado uma parte importante da sua sentença, mas não importa. Rejeitada!
—Clak clak clak! (Que!? Você não pode me rejeitar! Ainda me deve por causa daquela vez com a Rafaella!)
—Já faz nove anos que você continua dizendo isso em toda oportunidade que você tem!
—Clak clak clak! (E daí?)
—...
—Clak clak clak! (Se você não quer que eu vá junto, então pelo menos me deixa uns dedos, um fêmur, um úmero, umas costelas e talvez o seu maxilar inferior antes de ir, para fazermos uma criança!)
—Isso seria muito pior!
—Clak clak clak! (Então me leva com você! E se alguém quebrasse os seus preciosos ossos---!? De novo...)
—Eu aprecio a preocupação, apesar de saber que está direcionada de um jeito completamente errado… Mas a resposta ainda é não!
—Clak clak clak! (Não me deixaaaaa!) *Violeta se agarra às pernas de Morgan, que voltou a andar*
...
Dez minutos depois…
—Tá, pode vir então!
—Clak clak clak! (Yay! [Hehe, serviçal...])
—Mas para de fazer essa cara presunçosa!
—Clak clak clak! (Exceto que eu não tenho uma cara)
Morgan encara ela.
—Clak clak clak (T-tá, parei…)
—Hah… Vamos logo então, já perdemos bastante tempo… Temos que chegar na cidade de Garnis antes de anoitecer…
A cidade de Garnis é a mais próxima da vila Shalltear, a aproximadamente meio dia de viagem a pé. Mas viajar de noite é perigoso, especialmente em uma área cercada por tantas florestas. Além disso, não faria sentido acampar tão perto de casa. Por isso, Morgan saiu de casa de manhã. Mas os encontros com seu pai e Violeta estavam fora dos cálculos...
—Mas antes disso… Hã… Rach-nee, eu estava me perguntando o porquê de você não ter vindo se despedir com todo mundo... Mas já faz um tempo que você está me seguindo... Aconteceu alguma coisa...?
Do nada, passa uma rajada de vento fora do comum, enquanto a Rachel, que estava seguindo silenciosamente o par até agora, deu um pulo e se aproximou rapidamente.
Morgan não viu nada, e apenas sentiu o vento batendo enquanto a Rachel aparecia em sua frente.
—Ué, a Violeta não estava parada aí antes?
Olhando para o horizonte, Morgan pode ver a Violeta voando em direção ao amanhã, e se tornando uma estrela!
—V-violeta! (Agora seu cachecol vermelho e seu clássico “Clak clak clak” permanecem apenas como uma memória… Descanse em paz, Violeta…)
—Você demorou bastante para me perceber, Morgan. Você tem que prestar mais atenção aos seus arredores. O que você acha que poderia ter acontecido se eu fosse uma inimiga procurando realizar um ataque surpresa?
A irmã mais velha, a arachne Rachel (25), tem um grande corpo da cintura para baixo, com oito pernas lisas, negras e finas, sobre as quais ela se sustenta. Na parte posterior, ligada por uma pequena intersecção, seu abdômen se estende em um formato arredondado. Seus cabelos brancos como seda caem até sua nuca, enquanto ela observa Morgan com apenas dois de seus oito olhos abertos. Apesar de ela manter os seus seis olhos superiores cerrados, como se fossem pequenos riscos cortando sua face, quando abertos, todos se assemelham a ametistas, subindo a sua testa e chegando ao topo de sua cabeça. Ela trabalha para o reino, na capital, como uma soldada.
—B-bom, é... Admito que eu não te percebi enquanto estávamos dentro de casa, além da comida que continuava a desaparecer misteriosamente sem que ninguém tocasse... Mas depois que saímos e viemos para esse descampado, com a estradinha e grama rasa... Eu só estava me perguntando se era para esperar você puxar conversa ou o que...
—...
—...
—*Caham* D-de qualquer jeito, Morgan eu sei que você tem habilidades suficientes para se virar lá fora, e você já mostrou sua astucia para o pai... Mas será que você tem a determinação para não desistir mesmo quando se deparar com situações que a primeira vista pareçam ser impossíveis? Você vai conseguir seguir o seu caminho quando mesmo sua inteligência e suas habilidades físicas falharem? Dessa vez sou eu que vou te dar um desafio, Morgan!
—U-um desafio contra você, Rach-nee!?
—Exatamente, nós faremos uma corrida até a grande árvore em que costumávamos brincar quando éramos menores---
—Uma corrida!? Contra você!?
—E se você perder, eu não vou me despedir. E sem que eu me despeça, não vou deixar que saia da vila.
Apesar de a Rachel não ser tão rápida quanto outros monstas em corridas simples, ainda consegue correr diversas vezes mais rápido do que qualquer humas que não esteja usando magia. Ainda mais quando se leva em conta os seus pulos, que permitem que ela se acelere de tal forma que é vista como um caso especial mesmo entre os monstas. Não há paralelos dentro da vila, mesmo quando considerando o resto da família, que tem uma harpia, uma raposa de nove caudas e até mesmo a Chrome, quando decide se mover. Em questão de curtas distâncias, até mesmo o hiro, com grande experiência quando se trata de lutas contra monstas, reconheceu ela como a segunda pessoa com a aceleração mais veloz que ele já viu.
A Rachel olha para Morgan, esperando uma resposta.
—(Uma corrida... Isso é impossível... Se pelo menos não fosse um desafio tão direto, ou se eu tivesse um tempo para preparar o percurso… Mas assim do nada, o que eu faço…? Não tem como ela cair em qualquer truque que eu tente usar agora... Mas se eu desistir, ela não vai me deixar ir embora. Acontece que quando eu perder depois, vai ser a mesma coisa! Obvio que não tem como eu vencer assim!)
O desafio da Rachel é condizente com suas palavras.
...
—Eu---...
Morgan olha para baixo.
—(Mas eu já entendi o desafio. Não tem outro jeito… Se não dá para confiar no meu corpo e nem nos meus truques, então é um teste de sorte, não é!? Nem mesmo a Rach-nee é perfeita. Então se ela tropeçar, torcer as oito pernas e se por algum acaso cair um meteoro justo nesse momento e ela cair dentro da cratera, talvez eu tenha alguma chance! Se não, pelo menos eu tentei!)
Com determinação, Morgan volta sua visão para a Rachel.
—Eu aceito!
A boca da Rachel forma um pequeno sorriso, quase imperceptível.
—Sim, isso mesmo... Eu não poderia te ver partir sem uma despedida apropriada... E mais uma coisa, você ainda está com aquele presente que eu te dei quando era bebê?
Morgan mostra um bracelete dourado em seu pulso direito.
—Sim! Não me lembro de ter tirado nenhuma vez, já estou usando a tanto tempo que parece natural… Além disso, foi um presente seu Rach-nee! (Também tem o fato de que eu tenho quase certeza de que a Chrome sempre esteve de olho, procurando por uma oportunidade para penhorar e comprar quadrinhos...)
Morgan preferiu não mencionar a última parte. Já a Rachel se forçava para esconder o seu sorriso que tendia a aumentar.
—Entendo… Isso é bom. Agora de volta ao desafio… Eu vou te dar uma pequena vantagem e deixar que vá primeiro. Se você conseguir chegar lá antes de mim, você vence.
Morgan engole em seco.
—(Essa é a minha única chance de vencer. Será que eu consigo chegar lá antes da Rach-nee começar a se mover?)
A Rachel fecha os olhos e começa a falar.
—A minha despedida só virá com a sua vitória, então é bom levar as coisas com seriedade a partir de agora! Crie um objetivo e vá atrás dele! Sempre tem um jeito, nunca desista! Agora vá!
Após o seu discurso acalorado, Rachel finalmente volta a abrir seus olhos.
Mas Morgan já estava longe, correndo a toda velocidade, sem olhar para trás.
—Será que deu para ouvir…?
De qualquer jeito, Morgan termina a conversa sem nem perceber a última sentença que escapa dos lábios de sua irmã...
—Adeus, Morgan, boa viagem…
…
...
...
—*harf harf* E-eu cheguei aqui, mas não teve nenhum sinal da Rach-nee… S-será que ela achou que eu ia demorar mais para chegar?
Morgan se apoia na árvore, enquanto recupera o seu fôlego.
...
—Calma… A não ser que…
Morgan começa a pensar sobre como a Rachel disse que não deixaria que fosse sem se despedir, e não se despediria a não ser que vencesse...
E o mais importante, que isso era um teste de determinação.
Portanto, poderia ser que apenas por aceitar esse desafio aparentemente impossível, Morgan já teria vencido...
—Então, isso tudo era o jeito dela se despedir...? Ra-Rach-nee... *chuiff*
Morgan finalmente olha para trás. Sua casa agora é apenas um pequeno ponto ao longe. Mas só de olhar, quantas memorias não vem à mente...
...
Mas o momento emocional de Morgan não dura muito, já que do topo da árvore gigante…
—Clak clak clak! (Você fez bem em chegar tão longe, Morgan!)
—Hã?
No topo da árvore, se apoiando em apenas uma perna e fazendo uma pose em V com seus braços, estava a Violeta, com o seu cachecol balançando ao vento!
—Que!? Você voou até aqui!?
—Clak clak clak! (Eu não voei, cai com estilo! E não exatamente aqui, mas já sabia o caminho que você ia tomar! Então agora é a minha vez de te dar desafios para que você possa prosseguir! O primeiro desafio é me tirar daqui!)
—Por algum acaso você não teria subido até aí só para parecer maneira, mas agora não consegue descer, né…? Tipo um gato--- Não, não tenho como descrever isso além de estupidez...
—Clak clak clak! (C-claro que não! Você que não quer admitir que está com medo de aceitar o meu desafio! Não tente jogar a culpa da sua incompetência nos outros! Agora vem e me tira daqui para eu te dar um outro desafio!)
—É, então, acho que já vou indo...
Morgan se move para ir embora.
—Clak clak clak! (Calma, calma! Para onde você está indo!? E o meu desafio!? Você não pode ir antes de me derrotar!! N-não! Calma, tá bom, já entendi! Desculpinha! Agora não me deixa presa aqui!!!)
—Hah...
...
—Pronto, está de volta ao chão. Agora eu tenho que ir mesmo, apesar de que eu até que ganhei um tempo por vir correndo até aqui...
—Clak clak clak! (E eu vou com você!)
—Tá tá, tanto faz… Mas você avisou os seus pais, né...?
—Clak clak clak! (...)
A Violeta flexiona um de seus joelhos e inclina o seu corpo para o lado, enquanto estica um de seus braços e cruza o outro a frente de sua cara, então ela vira a sua cabeça para esconder suas cavidades oculares com o braço que cruzou.
—Clak clak clak! (Morgan, é hora do seu segundo desafio!)
—Boa sorte, Violeta. Tchau…
—Clak clak clak! (Não, calma, eles não vão me deixar sair sozinha!!!)
…
…
…
Depois que Morgan e Violeta foram até o outro lado da vila para falar com o pai e a mãe da Violeta... Eles que estavam vestindo camisas vermelhas e macacões azuis, com botas leves, enquanto trabalhavam na fazenda, e que ficaram felizes que a Violeta não ia mais ficar trancada no quarto todos os dias depois de ter se formado no ensino médio.
Agora, finalmente, a aventura começa!
Ou deveria ter...
…
—Fufu… Você fez bem em chegar tão longe, Morgan! Mas agora sou eu que vou te desafiar! Fufu
—Tsubaki-nee?
No meio do caminho, a Tsubaki estava esperando encostada em uma árvore…
...
Depois que Morgan a derrotou…
—Ah, então você finalmente chegou~? Acho que é a minha vez agora então, cerejinha~~~
…
Depois de derrotar a Chrome…
—Você não vai passar! Hehe.
—Lily... E você também, Lo!?
—D-desculpa Morgan… Mas a verdade é que eu também não quero que você vá embora!
—Mas tudo bem você estar aqui fora? O sol está no pico...
—Ainda não tenho idade para queimar sob o sol… Apesar de que estou um pouco ton---
—Hã? L-Lo!? O que que foi!? Awawawawa!
—Que--- ela desmaiou??? Calma, vou levar ela para baixo da sombra!!! Cuida dela por um tempo, Lily!
...
—Mães!?
...
—Happy!? O que que você está fazendo sozinha aqui!? Cadê todo mundo!? Droga… Deixa eu te levar de volta para casa…
...
—Pai!? Mas eu já não tinha te vencido!?
...
—Chrome e Tsubaki-nee… Por algum acaso, a Mu-nee e a mãe azul estão curando todo mundo…?
...
...
...
Naquele mesmo dia, de noite, dentro da casa da família…
—Hahaha~ Tão típico de você, Morgan~! Perdeu a noção do tempo e acabou voltando para casa porque ficou tarde demais para viajar~
Na cozinha, Morgan estava preparando o jantar.
—Você deveria pensar duas vezes antes de viajar amanhã também. Fufu
—Moga não ibola?
—Exato… Morgan vai ficar com a gente afinal de contas…
—Hehehe, Lol você fez muito bem ao fingir que tropeçou e caiu só para que fosse carregada de volta para casa para ser tratada!
—L-Lily, como você pode me empurrar daquele jeito!? A-apesar de que funcionou...
—Fuhaha! Você realmente pensou que tinha derrotado o seu velho, Morgan??? Fuhahaha!
—Mas você realmente me impressionou, Morgan! Quem diria que era possível interromper a conjuração de uma magia com açúcar, tempero e uma concussão na cabeça... Da próxima vez sua mamãe vai ter que te desafiar mais seriamente!
—Ah, Seleninha, desculpa! Acho que isso foi quando o galho em que eu me impulsionei para voar quebrou...
—Ainda bem que isso daqui nem se comparou com um dia corrido na clínica.
—Hahaha~ Ainda assim, que inocente da sua parte pensar que poderia nos derrotar sem acabar com as healers antes, cerejinha~ Apesar de que até fiquei um pouco assustada quando você colocou a Muzet dentro daquele barril~ Pena que você não encontrou a mãe azul antes de soltarmos ela~~~
...
A família continua comemorando e fazendo graça, enquanto faziam Morgan preparar o jantar…
Naquela noite, surpreendentemente, a Rachel não comeu nada, e a Happy recebeu uma comidinha a parte…
...
...
...
No dia seguinte, a família toda acabou tendo uma diarreia brava, o que permitiu que Morgan finalmente pudesse sair em viagem de manhã, sem mais ninguém para interromper…
A diarreia continuou por três dias e três noites direto... Mas essa é uma história para outra vez...
—Você realmente vai vir comigo então, Violeta...? É uma pena que você não come, um pouco de água benta provavelmente te derrubaria por uns três dias também...
Naquele dia, a Violeta ficou realmente contente por não conseguir comer... E também aprendeu uma lição quanto a essa matéria desconhecida que é a culinária... Não morda a mão que prepara a sua comida...
Quem sabe o que caramba ela pode fazer com o seu jantar...
—Droga… Agora eu já tenho que fazer refil da seiva de alraune amarela...
Diário de Monstros, por Morgan Accelheart
Esqueletos inferiores
São consideradas como uma dentre as subespécies mais fracas de monstas, não tendo qualquer serventia em batalhas.
No geral, existem dois tipos de mortos-vivos: um tipo é criado quando um ser vivo tem sua vida encerrada, mas não fica morto, com é o caso de zumbis, fantasmas ou liches; e o segundo tipo são aqueles que nascem como mortos-vivos, como esqueletos, ghouls, dullahans ou ceifadores.
Os esqueletos se reproduzem ao removerem alguns de seus ossos e conectá-los com os ossos de outra pessoa, criando um bebê esqueleto. Os ossos desse bebê irão crescer até ele se tornar um adulto. Além da sua capacidade de crescer, ao se quebrarem, os ossos dos esqueletos também se concertam sozinhos com o passar do tempo, sendo capazes até mesmo de recriarem ossos perdidos.
Apesar de não serem apropriados para batalhas, são apreciados como força de trabalho. Sendo mortos-vivos, eles não se cansam. E, apesar de serem fracos, tem grande resistência contra o sol e outros símbolos sagrados. Não precisam de comida, e não tem necessidades que seriam básicas para um ser vivo. Além disso, seus ossos também são considerados como bons ingredientes mágicos por causa de suas propriedades de armazenamento de mana.
Como são a classe inferior de esqueletos, ao longo de suas mortas-vidas podem evoluir para classes superiores, se conseguirem realizar certas condições.
Possuem uma linguagem única, em que se comunicam sem o uso de tecidos vocais.
Os segredos por trás dos mortos-vivos ainda não foram completamente descobertos, mesmo na modernidade.
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