Fairytale
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Betelgeuse estava de luto. O sol não brilhava mais desde o exato momento em que sua Rainha havia sido morta. Toda a vila estava em choque, quem havia cometido tal crime? Por quê? Como? Eram perguntas freqüentes entre as fadas. Nada além de pânico, as outras vilas nem sequer davam as caras, preferiam cuidar de suas próprias vidas a sentir a dor do outro. E que dor, meus amigos. Betelgeuse sentia, sentia profundamente a falta de sua matriarca.
— Quem assumirá o trono?
— O trono está manchado de sangue, ninguém pode sentar ali antes que o preço seja pago.
— Ela não teve filhos, então não pode ser hereditário.
— Nem irmãs ou irmãos.
— Os pais estão mortos.
Tenhamos piedade do povo de Betelgeuse, porque estão completamente perdidos. Dentro do castelo, uma reunião acontecia.
— Nós encontramos alguém! Encontramos alguém!
Angélica vinha correndo. Seu vestido branco pomposo por pouco não a fazia tropeçar. O salão central do castelo estava vazio como só, lá no fundo estavam Rígel e Klaus, fadas que trabalham para a realeza. Eram grandes amigos de Bellatrix e agora, encarregados da situação. Encontravam-se em silêncio e ambos viraram em sincronia, quando Angélica apareceu. Além deles, alguns guardas estavam em posição perto das paredes. A loira carregava um papel nas mãos e quando finalmente os alcançou, teve de recuperar o fôlego para então começar a falar.
— Parente... Distante.
— Parente distante? Do que está falando?
Klaus arqueou a sobrancelha, sem entender. Em seguida retirou sua cartola e começou a balançá-la, inquieto.
— Parente... Da Rainha.
— A Rainha Bellatrix não possuía parentes Angélica, deixe de ser boba.
— Possuía sim! É uma prima, bem distante... Mas as duas compartilham o mesmo sangue, ela pode assumir o trono.
— Arram.
Rígel fingiu uma tosse, não parecia satisfeita com essa suposição sem fundamentos. Arrastou a cauda de seu vestido, de cor verde folha para o outro lado e lançou a Angélica um olhar desconfiado.
— E como a senhorita descobriu isso? Não trabalha na área florestal?
— Sim senhora, mas sou uma amiga muito próxima de Sirius.
— Sirius? Sirius Rigby?
— Sim.
— Mas ele trabalha na biblioteca.
— Exato... Ele procurou em cada pequeno arquivo deste castelo e encontrou uma espécie de árvore genealógica, ele sabia que alguém da família de nossa falecida rainha deveria estar vivo ainda e encontrou a garota.
— Garota? Qual é sua idade mesmo?
— Não tenho certeza, mas tudo indica que seja nova. Provavelmente dezessete ou dezoito.
—Ela não poderá assumir o trono com apenas dezessete anos, seria contra as leis de Betelgeuse.
— Klaus tem razão.
Concordou Rígel.
— Sei disso, mas a presença dela acalmaria os nervos de nosso povo.
Klaus e Rígel se entreolharam. Eles sabiam que Angélica estava certa, alguém de sangue real na vila acalmaria o povo e daria um fim aos rumores de que o assassino ainda não tinha sido encontrado. Klaus voltou a colocar sua cartola, sua expressão era neutra.
— Então... Achem a garota.
Disse ele, finalmente.
— Tragam-na para a vila o mais rápido possível.
Os guardas, normalmente chamados de Cygnus, assentiram em silêncio e saíram do local.
— Angélica, vá agradecer Sirius pelo seu bom trabalho.
A loira concordou e saiu deslizando para fora dali.
— Acha que isso vai funcionar Klaus?
— Pra ser sincero Rígel, não faço ideia. Mas precisamos ter fé de que isso vai dar certo, enquanto procuramos pelo culpado de todo esse caos.
— Eu sinto falta dela, Bellatrix governava com tanta paixão.
— Eu também sinto, mas é hora de levantarmos a cabeça.
— Você sabe quem deveríamos realmente estar procurando, não sabe?
— Rígel, por favor...
A morena se levantou, andou devagar até a janela e abriu uma pequena fresta nas cortinas azuis de seda.
— Não Klaus! Foi ele, eu sei que foi. Bellatrix o amava e ele a traiu.
— Você não sabe disso.
— Ele fugiu! Isso não é prova o suficiente?
Klaus respirou fundo.
— Ele poderia estar apenas assustado. Os dois se amavam muito e de repente ela morreu.
— Não acredito nisso, pra mim ele é o culpado e deve ser punido.
— Nós encontraremos o culpado Rígel, agora devemos descansar... Está tarde.
— Eu irei logo, preciso fazer algo antes.
Klaus concordou, em silêncio. Sabia que não adiantava querer argumentar, Rígel era díficil de lidar. Assim que ele se retirou, ela fez o mesmo. Entretanto, optaram por caminhos diferentes. A moça caminhou até o jardim, e andou o bastante para ficar afastada de todos. Olhou para os céus, onde as estrelas brilhavam incessantemente. As estrelas... Rígel imaginava que Bellatrix havia se tornado uma, como todas as fadas de sua vila se tornavam depois da morte. Era um mito, uma lenda repassada de seus anteriores até essa geração. Mas a fada ajoelhada ali se apegou a esta com todas as suas forças.
— Eu sinto muito Bella, queria ter feito mais.
As lágrimas desceram antes que pudesse falar mais. Sentia-se culpada, Bellatrix não deveria ter morrido. Era sua melhor amiga, alguém que via bondade nas piores pessoas. Algo que Rígel nunca foi capaz de fazer. Ela mesma considerava-se má, e era Bellatrix quem sempre provava para Rígel o contrário. Seu vestido verde camuflava-se naquele local, e a morena permaneceu ali por um longo período de tempo enquanto esvaziava toda a dor mantida em seu peito. Ninguém a veria ali, pelo menos era o que ela imaginava.
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