Fairy tales
11 - Eu te amo.
Notas iniciais
POV — Melody
Já fazia alguns minutos que eu estava na carruagem indo em direção à Vila dos Camponeses. Observava as árvores antigas gigantescas passarem por minha visão, enquanto sentia meu coração acelerar a cada cavalgada mais próxima do meu destino. Eu e Jason havíamos marcado de nos encontrar na praia das pérolas umas onze e meia da manhã, suas instruções me mandavam nadar durante uns trinta segundos calmamente até encontrar uma rocha de formato arredondado, e eu o encontraria bem no meio da vasta extensão d'água.
Jason planejava isto desde que lhe contei sobre a minha " viagem ". Ele viera a Cristal algumas vezes para analisar o local. De uma maneira inexplicável, Jason sempre fazia as coisas numa perfeição. Ele queria me proteger, me manter segura! Disse que nunca sairia do meu lado.
Eu estava tão distraída pensando em Jason que mal notei que Felipe e Estrela não tinham aberto as bocas em nenhum minuto durante a viagem. Em meu lado se encontrava Luz e na frente dela, a peste, que mantinha um sorriso debochado em seus lábios.
—Ansiosa? — Estrela quebrou o silêncio, trazendo-me novamente para a realidade. Mesmo que sua fala tenha sido um fio de voz, ela me fez acordar dos devaneios.
—Estou, para falar a verdade, estou muito!
—É normal. — Ria, fitando-me. — Amor faz essas coisas.
—Sim, mas sinto algo estranho. Como se eu estivesse andando na direção de uma guilhotina, pronta para morrer.
—Ei, não é tão ruim assim. Ele é seu " quase " namorado . — Ela realizou um gesto de aspas com os dedos das mãos, indicando que o quase estava prestes a sair dessa frase.
Com medo de que Lipizinho escutasse, o fitei tendo à face um semblante sério. Ele debochou, como sempre, pondo sua língua rosada para fora de sua boca. Irritada, segurei-me para não erguer o dedo médio para ele. " Um, dois, três, quatro..." Contei mentalmente, tentando ignorá-lo.
—Ele é tão irritante. — Sussurrei, enojada. — Como aguentamos isso à quase dezesseis anos?
—Pois é! — Suspirou, dando de ombros. Ela não parecia prestar atenção no que eu dizia. Estava focada em Felipe com um sorriso, enquanto ele retribuía de uma maneira estranha. Imaginei que ela estivesse planejando a sua morte e ele pensando que estava sendo paquerado. A deixei, imaginando as coisas terríveis que poderíamos fazer com ele, caso tentasse algo.
Coloco os braços cruzados sobre a janela, apoiando o rosto entre eles. Permiti o vento esvoaçar minhas madeixas negras, durante o tempo que meus olhos viajavam no horizonte. Havia ao longe uma pequena fusão do azul do céu com o azul do oceano me mostrando que estava próxima, o que me fez suspirar. Naquele momento me lembrei da primeira vez que vi Jason.
# Um ano atrás… #
Pelo que me lembrara, aquele dia não havia sido tão bom. Eu acabara de brigar com minha mãe por uma besteira qualquer de adolescente. Eu estava tão nervosa que pensei que só o mar me faria relaxar. Estava certa.
Corri pela areia branca da praia, direcionando meu corpo para as ondas que se chocavam contra a margem. Ao sentir meus pés serem recebidos pela espuma salgada, fui tomada por sua sensação deliciosa que fazia todas as células de meu corpo berrarem de felicidade. Em instantes, minha calda apareceu. Escamas avermelhadas substituiriam a pele de minhas pernas, completando-me quando uma barbatana rosada tomou o lugar dos meus pés e dedos, adicionando uma leveza ao meu nadar. Em meu busto, a mesma camada de escamas cobriu-me os seios.
Estava livre. Poderia nadar para onde quisesse sem que ninguém me puxasse para trás, impedindo que eu fosse livre. Mas, eu tinha que voltar às sete.
Nadei para longe, numa velocidade que jamais testara. Queria ser comparada a um golfinho, um dos mais rápidos dos sete mares. Porém, algo me chamou a atenção; Um tritão de calda azulada, me acompanhava ao nado, mantendo-se mais a frente. Ou seja, ele estava ganhando. " Jura? " — Pensei — " Ele não vai me ganhar tão fácil assim. " Exagerei na movimentação dos meus músculos de peixe, sacudindo-me para frente no intuito de passá-lo.
Ele me acompanhou, e nadou mais a frente sem que se abalasse pelo meu instinto competidor. Com certeza era mais rápido do que eu e só nadava naquela velocidade para não me humilhar por completo.
—Ei! — Berrei, ainda em movimento. — O que pensa que está fazendo?
—Nadando com você. — Respondeu o tritão, totalmente confortável.
—Está tentando ganhar! — Rebati.
—Não! Não sou tão competidor assim. Só que ver uma bela sereia nadar tão rápido não é algo muito comum.
Cessei meu nadar e o desconhecido também. Ele se aproximou, mas só pude vê-lo quando as bolinhas de ar liberaram a minha visão, o que me fez sentir-me arrepiada. Ele tinha cabelos negros que flutuavam na água calmamente sua " dança " quase sincronizada e também seus olhos, cor de caramelo tendo cílios relativamente compridos em torno. Acompanhados por um sorriso galanteador e músculos definidos pelo tronco. Ele era o típico tritão de várias sereias, e isso me fez fechar a cara.
—Você é diferente. — Falou sorridente. — Diferente das sereias de Atlântida. Você parece ser mais interessante.
—Diz isso para todas as garotas que vê? — Indago, sarcástica.
—Não! Sabe, o que eu mais gosto em você é que a acho completamente única. Logo, não diria essas palavras para outras garotas que não fossem como você e duvido que possa existir outras. — Ele me fez sorrir, retirando todos os pensamentos ruins de minha mente. — Qual seria o seu nome senhorita?
—Me-elody. — Gaguejei, corando. Me perguntei se ele havia notado o meu desconforto, e algum tempo depois descobri que sim. — E o seu?
—Jason, muito prazer! — Sorriu, erguendo sua mão até seus cabelos, ajeitando-os num pentear de dedos. — O que faz por aqui Me-elody? E de onde é?
—Você é cheio de perguntas. — O fitei, ainda sorridente.
—Sou um homem curioso, Me-elody. E seu sorriso me faz querer saber mais de você, saber seus sonhos, desejos e planos.
—Anww. — Suspirei, controlando-me. — Bom, eu estou procurando relaxar. Hoje está sendo um dia muito cansativo, e sabia que o mar me acalmaria. E venho de Ambrosia.
—Então, Melody de Ambrosia, gostaria de nadar um pouco ao meu lado?
—Não seria uma má ideia.
—Seria uma ótima ideia! — Exclamou, envolvendo seus dedos aos meus. Ele sorriu, conduzindo-me lentamente até o norte. Com espaço aberto, nadamos em sincronia, contando um pouco da vida um do outro.
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É, chega de nostalgia! Acho que já entenderam como ele surgiu tão subitamente em minha vida mas a modificou por completo. Voltando a carruagem, os cavalos finalmente cessaram seus galopes e eu já estava próxima demais do oceano. Três, dois, um, surtando!
—Estrela, encontro vocês mais tarde na Vila. Tenho que resolver uma coisinha, já volto. — Ela assentiu e eu desci do veículo.
Eu praticamente corria para a Praia das Pérolas, nervosa. Meu estômago gritava e meu coração estava acelerado. Eu precisava ficar calma, mas não conseguia. Ao chegar, observei cautelosamente onde era o seu " meio ", e assim que o fiz, entrei na água.
Transformada em minha metade peixe, nadei por alguns poucos minutos até finalmente encontrar a tal rocha. E sim, ele estava lá.
—Melody! — Exclamou, e sem ao menos eu perceber, ele já me abraçava.
—Como eu senti sua falta! -Disse a ele, e concentrei-me ao contato com Jason, que estava um pouco quente em relação às águas de Cristal. Ele me fitou, encostando nossos queixos, fixando seus olhos nos meus.
—Eu te amo. — Ele disse tímido, fitando o sol sobre as águas, e logo depois envolveu seus braços a minha volta.
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