O peso do meu corpo me impedia de levantar, meu olhos não queriam se abrir, eu ainda estava muito cansada. Senti algo me cutucar repetidas vezes e então vozes sussurravam em minha volta.


— Será que ela está morta?


— É claro que não, idiota! Ela está respirando, veja.


— O que faremos com ela?


— Vamos levá-la para o mestre, ele deve estar com fome.


A conversa me assusta, mas mesmo aterrorizada não consigo mexer nenhum musculo e sou arrastada para dentro da mansão abandonada. O frio do piso gelado penetra em cada parte do meu corpo, uma mistura de cheiro azedo e doce toma conta de toda a casa, fazendo meu nariz pinicar. Ainda sendo arrastada tento abrir os olhos, minha visão embaçada só me permite ver as silhuetas de móveis antigos e uma escada larga e comprida. Sou arrastada para uma sala a meia, com uma mesa no centro e algumas coisas velhas empilhadas no canto, mãos pequenas me erguem e sou deixada em cima da mesa, me contorcendo de dor e soltando alguns gemidos que somente eu posso ouvir.


Depois de algumas horas meus sentidos voltam e eu me sento na beira da mesa, a queda deixou minha cabeça dolorida, tentei ficar de pé, mas eu estava fraca demais. Dei mais uma olhada na sala, não havia janelas, cadeiras, apenas a mesa e entulhos velhos e sujo. O cheiro de mofo está em tudo e me faz lembrar do quarto em que eu ficava trancada. O barulho da maçanete me puxa de volta a realidade, me ajeito em cima da mesa, sem saber o que esperar, quem pode ser e que tipo de coisa pode ser, então a porta se abre.


— Está aqui, mestre.


— Nossa, vocês estão variando no cardápio. Onde acharam... isso? — Disse a silhueta desconhecida.


— Isso? Meu nome é Branca de Neve!— Pulo de cima da mesa. — O que é você?


— O que eu sou? — A silhueta ganhou forma, um homem alto, com cabelos negros e compridos, olhos verdes, ombros largos e o mais assustador, dentes afiados como agulhas. Ele abre um sorriso assustador e ao mesmo tempo hipnotizante, ele se aproximou de mim e segurou meu rosto. — Eu sou um predador esperando por sua presa.


— Mestre, o que faremos com ela? — Criaturas surgem por trás dele, olhos gosmentos, o nariz do tamanho de uma batata com verrugas roxas por todo o corpo, eles eram baixos, batiam em meu joelho, era a coisa mais nojenta que já tinha visto. Recuo e bato na mesa.


— O que são essas coisas?


— Ei menina, tome cuidado com o que diz ou acabo com você. — Ele balança um pedaço de madeira me ameaçando.


— Eles são trolls e não vai gostar de vê-los irritados.


— Mas trolls não são... grandes?


— Somos de outra espécie e chega de perguntas, sua mal educada.


— Gans, por favor, prepare ela para o jantar, tente deixá-la bonita. — Ele vai em direção a porta, ele para e se vira para mim. — Se isso for possível, é claro. — Ele sorri e sai.