Fairy Tale and Horror - Snow White
9 Capítulo 8
Gans e os outros 6 trolls me empurram em direção a um banheiro sujo e pequeno, nele há uma banheira somente. Um deles abre a torneira de onde sai um liquido marrom, mas vai clareando enquanto cai a água.
— Pronto, está aí. Fique limpa ou o mestre não vai gostar. — Gans jogou a toalha aos meus pés.
— Por que tenho que me arrumar para ele? Quem ele acha que é? — Ele bate com a bengala em minha perna, me sento na borda da banheira e passo a mão sobre a perna acalmando a dor.
— Não reclame, apenas faça o que ele manda. — Ele sai e bate a porta.
Ponho a toalha em um cabide na parede, me sento novamente na borda da banheira e coloco minha mão dentro da água fria. Agora tenho que pensar como vou sair daqui, como vou fugir daquele homem. Se eu pudesse me comunicar com Jasper, ele poderia me tirar daqui. O pior é que nem sei como ele está e ele se arriscou demais por minha causa, ele e o amigo dele, eu queria poder agradecer aos dois. Alguém bate na porta com força, eu me assusto e caio dentro da banheira, o choque da água fria me faz ficar desesperada, me debato dentro da banheira tentando me sentar, me agarro na borda da banheira e me sento. Aspiro todo o ar que posso, enchendo meus pulmões e tossindo por causa da água que engoli. Me encolho na banheira tremendo de frio, tiro a roupa e enfim me lavo, me acostumando aos poucos com a água fria. Assim que termino me seco e me enrolo na toalha, abro a porta e me deparado com os trolls parados em frente a porta.
— Aí está você, achei que tinha morrido aí dentro. Venha. — Eu segui eles. — Aqui você ficará até a noite. Já tem uma roupa separada para você em cima da cama, arrume-se.
Entrei no quarto, ele era totalmente diferente do que eu estava imaginando, uma cama enorme com lençol de seda, um guarda roupa que ocupava toda a parede esquerda do quarto, um espelho de corpo inteiro, ao lado uma mesa com cremes e maquiagens em cima. Me virei de volta para cama e em cima dela o vestido que tinham deixada para mim. Ele era preto e caído nos ombros, era longo e com uma armação perfeita. Em cima dele um espartilho preto com rosas vermelhas estampadas nele. Peguei o espartilho e o vesti, logo depois coloquei o vestido. Fui até a mesa e passei um pouco de lápis nos olhos e um batom vermelho. Depois de pronta fui até o espelho grande, penteei meus cabelos e encarei o meu reflexo no espelho, uma imagem minha que tinha sido estragada por anos trancada naquele quarto e cortes de partes de meu cabelo, que mesmo assim crescia e continuava longo e cacheado. Gans bateu na porta, respirei fundo e então a abri.
— Você já está pron... — Gans deixou a bengala cair enquanto me olhava pasmo.
— É ela ou estou sonhando? — Disse Ritchie, o troll mais novo.
— É ela sim, agora vá e arrume a mesa, o mestre está quase pronto. — Ritchie correu. — Me acompanhe, senhorita.
Eu o segui até a sala de jantar, lá havia uma mesa comprida, com muita comida. Puxei a cadeira que ficava na ponta da mesa e me sentei. Ver aquela comida toda me deu água na boca, comidas que nunca tinha provado, mas que pareciam saborosas. Em frente ao meu prato tinha uma taça com um liquido roxo escuro, peguei o copo e o levei próximo ao meu nariz. O cheiro era doce e forte, levei a taça até a boca para provar, tinha um leve sabor de uva e outra coisa que eu não sabia dizer o que era. Gans, o troll mais velho se aproximou da mesa batendo a bengala no chão para que eu olhasse para ele.
— O mestre já vai descer, pode comer a vontade.
— Obrigada. — Gans se virou, mas antes que ele fosse embora, eu o chamei. — Espera. — Ele se virou e me encarou.
— O que foi, senhorita?
— Você pode me dizer como ele se chama? — O troll abriu a boca para responder, mas foi interrompido.
— Acho que eu mesmo posso responder suas perguntas. — Ele sentou-se na outra ponta da mesa. — Eu realmente achei que você não conseguiria ficar bonita, mas estou vendo que me enganei redondamente. — Ele sorriu enquanto me analisava.
— Então, vai me dizer qual é o seu nome? — Ele levantou e se aproximou de mim.
— Meu nome é Alexander Du Couteau. — Ele se curva e seus olhos encaram os meus. Verdes e intensos, ele sorri. — Coma, aproveite, pois essa será sua ultima refeição. — Eu congelo e minhas mãos ficam frias.
— O-o que vai fazer comigo? — Ele para atrás da minha cadeira e se inclina deixando seu rosto próximo a minha orelha.
— Você já deveria saber, eu avisei você. — Mesmo estando tão perto não consigo sentir sua respiração, ele se levanta e para em minha frente.
— O que você é? — Eu o encaro, enquanto ele sorri. Um sorriso malicioso e assustador.
— Eu sou o que muitos querem ser, mas não podem. Eu tenho a eternidade, a imortalidade e sabe o que isso me custou? — Ele aproxima o rosto do meu.
— O que? — Minha respiração fica ofegante com ele o seu rosto tão perto do meu.
— A vida.
— Então você nunca envelhece? Nunca morre?
— Não. Agora coma, quero acabar com isso antes que o sol apareça.
Eu me servi com diversos tipos de comida, bebi toda a garrafa daquele liquido roxo. Alexander me observou o tempo todo, mesmo incomodada continuei comendo. Eu estava com medo do que ele poderia me fazer, mas ao mesmo tempo eu estava extasiada com sua beleza, nenhum homem ou garoto era como ele. Ele tinha algo, alguma coisa que o deixava mais encantador do que assustador, a vontade de tocá-lo me deixava inquieta. Mas o temor me impedia de fazer qualquer coisa.
— Você não vai comer? — Pergunto limpando a boca em um guardanapo.
— Alimentos comuns não me satisfazem, é tudo para você. — Ele continuava sorrindo.
— Então o que você come?
— Sangue. — Levanto a cabeça depressa, meu coração espanca meu peito. Me levanto o mais rápido que posso da cadeira, mas ele me segura antes que eu possa dar mais um passo. — Onde você acha que vai? Eu estou faminto.
— Por favor... — Ele puxa meus cabelos e ele encosta a boca fria em meu pescoço, sinto um arrepio dos pés a cabeça. Meus olhos enchem de lágrimas enquanto ele penetra os dentes afiados em meu pescoço. A dor me deixa em choque, meu sangue estava sendo drenado de dentro de mim e eu estava ficando fraca, mas algo o irritou e o fez se afastar. Ainda tonta me seguro na mesa, enquanto ele me olha intrigado e sério, analisando cada movimento meu, cada expressão.
Ele parecia confuso.
— Seu sangue. Eu já bebi algo perecido. — Ainda recuperando o folego, me seguro na cadeira e me ponho de pé.
— De quem? Você a matou?
— Não. Ela está viva ainda, muito viva. Hoje ela é a rainha de tudo isso.
— Minha mãe? — Ele pulou em cima de mim, me colocando contra a parede e apertando meu pescoço.
— Você é filha daquela bruxa! — Tento escapar de suas mãos, mas ele é forte demais. Aspiro todo ar que posso antes de responder.
— M-me solta. — Ele larga meu pescoço e eu caio no chão, inalando todo o ar com força. Apoio as costas e a cabeça na parede tentando acalmar meu coração.
— Gans! — Ele grita e anda de um lado para o outro. O troll chega aos tropeços na sala de jantar.
— O que deseja, mestre? — O troll se curva.
— Tire ela daqui! leve-a para o quarto, certifique-se de que ela não sairá daqui até amanhã à noite!
— Sim mestre. Venha senhorita.
Volto para o quarto, Gans tranca a porta com correntes e cadeados, ou ele está com receio de que eu fuja, ou ele está me protegendo de algo muito ruim. Vou até o espelho e afasto meus cabelos de meu pescoço, as marcas ainda estão vermelhas e doloridas. Me dirijo até o guarda roupa e procuro algo para dormir, pego uma camisola de seda preta que vai até meus tornozelos, a visto e deito-me na cama. No escuro fico relembrando o que aconteceu a pouco e tentando buscar a explicação de como ele conhecia minha mãe e como ela já teria sido mordida por ele uma vez.
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