Fairy Tale and Horror - Snow White
2 Capítulo 1
Branca de Neve, é assim que me chamam, trancada em uma masmorra por anos pela própria mãe, que por inveja exilou a filha de tudo e de todos para se tornar a única e a mais bela de todo o reino. Depois que meu pai morreu ela me trancou e ordenou que não me deixassem sair de lá, ainda ouço alguns dos empregados dizendo que ela nunca me desejou, que para ela só importava a coroa e as riquezas que ela enfim teria. Uma vez por ano ela ia até o meu quarto, com uma tesoura cortava meus cabelos e os enrolava em um pano e depois ia embora, mas antes de fechar a porta ela sempre sussurrava as mesmas palavras: Você sairá daqui quando estiver morta, caso o contrário pertencerá a mim para sempre.
A pouca luz que entra pela pequena janela do quarto ilumina a porta, me levanto esperando o café da manhã que minha mãe ainda me permite comer, sento na cama e coloco os pés no chão frio, me coloco de pé e vou até a janela, subo em um caixote em frente a ela, por ela dá para ver o quintal cheio de flores e cores que sempre sonhava em ver de perto desde criança. Ouço um barulho na porta, desço o mais depressa do caixote e me sento de volta na cama, Jasper uns dos súditos de minha mãe entra no quarto e deixa a bandeja com o café da manhã sobre a cama
— Aqui está seu café senhorita, tenha um bom dia.
Ele faz uma reverencia e sai do quarto me trancando de novo lá dentro.
Assim que termino o café empurro a bandeja por debaixo da porta, Jasper passa e a leva de volta a cozinha. Diferente dos outros Jasper me trata como a filha da rainha e não como uma prisioneira como os outros acham que sou. Algumas vezes ele senta do outro lado da porta e ficamos conversando por horas, ele me conta como são as coisas fora daquele quarto, de como é o jardim de perto, embora ele não vá muito lá. Ele me conta dos bailes dos quais fui proibida de ir, de como é sentir a chuva, a luz do sol e o ar puro. Foram anos sem sair, só trancada em meio a escuridão e a pouca luz que a janela me permite ter, foram anos comendo apenas pão de água, no café da manhã, no almoço, na janta, o mesmo de sempre. São poucas as vezes que Jasper consegue trazer algo diferente para mim da cozinha, as vezes um bolo, as vezes uma maçã ou até mesmo um copo de suco, o que para mim já é o suficiente. Nos dias em que a rainha viajava, Jasper me fazia companhia no quarto, me levava livros e me contava histórias, então me ensinou a ler, a contar, tudo o que minha mãe não queria que eu aprendesse, ele me ensinou e hoje com 21 anos estou prestes a tomar a decisão mais importante da minha vida.
Fale com o autor