Fairy Tale

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Olá. Entón, desculpem-me pela demora, sim? É que quis corrigir até a última gota, então esse está bem certinho, ao menos ao meu ver. Enfim, vamos ao que interessa. Agradeço as novas e belas recomendações de: - Octavia - NaLu - Burn - LuhHeartfilia Sério, muito obrigada por isso! Vocês são uns amores *---* Enfim 2, vamos ao capítulo! Boa leitura!

– O que está acontecendo? – Lucy perguntou, envolvendo o corpo com os próprios braços ao notar que estava sendo avaliada por alguns homens próximos de si. Não só ela, como todas as mulheres ao seu redor.

Os casais aproximaram-se ainda mais. Gray Fullbuster, o kaninano, colocou-se de frente para Juvia Lockser, e a expressão de poucos amigos que lançava aos outros machos era uma visível ameaça. A mesma atitude foi repetida por todos os acompanhados. Uma visível marcação de território.

– Estão escolhendo as presas. – Natsu murmurou, num tom que evidenciava que estava se sentindo incomodado com a movimentação. Lucy o observou atentamente, rezando para que ele se portasse da mesma maneira consigo.

– E o que isso significa?

– Que as mulheres em breve correrão para a mata, para se esconderem dos homens. – ele colocou, como se fosse a coisa mais obvia do mundo. A elfa se irritou com a indiferença. Profundamente.

– E serem perseguidas. – ela concluiu. O dragão concordou com a cabeça. – Eu deveria fazer o mesmo?

Ambos os pares de olhos se encontraram. Natsu ergueu uma sobrancelha.

– O que quis dizer com isso?

– Absolutamente nada. – a elfa garantiu, dando de ombros. – Se estou aqui, deveria fazer como as outras mulheres, não? Correr.

A ideia foi digerida pela mente do Dragneel, que trincou os dentes.

– Não. Diferente delas, essa não é a sua cultura! – ralhou irritado, fazendo-a franzir o cenho.

– Achei que quisesse me enquadrar nela desde o início. – rebateu fria. Havia uma mágoa evidente em suas palavras. Mesmo que Natsu não fosse capaz de compreender. – Não era esse o objetivo afinal?

– Acha que eu vou deixar você se esconder naquela floresta, para depois ser encontrada por qualquer imbecil desses que só querem foder com qualquer uma?! – o rosado riu seco. – Você não tem noção alguma de nada, não é mesmo, Lucy?

– Que eu saiba, é você quem não tem noção alguma! Você nem mesmo pode ou não controlar o que vai ou não acontecer aqui e agora. Se eu quiser participar dessa porcaria de festa, então eu vou fazer isso.

– Não, você não vai. Eu posso controlar sim, e muito bem, tudo o que vai acontecer. E sabe o que vai acontecer hoje? Nada, porque você não vai correr para aquele bosque e trepar com outro cara!

– E por acaso você é quem vai fazer isso, Dragneel?! – ela riu sem humor algum. Natsu detestou. Na realidade, detestava todas as vezes em que a loira pronunciava seu sobrenome. – Fala como se tivesse poder sobre tudo e todos.

– Não é como se você tivesse escolha, elfa. – num movimento imprevisto pela elfa, ele simplesmente puxou-a feito um saco de batatas, colocando-a atravessada em um de seus ombros.

Lucy se debateu algumas vezes, furiosa. Detestava todas as vezes em que seu poder era rebaixado ao nível mínimo. Entretanto, no fundo, cada vez mais gostava daquela situação. Porque, sejamos sinceros, ela queria tudo aquilo. Perdoe-me a sinceridade, mas mulheres sempre tiveram um fraco por cenas dramáticas.

– Ordeno que me solte! – ela gritou, num tom imperativo que poucas vezes ele havia escutado-a usar. Natsu riu debochado. Quem ela pensava que era? Uma princesa?

E não pensem que é apenas ironia de minha parte ter feito essa pergunta, pois foi exatamente o que meu brilhante filho pensou naquele momento.

Ironia do destino, creio eu.

– Sinto muito, senhora, mas quem ordena alguma coisa aqui sou eu. E eu ordeno que cale a boca.

[…]

A Aurora Boreal coloria o céu naquela noite. Não só naquela, como em muitas outras, já que o território da Liga quase sempre era abençoado com a visita de tal fenômeno. Porém, ela parecia mais colorida naquele momento.

Os espíritos estavam indóceis. O que era algo muito estranho, considerando o fato de que se encontravam numa Noite dos Dragões. Quase sempre eles apenas faziam seu papel de fertilidade pelos bosques, e agraciavam os casais com futuros frutos.

Mas, naquela noite, o papel deles era outro.

Porlyusica, vulgo Grandine, a Xamã da tribo Fairy Tail, se perguntava qual era aquele papel, encarando as luzes com certa hesitação. Arremessava suas oferendas ao fogo, e era assistida em cada passo dado por sua neta, Wendy Marvell.

– Vovó? – a voz infantil a chamou, num tom inseguro. Grandine olhou para a neta por cima dos ombros.

– Está com frio?

– Não. – a menina engoliu em seco. – Você parece esquisita. Sempre que estamos na montanha, parece tão feliz … mas está com uma aura diferente hoje.

Grandine sorriu fraco. Gostava do jeito observador de sua cria.

– Você mesma pode me esclarecer as coisas, criança. O que conversamos ainda ontem, sobre os elementos?

– Alguns são capazes de ouvi-los.

A idosa concordou.

– Somente ouvi-los, qualquer um pode. Mas algumas raças são capazes de mais. Algumas raças são capazes de compreender o que eles querem dizer, Wendy. E você, como um dragão do ar, deve saber o que ele tem a lhe dizer esta noite. E, caso o escute, e acima disso, o entenda, então saberá porque estou tão aflita.

Wendy respirou fundo, fechou os olhos, e se concentrou apenas nas ondas sonoras produzidas pelo ar. No sentimento que tais ondas lhe causavam.

E quando o calafrio percorreu todo o seu corpo, ela finalmente compreendeu.

Notícias ruins estavam por vir.

[…]

– Onde está Aquarius?! – O Rei Elfo arremessou seu cálice contra a armadura de um dos seus mais fiéis membros da Guarda Real. O homem gaguejou com dificuldade:

– E-Está em seus aposentos, m-meu Rei. E-Ela pede q-que a deixem dormir um p-p-pouco mais!

– Pois eu exijo que tragam-na aqui agora, antes que eu a jogue no mais escuro calabouço que nossa prisão já const –

– Falando de mim, Majestade? – acreditem ou não, a Bruxa do Mar havia subitamente se materializado na frente do Rei Jude, que arregalou os olhos, descrente do que via. Assim como todos os presentes na sala, que recuaram um passo, mesmo que incondicionalmente. Ali as forças iam além da compreensão de todos. Magia Negra sempre seria um ponto de interrogação nos livros e mentes.

O Rei trincou os dentes.

– Por que, Aquarius?! Eu pensei ter ORDENADO que me contasse cada passo desse seu maldito plano! Você sabia onde Lucy estava indo, não sabia?! Você sempre soube! Minha filha em território da Liga é uma declaração de guerra direta àquela maldita facção! – O rei socou o punho no braço do trono. – A essa altura, já devem tê-la feito de refém, e um pergaminho logo chegará com as exigências daquele chiqueiro!

Aquarius sorriu debochadamente. Os presentes se arrepiaram. E com razão.

– É ai que Vossa Majestade se engana. – garantiu, sapateando em cima do orgulho do Rei Elfo, na frente de todos. – A princesa não está apenas em território da Liga. Ela está sob custódia do filho do dragão Igneel. O famoso Salamander.

Todos engoliram em seco. Jude sentiu algo dentro dele revirar-se.

– Então receio que não aja se quer negociação. Já deve estar morta, e a Deusa se quer sabe o que podem ter feito a ela antes disso.

Aquarius dessa vez gargalhou, fazendo o Rei erguer as sobrancelhas, sentindo-se desafiado.

– Do que achas tanta graça, Bruxa? Acaso a situação de minha filha lhe é tão divertida?

– Me encanto com a forma pela qual fala dela vez ou outra, meu Rei. Você mesmo disse ser indiferente a vida ou morte da princesa.

Os presentes viravam as cabeças para os dois lados em alta velocidade. O jogo de palavras continuou:

– Uma vez desonrada, sempre desonrada. Mas eu não hei de ter o mesmo destino. Se a Liga quer nos desafiar, então é minha obrigação restaurar nossa moral perante o mundo. Mas não respondeu minha pergunta, senhora.

– É que sua filha está bem viva, Majestade. E não podia estar melhor acompanhada. Afinal, o Salamander não é apenas um tipo de príncipe da Liga, como também o pai do bebê que ela carrega.

Bocas se escancararam. Incluindo a do Rei, se querem saber, que estava prestes a ter um desmaio, ou coisa pior. Estava estupefato diante da revelação, e não era para menos. Afinal, imagine-se no lugar dele. Um Imperador, e Rei, cuja autoridade estava sendo questionada visivelmente. Tudo estava acontecendo debaixo de seu nariz, e ele se quer chegou perto de descobrir.

– Então … era ele … no lugar de Sting? – o Rei calou-se, pois sentia que se falasse novamente, pareceria ainda mais idiota perante àquela mulher.

– Sim. E, antes que pergunte – ela sorriu debochada. De novo. – ele já sabe disso. E ela. Estão vivendo um lindo romance, que há de durar pouco, se depender de mim. Em breve irei a tribo Fairy Tail, fazer uma visita a ela, e esclarecer quaisquer dúvidas que ainda restem.

– Que tipo de dúvidas? – Jude não compreendia mais nada.

– Sua filha não é apenas uma elfa, Majestade. Ela é a princesa dessa raça. E, por ser o que é, ela não vai durar ali. E mesmo que dure, logo a verdade vai fazê-la ver seu novo amante de uma forma diferente. Vai conhecer a verdadeira natureza da Liga, e o motivo pelo qual são inimigos. Mas não se preocupe, Majestade. Eu mesma irei buscá-la. Só preciso esperar até que descubra tudo o que tem de descobrir.

E sorriu ao término do discurso. Jude Heartfilia estremeceu. A cada dia sentia-se mais controlado, feito uma marionete.

E ele tinha razão.

[…]

Quando Natsu finalmente colocou Lucy no chão, a loira não se deu ao trabalho de reclamar. Estava encantada demais com o que via à sua frente.

– Bem-vinda ao humilde lar de Natsu Dragneel.

Diferente das casas normais da Liga, feitas de pedras e outros materiais pesados, a casa de Natsu – e minha – era o extremo oposto. Feita apenas de madeira, ela não ficava no chão como as casas normais. Ela subia sua estrutura através de uma imensa árvore, e era alta como nenhuma outra. Eram ao todo três casas medianas, ligadas uma à outra por meio de escadas também de madeira, não muito estreitas.

– O primeiro andar eu divido com Igneel, que é onde fica a cozinha e a sala. O segundo é só dele, e o terceiro é só meu. Porque, né, o velho não aguenta tanta escada.

Ele não precisava ter dito isso, e nem eu narrado, mas, fazer o que, não é mesmo? Nem tudo tem que ser essencial, ou a vida não teria graça.

Lucy continuava maravilhada.

– É uma casa na árvore. – murmurou, mais para si mesma. Natsu rolou os olhos.

– Obviamente. Mas não pretendo viver nela para sempre.

A elfa engoliu em seco, olhando-o assustada.

– Mas por que não?! Ela é incrível!

– Não é legal viver para sempre com os pais, Luce. Além disso, agora que … –

Ele não chegou a terminar a frase. Aspirou com força o ar, para em seguida contorcer o rosto numa careta.

– Alguém está perto.

– Quem?

– Kaniano, quase certeza. Tomara que não seja o puto do Loke …

– Loke?

– Ele te olhou a maior parte do tempo.

– Fico feliz. – ela comentou, fazendo-o olhá-la irritado. – Pelo menos assim sei que alguém me olha.

Os dois se encararam.

– Qual o seu problema afinal?!

– O meu problema, Natsu?! – ela empurrou-o no peito, afastando-o de si. – O meu problema é que, aparentemente, o cara por quem eu tenho um penhasco se quer sente algum desejo por mim, já que me rejeita todas as vezes em que me dou ao trabalho de dar uma “investida”, coisa que, ao menos que eu saiba, são os homens que fazem! Mas até ai tudo bem, o pior mesmo é ter que me controlar, já que pra você sou a louca viciada em sexo, que nunca te deixa em paz!

Foi difícil para meu filho conter a gargalhada, mas, com muito esforço, ele transformou-a apenas em uma risada seca.

– Você não tem noção de como é pra mim todos os dias, Luce. Eu podia ter te fodido naquela viagem, podia ter te fodido na fogueira, e podia foder você agora, porque eu queria e ainda quero fazer isso. Mas eu estou tentando ao máximo não executar meus pensamentos, porque você está grávida, e ser fodida por um dragão não vai ser a melhor experiência da sua vida. Muito menos hoje, onde só de olhar essa sua roupa transparente meu pau já começa a doer.

A loira se arrepiou, mas não se deu por vencida.

– Não sou fraca como pareço. – murmurou, aproximando-se dele. Natsu ergueu uma sobrancelha.

– Aquela noite não foi nada perto do que vai ser hoje. Eu nem se quer sei se vou controlar minha forma. – garantiu, segurando os pulsos dela, para impedir que o tocasse.

– Eu não tenho medo de você, Natsu.

– Mas sabe que devia, não sabe?

Saber ela sabia, apenas não se importava.

O dragão suspirou cansado, dando-se por vencido. Caminhou até a porta da frente, que abriu com um simples rodar de maçaneta. A elfa entrou logo atrás dele, observando brevemente os móveis rústicos e cômodos não muito extensos.

Era uma legítima casa de homens. A maioria das coisas estava jogada pelo chão, e não pareciam exatamente limpas. Torceu o nariz para um prato de sabe-se lá quando, posto em cima da mesa de centro da sala.

– Foi o Igneel. – Natsu afirmou.

Mas não havia sido eu, garanto.

Subiram os lances de escada devagar. Natsu parecia perdido em um mundo só dele, e Lucy se perguntava diversas coisas. Mas, a principal, era o que viria a seguir.

Não tardou a descobrir.

Passaram direto pela segunda casa, e subiram ainda mais as escadas em espiral, sendo perseguidos pela brisa gélida da noite. A elfa observou o contorno das montanhas na linha do horizonte, e até a aurora boreal que dançava na montanha mais alta, limite entre os dois territórios das facções.

Mas não olhou por muito tempo, pois lhe trazia péssimas lembranças.

Voltou a si quando ouviu a porta sendo aberta, e Natsu finalmente parando a subida de ambos. Seu coração se apertou em expectativa, e seguiu-o para dentro do cômodo, que era muito diferente das opções que sua imaginação havia criado.

A primeira coisa que chamou a atenção de Lucy, foi a escrivaninha próxima da porta. Haviam centenas de pergaminhos e mapas espalhados por cima dela, e, incrivelmente, nenhum deles parecia empoeirado. Pasmem, haviam até mesmo livros, livros de verdade, com poucas gravuras – e até nenhuma – em cima daquela bendita mesa.

– O que é isso? – ela perguntou, incrédula. Natsu rolou os olhos.

– É tão chocante saber que sei ler e escrever?

– Eu sabia que tinha essa capacidade. Apenas não que a utilizasse com tamanha frequência.

Ele riu, vendo-a se aproximar de seu espaço pessoal. Nunca antes alguém havia lido suas anotações, olhado seus mapas. Descoberto seus sonhos. Nem mesmo Lisanna. Lucy Heartfilia estava entrando num poço que nem mesmo Natsu sabia se tinha fundo. Mas ela descobriria. E seria a primeira a ter tal honra.

– É o território do Império. – a loira comentou, pois também estava cansada de ver aqueles desenhos. Já os havia estudado diversas vezes. – Vai até o litoral.

– Que é onde fica interessante. – o rosado concordou. – Sempre quis chegar até lá, mas nos deixaram na pior parte do território. Só temos rios e lagoas.

– E não é o bastante? Há muita água potável.

– Não falo de escassez de água, Luce. Se quer falo de complicações com relação a isso. Os mapas serviriam para guiar uma viagem. Uma viagem para além-mar.

A elfa arregalou os olhos.

– Quer sair de Fiore?

– Quero descobrir o que há além disso. – corrigiu.

– E por que? – questionou, esperando uma resposta capaz de seduzi-la a desejar o mesmo sonho.

– Porque gosto de aventuras. E essa vai ser a maior de todas elas.

Havia sido suficiente.

– Pensei que quisesse ser o Alfa – ela comentou. Bem, ao menos me pareceu isso. Achei que fosse seu sonho.

– Podemos sonhar mais de uma coisa, não podemos? Além disso, eu não quero ser apenas o Alfa. Quero ser o melhor Alfa que a Liga um dia teve.

Comentário ambicioso esse, não? Mas Lucy não se incomodou. Na verdade, até o compreendeu, porque se sentia exatamente da mesma forma.

Ela concordou com um manear de cabeça, afastando-se dele. Passou agora a caminhar pelo cômodo, observando cada detalhe que depois gravaria bem. A cama era retangular, forrada com lençóis brancos, e repleta de travesseiros grandes e macios. Definitivamente não era um ambiente barato. Não haviam tapetes, e por isso foi agradável para ela arrastar os pés por cima do piso sem atrito.

As paredes haviam sido pintadas a mão, e possuíam paisagens diversas, que iam desde a montanha, até a Floresta Negra.

Parou apenas quando encontrou o objeto mais curioso daquele local.

Um telescópio. E, curiosamente, não estava voltado para a janela pequena do cômodo, e sim para o teto.

– Natsu? – virou-se na direção do dragão, que retirava as botas de couro. Ele olhou-a por cima dos ombros.

– Hm?

– Por que o telescópio está na direção do teto? – perguntou, piscando os olhos curiosa. Natsu suspirou.

– Espere um pouco.

O rosado foi até a alavanca ao lado da cama, que puxou com força, fazendo um barulho estranho ecoar pelo local. Como se engrenagens estivessem sendo giradas. Lucy voltou os olhos ao teto, observando assustada enquanto o mesmo passava a se mover. Uma fenda surgiu exatamente no centro do telhado, e as duas partes afastaram-se cada vez mais, recolhendo-se para sabe-se lá onde, e revelando um céu estrelado.

Ela não tinha palavras. Fitou cada constelação que conhecia com a palma de sua mão. Áries, Virgem, Peixes, Gêmeos, Touro, Leão, Câncer, Escorpião, Sagitário, Libra, Capricórnio. E Aquário.

Natsu estava tão distraído observando as estrelas, que não notou quando Lucy o abraçou por trás, apoiando o rosto em suas costas.

– Você sabe que não sou tão fraca quanto pareço, não sabe?

Ele olhou-a por cima do ombro.

– É você quem está me dizendo. — riu seco, fazendo-a rolar os olhos. – Sei.

– Então, se … — a elfa respirou fundo, tomando coragem. – Eu aguento.

– Aguenta o que?

Ele não puxou isso de mim, não é possível.

Lucy agradeceu a Deusa por ele não ver suas bochechas vermelhas.

– Virgo me disse que vocês … bem, que vocês preferem o outro tipo de sexo.

Meu filho explodiu em gargalhadas. Bem ali, no pior momento pra fazer isso. O pior erro que um homem podia cometer, quando estava interessado numa mulher. Interessado sexualmente, pra ser mais exato. Não que ele não estivesse em outros sentidos.

– D-Desculpa! – pediu, ainda sem controlar o riso, pondo a mão na frente da boca. A elfa ficou vermelha, dessa vez de raiva.

– Ora, seu idiota! – ela praticamente rosnou na direção dele. Soltou-o, mas antes que pudesse se afastar, o dragão foi mais rápido, segurando-a com força pelo braço.

– Não estou debochando de você. É que achei engraçado. Você fica envergonhada por qualquer coisa.

– Esperava o que?! Eu nunca havia pensado nesse tipo de coisa, e depois que você apareceu na minha vida, só consigo pensar nisso! É horrível! – ela tapou o rosto. – Me sinto com calor toda vez que você está muito perto, e isso não pode ser puro! Naitya Oar! Heca! Rihta!

Lucy começou a resmungar no próprio idioma antigo, ignorando completamente as explicações do dragão. Não dava a mínima. E Natsu olhou-a sem compreender absolutamente nada. Assim como nós.

E se imagine agora sentando naquela escrivaninha, só para observar de braços cruzados o que aconteceria a seguir.

E é melhor estar sentado quando eu narrar em 3, 2, e 1.

Oh, perdoe-me. Vai ter que esperar apenas mais um pouco.

[…]

– Quando podemos partir, senhora?

– Amanhã de manhã. – a Bruxa do Mar respondeu curta, fechando a porta de seus aposentos com violência. Assoviou alto, e logo um corvo negro apareceu em meio às sombras, voando em sua direção.

Pousou diretamente no ombro da mulher, que agora derramava elixires numa bacia, cujas cores se alternavam no decorrer de diversas explosões químicas. Um cheiro de enxofre dominou o ar, e o pássaro tão sinistro quanto a dona permaneceu em silêncio.

Como de costume. Afinal, não haviam muitas opções de ação para um corvo, ou ao menos não naquele contexto. Lyon Vastia nem sempre foi um corvo, se querem saber. Houve uma época em que outra bruxa havia salvado sua vida ao transformá-lo num homem. Ultéarvola, a protetora de um reino mágico escondido, bruxa após ter seu coração partido pelo ambicioso Rei Jellal Fernandes. E assim passou a possuir duas formas. Uma humana, e outra animal. Como muitos nessa história.

Mas tornar-se um homem nunca lhe foi algo muito vantajoso. Principalmente quando apaixonou-se pela primeira vez, por uma princesa. A filha única de Jellal, amaldiçoada a um sono profundo por Ultéarvola. Meredy, também conhecida pelo nome de Aurora, havia sido o grande amor da vida de Lyon. Mas nunca chegaram a concretizá-lo. Haviam muitos impedimentos, e a magia negra sempre seria um deles.

Porque toda magia tem um preço, e Lyon agora pagava o seu.

Aquarius debruçou-se sobre a bacia de pedra, e olhou para as águas que agora assumiam um tom púrpura. No primeiro momento, viu apenas seu próprio reflexo. No outro, o de um jovem que corria loucamente em meio as árvores.

– Vá e siga-o, Lyon. – ordenou firme. – Garanta que Hibiki Lates vá pelos caminhos certos da Floresta Negra, e chegue à Liga o quanto antes. Pois com ele a Verdade virá, e assim teremos o início de uma Nova Era para o Império. Sem mais reis, e sem mais princesas. Pois agora o mundo de Fiore conhecerá um novo tipo de comando.

“O de uma Imperatriz”.

[…]

– Sabe, – Natsu suspirou. – Antes de tudo, eu queria te mostrar uma coisa.

Natsu segurou-a pelo braço, e com um puxão a fez se virar de frente para si. Ela abaixou os olhos, com as bochechas ardendo.

Ele ergueu o queixo dela para cima com indelicadeza, obrigando-a a olhá-lo nos olhos.

– Disse que não tem medo de mim, não disse? – questionou-a, ainda segurando seu queixo com certa força. Lucy engoliu em seco assustada. – Você não teme o que vê agora, porque lhe é familiar. Mas e quando o familiar se tornar exótico?

As mãos dela tentaram retirar as dele de si, sem sucesso.

– Está me machucando …

Natsu soltou-a com brutalidade. Não afastou-se se quer um passo, mas Lucy o fez, caindo sentada na beirada da cama, e assistiu magnetizada a cena que acontecia à sua frente.

Natsu levou as mãos ao zíper da calça, que abriu com facilidade, sem retirar os olhos dos dela. Jogou o colete em qualquer canto do quarto, e a bermuda logo foi retirada junto. Ele estava nu, bem ali, tão perto que Lucy poderia tocá-lo.

Mas não o fez.

O dragão abaixou a cabeça, e fechou os olhos. Mas quando abriu-os de novo, estavam diferentes. De um vermelho vivo.

Os chifres apareceram no topo da cabeça, junto a algumas escamas e espinhos nas costas. Pela primeira vez, Lucy viu o rabo, não tão grande quanto o normal. Agora, ela não sabia distinguir se aquilo era animal ou homem.

E o familiar finalmente se tornou exótico.

Natsu a encarou de forma ameaçadora, esperando qualquer comentário que nunca veio. A princesa estava hipnotizada com a visão. Se perdia nos detalhes do corpo, os músculos mesclados às escamas. A mistura sobrenatural de duas criaturas.

Quando ele abriu a boca, ela reparou nos caninos, bem mais afiados que o normal.

– Ainda quer me deixar foder você? Nessa forma que te faz tremer de medo?

A elfa olhou-o com atenção. Tinha de dar uma resposta logo, e sabia disso. Mas queria que fosse a melhor resposta possível existente.

E ela seria.

– Se essa é a sua forma real, Natsu, então é nela que eu quero foder com você todas as vezes.

Levou as mãos até o fecho do colar, abrindo-o. E, pouco a pouco, a estrutura do vestido se desfez, e o tecido escorregou pelo corpo dela. Lucy segurou o pano apenas na altura dos seios, para impedir sua nudez de ser exibida.

Ainda assim, foi a demonstração perfeita de que estava pronta para o que quer que acontecesse.

Natsu sorriu maroto, e quando Lucy ia abrir a boca para dizer qualquer coisa, ele impediu qualquer palavra de sair. Beijou-a de leve, segurando sua cintura com firmeza. E a elfa correspondeu de imediato.

Começou romântico, e continuou quente. Línguas apareceram, e se enroscaram numa batalha por espaço. Lucy mordeu o lábio inferior do dragão, e deliciou-se em vê-lo tão entregue. Suas mãos se enroscaram no cabelo cor-de-rosa, e puxaram ali com firmeza.

Natsu riu seco contra os lábios dela.

– Vai querer ditar o ritmo? – perguntou num sussurro sôfrego. Ela ponderou, e acabou por dizer um sincero “não”. Ele achou melhor assim.

O beijo continuou, mas não durou muito tempo. Assim que a boca de Natsu abandonou a de Lucy, a elfa choramingou. Mas não teve tempo de puxá-lo de volta. O Dragneel já estava em seu pescoço, marcando-o com chupões e uma gentil quantidade de saliva. Traçando um caminho possessivo pela pele pálida da loira.

Lucy arfava, sentindo a expectativa consumi-la.

Natsu continuou descendo, mas, diferente do que ela pensava, ignorou totalmente seus seios. Passou direto por eles, e demorou-se na região abaixo do umbigo. Beijos, chupões, mordidas. A elfa estava tão distraída, que mal notou quando suas pernas foram violentamente abertas.

Caiu sentada na beirada da cama, e Natsu tratou de afastar ainda mais uma coxa da outra. E quando a língua quente do dragão invadiu a parte íntima da elfa, ela nada pôde fazer senão gritar de prazer. Era um contato ainda superficial, mas apenas o roçar úmido e caloroso lhe causava êxtase.

Ele invadiu ainda mais. Passeava com tranquilidade pela cavidade, e tinha de segurar o corpo de Lucy, para que ela não fechasse as pernas consigo ali, ou mesmo forçasse o quadril para cima. Ainda assim, os gemidos eram incontrolavelmente altos. Nunca, na vida dela, alguém havia dito que ali era um local “beijável”.

As mãos da loira forçaram a cabeça de Natsu contra sua vagina.

– N-Natsu! – ela mordeu a mão com força, fitando o teto. Abria as pernas ao máximo, e sentia que seria capaz de sair do próprio corpo de tão enlouquecida.

– Você não gosta, Luce? – ele sussurrou, roçando os dentes de leve nos lábios inferiores dela. Lucy gemeu, e assim que o fez, Natsu enfiou a língua no ponto certo. O clitóris havia sido golpe baixo. A elfa berrou, contorcendo-se de prazer. Sua cabeça tombou para trás, e ela repetia diversas palavras desconexas.

E, de repente, parou. Tão rápido quanto havia começado.

Estranhamente, a própria Lucy havia afastado a cabeça do amante de si, e ele a olhava com um ponto de interrogação na testa.

– Minha vez.

Ela subiu na cama rapidamente, e, tomando bastante coragem, colocou-se de quatro, oferecendo a bunda na direção do dragão. E, cara, se você tivesse visto o brilho nos olhos dele, entenderia como aquilo era excitante.

– Puta que pariu! – ele rugiu, avançando na cama e agarrando a cintura dela. Mordeu o lábio inferior de ansiedade, e roçou a parte íntima dura entre as nádegas dela, lentamente. Lucy arfou apreensiva.

– Natsu … – ela trincou os dentes. – Mas que droga! Eu não sou uma princesa indefesa! Faça logo!

Não aguentou esperar mais, e enfiou seu pênis de uma vez, fazendo Lucy gritar de dor. Ela apoiou-se nos ante braços, sentindo como se estivesse prestes a rachar no meio.

Natsu olhou-a com atenção. Estava com pena da elfa, na realidade, mas sabia que não poderia voltar atrás. Em primeiro lugar, porque não queria. E quando um dragão não quer uma coisa, ela não acontece.

Mas, surpreendendo o rosado, Lucy rebolou com vontade, na intenção de ajudá-lo. Ignorando completamente a dor, e fazendo-o rosnar.

– Luce … – ele choramingou, completamente entregue naquelas curvas que suas mãos seguravam. E, sem aguentar mais, passou a mover-se, dessa vez com vontade. A dor ainda era insuportável para a Heartfilia. E, ainda assim, ela estava determinada a continuar.

Até que algo muito bizarro aconteceu. Havia algo em sua vagina, massageando-a. Algo quente.

O rabo de Natsu.

E ela teria gritado de horror, se não fosse pelo fato do movimento ser tão instigante. Ele ia enfiando o membro incondicionalmente ali, e ela sentiu o corpo todo reagir, além das pernas se abrirem mais, dando passagem para a masturbação.

Continuou rebolando, tendo seus movimentos ditados pelas mãos do parceiro. Toda vez que o atrito era máximo, os dois gemiam em uníssono, alto como nunca, fazendo a cama tremer e ranger.

E assim se seguiu durante alguns minutos. Natsu deixou seu fetiche falar mais alto, e levou as mãos aos seios dela diversas vezes, brincando com os botões enrijecidos, até que, num último minuto, a loira chegou ao orgasmo, gritando o mais alto que podia, intencionalmente. Queria ser o mais selvagem possível.

Por fim, o dragão ejaculou, assistindo enquanto o líquido branco escorria em meio às pernas da mulher. E, por um momento, sentiu-se o cara mais sortudo do mundo. Retirou-se de dentro dela, e deixou o corpo cair na cama.

Lucy não tardou a deitar-se do lado dele, tendo seu corpo envolvido pelos braços do Dragneel.

Um virou o rosto para o outro, curiosamente.

E foi Natsu quem quebrou o silêncio.

– Você é muito mais forte do que parece. – ele murmurou, encarando-a de forma intensa. Lucy ergueu uma sobrancelha.

– Eu deveria responder isso? – perguntou levemente irritada. Mas o dragão não a respondeu. Virou o rosto para o teto, e ficou assim por bastante tempo, perdido nos próprios pensamentos. Entretanto, não pensem que a elfa ficou sem resposta.

Uma hora depois, ela veio.

– Luce… – Natsu chamou-a baixinho. A garota, que antes estava de olhos fechados, encarou-o sonolenta.

– Hm?

Ele acariciou a bochecha dela.

– Amanhã, eu quero fazer uma loucura por você.

– Tá bom, Natsu … – as pálpebras voltaram a se fechar. Mas as de meu filho não. Natsu voltou a encarar o teto. E, estranhamente, sentiu como se as estrelas o encarassem de volta.

O que não deixava de ser verdade. Pois até mesmo as estrelas queriam saber o que aconteceria a seguir.

Notas finais
Aviso da semana: O.PRÓXIMO.SERÁ.DE.MATAR.