Notas iniciais
Olá, pessoal, sejam muito bem-vindos ao meu mais novo projeto, Fairy Tale, uma legítima NaLu. A segunda que escrevo, mas a primeira que vai pra frente KKK' Também é a primeira do gênero fantástico - meu gênero favorito de leitura - que tomo coragem para escrever. Mas, okay, sem perder tempo com meus sonhos pessoais. O motivo do nome da fanfic é bem simples, e, diferente do que costumo fazer nas outras fanfics, não tem todo um significado por trás. A fanfic vai englobar diversos aspectos da minha infância Disney, apesar da temática não ser nem um pouco infantil. Enfim, eu espero realmente que gostem desse capítulo. Tentei reduzir ao máximo - acreditem, eu realmente tentei - mas acabou ficando grande da mesma forma. Me desculpem por isso.

Houve um tempo em que o Reino de Fiore foi apenas um, governado por uma facção nomeada Império. Controlada pelos Elfos, que residiam num reino privado, ela conseguia manter a ordem com muita facilidade. Entretanto, seu sistema de governo baseado na superioridade das raças não agradou por muito tempo. Principalmente porque, cá entre nós, os dragões não eram os melhores servos do mundo. Criaturas com tal espírito livre jamais poderiam ser tratadas como subalternas.

Assim, o primeiro grupo a se rebelar — os dragões, como já devem ter imaginado — fundou a segunda facção. A Liga prezava valores como companheirismo e igualdade, e era dividida em tribos menores, que se espalhavam desde a costa até a fronteira com o Império, delimitada pela Floresta Negra. Por meio de uma votação, eu, Igneel, o macho Alfa dos dragões, fui eleito Chefe da Tribo Fairy Tail, a primeira a ser fundada, localizada nos arredores da Floresta Negra.

E tudo começou a caminhar numa direção aparentemente melhor com o nascimento da Liga. Contudo, Jude Heartfilia, o Rei dos Elfos, decidiu que não perderia nem mais um único servo seu. E foi dessa forma que as disputas pelo Reino de Fiore entre as duas facções tiveram início.

De um lado, A Liga, formada pelos honrados Dragões, os Kanianos e os gnomos. Do outro, na escuridão, estava O Império. Liderado pelos opressores Elfos, eles contavam com a força dos incontroláveis Orcs e com os Xadaganos.

Talvez vocês mereçam uma pausa rápida para explicações.

Bom, não existem Humanos em Fiore. Seus parentes mais próximos são os Kanianos e os Xadaganos. Kania é uma sociedade em que companheirismo não é virtude, mas sim Lei. Os Kanianos são um povo corajoso, que sobrevive aos perigos do mundo apegando-se à fé em sua Igreja da Luz. Apesar de contar com grandes cidades-fortaleza em todo o seu território, muitos preferem a vida simples em vilarejos no campo, próximos à natureza, de onde tiram seu sustento.

Quanto aos Xadaganos, posso afirmar que ajudaram — e muito — os Elfos a chegarem onde estão. A maior parte do Império era composta por bárbaros e selvagens, e, apenas quando a aliança entre Elfos e Xadaganos se concretizou, puderam evoluir para uma máquina poderosa. Muito disso se deve à cultura disciplinada e militar dos Xadaganos. E, sendo de natureza submissa, foram praticamente um presente para os Elfos.

Certo, aqui eu contaria mais sobre as outras raças, mas temo que já tenham ouvido falar sobre elas em outras histórias, e, como estávamos bem no meio de uma narrativa da qual eu definitivamente não sou o protagonista, as outras raças terão de esperar.

Quando as batalhas entre as duas facções cessaram — ao menos foi o que pensamos —, conheci uma kaniana especial, pela qual meus instintos se reduziram ao pó. Cedi a ela como os cavalos cedem aos seus cavaleiros, e foi a primeira pessoa que permiti voar em minhas costas.

Um ano depois, veio Natsu, um bebê rosado que viera ao mundo em sua forma humana. Mas, poucos meses depois, queimou a cabana onde morávamos com tanta facilidade que não poderíamos mais duvidar de sua verdadeira espécie. Era um dragão, tal como eu, e isso jamais poderia ser revertido.

Dias depois do décimo terceiro aniversário de Natsu, sua mãe simplesmente nos abandonou. Meu amor por ela me impedia de culpá-la, mas o de Natsu não. Para ele tudo foi mais difícil. O sentimento de abandono o corroía cada vez mais. As vezes chegava a me confrontar, questionando-me do porquê não odiava sua mãe tanto quanto ele. E eu apenas respondia um sincero “porque eu a amo”.

— Você se tornou um covarde. Não entendo como o Alfa pôde se curvar para alguém!

— Ah, você não entende? — estreitei os olhos em sua direção. Ele ergueu levemente a cabeça, mostrando-se orgulhoso. E, naquele pequeno gesto, vi uma parte de mim há muito deixada para trás.

— Eu nunca, jamais, vou deixar ninguém montar em minha liberdade como você permitiu. Um homem não se permite ser dominado por ninguém.

Natsu sempre foi imaturo quando se tratava disso. Seu sonho desde menino sempre foi ser um homem, para que pudesse ocupar o meu lugar, e futuramente me ultrapassar. Como deveria acontecer de fato.

— A força, e o saber pra comandar, tudo isso um dia vai chegar, Natsu. Só você vai encontrar liberdade pra viver, e, isso eu garanto, talvez não seja da forma que espera. E um dia então será como um grande homem deve ser.

As coisas pioraram quando completou seus dezoito anos. Sua coragem beirava a estupidez, e fomos cruelmente atacados por dragões inimigos. Dragões não eram a espécie em maioria. Dos poucos que existiam, dois pertenciam ao Império, e trabalhavam como uma espécie de mercenários do Rei dos Elfos.

Sala de Reuniões da Liga. Mesa redonda. Conselho reunido.

Quando essa situação acontecia na Sede da Liga, era garantia certa de que tudo estava indo de mal a pior na facção.

Recebemos o aviso da tragédia quando estávamos sentados na mesa de carvalho redonda, debatendo o tópico: revidar ou ignorar os ataques do Império. Um dos mensageiros mais rápidos entrou feito um furacão pela porta, e, naquele instante, já sabíamos que era grave.

A aldeia Acalypha, uma das mais próximas da Sede, havia sido queimada pelos Dragões Gêmeos, a “arma secreta” do Rei Elfo. Os olhos de Natsu expressaram um ódio do qual eu jamais me esqueceria. Ele levantou-se com os punhos cerrados, e a raiva fizera-o tremer-se dos pés a cabeça. Os chifres já apareciam no topo de sua cabeça, o que, admito, a maioria achava assustador quando assistia pela primeira vez. Era o que acontecia quando nossa forma humana não continha o instinto de dragão. Os dois corpos se mesclavam, e a fusão não era nada bela de se ver.

Não esperei menos dele. Lisanna Strauss morava na aldeia Acalypha. A kaniana prometida à Natsu desde que eram crianças. Um noivado que, quando propus, suspeitava que trouxesse a meu filho a paz que ele necessitava. Afinal, os dois sempre se deram muito bem e Lisanna sabia como acalmá-lo, coisa que eu mesmo sempre considerei um dos mistérios do universo.

Ainda assim, eu não podia permiti-lo agir feito o impulsivo que era. Os Dragões Gêmeos poderiam estar por perto, e Natsu era infantil o bastante para desafiá-los num combate direto. Então, quando ele fez menção de se retirar da sala de reuniões, me levantei para impedi-lo.

— Não sairá daqui, Natsu! Isso é uma ordem, está me ouvindo?! — mantive minhas mãos apoiadas na mesa. Os olhos dos membros do Conselho se voltaram a ele, que trincou os dentes em resposta. Tal como eu, Natsu detestava ser contrariado.

— Você não vai me impedir disso, velhote. — afirmou, dando-me as costas. — Nunca me impediu de nada antes, e não vai ser agora que isso vai mudar.

— Não dê as costas para mim, Natsu! — afastei a cadeira com um chute, indo em sua direção com o sangue fervendo. Felizmente, Makarov Dreyar, meu braço direito, um gnomo de inteligência inquestionável, segurou-me com firmeza, junto à Jura, o mago kaniano mais respeitado da mesa. Eles mantiveram o agarro até que meu filho sumisse pela porta.

— Acalme-se, Igneel — Jura advertiu-me, num tom de voz comedido — não é hora para ensiná-lo nada.

— Natsu está preocupado com Lisanna. — Makarov afirmou, concordando com o colega. Fechei os olhos com força, fazendo com que a dupla me soltasse. — Ele ainda é jovem. Tem muito o que aprender com os próprios erros.

— Ele anda cometendo-os com muita frequência, Makarov — a dor de cabeça me causava pontadas fortes. — Já não sei mais o que fazer. Anda me desafiando mais do que devia, e acha que é dono do seu próprio nariz. Quem esse moleque pensa que é?!

— Pensa que é seu sucessor — disse Jura. — Ele já tem o apoio do povo, e sabe disso. É querido por todos, mesmo com toda essa … impulsividade. Mas, ainda assim, não o nomeamos o novo Alfa. Isso o irrita. Você foi nomeado Alfa com apenas dezessete. Natsu já tem dezoito.

— Ser querido por todos não o torna qualificado para assumir o controle da Liga! — ralhei entre dentes, recompondo-me em seguida. — Ele se acha pronto para a vida, quando na verdade não consegue nem ao menos compreender o porquê de alguns dragões possuírem cavaleiros. Natsu é imaturo demais para isso. Acha que oferecer lealdade é sinônimo de se tornar escravo.

— Eu não ando tendo um bom pressentimento sobre isso, Igneel… — Makarov suspirou. — Tenho escondido alguns sonhos que ando tendo. Fui comunicá-los à Xamã, e ela apenas confirmou-os com uma visão.

— Sabe que não sou o mais religioso daqui, Makarov. E temos de ir nesse momento para Acalypha, ajudar os feridos e buscar os culpados. Antes que Natsu faça algo muito imprudente sem que eu fique sabendo.

— É isso que me preocupa… — o gnomo afirmou baixo, embora alto o bastante para que eu ouvisse. Naquele momento, não dei valor ao que futuramente se tornaria uma verdadeira profecia.

[…]

Naquela tarde, quando cheguei aos escombros da aldeia destruída pelo fogo, encontrei meu filho agarrado à sua amiga de infância, que escondia o rosto em seu peito.

Ao lado de Natsu, Mirajane e Elfman Strauss, os irmãos mais velhos de Lisanna, choravam incansavelmente. O alívio era paradoxo ao temor de não ver meus dois grandes amigos, pais dos três irmãos, por perto. E, enfim, a compreensão atingiu-me ao notar a casa em chamas logo à frente. Não estavam mais entre nós.

— Não há sinal dos Dragões Gêmeos, Chefe — a afirmação partira de Laxus Dreyar. Neto de Makarov, fez parte do Império por um bom tempo antes de decidir juntar-se a nós.

— Então como sabem que foram eles? — questionou Gray Fullbuster, um dos grandes amigos — e também grande rival — de meu filho. Era um legítimo Kaniano mago de gelo, uma magia rara e esquecida.

— Essas chamas — declarou Natsu, soltando-se de Lisanna e caminhando até próximo de nós. — negras e brancas. São obra de Sting e Rogue, não há dúvidas. Aqueles filhos da puta fizeram isso pela segunda vez em um mês! Isso não pode ficar assim! Não estamos dando o troco que merecem!

— Esquecer é a melhor forma de se vingar, já falamos sobre isso — confrontei-o, irritado com sua atitude superior. — Já temos batalhas suficientes todos os dias com o Império. Não há mais nada a ser feito. Vamos buscar sobreviventes, ajudar os feridos e -

— Colocar o rabo entre as pernas, não é, pai? — cruzou os braços rente ao peito. — Quer saber, estou cansado desse seu modo de comandar! Se os ataques pioraram, a única forma de vencermos essa guerra é respondermos à altura!

— Hey, cabeça quente! — Gray o repreendeu, pondo a mão em seu ombro, que logo foi retirada com a brutalidade de um tapa.

— Não aja como se concordasse com ele! — o rosado se exaltou, jogando os braços pro ar. — Se você não vai fazer nada, Igneel, então eu sinto muito, mas eu vou.

E mais uma vez naquele dia, Natsu me deu as costas.

Antes de sair em busca de vingança, cave duas covas!* — foi o que eu disse a ele, sem nem me tocar de que aquela era parte da profecia de Makarov.

— Igneel! — ouvi a voz familiar e virei o corpo, encontrando a Xamã de nossa tribo, Porlyusica, correndo em minha direção. Ela parou ao lado de Makarov, ofegante, e pôs as duas mãos em meus ombros. — Você tem que me ouvir, Igneel. E tem que escutar com atenção! Seu filho está prestes a cometer o maior erro da vida dele, e você não pode deixar que ele o faça. Natsu não deve ir sozinho! Deve trazê-lo de volta!

— Eu não tenho autoridade quando se trata daquele moleque, Porlyusica. — afirmei, limpando a garganta. Ainda assim, algo dentro de mim se revirou. Como se meus instintos de pai reagissem automaticamente. Não era necessário ter visões para saber que algo daria errado.

— Eu posso ir atrás deles, Chefe — Lisanna declarou, aproximando-se. Colocou uma mecha de seus fios albinos e curtos atrás da orelha, sorrindo fraco. Ela o amava verdadeiramente, qualquer um poderia ver. Tanto que ignorou a morte recente dos próprios pais para ajudá-lo.

— Eu não… — olhei-a atentamente. “Não, diga não a ela!”, meu subconsciente gritava.

— Não há tempo a perder, Igneel — Makarov argumentou. Virei-me para a Xamã, que apenas deu de ombros.

No fundo, ela sempre soube que o destino, fosse qual fosse, cabia apenas à Natsu decidir.

— Deixe-a ir — a Xamã fechou os olhos com força, como se aquele simples ato doesse. — Não há nada a ser feito.

E então, a albina sumiu em meio as árvores. E se soubesse o que a aguardava, certamente não teria permitido que ela fosse.

[…]

Não muito longe dali, Natsu assumia sua forma de dragão. Abriu as asas ao ponto de quebrar alguns troncos, e esticou o corpo gigantesco, erguendo o pescoço acima da copa das árvores. Seus olhos, agora de um tom ônix avermelhado, não eram capazes de ocultar nada num raio de vinte quilômetros. Tanto que viu duas criaturas subindo a montanha coberta por uma camada grossa de neve. A montanha ficava na direção oposta da Floresta Negra. Só podia significar que os inimigos já sabiam que estavam sendo perseguidos e, por esse motivo, decidiram se esconder em vez de fugir.

Impaciente, Natsu levantou voo. Suas asas atravessaram as nuvens com facilidade, e o corpo parecia sincronizado ao próprio vento. Sobrevoou os bosques para finalmente alcançar a montanha. Sua visão captou novamente o alvo, e desceu o bastante para cheirar o ar.

Reconheceu o odor no mesmo instante. Eram dois elfos. Encontrá-los fora de sua fortaleza no centro do Império era quase um milagre. Eles nunca saiam de lá, e, rezavam as lendas, que nem precisavam. Viviam num reino fechado do mais puro luxo.

"É meu dia de sorte", Natsu pensou, direcionando o corpo aos inimigos. Cortou o ar num pouso bruto, que fizera a terra tremer, anunciando sua presença. Não que tivesse a intenção de se esconder, de qualquer forma.

E então, o silêncio.

Os poucos pássaros que ali viviam já haviam voado para longe. Dessa forma, o som de um ser vivo correndo se tornava ainda mais audível. Devia estar usando as trilhas que o gelo ainda não cobrira.

A única coisa que impediu Natsu de persegui-lo, fora a estranha sensação de que não estava só.

Um som baixo fez-se presente, e o Dragneel virou o rosto a tempo de ver uma mulher alta e loira, de aparência muito bela — ainda que mais velha —, segurando um arco e flecha. Mirava em seu peito, e, no momento em que o dragão moveu suas asas, na intenção de proteger-se, ela ameaçou soltar a flecha.

Àva carë! Àva-lyë verya nentë holta!

Falava um idioma do qual nem mesmo um dragão poderia compreender. Élfico sempre fora uma língua sagrada, e, mesmo dragões, criaturas que falavam milhares de idiomas com facilidade, não possuíam capacidade para compreendê-lo.

A incompreensão sempre levou os homens à violência. E, como um bom menino, Natsu agiu de acordo com sua imaturidade. Rugiu alto, e a mulher recuou um passo, atenta a todos os seus movimentos. Sua flecha possuía a pena de um vermelho vivo, e com seus olhos sobrenaturais, Natsu enxergou o símbolo da realeza no estreito cabo.

Estava realmente com sorte. Mataria não só uma elfa, como também a rainha deles. Isso, é claro, se não fosse morto por ela antes.

Nurta! ela gritou, e o dragão mais uma vez ouviu o som de pés muito leves correrem pela montanha. Era um recado para o segundo elfo, Natsu observou. Sentiu-se prestes a cair numa armadilha, e, só de pensar nessa hipótese, o desespero lhe consumiu. Fumaça saiu por suas narinas dilatadas, e a elfa compreendeu o que ele faria em seguida. Os três dedos que mantinha no elástico do arco foram se soltando, até que, no último, um berro de uma terceira pessoa fez-se presente.

Ambos — elfa e dragão — viraram o rosto na direção da fêmea que surgia em meio às rochas e neve, carregando uma lança prateada consigo. Lisanna avançou na direção da elfa, que apenas mudou o arco de direção, atirando uma flecha bem na coxa da Strauss.

Natsu rugiu alto, furioso, e arregalou seus olhos enormes ao notar que nem assim a albina parara com sua corrida. Estava com aquele olhar estampado em seus olhos azuis, aquela expressão de que faria de tudo pelas pessoas que amava.

— Lisanna, saia daqui! — ele ordenou.

Enquanto a inimiga armava seu arco com outra flecha, questão de milésimos, Lisanna realizou o que pretendia desde o início. Fincou sua lança com força no chão. O som ecoando por toda a montanha, e o Dragneel já sabia o que viria em seguida.

Um brilho branco surgiu nos céus ao mesmo tempo em que uma rachadura formou-se em meio ao gelo. Ali, na beira da montanha, elfa e kaniana olharam-se nos olhos, desesperadas, conforme o pedregulho no qual estavam de pé soltava-se do restante da rocha, num baque alto.

Natsu compreendeu tudo quando viu o brilho branco do céu juntar-se ao preto. Os Dragões Gêmeos vinham nessa direção, para salvar sua rainha elfa. Mas isso não aconteceria. Lisanna abriu a boca, na intenção de soltar um grito que nunca veio, conforme caia em meio ao gelo e aos destroços. A elfa e ela se agarraram numa luta corporal em pleno ar.

O dragão pôs-se em posição de voo novamente, e, no exato momento em que ia mergulhar para salvar sua amiga, sentiu as costas serem arranhadas e puxadas brutalmente para trás. Quatro garras o seguravam com força, e, virando o pescoço, notou que se tratavam dos tão temidos Dragões Gêmeos.

— Me soltem! — ele urrou, debatendo-se. Lançou suas chamas na direção dos dois adversários, que soltaram-no no último segundo, sumindo em meio às nuvens.

Mesmo confuso com a atitude desistente repentina, Natsu jogou-se da montanha, abrindo suas asas levemente para que pudesse voar antes que alcançasse o chão. Seus olhos acompanhavam perfeitamente a trajetória do corpo de Lisanna que, mesmo que acelerasse ao máximo, não conseguiria alcançar. E ele realmente acelerou. Como nunca havia feito.

Até ver a albina e a elfa sumirem em meio às águas do lago gélido, com o pedregulho e destroços da montanha caindo exatamente sobre as duas.

Outro rugido saiu de sua garganta, dessa vez incondicional. Mergulhou no lago e pôs-se a procurá-la com o mesmo desespero com o qual a observara caindo.

Mas era tarde demais.

[…]

A fogueira iluminava o rosto pálido de Natsu, molhado pelas lágrimas que não cessavam ao assistir o corpo de sua noiva ser embalado com tiras de tecidos. Tal como Elfman e Mirajane Strauss, sua expressão estava desolada.

Palavras eram pronunciadas num idioma tão antigo quanto o tempo, conforme Porlyusica jogava as roupas usadas por Lisanna na hora de sua morte ao fogo. O rosto da idosa expressava uma tristeza profunda.

— Juvia vai sentir sua falta — a kaniana de cabelos azuis, antiga amiga de Lisanna, se despediu, jogando sua oferenda ao fogo. Seus ombros foram envolvidos pelos braços do namorado, Gray Fullbuster.

Natsu olhou-os com uma inveja que era nova para si. Ninguém jamais o entenderia como Lisanna um dia entendeu.

Era a vez dele de falar, ele sabia. Avisei vagamente ao passar por ele. Toquei seu ombro com firmeza, esperando que o confortasse ao menos um pouco.

— Palavras não mudarão nada. — foi o que ele respondeu, num tom sombrio. As pessoas em volta olharam para nós. Não era uma atitude apropriada para um enterro.

— Natsu, o que está dizendo? — perguntei incrédulo. Ele nem se quer me olhou nos olhos ao responder:

— Que dizer coisas idiotas pro fogo não vai trazer ela de volta.

— Ora, seu moleque! — Makarov deu-lhe um soco no braço. — Como se atreve a falar -

— A única forma de honrá-la não é com um enterro bonitinho. Ela merecia mais! Lisanna merecia vingança!

— Um homem não se vinga de seus inimigos, Natsu. Um homem os despreza. — Elfman se pronunciou. Sua fala assustou Natsu. O rosado não esperava que o moreno, sempre tão afobado e a um passo de cometer uma loucura, fosse capaz de falar algo desse tipo.

Natsu logo tratou de culpar alguém. E, além de culpar seus inimigos, ele me culpou. Porque fazia parte da função dos pais receber a culpa dos erros dos filhos.

— Você anda influenciando todos aqui a pensar da mesma forma passiva que você! — ele afirmou, apontando o indicador próximo ao meu rosto. — Mas se você não é mais o Alfa nessa situação, então eu o serei!

— Já chega, Natsu! — eu o interrompi, num tom que jamais achei ser capaz de utilizar com um filho meu. Foi o tom mais Alfa que já usei em toda minha vida, e assustou-o. Me assustou. — Vá embora daqui, e só volte quando esfriar a cabeça! Não aja como uma criança só porque ainda é uma!

Dizer isso para um jovem de dezoito anos orgulhoso, na frente de grande parte de seus amigos, parentes e superiores, é quase tão terrível quanto esfaqueá-lo pelas costas. Natsu olhou-me de forma hostil no mesmo momento.

Retirou-se dali, e não o vi até a noite seguinte.

[…]

Três meses haviam se passado. Do outro lado de Fiore, onde mesmo com o sol nascendo, a escuridão prevalecia, uma certa princesa fazia — mais uma vez — sua refeição sozinha, acompanhada apenas por sua criada, Virgo. De cabelos cor-de-rosa e olhos intensamente azuis, Virgo poderia ser considerada uma mulher linda. No entanto, Lucy desconfiava que amor nunca estivera entre os interesses da mulher.

— A comida está boa, princesa? — Virgo questionou-a educadamente. Lucy assentiu.

— Meu pai anda ausente — a princesa comentou, erguendo uma sobrancelha após engolir a sopa. — Não acha esquisito?

— Ele é um rei, princesa. Era de se esperar que tivesse suas ocupações.

— Sim, eu sei. Mas estranho um pouco. Desde que mamãe morreu, não o vejo mais.

— Oh, isso… — Virgo abriu a boca para dizer algo, mas logo parou, estranhando a careta que a princesa fazia.

As orelhas pontudas de Lucy puseram-se de pé, em alerta, no mesmo instante em que os passos do corredor se aproximaram.

— Alguém está vindo — ela disse, farejando o ar. Seu pai estava entre eles, reconheceu de imediato. No entanto, um cheiro forte que se assemelhava à magia negra também fez-se presente. Não só o cheiro podia ser sentido, como também a força mística da presença. Até mesmo Virgo fora capaz de sentir.

Assim que a porta se abriu, Lucy sentiu seu coração palpitar. Seu sexto sentido lhe dizia que coisas ruins estavam por vir.

— Lucy — seu pai chamou-a, assim que pisou na sala de jantar enorme, decorada com lustres de cristal importado e prataria do mais alto valor. Até mesmo as cadeiras eram forradas de tecidos costurados pelos mais talentosos xadaganos, num tom de vermelho vinho.

— Precisamos conversar.

Ela engoliu em seco, pondo-se de pé após empurrar o prato. Seus olhos analisaram o Rei dos Elfos, que mantinha, pela primeira vez, seus cabelos loiros e compridos soltos. Até mesmo a barba habitual não estava mais ali. Eram muitas mudanças para assimilar.

Olhou agora para a mulher que se colocara ao lado de seu pai, dona de cabelos azuis compridos e olhos da mesma coloração. Um sorriso debochado mínimo adornava o canto de seus lábios.

— Então essa é a princesa Lucy Heartfilia — a mulher deduziu, aproximando-se felinamente. Tocou a trança embutida loira de Lucy com interesse, sem desfazer o sorriso cínico. — Espero que possamo-nos tornar grandes amigas. O que acha, Alteza?

Lucy sempre fora criada com base nos princípios de educação e comportamento refinado. Sua postura era perfeitamente ereta, seus movimentos graciosos, e até mesmo seu tom de voz sempre era calmo e comedido. No entanto, havia um lado seu que apenas seus olhos revelavam. Um lado que fora treinado por sua própria mãe, sempre que tinham tempo livre. Uma natureza selvagem, presa a sete chaves no interior da loira, que só se revelava quando algo lhe irritava tanto quanto a atitude daquela mulher à sua frente.

— Quem é você? — perguntou, num perfeito tom superior. Jude engasgou com o ar.

— Onde foram parar seus modos, Lucy?! — ele perguntou, furioso. — Veja como fala com minha convidada de honra!

— De honra? — a loira franziu o cenho. A mulher riu baixinho, de forma sarcástica.

— Não leve-a a mal, Majestade — disse ela, sem nunca desfazer seu sorriso. — Deixe-me esclarecer as coisas, Alteza. Eu sou Aquarius, mas deve me conhecer por meus outros nomes. O mais famoso deles talvez seja Bruxa do Mar.

— Deuses… — os olhos de Lucy arregalaram-se. — O que uma criatura profana como você está fazendo aqui?! Pensei que fosse uma sereia!

— Eu fui, num dia como outro qualquer. Mas agora, como pode ver, não o sou mais. E estou aqui porque seu próprio pai fez questão disso.

— O que deu em você?! — a pergunta agora era dirigida a Jude. A princesa estava transtornada. — Sabe muito bem que mamãe a odeia!

— A odiava, Lucy — seu pai a lembrou friamente. — Antes de morrer. Queira você ou não, a partir de hoje, Aquarius morará conosco.

— Do que está falando?! Não vou admitir que a Bruxa do Mar viva em nossa casa!

— Não me interrompa mais, criança insolente! — a mão do Rei se chocou contra a lateral do rosto de sua filha, que ficou vermelho imediatamente. Lucy massageou o local, olhando-o assustada. Virgo teve de cerrar os punhos para não dar um soco em seu próprio Rei.

Aquarius olhava tudo atentamente, como se estivesse na primeira fila de um teatro, na estreia de uma grande peça.

As duas semanas seguintes foram um inferno para Lucy. Aquarius e seu pai ficavam cada vez mais próximos, e, numa das noites — que descobriu ter sido a pior de sua vida — fora chamada para conversar com os dois na sala do trono.

Na mesa de reuniões retangular, feita de puro ouro, pergaminhos estavam estendidos, de aparência velha, e, acima disso, mística. Também havia um grande livro, que Aquarius folheava as páginas, sendo observada pelo Rei dos Elfos a cada movimento.

Lucy bateu à porta antes de entrar, aproximando-se dos dois de má vontade. Permaneceu em silêncio, porque sabia que suas palavras eram descartáveis.

— Bem, eu a chamei aqui para explicar o que o Reino de Fiore está vivendo, Lucy. Sabe muito bem que a Liga tem um jovem dragão sendo preparado para tornar-se o futuro Alfa. E, temos de admitir que um jovem sempre será mais forte que uma jovem, não acha? — as palavras partiram da Bruxa do Mar, que nem se quer havia se preocupado em ser formal.

— O que quer dizer com isso? — Lucy estreitou os olhos desconfiada.

— Quero dizer que seu pai precisa de um herdeiro. Um herdeiro homem, e forte. Não uma mulher fraca como você. — ela rolou os olhos, fazendo um sinal de silêncio com o indicador no exato momento em que a princesa abriu a boca para revidar. — Já fui alertada de que treinou o arco com sua mãe. Apenas não acho que um arco e flecha seja capaz de guiar um povo. Nem mesmo coragem. É preciso força bruta e masculinidade. Apenas os homens foram feitos para governar, e as mulheres para se submeter à vontade divina.

Lucy riu. Sim, ela riu, verdadeiramente. Como se tudo aquilo não passasse da piada mais hilária que já havia escutado em toda a sua vida.

— Ah, e você, de… — a princesa colocou um dedo na bochecha, fingindo pensar. — Julgo uns duzentos anos, vai dar ao meu pai o filho sadio e forte que será o futuro herdeiro do trono?! Além disso, como pode saber se não terá uma menina?

— Você, como elfa, devia saber muito bem que nossa idade pouco importa. Perpetuamos jovens, mesmo durante décadas.

— Mas séculos fazem a diferença. — a loira argumentou, num tom ácido. Seu pai olhou-a com desprezo.

— Se usar esse tom com Aquarius de novo, Lucy, eu juro, te jogo no calabouço por uma semana inteira! — ameaçou, erguendo a mão.

— Deixe-a — Aquarius sorriu superior. — A situação é mais complexa, princesa. Digamos que como uma bruxa experiente, sim, eu posso dar a ele um filho homem, e logo na primeira tentativa. Mas vou ter de usar meus trunfos.

— Magia negra. — a loira deduziu, cruzando os braços rente ao busto. — Por que não me parece surpreendente?

— Já que conhece tão bem o assunto, deve saber que magia negra tem um preço. Todo feitiço precisa de um pagamento. — a mulher deixou as palavras no ar, e Lucy sentiu um calafrio percorrer-lhe a espinha. — Uma cerimônia de fertilidade certamente me forneceria o filho solicitado logo na primeira noite. No entanto, não seria capaz de realizar tal ritual, pois não disponho mais da dádiva que as donzelas possuem.

— Juventude? — Lucy deduziu, sarcástica. Apesar de o palpite ser, de fato, sincero.

— Virgindade.

E então, tudo fez sentido. Suas engrenagens giraram como nunca, e seus olhos arregalaram-se em compreensão.

— Não! — negou de primeira, tapando a boca com as duas mãos, em estado de choque. — Isso nem deveria ser possível! Se fizer o ritual comigo, eu é que terei o filho! Não vão tirar meu filho de mim dessa forma!

— Oh, acalme-se, criança. Seu pai me pediu para ser mais gentil. Não tiraremos um filho seu. Sua virgindade será o pagamento, compreende? Na cerimônia, a fertilidade que você oferecer passará para mim. Não significa que não terá filhos depois, apenas que terá de se casar precocemente. Explicarei os detalhes depois. A cerimônia será realizada daqui a alguns dias, no dia primeiro de maio.

— É daqui a uma semana! — Lucy engoliu em seco.

— Sim. Acontecem várias cerimônias como essas ao longo das tribos da costa. Mas é um costume bárbaro, admito. Todavia, dei uma aperfeiçoada no andamento, para que não seja desconfortável. Seu pai escolheu o mais forte guerreiro para ser o possível Gamo Rei.

— Quem…?

— Sting Euclife — o Rei dos Elfos respondeu, num tom sério. — Sei que já se conhecem.

— Ele é um atrevido! — Lucy rosnou, sendo ignorada pelo pai.

— É um pretendente digno de uma princesa. Agora vá, não há mais nada para fazer aqui.

E a loira se retirou, ciente de que discutir não faria diferença, e desolada com tudo aquilo.

Mas antes de enfatizar a desolação da princesa, acho que devo-lhes algumas explicações. Não quanto às raças, nesse caso.

Gamo é um animal semelhante ao cervo. O Gamo Rei é o líder da manada de cervos, o mais forte, de maior galhada. O Gamo Rei também simboliza o próprio rei, e a cerimônia gira em torno da formação de um novo rei. Obviamente, já que é uma cerimônia de fertilidade. Também conhecida como Fogueiras de Beltrane.

"Em uma certa data do ano, fogueiras eram acessas para culto à Deusa. Na celebração participavam, predominantemente, mulheres virgens e rapazes, justificando o ápice da virilidade e fertilidade. Na cerimônia, os meninos participavam com o intuito de se passar da adolescência para a maturidade. O rapaz, veste a pele de um gamo e em um ato de bravura e coragem desafia um gamo real, o líder da manada, com o intuito de matá-lo. Se o garoto for vencedor, ele se torna então o Gamo Rei, representante do Deus e terá uma noite com a Virgem, representando a Deusa e o herdeiro que surgirá desse encontro disputará um dia o trono com o pai, uma disputa do Gamo Novo com o Gamo Velho." (2)

Somente magia negra seria capaz de driblar uma cerimônia como essa. Era como passar a perna nos deuses, o que Aquarius pretendia fazer. Ela teria o filho pertencente a Lucy e seu parceiro. Uma falcatrua como essa jamais seria perdoada. Entretanto, uma bruxa jamais ligaria para esse tipo de princípio religioso.

Como estava dizendo, Lucy estava desolada. Num curto período de tempo perdera sua mãe, e agora sua virgindade para um garoto que mal conhecia. E, se achava que as coisas não poderiam piorar, ela estava tremendamente enganada.

[…]

Eu achava, ingenuamente, que meu maior problema seria a revolta de Natsu. Como já disse, ingenuamente. Não tardou para ele planejar algo que canalizasse seu ódio.

Ele nunca me contou, mas possuía fontes dentro do Império, que corriam um perigo diário só para trazer-lhe informações sobre os novos passos do Rei dos Elfos.

Dessa forma, eu não soube que no dia primeiro de maio uma cerimônia muito importante seria realizada nos arredores da Floresta Negra. Mas, bem, ele soube. E soube que envolveria Sting, um dos seus desafetos pessoais desde a morte de Lisanna.

— O que vai acontecer? — ele questionou sua fonte, também conhecida pelo nome de Hibiki Lates. Um Xadagano, ao menos aparentemente.

Ele passou a mão por seus fios ruivos, olhando em volta desconfiado.

— Digamos que uma cerimônia de fertilidade. Ao que parece, uma virgem vai ser oferecida a Sting. Ele é o jovem que vai enfrentar o líder de uma manada de cervos, que tem um nome específico ai que não consigo lembrar agora…

— Tanto faz. E ai?

— Se ele matar o cervo rei lá, ganha o direito de acasalar com a virgem, e dar um filho a ela. Mas, ao que parece, a garota não vai ficar grávida dessa vez. A fertilidade do casal vai ser transferida por magia negra até o Rei Jude. Ele e uma mulher misteriosa.

— Mulher misteriosa? — Natsu ergueu uma sobrancelha.

— Ao que parece, uma bruxa.

— Aquele cuzão está tentando acabar com a gente através de magia negra agora?! — Natsu riu seco. — É preciso que seja o Sting pro ritual dar certo?

— Não faço ideia. Só sei que deve ser a cerimônia mais importante que o Império já planejou em séculos. E a bruxa está preparando a virgem e o Sting pessoalmente. Principalmente ele. Explicou tudo desde o início. Pelo que entendi, escolheram ele pois era o guerreiro mais forte e um dragão legítimo, com o coração corrompido. Acho que ele ia assinar algum tipo de contrato maldito que a permite corromper um ritual puro. Ouvi a bruxa e ele conversando. A virgem não sabe, mas vai virar um tipo de escrava sexual dele ou sei lá, foi ele quem pediu essa condição. Só sei que essa mulher é o demônio, Natsu. O Rei está caindo feito um rato numa armadilha.

— Entendi… — o rosado fitou um ponto qualquer no bosque atrás de Hibiki. Estavam afastados da aldeia que a Tribo Fairy Tail povoava, dialogando em segredo. Poucos sabiam que Hibiki era um membro da Liga. — Que horas será realizado esse… confronto entre o cervo e o Sting?

— Durante o dia vão pintar o corpo dele. As instruções já foram dadas ao Xamã. Na verdade, nem sei se é “o” ou “a”.

— Ah, eles têm um Xamã?

É de uma outra tribo que possui essa tradição.

— Então ninguém do Império vai assistir a cerimônia? Só vai estar o pessoal da outra tribo, né?

— Acho que só uma mulher, criada pessoal da virgem. O resto é tudo meio selvagem, sei lá. São bem religiosos.

— A virgem é nobre? —as sobrancelhas de Natsu ergueram-se. Seus olhos mostravam-se mais curiosos do que deveriam.

— Qual foi, Natsu? No que está pensando?

— Me responda, Hibiki!

O ruivo rolou os olhos. — Sim, ela é.

— Ótimo. Então, se prepare. Você vai me ajudar. Vou chamar Ren e Eve aqui.

— Natsu, você enlouqueceu?! Está pensando em estragar a cerimônia?!

— Acha que vou deixar o velho ter um herdeiro?! Se antes a princesa já era um problema, agora então, nem pensar! Vou ferrar com esses planos.

— O que pretende fazer, Natsu?

— Eu? Nada de especial. Só vou aproveitar a cerimônia.

— Está pensando em…? -— Hibiki engoliu em seco. —Você é idiota?! Se trocar de lugar com Sting no meio da cerimônia vão te notar com certeza!

— Se Sting ficar desaparecido tempo suficiente, não. Além disso, você mesmo disse que só estará presente esse povo religioso ai. Quer dizer que, por direito, quem derrota o cervo merece a virgem. Só fico pensando no caso dela… se já conhecer o Sting.

— Não tem importância. Eles vão cobrir o Sting com a pele do cervo. Se ele matá-lo. É tipo uma máscara. Mas, ainda tem o cabelo. É difícil esconder isso… Se bem que conheço um antigo feitiço para isso. Deve durar algumas horas, mas tempo suficiente.

— É melhor do que pensei então, amigo. Não temos tempo a perder.

E assim, o sofrimento teve início.

Notas finais
(1) - Frase de Confúcio. (2) - Texto de autoria de um site de tatuagens. Mas não achem que o torna menos verdadeiro. Essa cerimônia era realmente realizada na Idade Média, durante os tempos em que - hipoteticamente - teria acontecido a Lenda do Rei Arthur. Irmão de Morgana, os dois se deitaram nessa cerimônia e geraram um filho, Mordred, que depois veio a assassinar o próprio pai, que havia traído a antiga religião, e se tornado devoto ao catolicismo. (Graças a sua "querida" esposa Gwen. E, para os que assistem a série Merlin, saiba que aquilo não passa de mentiras.) Enfim, vocês não fazem ideia do quanto tive que pesquisar e revisar pra escrever esse capítulo até deixá-lo assim. Então, se gostaram, será que poderiam comentar para dar uma forcinha *-------*? Até mais! P.S: Qualquer duvida estarei disposta a responder!