O mundo de Shamballa é um daqueles que fica mais perto do Espaço, sendo, portanto, realmente cheio de magia.

Neste mundo vivia uma garota chamada Hina, que vivia dormindo, e seu amigo Kei; ambos estudavam na melhor escola de magia humana de Shamballa. Kei era o mais feio, mas também o melhor mago de sua série; Hina, apesar de dormir em boa parte das aulas, era uma ótima feiticeira. Não era a mais bonita, mas estava longe de ser a mais feia por ali. Ela e Kei formavam uma dupla bastante estranha, mas todos já estavam acostumados a ver os dois juntos.

O motivo pelo qual Hina dormia o tempo todo, e que todos desconheciam, era um feitiço jogado nela, do qual ela só se livraria com o beijo de sua pessoa destinada.

Aconteceu em outubro, num dia de sol daqueles que parecem provocar o destino. As cerejeiras floresciam maravilhosamente, suas pétalas voavam pelas janelas e seu perfume dominava o ar. Eram dez horas da manhã.

- Hina? – Kei chamava uma Hina adormecida – Hina! Intervalo! – aproximou mais seu rosto do dela.

Nessa hora, o destino cansou de ser provocado por aquele dia de primavera e pelo desenrolar dos acontecimentos, e resolveu agir.

Como que ainda sonhando, Hina puxou Kei, com o rosto tão próximo do seu, e beijou-o. Lábios com lábios, a magia se ativou. Kei, como um sapo enfeitiçado, com o beijo de sua pessoa destinada voltou a ser príncipe. O feio pequeno estudante de magia transformou-se numa cópia quase exata do Mago Real – era filho dele, enfeitiçado desde criança por um inimigo de seu pai.

E o feitiço de Kei não foi o único a ser quebrado: naquele exato momento, os olhos de Hina se abriram. Vendo um garoto com o rosto tão perto do seu e não reconhecendo Kei, Hina gritou assustada, meteu-lhe um tapa na cara e saiu correndo. Kei, em choque e sem entender ao certo o que havia acontecido ali, ficou parado no lugar, mão na bochecha dolorida, sem saber ao certo como reagir.

Mas o destino ainda não estava satisfeito, e quis que o intervalo passasse rápido, para que Hina voltasse para a sala e descobrisse que aquele lindo garoto que ela estapeara mais cedo era ninguém mais ninguém menos que Kei, libertado de um feitiço lançado nele desde criança por um inimigo de seu pai, que era o Mago Real.

Descobrir isso não ajudou Hina de forma alguma, e sim a deixou muito confusa: aquele garotinho feio que fora seu amigo por tanto tempo era na verdade filho do mago mais lindo e poderoso de Shamballa, e além de tudo sua pessoa destinada! Era demais para digerir de uma só vez, então ela acabou passando o resto daquele dia e o começo do seguinte evitando falar com Kei.

Infeliz ou felizmente, o dia seguinte foi outro desses provocadores de destino, com direito a sol radiante, cerejeiras florescentes e passarinhos cantantes, e o destino ainda não havia completamente descontado sua raiva do dia anterior. Resolveu descontar sua raiva nos mortais fazendo com que Hina e Kei se encontrassem cara a cara no corredor, às dez horas da manhã.

Hina tentou evitá-lo, mas dessa vez não teve como. Kei impediu-a de desviar-se dele, determinado a ouvir a razão de estar sendo evitado descaradamente desde o dia anterior.

- Por que você está fugindo de mim? – perguntou.

Hina desviou o olhar.

- N-não é nada... é só que... – Hina parecia incapaz de encontrar as palavras certas para dizer, ou de olhar Kei nos olhos.

- É só que...? Fiz alguma coisa para você me odiar?

Os olhos de Hina, há pouco fixos no chão, levantaram-se imediatamente para encontrar os de Kei, com uma expressão quase desesperada.

- Eu não te odeio! Como poderia? Para mim, você... – seus olhos então se voltaram outra vez para o chão, tímidos – Eu só estou confusa...

- Por quê?

- É que... Desde ontem, eu não sinto mais tanto sono... isso significa que meu feitiço foi quebrado. – seus olhos encontraram mais uma vez os de Kei – Mas ele só pode ser quebrado pelo beijo da minha pessoa destinada! Isso significa que... – deixou a frase no ar, e seus olhos voltaram ao chão.

Kei sorriu.

- Significa que funciona da mesma forma que o meu.

Hina voltou os olhos surpresos para encontrar mais uma vez os de Kei.

- Então nós...

Kei sorriu mais uma vez, e o sorriso refletiu-se doce e tímido em Hina.

Desse dia em diante, os dois se tornaram mais que amigos, e eventualmente se casaram num dia de primavera quando as cerejeiras floresciam perfumadas, os pássaros cantavam e o sol brilhava radiante; mas o destino já havia feito com eles tudo o que queria, e naquele dia foi procurar outros mortais nos quais descontar sua raiva. Kei e Hina viveram felizes juntos e tiveram dois filhos, gêmeos idênticos, que teriam um destino ainda mais interessante que seus pais... mas isso já é assunto para outra história.

Notas finais
AVISO: PODE CONTER SPOILER DE OUTRAS HISTÓRIAS!
Para quem percebeu...
- Sim, Kei é um Flowright!
- Sim, os filhos dos dois sao Fye e Yui!
- Sim, todos os Flowright têm nomes de uma sílaba só e três letras!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.