Fairy Tail: Raven Rises
7 O despertar
Notas iniciais
Cidade de Magnólia...
Os ventos que sopravam na saída leste de Magnólia traziam o cheiro denso de cinzas. A poeira da derrota de Yandith mal havia assentado quando Judith, a segunda das irmãs demônios, deu um passo à frente com um sorriso repleto de escárnio. Seus olhos cor de mel faiscavam com um ódio ancestral.
— Vocês acham que venceram? — sibilou ela, sua voz ecoando com uma vibração monstruosa. — Eu vou devorar a alma de cada um de vocês!
Em uma manifestação horripilante de poder mágico, os braços de Judith começaram a se contorcer e expandir grotescamente. A pele rasgou-se em escamas e fibras escuras, metamorfoseando seus membros superiores em duas enormes cabeças demoníacas que se assemelhavam a leões selvagens, com presas afiadas como espadas e olhos flamejantes.
A Ranjishuu — Freed, Bickslow e Evergreen — tomaram a frente imediatamente para proteger Erza, que estava exausta após a batalha anterior.
— Dark Écriture! — gritou Freed, traçando runas no ar.
— Vão, minhas crianças! — Bickslow ordenou a suas marionetes.
— Gremlin! — Evergreen disparou sua rajada de agulhas de luz.
Contudo, a destreza de Judith superava a velocidade dos feitiços. Com uma agilidade felina e sobre-humana, ela se esquivou do cerco inicial. A cabeça demoníaca em seu braço direito abriu a garganta e disparou uma poderosa rajada de magia explosiva, enquanto o braço esquerdo lançava outra logo em seguida. As explosões em cadeia varreram o solo, despedaçando barreiras rúnicas e arremessando a Ranjishuu ao chão, gravemente feridos.
Judith avançou velozmente em direção a Evergreen, que tentava se erguer com dificuldades, com a bocarra de seu braço esquerdo escancarada para abocanhá-la.
— Morra, fada imprestável!
CRASH!
Um raio reluzente cortou o céu. Laxus Dreyar surgiu como um trovão, interceptando o ataque e empurrando a criatura para trás com uma onda de choque elétrica. Mas antes que o Dragon Slayer do Trovão pudesse lançar um contra-ataque completo, um rastro de poeira se ergueu ao seu lado.
Elfman Strauss surgiu na batalha, ativando seu Take Over: Beast Soul. Seu corpo quadruplicou de tamanho, coberto por uma carcaça sólida e musculatura colossal.
— Laxus! Deixar uma companheira lutando sozinha e caírem em cima dela não é coisa de homem! — bradou Elfman, ajustando sua postura de combate ao lado do loiro.
Laxus deu um sorriso de canto, os olhos faiscando eletricidade.
— Tsc... Apenas não fique no meu caminho, Strauss.
Os dois avançaram em perfeita coordenação. Laxus cegava e desestabilizava Judith com rajadas fulminantes de raio, impedindo que as duas cabeças leoninamente demoníacas mirassem com precisão. Elfman, por sua vez, usava sua força bruta para quebrar a guarda do demônio, suportando as explosões de frente.
A criatura rugia, frustrada com a resistência implacável das fadas.
— Por que continuam?! — esbravejou Judith, lançando uma rajada contínua de energia contra a carcaça de Elfman, que avançava mesmo com a pele queimando. — Vocês são meros humanos! Por que insistem tanto em se destruir uns pelos outros?!
Elfman firmou os pés no chão, os músculos tencionados ao limite enquanto suportava a dor atroz do calor mágico.
— Nós somos a guilda número um de Fiore! — urrou Elfman, a voz sobrepondo-se ao estrondo das explosões. — Não apenas porque somos os mais fortes... mas porque, diferente de demônios como você, os membros da nossa guilda são a nossa família! Nós nunca abandonaremos quem é importante para nós! ESSE É O VERDADEIRO ESPÍRITO DA FAIRY TAIL!
Laxus sorriu abertamente e disparou para o alto.
— Raijin no Tenso! (Lança do Trovão do Dragão do Trovão!)
Uma onda avassaladora de raios violeta e amarelos desceu dos céus, envolvendo Judith em uma prisão de voltagem pura. Desesperada, a mulher-demônio tentou se esquivar saltando para trás, mas ao tocar o solo, percebeu que havia caído na armadilha.
Elfman já estava em seu encalço. Com um urro primordial, o caçula dos Strauss concentrou todo o seu poder mágico em um único punho.
— BEAST IMPACT!
O golpe esmagador atingiu Judith em cheio no peito. A força do impacto fez a terra afundar em um diâmetro de metros. Como uma reação involuntária ao choque devastador, as duas cabeças nos braços da criatura dispararam descontroladamente para o céu, detonando em uma explosão de poeira e luz.
Quando a cortina de fumaça baixou lentamente, a cena revelou o resultado da batalha. Elfman estava de pé no centro da cratera. Seu corpo tremia pelo esforço extremo, coberto de cortes e sangrando, mas seu punho permanecia erguido para o alto, ostentando um sorriso triunfante de vitória.
Aos seus pés, o corpo de Judith começava a se desintegrar em uma fumaça cinzenta e roxa. Antes de desaparecer completamente no ar, ela murmurou com um olhar carregado de rancor:
— O... Behe-sama... irá vingar a todas nós…
No Quarto do Hospital…
No quinto andar do Hospital Central de Magnólia, o silêncio do quarto 209 foi quebrado pela entrada suave de Lisanna. Ela trazia uma cesta trançada nos braços, ostentando um sorriso meigo e calmo, embora seus olhos estivessem estranhamente vítreos.
— Mira-nee! Trouxe algumas frutas e pães para você comer. Afinal, você precisa se recuperar logo — disse a jovem albina, aproximando-se da cama.
Mirajane sorriu com carinho, mas Luwan, que estava em pé ao lado da janela, franziu o cenho. Seus instintos apurados de caçador notaram que a aura mágica de Lisanna estava oscilante. Ao olhar de relance para a cesta que a jovem segurava, ele percebeu o reflexo de um objeto cristalino oculto sob os panos.
Sem hesitar, Luwan cruzou o quarto em uma velocidade espantosa. Antes que Lisanna pudesse reagir, ele a prensou firmemente contra a parede, segurando seus pulsos.
— Luwan! O que está fazendo?! — exclamou Mira, assustada, tentando se levantar. — Solte-a! A Lisanna jamais faria mal a ninguém!
Lisanna, contudo, não chorou nem se defendeu. Ela apenas inclinou a cabeça e deixou escapar um sorriso sombrio e malicioso.
Nesse exato instante, Laki adentrou o quarto às pressas, segurando com as mãos trêmulas uma esfera de cristal cintilante que havia encontrado.
— Luwan! Essa coisa... estava emanando uma energia estranha na cesta que ela deixou na recepção!
Luwan arregalou os olhos. Reconheceu a estrutura do objeto no mesmo segundo: era uma bomba mágica de compressão de alta densidade, prestes a atingir o ponto crítico de detonação.
— Droga... Não há tempo para evacuar o prédio — murmurou Luwan.
Ele olhou para Laki, vendo o pavor nos olhos da jovem que o acolhera.
— Laki... me desculpe por envolver você em tanta confusão — disse ele, com o tom de voz carregado de um carinho melancólico.
— Luwan... não! O que você vai fazer?! — gritou Laki, indo aos prantos.
Sem dar margem para respostas, Luwan pegou o cristal das mãos dela. Com sua magia de deslocamento, ele se teleportou instantaneamente para fora do hospital, levando o artefato consigo para uma área remota e desabitada nos arredores da cidade.
Laki correu para a janela, desesperada. Segundos depois, um clarão ensurdecedor e uma onda de choque ergueram-se em um ponto distante do horizonte de Magnólia.
No quarto, Lisanna começou a gargalhar freneticamente, com uma voz sobreposta que não era a sua:
— Kukuku! Tolo Raven! Apanhado como um pássaro na gaiola!
A Bruxa que a enfeitiçara estava escondida em um esconderijo subterrâneo próximo, acreditando que Luwan havia se detonado junto com o cristal. O que a anciã não esperava era que Luwan havia rastreado a origem da assinatura mágica do feitiço e se teleportado exatamente para o mesmo local onde ela estava.
Contudo, a Bruxa provou ser extremamente perspicaz. No último milissegundo antes que a bomba explodisse no ar subterrâneo, ela projetou uma barreira mágica absoluta de proteção ao redor de si.
Com a explosão destruindo o covil, a Bruxa usou a poeira para se teleportar diretamente para o quarto do hospital onde Mira se encontrava. Ela surgiu no meio do cômodo com seu cajado de serpente em mãos, disposta a encerrar a vida da amada dele e também de sua serva de uma vez por todas.
— É o fim para vocês, fadas! — bradou a anciã.
Mas Laki agiu rápido. Guiada pela fúria e pelo luto, ela bateu as mãos no chão:
— Wood-Make: Restraint!
Galhos grossos de madeira emergiram do piso, prendendo Lisanna e imobilizando-a antes que ela pudesse atacar.
— Mira! A Lisanna está completamente fora de si, creio que esteja sendo manipulada por alguém. — alertou Laki.
Mesmo enfraquecida, Mirajane fechou os olhos. Acessando as habilidades ocultas de rastreamento do seu Take Over, Mira sentiu as ressonâncias do feitiço de controle mental e encarou a anciã com um olhar feroz.
— Laki, prepare-se... — advertiu Mira, com uma aura sombria começando a emanar de seu corpo. — O inimigo está vindo e ela é forte!
Em algum lugar na cidade….
Longe dali, em uma área devastada de Magnólia atingida pela explosão, Luwan abriu os olhos lentamente. O cenário ao redor era de terra queimada e crateras fumegantes.
Ao olhar de relance para as próprias mãos, ele percebeu com horror que a bomba mágica não estava mais lá. Mas o mais aterrorizante era a sua aparência: seus braços e corpo estavam cobertos por penas escuras como a noite, e garras afiadas substituíam suas unhas.
“Essa... essa é a forma completa do Behemoth...”, pensou Luwan, sentindo o coração desacelerar sob o peso de uma magia grotesca e insaciável.
Uma dor dilacerante atingiu sua mente. Ele sentiu a assinatura mágica da Bruxa surgindo no hospital perto de Mira. Ele precisava voltar! Precisava voar e proteger sua amada!
Contudo, ao tentar mover seu corpo, o demônio interior rugiu em sua consciência. A forma completa do Behemoth não era apenas uma transformação; era um parasita de ódio que tentava suprimir completamente sua razão, exigindo destruição e sangue.
— Não... eu preciso... me controlar! — rugiu Luwan, agarrando a própria cabeça enquanto a aura de trevas se expandia e destruía o solo ao seu redor.
Passos pesados ressoaram na fumaça. Makarov Dreyar e Jura Neekis surgiram no local, estacaram ao verem a monstruosidade em que o filho de Makarov havia se tornado.
— Luwan! — chamou Makarov, o tom de voz trêmulo pela dor paternal. — Meu filho... escute a minha voz! Não deixe essa escuridão dominar quem você é! Controle-se!
Luwan olhou para o pai, mas seus olhos não eram mais humanos; eram orbes roxos e demoníacos, tomados por uma dualidade mental avassaladora. Ele deu um passo à frente, soltando um rugido que fez os céus tremerem.
Jura colocou a mão no ombro de Makarov, com uma expressão extremamente séria.
— Makarov... olhe para ele. A mente dele foi engolida. Se ele tentar voar em direção ao centro da cidade nesse estado, destruirá tudo pelo caminho. Nós não teremos outra chance de detê-lo! Precisamos agir agora e neutralizá-lo!
Makarov fechou os olhos. Uma lágrima solitária escorreu pelo seu rosto enrugado ao aceitar a terrível verdade.
— Me perdoe... meu filho — sussurrou o velho mestre.
Makarov abriu os braços e sua magia expandiu-se drasticamente. Seu corpo começou a crescer em proporções gigantescas, tornando-se um colosso de músculos que obscureceu a luz do sol.
— Se você realmente oferece perigo às pessoas inocentes desta cidade e aos meus filhos da guilda... eu não tenho escolha a não ser enfrentá-lo e pará-lo — declarou a voz gigante de Makarov, ecoando por toda Magnólia. — Mesmo que isso custe a minha própria vida... porque isso é o mínimo que um velho pai deve fazer por seu filho!
Em outro lugar na cidade…
— Minna-san, vocês ouviram? — Questionou Gray, o moreno com tendências nudistas. — Essa voz é…
— É a voz do mestre, Gray-sama! — Concluiu Juvia. Tentando identificar a origem da voz.
— Tsc, o que está acontecendo? Com quem o velhote está falando? — Indagava Laxus.
— Laxus, ele disse filho. Então é o seu pai que está causando toda essa confusão? — Retrucou Elfman, confuso.
Laxus olhou ao seu redor e vendo o último oponente gargalhando freneticamente.
— Do que está rindo? — Ele inquiriu.
— Bakas! Agora essa cidade será destruida pela ira de Behe-sama! — Declarou Lilith, o demônio remanescente do trio. — E também, por mim.
Dito isso, a pequena avançou em sua direção como uma criatura faminta atrás de sua presa, tentando lhe desferir um golpe, mas antes que pudesse acertá-lo. Wendy havia aparado seu ataque em pleno ar e se posicionado a poucos metros à frente do loiro.
— Laxus-san, minna, deixem ela comigo. — Pediu Wendy. — Natsu-san, use o seu faro para achar o mestre e esse tal de “behe-sama”.
— Wendy, vai fica tudo bem? — Perguntou Gray, olhando para a pequena de cabelos azuis.
Wendy assentiu, balançando a cabeça.
Então, os demais seguiram em frente enquanto os outros estavam mais atrás, amparando os membros da Raijinshuu feridos em combate.
— Wendy, cuidado. Eu tenho um mal pressentimento quanto a essa criatura. — Desabafou, Carla, sua exceed.
Wendy sorriu, confiante.
— Não se preocupe, eu vou derrotá-la logo e me juntar aos outros. — Determinou Wendy. Com um olhar afiado para sua oponente.
O demônio mirim esboçou um sorriso torto e assustador, ao passo em que encarava sua nova adversária. Ela lambeu os beiços e quando restaram apenas as duas, ela avançou em sua direção numa velocidade espantosa, o seu corpo era adornado por uma aura rosa sinistra. Em seu olhar só havia o desejo de vingança e tudo o que pensava era em eliminá-la.
Fim do Capítulo 6.
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